segunda-feira, fevereiro 25

Transplantes em Portugal

Faltam órgãos em Portugal – foi o apelo lançado no início dos anos 80 pela Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação. De forma a aumentar o número de transplantes, o Estado criou um subsídio de incentivo para os médicos. Medida que se traduziu num aumento de transplantes: só no ano passado fizeram-se 1.330, mais 20% que em 2006. O reverso da medalha dos incentivos é um modelo que rende aos profissionais de saúde milhões de euros por ano – há médicos que chegam a ganhar 30 mil euros líquidos por mês. Estes incentivos retiram verbas a outros sectores da Saúde?

23 comentários:

lady_blogger disse...

Até se compreende que o exercício da medicina em alguns ramos possa ser desgastante sobretudo psicológicamente, mas tal não me parece justificação bastante que explane a exurbitância de ganhos principalmente em consultórios e hospitais privados. Haverá outras profissões igualmente desgastantes, mas nem por isso tão bem remuneradas. A disparidade salarial é algo que me incomoda. Se em Portugal não houvesse tanta pobreza, nem me preocuparia tanto com esta questão.
Há sectores onde o Estado poderia poupar algum dinheiro e daí dar melhores condições e incentivos de trabalho para muitos dos pobres e dos desempregados mudarem as suas vidas para melhor e conseguirem auto-sustentar-se.

Relativamente a alguns sectores de saúde perderem benefícios para outros, acredito que seja uma realidade porque os bolsos do Estado não albergam dinheiro elástico, logo para se dar a uns talvez esqueçam ou retirem algo a outros sectores de saúde.

É claro que o transplante é algo a que se deve dar especial atenção, dadas as necessidades constantes de novos dadores de órgãos. A ter de se dar benefícios por transplantes, talvez se devesse começar a dar a quem doa órgãos ou à família de quem os dá, pois aqui não é só o médico que transplanta que salva vidas, mas sim quem doa os órgãos. Que benefícios ou incentivos poderia haver para quem doa? Ou nunca haverá incentivos desta ordem porque isso poderia estimular o tráfico de órgãos?

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Porque não se aposta na clonagem de órgãos?

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sonharamar disse...

28 milhões de euros dava para construir um hospital

silvia disse...

Boa tarde.
Concentrem-se por favor nos interesses dos doentes.
Por duas vezes soube por reportagem de um canal de televisão que morrem doentes de Fibrose Quística em Portugal por falta de transplante pulmonar.E os que fazem transplante é na nossa vizinha Espanha.Porquê?Afinal o que se passa com os transplantes de pulmão?Falta de orgãos?Ou a politica negocial não incluí esses transplantes.É assustador saber que dependemos de tantos factores para que se salvem vidas!

Carol disse...

Apenas por curiosidade, porque não está presente no programa o autor da reportagem da revista Visão? Se a reportagem tem tantas informações que não serão verdadeiras seria interessante ouvir essa parte.

Parabéns pelo programa.

António disse...

Tanto mimo Dr. Eduardo, quer saber o que me fizeram no HUC, quando fui operado sem necessidade no serviço de otorrinolaringologista? disse um médico que muitos (as) pareciam loucas para fazer o maior numero de operações,(ao abrigo de um programa de ~"erradicação" da lista de espera (tinha um nome em inglês) só para ganhar mais.

Onde está o idealismo que é quando for grande quero ser médico? para quê? - para ajudar as pessoas. Existe um problema de vocações, e não fique tão melindrado estamos em democracia ou não? - tem o direito de resposta, eu é que não.
Saudações sportinguistas, e deixe lá o campeonato.
Um abraço.

Anttónio

Sociedade Civil disse...

o autor da reportagem da Visao foi convidado a participar no nosso programa. insistimos para uma participação via telefone.
até agora não aceitou.

cumprimentos civis

António Canaveira disse...

