sexta-feira, março 9

O FUTURO DA SAÚDE EM PORTUGAL

O Serviço Nacional de Saúde cresceu em qualidade, proximidade das populações, mas também em “adiposidade” desde que foi criado há cerca de três décadas. E daqui para a frente? Será a despesa pública um dos maiores entraves ao desenvolvimento do sector da saúde em Portugal?
O encerramento de urgências e maternidades, por um lado, a criação e expansão das Unidades de Saúde Familiares, que dão agora os primeiros passos, por outro, representam uma revolução na saúde. Doravante, nada será como dantes. Queremos antever o futuro, com os melhores especialistas dos nossos parceiros.

17 comentários:

anonymous smile disse...
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anonymous smile disse...

Por um lado percebo (mais ou menos) o porquê de fecharem as urgências e as maternidades:
- economicamente, custa muito ao estado manter uma unidade de saúde para tão poucas pessoas e que, por não ter estruturas/condições para certos casos, estes têm que ser encaminhados para hospitais, acabando por ir apenas “perder tempo” (que numa urgência significa muito).

Por outro lado, há que avaliar certas situações:
- na maior parte dos caso, aos hospitais ficam muito longe para certas localidades;
- se as pessoas se dirigirem directamente às urgências dos hospitais, para além de “entupirem” as urgências, correm o risco de ficar eternidades à espera e num ambiente que não é propriamente aconselhável (pelo menos psicologicamente, já para não falar nos vírus que andaram lá pelo ar).

Não será que isto tudo é má organização?
Se temos hospitais, se temos médicos, se temos enfermeiros (pelo menos as vagas do ensino superior são sempre todas preenchidas e ainda há quem fique de fora e quem vá para o estrangeiro), então o que falta é mesmo organização…
Será que o estado não deveria apostar mais na saúde e na educação, em vez de TGV, estádios de futebol e outras coisas que só faziam sentido investir se tivéssemos um bom sistema de saúde e educação?

Realmente é o que o povo diz, os ricos recorrem ao sector privado e os pobres…esses não têm hipótese e têm que se sujeitar a ir de madrugada para os centros de saúde para arranjarem consulta (e sem garantias) ou então vão simplesmente (sobre)vivendo…até um dia…

Sociedade Civil disse...

Caro anonymous smile, como compreenderá tivemos que retirar o seu segundo comentário sobre a equipa do sociedade civil do blog. Agradeçemos os seus elogios, mas para o blog o mais importante é a opinião dos telespectadores sobre o tema. Além disso, a ficha técnica que colocou está desactualizada, embora conste no site da 2:

anonymous smile disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tânia Gouveia disse...

Não tenho bons pensamentos, sobre o futuro da saúde em Portugal.
Pois em vez de cortarem em despesas que não intressem (como encherem menos os bolsos de deputados e afins) preferem fechar urgências, maternidades...

Tânia Gouveia

Anónimo disse...

Se o estado não tem dinheiro para apoiar hospitais, maternidades, centros de saúde, escolas e estando a fechar muitos destes, para além de não ter recursos para apoiar mais ainda as famílias, mulheres, crianças em relação a apoio social e médico, muito pelo contrário, como terá o governo dinheiro, por exemplo, para pagar o aborto livre e gratuito essencialmente para clínicas privadas, a cerca de 1000 euros por aborto, ainda por cima quando a média em outros países como espanha e os EUA é de cerca de 300 a 400 euros? Como se explica isto? Que serviços médicos e sociais vão sofrer para que este dinheiro seja desviado para o aborto?

Parece-me um grande contrasenso que ao invez de se apoiar as infraestruturas que são uma verdadeira necessidade para a sociedade, na a prevenção ou resolução de muitos problemas sociais e de saúde, se esteja a desviar milhões de euros para enriquecer clínicas privadas e os seus médicos.

Resumindo, quem sofre mais com isto é a sociedade, especialmente os mais pobres, enquanto que com medidas deste género as empresas aumentam e muito os seus lucros com o aumento /ou expansão dos negócios.

Paulo

Lina disse...

