terça-feira, outubro 30

CUIDADOS PALIATIVOS

Um estudo encabeçado por Rui Nunes, director do serviço de Bioética da Faculdade de Medicina do Porto e presidente da Associação Portuguesa de Bioética, fez ressurgir a discussão sobre a eutanásia. As conclusões revelam que uma “percentagem das pessoas idosas institucionalizadas, mesmo não sofrendo de doenças crónicas ou terminais, pensa frequentemente na morte e cerca de 50% admite a legalização da eutanásia”. Os movimentos de defesa da vida manifestam-se contra – a contestação foi lançada publicamente pela presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos, Isabel Neto – e exigem o alargamento dos serviços de cuidados paliativos, inseridos na Rede Nacional de Cuidados Continuados, cujo reforço está contemplado no Orçamento de Estado para 2008.

56 comentários:

RUTE disse...

Por falar em legalização da eutanásia, no doclisboa 2006 vi um documentário que me impressionou imenso sobre uma Associação Suiça de nome EXIT que ajuda pessoas a cometerem suicidio assistido em casos terminais ou em casos de dolorosa agonia.

A principio foi um choque. Mas após muita reflexão e posse de algum conhecimento no terreno chega-se à conclusão que os cuidados paliativos podem não ser o suficiente para melhorar a qualidade de vida destas pessoas e porque não deixá-los escolher a morte como última manisfestação de liberdade que lhes é concedida?

O papel desta Associação EXIT é importantíssimo visto acompanhar o doente durante bastante tempo, questioná-lo frequentemente se a morte é mesmo o que pretende, força-lo a tomar consciência do seu acto. Para além de proporcionar uma morte sem dor e sem volta. E para os que desejam morrer não querem morrer escondido como se fossem criminosos. Querem ter o direito de escolha e querem morrer acompanhados para minimizar o medo. Nalguns casos até a familia está presente.

Há mais de 20 anos que equipas de volutários nesta associação suiça acompanham doentes crónicos e deficientes graves em direcção a uma saída mais digna.

Anónimo disse...

http://portodaspipas.blogs.sapo.pt/533747.html

Miguel de Sousa Azevedo-Terceira-Açores

RUTE disse...

Na maior parte dos casos, um doente em fase terminal é enviado para casa para morrer.

A minha Tia morreu de cancro há 20 anos atrás e recordo ouvir contar que o hospital deu-lhe alta para ela ir morrer a casa.
A minha avó conta que a minha tia vomitou alguns orgãos pela boca e nenhum médico ou enfermeira acompanhou o terminar da vida dela em casa.

Não seria mais justo terem-lhe dado algo para ela serenar? Não seria mais justo terem-lhe permito um suicido digno?

RUTE disse...

Os médicos defendem que não há camas suficientes nem pessoal especializado suficiente nos hospitais.

O Estado defende que não há dinheiro para cuidados curativos quanto mais para cuidados paliativos!

E nós, comuns cidadãos, defendemos que andamos demasiadamente ocupados para nos propormos ao voluntariado.

Muitas pessoas há que nem falam com os vizinhos do lado, quanto mais dar apoio domiciliario a velhotes ou a doentes.

lady_blogger disse...

O aborto foi a referendo e ganhou o sim.
Agora e quanto à eutanásia, irá a referendo ou não, ganhará o sim ou o não?

Não gosto de "mexer" com a vida de ninguém, e sei que enquanto há vida há uma réstia de esperança, depois de morto é que já não há solução.
É triste ver os outros sofrer, mas dum momento para o outro pode surgir uma hipótese de cura, temos de investir e acreditar mais no progesso da medicina.
Não coertemos um mal com um mal ainda maior.
Nem falei ainda na questão religiosa que acha este acto imoral, ou mesmo pecado capital, nem quero debruçar-me sobre esta parte porque gera polémica em demasia e porque quero olhar a questão da eutanásia na perspectiva cientifica e não religiosa.


CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Se todos supostamente têm direito a morrer com dignidade, o mesmo será dizer que têm direito a morrer quando acharem que não aguentam mais e decidem que os matem, ou um qualquer parente assina um papel para terminar com a vida do doente?
Há por aí tanta gente que por vários motivos acha que não aguenta esta vida, alguns suicidam-se e nunca ninguém concorda com tal atitude. E o que vai fazer mudar a opinião geral? O facto de se estar muito doente já dá o direito ao suicídio e já todos passam a concordar com o suicídio?
E afinal o que pode causar mais sofrimento, os males da alma ou os do corpo? Então qualquer dia ambos os argumentos serão válidos para um suicídio socialmente aceitável.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...
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lady_blogger disse...

Rute, imagine que só tinha um parente vivo, ou a vegetar (como lhe queira chamar). Amavam-se muito, mas o sofrimento era considerável. Conseguiria a Rute decidir-se de cabeça fria pela eutanásia? Teria a coragem? Ou acharia que mantêr vivo esse parente seria cobardia?
Acho que é mais fácil pedir-se a morte para si próprio do que para os outros.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Distraí-me com o blog e só agora me apercebi que o SC já começou...

lady_blogger disse...

E para um doente terminal sem família, quem teria a legitimidade para decidir desligá-lo da vida?

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...
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lady_blogger disse...

O meu marido teve um avô em coma durante um ano.
Que teriam feito se a eutanásia já estivesse aprovada? Criariam um tempo limite de ligação do paciente às máquinas? Passado esse tempo, não teriam esperança na recuperação do doente e simplesmente desligariam as máquinas?

CC

Maria Mendes

ANTONIO SILVA disse...

BOA TARDE

lady_blogger disse...

Quanto à distanásia, pode não haver perspectivas de melhoria, contudo a continuidade dos tratamentos paliativos justificam-se por haver alguma esperança no evoluir dos descobrimentos científicos, e consequentemente os doentes poderem ter ainda cura.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...
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lady_blogger disse...

Referem a Holanda como o exemplo de um país onde a eutanásia é um recurso legítimo, mas não esqueçamos que na Holanda é permitido tudo e mais alguma coisa. E o nosso país não está preparado para este salto. Então teria que primeiro e à semelhança da Holanda, liberalizar-se as drogas e a prostituição. Se é para imitar a Holanda, então que se imite seguindo a mesma ordem...
Nós somos portugueses, o nosso povo não está pelo menos para já receptivo a tanta liberalização.

CC

Maria Mendes

ANTONIO SILVA disse...

QUE VIVEMOS UM ESTADO DE DIREITO, TODOS NOS SABEMOS, (EMBORA POR VEZES DUVIDE DISSO), ENTÃO, CALCULO QUE TENHA O DIREITO, DE DECIDIR QUANDO TERMINAR O MEU SOFRIMENTO.EU POSSO RECUSAR A IR A UM HOSPITAL RRECEBER TRATAMENTOS, MAS NÃO POSO RECUSAR A ETAR LIGADO A UMA MAQUINA, PARA VIVER??? NÃO ESTARÃO A RECUSAR-ME UM DIREITO??? POQUE É QUE UMA SOCIEDADE HÃ-DE SABER MAIS DO QUE EU O QUE É MELHOR PARA MIM???

Anónimo disse...

Vi uma pessoa da minha família que me era directamente próxima, morrer de cancro, vi a degradação que teve nos 2 últimos meses de vida, teve de tomar até morfina para poder suportar as dores. Gostava de perguntar à doutora (peço desculpa de não me lembrar o seu nome), se ela se acha no direito ou os movimentos de defesa da vida que integra, se acham no direito de impedir o direito a Eutanásia por parte de uma pessoa, quando esse direito deve ser individual de cada um, quem somos nós para tirar a liberdade de escolha a uma outra pessoa.
Quem quiser ter cuidados paliativos que os tenha, agora quem quer morrer, deixem que o faça em paz com a sua consciência.

lady_blogger disse...

Interessante a expressão de turismo da eutanásia.
Pois qualquer dia as agências para além dos serviços de viagens de lua-de-mel, das viagens de negócios, e até de simples turismo de férias passarão a dispôr do serviço que eu chamaria de "Viagem da sua Vida" ou "Viagem Para a Morte".
As agências de viagem só terão de descobrir mais este nicho de mercado, abrindo assim a pestana para que outros as fechem...