Num país em que os ordenados CHORUDOS são dos maiores da europa em contraste com os da população operária, onde os politicos governam as suas regalias e reformas vitalícias em vez da população que lhes deu um voto de confiança, onde se gastam MILHÕES no futebol e em ordenados de jogadores supostamente melhores do mundo que se traduz em resultados nada dignificantes, vêm a lume supostas gratificações milionárias de gente HUMILDE e que se sacrifica por quem não conhece. Ganham bem???? Haja neste país quem o mereça

lady_blogger disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Não disse...

Olá Fernanda!

O meu nome é Maria e sou doente renal desde os meus seis anos de idade, em dialise há cerca de treze anos.....no entanto neste momento trabalho na área de engenharia.....curso que tirei mesmo com as restrições da diálise....o facto é que constantemente são colocadas dúvidas sobre a selecção dos doentes para transplante, os doentes sentem que existem algumas irregularidades aquando da selecção do doente para transplante...talvez se tivesse alguém da familia médico(a) neste momento já estaria transplantada....há doentes transplantados que me questionam o porque de não utilizar algum tipo de conhecimento para realizar o transplante.....como deve imaginar só me resta esperar...e seguir em frente

Daniel Foster da Silva disse...

Quero lhe dar os parabéns pelo excelente trabalho jornalístico referente a este tema.

Bem como aos participantes.
Essa leitura subjacente é deveras preocupante sobre o jornalismo...

Os seus 3 convidados apresentam a visão correcta que a sociedade civil devem ter destes profissionais.

Os meus parabéns a eles também.

lady_blogger disse...

Dr. Eduardo, é admirável e corajoso por reconhecer que recebe tantas "prendinhas", porém é vergonhoso que tanto o senhor como os restantes da classe médica continuem a aceitar essas ofertas dos vossos pacientes.

Dizer que o Francisco o corrompeu com 6 garrafas de vinho magnífico neste Natal e dizer que ganhou uma pipa de massa com a operação dele, convenhamos que não lhe fica nada bem.

Os médicos deveriam somente aceitar benefícios provindos do Estado, e quanto a oferendas dos pacientes deveriam ser penalizados caso as aceitassem, pois isso pode incentivar a práticas pouco éticas.

CC

Maria Mendes

Sociedade Civil disse...

cara Maria,
ja esta regularizada a situação.
obrigada.

CC

lady_blogger disse...

Eu é que agradeço a vós SC. O meu post que colocaram no dia 4 de fevereiro acabou por ficar com o nome Sociedade Civil. Repararam nisso?

CC

Maria Mendes

Sociedade Civil disse...

ficou com o seu nome Maria, mas teve que ser "postado" por nós... era impossivel tecnicamente faze-lo como seu Log in

CC

lady_blogger disse...

Tudo bem. Eu entendo.
Obrigada.

CC

Maria Mendes

Criança e Rim disse...

Querida Maria (não),

Apareça no Criança e Rim! Não a podemos ajudar a encontrar um rim, mas a lidar com a situação!

silvia disse...

A Última Fronteira" Em Portugal morrem todos os anos dezenas de pessoas à espera de um transplante pulmonar. Doentes que poderiam ser salvos se o hospital de Santa Marta, em Lisboa, cumprisse os objectivos a que se propôs. A única unidade do país que se dedica a este tipo de cirurgia deveria fazer, pelo menos, 15 transplantes de pulmão por ano. Em 5 anos, fez apenas 12. É o pior resultado da Europa - e um dos piores do mundo. No mesmo período, em toda a Espanha, foram feitos 763 transplantes. 150 só no hospital da Corunha. Dez desses transplantes pulmonares salvaram a vida a doentes portugueses. É o resultado de um acordo assinado há 2 anos, entre os 2 países, para tentar minimizar os efeitos da ineficácia do programa português. Reportagem SIC
Domingo, após o Jornal da Noite SIC


VÍDEOS
PRIMEIRO JORNAL
"A Última Fronteira"
PLAY
Portugueses esperam por um pulmão em Espanha
Exemplos de casos
"No dia em que se viu obrigada a deixar para trás a casa e o país, os pais e o filho, para fugir de uma morte que em Portugal era certa, Sandra Campos chegou à Corunha depois de uma longa viagem de ambulância. Estava presa a uma botija de oxigénio, condenada por uma doença genética e degenerativa chamada Fibrose Quística. Sandra tinha 35 anos e pouco tempo de vida. Foi operada há quase dois anos, no hospital Juan canalejo, na Corunha. Voltou a respirar sozinha.