Parece-me que o futuro da saúde em Portugal, infelizmente, não vai sofrer grandes alterações.
Em vez de melhores serviços de saúde, prefere fechá-los, resolvendo assim o problema.
Em vez de tentar resolver problemas como as infindáveis listas de espera, não e permanece tudo na mesma.
Mas afinal porque é que os portugueses têm que pagar tantos impostos, se sempre que precisam de um serviço do estado, nem sequer isso têm em condições?…

Mário disse...

eu devo ser das poucas pessoas que acha bem o fecha de algumas urgencias, por significarem um enorme custo para o estado e nao tendo muitas vezes 5 doentes por noite. mas assim como concordo com isto também acho que o governo devia nos locais onde as urgencias fecham equipar os bombeiros com ambulancias melhor equipadas para casos reais de urgencia (ataque cardiaco, avc, etc)

Jaime disse...

sou de portalegre, e sabem quanto tempo se demora de elvas a portalegre? 30 minutos, a comprir os limites de velocidade... agora digam se existe necessidade de haver uma materninade em elvas?

Enfermagem com Pessoas Toxicodependentes disse...

Porque é que não se utilizam os Blocos Operatórios por turnos das 8H às 24H de 2.ª a 6.ª feira e optam por um Programa Especial de Combate às Listas de Espera Cirúrgicas (PECLEC)que, à semelhança dos anteriores programas as listas de espera nunca terminam ou diminuem em tempo de espera?

Anónimo disse...

Número a recordar:

Linha de Saúde Pública

808 211 311

das 8h às 24h

Vitor Ribeiro disse...

Há cerca de uma semana levei a minha mulher às urgências do Hospital de Santarém, visto ela queixar-se de dores violentas no peito. Eram 06h da manhã e, durante a triagem disseram-lhe que o tempo médio de espera era de 120 minutos. Para além disso, quando acabou as suas análises, disseram-lhe que o tempo médio de espera pelos resultados era de 5 horas.
Ora, eu não sou médico, mas acredito que 120 minutos para que se queixa de dores no peito é tempo demasiado.
Para além disso, agora temos de mostrar as novas análises a um/a médico/a, mas como ela está em lista de espera há dois anos, não temos maneira de marcar uma consulta pública. Considerando que lhe foi diagnosticada uma Pneumonia, não vai, com certeza, para uma sala de espera de uma atendimento complementar expor-se a vírus quando tem o seu sistema debelitado. Que sistema de saúde é este, de um país dito civilizado?

JDSFB disse...

Esses senhores "doutores" mantém a organização do SNS centrada no médico e têm que entender que os cuidados de saúde, actualmente, são multidisciplinares e deveriam ser (re)orientados para a saúde.

Atreides disse...

As Unidades de Saúde Familiar servem para quê? Esta é uma questão que as pessoas colocam. Que recursos têm? Que área geográfica servem? Quantos utentes servem?

Os cidadãos não escolhem momentos para necessitarem de cuidados médicos. Por vezes nem podem escolher o momento em que procuram esses cuidados.
O atendimento deveria ser constante, 24h por dia, 7 dias por semana. Em vez de dispersarem recursos, porque é que os nossos responsáveis não dotam os hospitais dos meios necessários para o fazer? Porque razão há-de um paciente perder tempo na viagem até à Unidade de Saúde Familiar se depois é encaminhada para os hospital?
Parece-me que bastava mudar, talvez dar mais importância ao sistema de triagem.
Uma unidade onde estão 3 funcionários administrativos, 1 enfermeiro, 1 médico (quando não falta), 1 maca e Betadine não é exactamente o que a população espera.

Atreides disse...

Já agora, curiosa essa nota em relação ao "surto moderado de gripe". Em Caldas da Rainha, pelo menos o surto não foi moderado, bem pelo contrário.

João disse...

"O modelo organizacional das USF assenta numa forte articulação entre os seus elementos, quer dentro de cada categoria profissional, quer entre as várias categorias. Assim, no desenho dos mecanismos de pagamento, há ainda que ter em conta dois objectivos: por um lado, premiar o desempenho individual; e, por outro, promover o espírito de equipa".(Análise dos Custos e Sistema de Remuneração e Incentivos das Unidades de Saúde Familiar - Grupo de Trabalho da Associação Portuguesa de Economia da Saúde de 31/1/2007).

No entanto, vejamos o vencimento mensal médio previsto para as USF :

Licenciado em medicina (assistente graduado a 42 horas) = 5 613,85 €;
Licenciado em enfermagem (enfermeiro graduado 42 horas) = 1820,91 €
Habilitações: 3.º ciclo ou secundário (assistente administrativo principal - 3.º escalão a 35 horas) = 1024,35€ (inclui já incentivos médios anuais).
Assim, é difícil ter espírito de equipa...