CC

Maria Mendes

ANTONIO SILVA disse...

QUEM CONFERE, A SOCIEDADE, O DIREITO DE OBRIGAR-ME, A ESTAR NUMA SITUAÇÃO, QUE EU ENTENDO, DE SOFRIMENTO E INDIGNA, NO MEU ENTENDER?? SÓ SE PENSAM QUE EU ENQUANTO INDIVIDUO, NÃO SOU CAPAZ DE PENSAR OU AO NÃO SEREI SUFICIENTEMENTE INTELIGENTE PARA CHEGAR A DECISÃO DO QUE SERÁ MELHOR PARA MIM. MAS ENTENDEM, QUE SEREI INTELIGENTE, PARA VOTAR EM A OU B, PARA TIRAR A CARTA DE CONDUÇÃO, OU SER CONTROLADOR AÉREO????

Anónimo disse...

Dª MARIA MENDES, O INVERSO TAMBÉM SE APLICA, QUALQUER DIA, TAMBÉM TEREMOS CARTAZES DE TURISMO, PARA PARAÍSOS DE CUIDADO PALIATIVO EM ILHAS PARADISÍACA??

lady_blogger disse...

"Anónimo disse...

Dª MARIA MENDES, O INVERSO TAMBÉM SE APLICA, QUALQUER DIA, TAMBÉM TEREMOS CARTAZES DE TURISMO, PARA PARAÍSOS DE CUIDADO PALIATIVO EM ILHAS PARADISÍACA??

14:55"

Seria bom que assim fosse...

CC

Maria Mendes

ANTONIO SILVA disse...

PORQUE É QE A SRª DOUTORA AI PRESENTE, PENSA QUE UM DOENTE TERMINAL É INCAPAZ, DE DECIDIR, E BASEADO EM ALGUM ESTUDO, QUE EU NÃO CONHEÇA?? OU PENSA QUE QUE UM DOENTE EM FASE TERMINAL SE DECIDIR RECEBER CUIDADOS PALIATIVOS É INTELIGENTE E DECIDIU BEM, SE O DOENTE DECIDIR O CONTRARIO, JÁ NÃO E CAPAZ DE DECIDIR E NÃO SABE, O QUE QUER OU NÃO ESTA, NA POSSE PLENA DAS SUAS CAPACIDADES MENTAIS.

ANTONIO SILVA disse...

O CONTRARIO TAMBÉM Dª MARIA MENDES

Anónimo disse...

A doutora gosta de insistir nos cuidados paliativos porque isso é um autêntico negócio, já agora refira que trabalha no Hospital da Luz, que pertençe ao Espirito Santo Saúde.
A Eutanásia deve ser livre para doenças incuráveis ou pessoas gravemente feridas se assim o entenderem, e deve ser manifestada em declaração que seja válida, por exemplo escritura pública, gravação em video, não deve ser considerada por desejo da família que diz que a pessoa disse ou por algo sem credibilidade, as pessoas não pedem eutanâsia por pedir, pedem quando não existe mais volta para trás.

lady_blogger disse...
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lady_blogger disse...

Se alguns usarem a eutanásia para põr um fim ao sofrimento de doentes, haverá certamente quem a esta recorrerá para se aliviar de trabalhos e despesas acrescidas, incluindo instituições que não pretendam dispender dinheiro e outros esforços com cuidados paliativos.
Qualquer dia volta-se à pena de morte para arranjar forma de as prisões cortarem nas despesas.

CC

Maria Mendes

ANTONIO SILVA disse...

O CONTRARIO TAMBÉM Dª MARIA MENDES

RUTE disse...

Lady_blogger, se eu amasse muito um familiar meu optaria por minimizar o sofrimento desse ente querido o mais possivel.
Só escolheria a eutanasia se efectivamente não existisse uma outra opção.
Considero que tudo tem um principio, meio e fim. Por muito que nos custe, sabemos que tudo termina. Então que termine da melhor forma.
Há que ter a coragem.

lady_blogger disse...