João disse...

Prós e Contras do Encerramento das Urgências
01-Mar-2007
Afinal as urgências que o povo quer e sente, não são as mesmas que peritos, para o efeito designados definem.

Para além de quem quer informar-se, ter de assistir a uma descarada sessão de propaganda do governo, em que Fátima Ferreira transformou o seu areópago, ficamos a saber que há uns sábios que tentaram esclarecer, durante 3 longas e fastidiosas horas de programa, o que entendem por encerramento de urgências e o povo e as câmaras municipais, não entenderam, ainda.



Afinal, por encerramento, deve entender-se a abertura de mais umas quantas, a determinar posteriormente, segundo a rigorosa obediência aos doutos critérios cientificamente estudados e publicitados pela comissão perita.

Apenas variam de nível: não faz sentido haver urgências, onde não há doentes e a inversa.

Depois houve um pequeno desentendimento com os SUV e os SUB.

As Câmaras intuíram que “Soldados Unidos Vencerão”; os peritos entendem que são Serviços de Urgências Banais, mais ou menos sem direito a certidão de óbito.

Aqui levanta-se a dúvida quantos médicos podem estar: 2 diz o Ministro da Saúde através dos peritos; 3 dizem os Contras, pois há sempre a possibilidade de vir mais um retardatário e os dois médicos não o poderem atender.

A versão que o Povo entende é a de SAP, que segundo os peritos das urgências, nem “Serviço” são. Serviço, Serviço tem que ser o de Urgências por eles definidos. Curiosamente a guerra dos 3 médicos em vez de 2 foi ensaiada e praticada nos ditos SAP.

Depois vem a dúvida dos transportes e a sua adequação às características do doente que transportam. Os bombeiros reclamam mais formação para fazerem os partos e legitimarem a concorrência com os profissionais habilitados que a nova orgânica arredou do sistema.

A falta de capacidade dos peritos para o que discutiam está no facto provocatório de não terem falado uma só vez (temos a gravação do evento) nos Enfermeiros. Sendo estes e não os médicos, os grandes obreiros das urgências, é, no mínimo acintoso que não tenham falado nos Enfermeiros, em matéria que sobretudo, a estes diz respeito, quer no transporte, quer na resolução de problemas decorrentes da emergência.

Há países, como a Austrália onde os Serviços de Urgências têm Enfermeiros em presença física e Médicos por chamada. Fora disso estão em suas casas ou consultórios. Comparecem ao fim de 30 ou 40 minutos, porque entretanto, tal como cá, os Enfermeiros já preparam o doente para a intervenção do Médico, se for necessário.

Ora os livros onde esses Enfermeiros estudam são iguais aos nossos e “de homem para homem não vai força de boi”, diz o Povo.

Se 80% dos actos que se praticam nas Urgências, são de Enfermagem, a falta dos seus agentes, torna qualquer debate ininteligível e estéril.

E o Sr. Ministro da Saúde e quem promoveu este “Prós-e-Contras” não entenderam que doutorices à portuguesa curta, são uma coisa e eficácia na prestação de cuidados de saúde, são outra coisa.

Entregar a saúde e a sua problemática a peritos médicos é circunscrever a eficiência e eficácia dos resultados a um reduto, onde as soluções não são as correctas, por incapacidade dos peritos que muitas vezes não passam peritos no papel e na teoria.

Estarem a falar em nome dos que sabem como se atendem os doentes na Urgência, além de não ser civilizadamente correcto, lançam mais dúvidas do que as que conseguem esclarecer. Por isso a sua conversa é ininteligível, por vezes, ao ponto de se entender abertura por encerramento e vice-versa.

Claro está que a culpa não é toda destes peritos abusadores de confiança que os enfermeiros lhe não deram; é também dos próprios enfermeiros que não se revoltam contra este estado de coisas, impondo a sua arte que é distinta da dos médicos.

Salienta-se a capacidade e facilidade com que os Médicos, em geral, criam um alfobre de associações para tudo: são as dos internos gerais; são as dos internos especiais; são as dos que adormecem os doentes, são as dos que os acordam; são as dos emergencistas (categoria em promoção), são as dos inemistas (mistura de emrgencista com socorrista) e vamos ficar por aqui, pois não é nossa intenção fazer uma listagem tipo lista telefónica, mas sim evidenciar a perícia dialéctica que temos de suportar.

Porém na prática, é tudo diferente. Ora não estando os Enfermeiros para demonstrarem essas diferenças, que em situações de urgência são vitais (de conservar vidas) o debate sai sempre um pouco celestial, como a música.

Os enfermeiros, se não quiserem ser acusados de deixarem explorar as tendências em saúde-doença, para um terreno menos seguro têm de investir muito na informação dos cidadãos, para que saibam discernir onde começa a doença e acaba a exploração, ou o contrário.

Fala-se muito das urgências abertas ou a abrir; fechadas ou a fechar. Não se fala da sua necessidade e benefícios para o Povo.

Se os Enfermeiros que prestam 80% dos cuidados que são prestados a quem se abeira dos serviços de saúde, por que não têm listas de espera?

Certamente porque os cuidados que proporcionam, não se podem fazer esperar.

Se os cuidados dos médicos são em menor número, por que há listas de espera sem que ninguém investigue a sua causa?

Aqui está uma prática bem nacional, nossa.

Insiste-se em falar na falta de médicos nos centros de saúde, porque se descuram as reais necessidades dos utentes que são muito mais na área dos cuidados de enfermagem.

Doente bem esclarecido e cuidado pelos Enfermeiros não precisa de ir ao Médico. Se precisar o enfermeiro saberá encaminhá-lo.

Sendo isto tão evidente, por que terá tantos obstáculos no seu real desenvolvimento?

Porque só se fala de médicos a propósito de tudo e de nada; é porque os médicos têm muito pouco respeito pelas competências dos enfermeiros.

Os Enfermeiros têm que ser autênticos advogados dos doentes!

Têm de se impor perante o público que só beneficiará com essa imposição.

Falar de saúde através dos médicos é um erro tão grave como deixar, no chão, onde há crianças, que tudo metem à boca, objectos perigosos; igualmente os médicos tudo encaminham para as doenças, conhecidas ou a inventar. Para um médico, que se preze, todo o cidadão é um doente, em potência ou em acto.

Deixar a as pessoas entregues ao médico é destruir a perspectiva de haver saúde.

Vangloriam-se com as melhorias das taxas de saúde infantil, devidas em muito ao empenho dos enfermeiros. Mas não são capazes de se lhes referir, apesar de estarem consagrados na lei os direitos de autor.

Temos ainda um longo caminho a percorrer.

Afinal, por encerramento, deve entender-se a abertura de mais umas quantas, a determinar posteriormente, segundo a rigorosa obediência aos doutos critérios cientificamente estudados e publicitados pela comissão perita.

Apenas variam de nível: não faz sentido haver urgências, onde não há doentes e a inversa.

Depois houve um pequeno desentendimento com os SUV e os SUB.

As Câmaras intuíram que “Soldados Unidos Vencerão”; os peritos entendem que são Serviços de Urgências Banais, mais ou menos sem direito a certidão de óbito.

Aqui levanta-se a dúvida quantos médicos podem estar: 2 diz o Ministro da Saúde através dos peritos; 3 dizem os Contras, pois há sempre a possibilidade de vir mais um retardatário e os dois médicos não o poderem atender.

A versão que o Povo entende é a de SAP, que segundo os peritos das urgências, nem “Serviço” são. Serviço, Serviço tem que ser o de Urgências por eles definidos. Curiosamente a guerra dos 3 médicos em vez de 2 foi ensaiada e praticada nos ditos SAP.

Depois vem a dúvida dos transportes e a sua adequação às características do doente que transportam. Os bombeiros reclamam mais formação para fazerem os partos e legitimarem a concorrência com os profissionais habilitados que a nova orgânica arredou do sistema.

A falta de capacidade dos peritos para o que discutiam está no facto provocatório de não terem falado uma só vez (temos a gravação do evento) nos Enfermeiros. Sendo estes e não os médicos, os grandes obreiros das urgências, é, no mínimo acintoso que não tenham falado nos Enfermeiros, em matéria que sobretudo, a estes diz respeito, quer no transporte, quer na resolução de problemas decorrentes da emergência.