"ANTONIO SILVA disse...

O CONTRARIO TAMBÉM Dª MARIA MENDES

15:05"

Eu sei António. Eu disse que seria bom que isso acontecesse, porque nem todos têm recursos para tal.

CC

Maria Mendes

Guida M. disse...

Alguém com total liberdade de movimentos tem a possibilidade de cometer suícidio. Temos essa liberdade e consciência de subverter o nosso instinto de sobrevivência - é um dos aspectos complexos do que é ser humano. Quem não tem essa liberdade de movimento estará sempre preso fisicamente e moralmente aos juízos dos outros. Cabe-nos a nós ter a última palavra na nossa vida, nas nossas escolhas, nos nossos príncipios... Existe uma luta de séculos no desenvolvimento dos direitos humanos: não será um direito humano termos a última palavra sobre se queremos estar vivos ou não? Não será essa uma escolha somente nossa e não dos outros? Quem está contra a eutanásia é condescendente com o sofrimento dos outros e com a própria liberdade de cada um.

lady_blogger disse...
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ANTONIO SILVA disse...

NÃO ANDAMOS A MATARMOS-NOS UNS AOS OUTROS QUANDO SE PROPORCIONA-SE A ALGUÉM O DIREITO A DECIDIR QUE JÁ NÃO QUER VIVER MAIS EM DETERMINADA SITUAÇÃO, QUE ENTENDE NÃO SER DIGNA, PARA SI E NÃO PARA TODOS OS DOENTES.
SRA QUE É POR MEDO, QUE HAJA PESSOAS SE RECUSEM A ENTENDEREM QUE HAJA QUEM NÃO QUEIRA VIVER EM DETERMINADAS SITUAÇÕES, PENSO QUE É TEMPO DESSAS PESSOAS SOSSEGAREM OS ESPÍRITOS QUE NINGUÉM AS VAI MATA-LAS.

lady_blogger disse...

Não querendo abordar questões muito pessoais, sempre estive rodeada sobretudo de pessoas de idade que foram morrendo, e as quais me teria disposto a cuidar se preciso fosse, sacrificando a minha vida.
Amava-os a ponto de nunca em circunstância alguma baixar as armas esperando pela solução mais fácil.

CC

Maria Mendes

Anónimo disse...

Maria Mendes, existem já por aí, autênticos hoteis 6 estrelas, para cuidados paliativos, ficam mais caros que umas boas férias em Varadero, mas mesmo assim as pessoas vão morrer, é negócio puro, mais lucro para os bancos que gerem estes hospitais, é fazer dinheiro à custa da degradação humana, e isso é revoltante.

lady_blogger disse...

"Guida M. disse...

Alguém com total liberdade de movimentos tem a possibilidade de cometer suícidio."

Olhe Guida já vários estudiosos se debruçaram sobre a questão de quais seriam os últimos desejos de quem se suicida e em grande parte dos casos está provado cientifícamente que os suicidas se arrependeram enquanto cometiam o acto fatal.
Pergunto em sequência disto se realmente quem deseja pôr fim à sua vida, será que quer mesmo isso, ou quer é que a sua vida melhore de alguma forma? Logo nem todos os que se suicidam agem de cabeça fria, com a devida reflexão. Alguns suicídios são cometidos por impulso.

CC

Maria Mendes

Anónimo disse...

Doutora, eu se estivesse com Parkinson com a idade do seu paciênte, só queria morrer em paz com a minha consciência, não ter a senhora Doutora a olhar para mim com ar de pena. Curem as pessoas que são curáveis, às outras deixem-nas decidir o que querem.

ANTONIO SILVA disse...

PORQUE É QUE ALGUÉM, É OBRIGADO A RECEBER, CUIDADOS PALIATIVOS OU ESTAR LIGADO, A UM MAQUINA PARA VIVER, CONTRA A SUA VONTADE, MAS NÃO PODE DECIDIR QUE DESLIGUEM AS MAQUINAS???
PENSO QUE E SUBVERTER OS CONCEITOS DO DIREITO DE....

RUTE disse...

Fernanda, na Holanda não sei. Mas em relação à tal associação na Suiça não se põe essa situação do Turismo de Eutanasia visto o tal suicidio assistido ser um processo lento, no qual a dita associação coloca um voluntário a acompanhar o doente durante mais de 2 anos.

O suicidio assistido acontece em casa e como é legal, no fim, é chamada a policia e os serviços médicos para levarem o corpo.

Anónimo disse...

sendo enfermeira ja ouvi inúmeras vezes, por parte dos doentes, a questão: "mas tenho de sofrer tanto para morrer?"...e ja vi inúmeras vezes a luta dos médicos para tentar fazer aquilo que eles foram treinados para...contrariar a morte e lutar pela vida muitas vezes quando todas as condições apontam na direcção da morte...hoje em dia, recorrendo a muitas técnicas medicas e intervenções, pode-se prolongar durante muito tempo a vida de um doente que há partida não teria qualquer esperança...mas com o passar do tempo, tanto o doente, como a familia, de acordo com o que me posso aperceber da minha experiência profissional, começam a se aperceber que não se trata mais do que meras intervenções que prolongam a vida, muitas vezes, já em condiçoes miseráveis, durante mais uns dias, uns meses, uns anos...chega a um ponto que aos falarmos com os familiares percebemos que eles falam como se os doentes já tivessem falecido... "ele era assim...ele fazia isto...antes de isto acontecer tudo era diferente...era uma pessoa tão activa, tão dona de si...", e mesmo quando pensamos que o doente já não tem qualquer percepção do que se passa ao seu redor, apercebemo-nos que quando ouve estas palavras, se calhar até lhe cai uma lágrima do rosto....portanto segundo a minha reflexão a eutanasia não se trata só de um médico realizar algum procedimento para ajudar a morte do doente, mas deixar de fazer intervenções que vão prolongar o sofrimento irremediável e deixar a natureza actuar por si...de qualquer das formas em outros casos em que o doente está plenamente consciente, como no caso do autor do livro apresentado, podemos dizer a nossa opinião, se somos contra ou a favor da eutanasia neste caso...mas primeiro acho que temos de reflectir e pormo-nos no lugar do doente... ou seja imaginarmo-nos como se fossemos so uma "cabeça" neste caso, dado que para o doente, o resto do corpo não existe...o que faríamos????

Keops disse...

assiati tb à reportagem na Suíça da Associação Exit.Perturbadora, mas honesta.
Em sintese, entendo que há muita generosidade, muito amor naquelas práticas!

lady_blogger disse...

"Anónimo disse...

Maria Mendes, existem já por aí, autênticos hoteis 6 estrelas, para cuidados paliativos, ficam mais caros que umas boas férias em Varadero, mas mesmo assim as pessoas vão morrer, é negócio puro, mais lucro para os bancos que gerem estes hospitais, é fazer dinheiro à custa da degradação humana, e isso é revoltante.

15:19"

É revoltante se de facto estes serviços forem só de mera exploração. Porém acredito que haja pessoas de posses abastadas que prefiram morrer em locais agradáveis num país distante, dispondo aí de cuidados paliativos, e quanto a isso não me oponho.

CC

Maria Mendes

ANTONIO SILVA disse...

A SRª Dª AI PRESENTE NÃO É POR FALAR MUITO E DEPRESSA, RETIRANDO AOS OUTROS COMENTADORES DE SE EXPRIMEM-SE QUE É AIS CONVINCENTE OU E DONA DA RAZÃO.

RUTE disse...

A respeito do livro "O Escafandro e a Borboleta" convido todos a visitarem o meu Blog http://publicarparapartilhar.blogspot.com/ onde encontrarão um post sobre este livro e consequente filme que estreou no passado dia 25 Outubro.
No artigo em questão, explico o porquê do título do filme, uma vez que aparentemente um escafandro nada tem em comum com uma borboleta.
Ou será que tem?

Anónimo disse...

Boa tarde!