Há países, como a Austrália onde os Serviços de Urgências têm Enfermeiros em presença física e Médicos por chamada. Fora disso estão em suas casas ou consultórios. Comparecem ao fim de 30 ou 40 minutos, porque entretanto, tal como cá, os Enfermeiros já preparam o doente para a intervenção do Médico, se for necessário.

Ora os livros onde esses Enfermeiros estudam são iguais aos nossos e “de homem para homem não vai força de boi”, diz o Povo.

Se 80% dos actos que se praticam nas Urgências, são de Enfermagem, a falta dos seus agentes, torna qualquer debate ininteligível e estéril.

E o Sr. Ministro da Saúde e quem promoveu este “Prós-e-Contras” não entenderam que doutorices à portuguesa curta, são uma coisa e eficácia na prestação de cuidados de saúde, são outra coisa.

Entregar a saúde e a sua problemática a peritos médicos é circunscrever a eficiência e eficácia dos resultados a um reduto, onde as soluções não são as correctas, por incapacidade dos peritos que muitas vezes não passam peritos no papel e na teoria.

Estarem a falar em nome dos que sabem como se atendem os doentes na Urgência, além de não ser civilizadamente correcto, lançam mais dúvidas do que as que conseguem esclarecer. Por isso a sua conversa é ininteligível, por vezes, ao ponto de se entender abertura por encerramento e vice-versa.

Claro está que a culpa não é toda destes peritos abusadores de confiança que os enfermeiros lhe não deram; é também dos próprios enfermeiros que não se revoltam contra este estado de coisas, impondo a sua arte que é distinta da dos médicos.

Salienta-se a capacidade e facilidade com que os Médicos, em geral, criam um alfobre de associações para tudo: são as dos internos gerais; são as dos internos especiais; são as dos que adormecem os doentes, são as dos que os acordam; são as dos emergencistas (categoria em promoção), são as dos inemistas (mistura de emrgencista com socorrista) e vamos ficar por aqui, pois não é nossa intenção fazer uma listagem tipo lista telefónica, mas sim evidenciar a perícia dialéctica que temos de suportar.

Porém na prática, é tudo diferente. Ora não estando os Enfermeiros para demonstrarem essas diferenças, que em situações de urgência são vitais (de conservar vidas) o debate sai sempre um pouco celestial, como a música.

Os enfermeiros, se não quiserem ser acusados de deixarem explorar as tendências em saúde-doença, para um terreno menos seguro têm de investir muito na informação dos cidadãos, para que saibam discernir onde começa a doença e acaba a exploração, ou o contrário.

Fala-se muito das urgências abertas ou a abrir; fechadas ou a fechar. Não se fala da sua necessidade e benefícios para o Povo.

Se os Enfermeiros que prestam 80% dos cuidados que são prestados a quem se abeira dos serviços de saúde, por que não têm listas de espera?

Certamente porque os cuidados que proporcionam, não se podem fazer esperar.

Se os cuidados dos médicos são em menor número, por que há listas de espera sem que ninguém investigue a sua causa?

Aqui está uma prática bem nacional, nossa.

Insiste-se em falar na falta de médicos nos centros de saúde, porque se descuram as reais necessidades dos utentes que são muito mais na área dos cuidados de enfermagem.

Doente bem esclarecido e cuidado pelos Enfermeiros não precisa de ir ao Médico. Se precisar o enfermeiro saberá encaminhá-lo.

Sendo isto tão evidente, por que terá tantos obstáculos no seu real desenvolvimento?

Porque só se fala de médicos a propósito de tudo e de nada; é porque os médicos têm muito pouco respeito pelas competências dos enfermeiros.

Os Enfermeiros têm que ser autênticos advogados dos doentes!

Têm de se impor perante o público que só beneficiará com essa imposição.

Falar de saúde através dos médicos é um erro tão grave como deixar, no chão, onde há crianças, que tudo metem à boca, objectos perigosos; igualmente os médicos tudo encaminham para as doenças, conhecidas ou a inventar. Para um médico, que se preze, todo o cidadão é um doente, em potência ou em acto.

Deixar a as pessoas entregues ao médico é destruir a perspectiva de haver saúde.

Vangloriam-se com as melhorias das taxas de saúde infantil, devidas em muito ao empenho dos enfermeiros. Mas não são capazes de se lhes referir, apesar de estarem consagrados na lei os direitos de autor.

Temos ainda um longo caminho a percorrer.

FONTE: http://sindicato.enfermeiros.pt/content/view/270/