É certo que todos temos direito á vida. Mas nao deveriamos ter também o direito á morte? Se nos permitem que o facamos por nossos proprios meios porque nao permitem tambem que nos assistam quando nao temos possibilidade de pormos termo a algo que nao desejamos mais?

Anónimo disse...

Boa tarde!

É certo que todos temos direito á vida. Mas nao deveriamos ter também o direito á morte? Se nos permitem que o facamos por nossos proprios meios porque nao permitem tambem que nos assistam quando nao temos possibilidade de pormos termo a algo que nao desejamos mais?

Sofia Seguro

RUTE disse...

Keops, viu uma reportagem ou viu o documentário?
Efectivamente o documentário mostrava muita generosidade e muito amor naquelas práticas.
Eu não sei se teria a coragem de exercer essa "profissão".

Lembra-se das reuniões dos volutários da Associação EXIT?

Eles lamentavam-se do quão duro e penoso era o seu trabalho, ficarem amigos dos doentes, acompanharem-nos durante alguns anos e depois colaborarem no seu suicidio.

Até para ajudar alguém a morrer, nestes casos, é preciso amar demais o ser humano.

guida.m disse...

lady_blogger disse... "Olhe Guida já vários estudiosos se debruçaram sobre a questão de quais seriam os últimos desejos de quem se suicida e em grande parte dos casos está provado cientifícamente que os suicidas se arrependeram enquanto cometiam o acto fatal."

E então? as pessoas com liberdade de movimentos tem a liberdade de cometer suicidio (o que as motiva e se se arrependem - podendo isso só ser medido nas tentativas falhadas de suicido, porque nos casos de "sucesso" nunca ninguém saberá - não interessa para o caso. o que interessa é que podem tomar essa decisão, mesmo que sendo por impulso), e as pessoas com doenças terminais ou incapacidades motoras por mais que tenham esse desejo e seja essa vontade estão dependentes da vontade dos outros para viverem ou morrerem. Isso é o pior. Sentir que a nossa vida (independemente de a querermos ou não) e a nossa morte é determinada por outrém. Onde é que existe liberdade de escolha no meio disto tudo?

Acho que qualquer pessoa com meio palmo de testa pode fazer um exercício... imaginar-se numa cama 24 horas sem conseguir mexer qualquer membro a não ser abrir os olhinhos, e isto durante meses e anos.. e perguntem-se a si mesmos se acham que nunca iriam sentir vontade de morrer? E o dificil de toda essa situação seria não só a vontade de terminar a vida bem como a frustração da impotência total para o poder fazer!

Anónimo disse...

A minha pergunta é esta:
Aborda-se o sofrimento físico, as limitações físicas como justificativos da eutanásia. E o sofrimento psicológico? E quando viver é apenas somar horas de sofrimento? Não falem do apoio da família porque cada vez mais a família está em extinção e os amigos tendem a esbater-se numa designação vaga. Neste país quem está só fica só. Os discursos são bonitos mas não passam de tremendas falsidades moralistas, as pessoas dizem publicamente o que é suposto dizerem e depois vão para suas casas e não fazem nada. NADA! Isso aconteceu com o aborto, por exemplo.
Quando estamos tão sós como vocês nem conseguem conceber nas vossas imaginações férteis temos que nos submeter ao vosso moralismo?
Ainda mais uma pergunta:
Minha mãe faleceu só a meio da noite. Porque não posso desejar acabar os meus dias serenamente a uma hora escolhida rodeado com os que quero estar a ver quando fechar os olhos pela última vez?
Humberto Sousa

RUTE disse...

A solidão dáva outro tema de conversa. Tão ou mais interessante e com urgência em ser repensado.

Mas também depende muito de nós próprio o estarmos sós e permanecermos sós. Muita gente, enquanto tinha saúde e jovialidade não plantou para colher mais tarde. Não cultivou amizades, não se esforçou por manter a familia próximo, muitas vezes foram egoistas e individualistas, e deitaram fora relações amorosas que tinham por darem mais valor à profissão do que à vida privada, por exemplo.

Não podemos generalizar. Há casos e casos de solidão. Há aqueles que escolhem ficar sós e aqueles a quem a solidão lhes é imposta.

Voltando ao assunto dos paraplégicos, lembro o filme "O coleccionador de ossos" no qual Denzel Washington desempenhava o papel de um ex-investigador paraplégico que através de um sofisticado apoio de computadores consegue ajudar a policia Angelina Jolie a resolver um caso dum serial killer.

Resumindo, um dos motivos que pode levar uma pessoa a dar termino à sua vida é não ver utilidade nela. Todos nós precisamos de nos sentirmos úteis numa sociedade.

Uma sociedade que discrimina os seus velhos contribui para aumentar o suicidio.

lady_blogger disse...

Afinal a vida é um bem indesejável ou um mal necessário? E a morte terá o mesmo valor?


CC

Maria Mendes

Anónimo disse...

não sei se este é o local indicado, mas gostaria de sugerir um tema, que seria sobre a credibilidade das ONGs a operar em cenários complexos. Sugiro esta questão, que me tem preocupado, e porque hoje há uma notícia infeliz com a associação "Arca de Zoe" que reflecte esta problemática. Claro que é "só" uma notícia, mas parece-me ser uma questão candente da sociedade actual.
Obrigada pela vossa atenção e, já agora, pelo vosso programa.

Rita Cachado

RUTE disse...

É real, infelizmente há associações falsas que sob a capa de uma organização não governamental cometem vários crimes.

Cabe às associações verdadeiras denunciarem as falsas. Ou aos próprios lesados.

E devem ser grandemente punidas. Esta ONG Arca de Zoé terá de responder por um crime muito grave: Tráfico de crianças.

Sara disse...

Eu sou totalmente a favor da eutanásia, o direito de decidir sobre a própria vida em condições de sofrimento terminal. Um filme excelente e que aconselho a todos é: "MAR ADENTRO" que conta a história de Ramón Sanpedro, um homem que ficou tetraplégico e que, com plenas capacidades mentais, lutou pelo direito a morrer dignamente durante muitos anos, mas nada conseguiu. Acabou, a muito custo de ambos, por conseguir ajuda de uma amiga para acabar com o seu sofrimento...

Lucia disse...

Estive a assistir á repetição do Sociedade Cívi e gostaria de deixar a minha opininão.
A eutanásia, ou como dizem de uma maneira mais subtil, morte digna para parar o sofrimento de alguém, não deixa, e nem nunca vai deixar de ser, suicídio ou assassinato, dependendo do modo que for praticada.
Se pensarmos um pouco, e deixarmos de lado o modo de vida "prática" que o mundo vive, que é, se estás mal MORRE, se estás no meu corpo e eu não te quero na minha vida, "ABORTO-TE", então podemos reflectir que se não ouver AMOR nada se resolve.
Quando falo de Amor, refiro-me a todos em geral e principalmente aos governantes do mundo, que esses deveriam ser os primeiros a amar o povo que goverNam, afim de proporcionarem todos os cuidados que uma pessoa em estado terminal da sua vida tenha direito, quer em tratamentos médicos quer em assistência em casa. Cuidados esses que passam principalmente pelos cuidados paliativos, que são dados de coração pelos que os praticam, com muito amor á mistura.Porque em tudo na vida e em qualquer profissão é preciso gostar muito do que se faz, para fazê-lo com amor.
Se uma pessoa estiver doente, terminal ou não, obviamente que o que ela pensa é em morrer, e diga-se de passagem com justiça, uma vez que a sociedade anda demais preocupada com o seu umbigo para conseguir incluí-la no ser circulo, muito fechado, das pessoas que amam, ou seja, a sua própria família.
Digam o que disserem, tudo se resume ao AMOR,...ou á Falta dele.

O Amor tudo vence!... mesmo a morte.

Lucia disse...

Gostaria de dar os parabén ao programa Sociedade Cívil, pela forma isenta como aborda os temas, deixando-os esclarecidos, independentemente da opinião dos entrevistados.
Parabéns á Fernanda Freitas pelo profissionalismo, e pelo amor, com que faz o seu programa.