Foram precisos 3 anos de exames para que os médicos diagnosticassem a Íris Ferreira Hipertensão Pulmonar Secundária. Uma doença rara, para a qual o transplante também representa a única solução da medicina. Aos 33 anos, Íris não tinha forças para cuidar do filho e dependia do marido para tomar banho, para se vestir, para pentear o cabelo. Deixou Portugal para salvar a vida em Espanha mas, ironicamente, os pulmões com que foi transplantada, há 3 meses, na Corunha, são portugueses.

Conceição Silveira chegou ao Hospital Juan Canalejo há um mês. A somar à Fibrose Quística, levava uma infecção pulmonar que a condenou à solidão de um quarto de isolamento. Conceição sabe que tem poucos meses de vida e que, em Portugal, o tempo médio de espera por uns pulmões compatíveis é de quase dois anos. No hospital Juan Canalejo, ronda os 4 meses. Conceição espera. E diz que, na Corunha, recuperou confiança e vontade de viver.

Numa viagem guiada por portugueses transplantados em Espanha, a Reportagem SIC acompanha a deslocação que fazem mensalmente à Corunha, para as consultas de rotina de que ficam dependentes para o resto da vida. E tenta explicar a ineficácia do programa português. Um programa "quase virtual", como o classificam os médicos espanhóis, numa área que é considerada a última fronteira da medicina. "

"A Última Fronteira" passa domingo, na SIC, a seguir ao jornal da noite.

Susana André
Jornalista
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"A Última Fronteira"
Jornalista: Susana André
Imagem: Vítor Quental
Montagem: Rui Rocha
Grafismo: Rita Esteves Correia
Produção: Isabel Mendonça
Coordenação: Daniel Cruzeiro
Direcção: Alcides Vieira

Reportagem SIC. Todos os domingos, a seguir ao Jornal da Noite. Comentários e sugestões: reportagem@sic.pt

silvia disse...

Obrigado pela reposta em directo à minha questão sobre transplantes de pulmão.Peço desculpa mas só agora tive oportunidade de acrescentar que a minha fonte não foi a revista Visão (que também li)como referiu uma das vossas convidadas mas estações televisivas.Enviei excerto da reportagem.Bom trabalho.

Sandra Campos disse...

O meu nome é Sandra Campos. Tenho fibrose Quistica e fui transplantada na Corunha a 9 de Maio de 2005 após uma longa e penosa espera em Portugal.
Quero dar os meus parabéns a todos os jornalistas que, desde a Grande Reportagem da SIC - "A última Fronteira" com a jornalista Susana André e Vitor Quental, em Fevereiro de 2007, divulgaram este tema tabú em Portugal - Os Transplantes, nomeadamente os Transplantes Pulmonares.
Quero dar também os meus parabéns ao excelente trabalho realizado pela revista Visão "O euromilhões dos transplantes" do jornalista José Placido que mais uma vez tocou sabiamente "no lado obscuro dos transplantes em Portugal".
Obrigada.
Sandra Campos

estrela disse...

Vivo num lugar chamado Moinho das Figueiras (Sampaio-Freg. Marinha das Ondas-Figueira da Foz)e o que tenho a dizer é o seguinte: abençoado Pingo Doce que me vende a água engarrafada, tão barata, abençoada a Fonte dos Caçadores, onde eu posso abastecer-me, porque se estivessemos à espera da água da torneira...já tínhamos morrido de sede.
No nosso lugar, onde existem vários moradores de todas as faixas etárias, pura e simplesmente, a autarquia nunca providenciou o abastecimento de água e saneamento!!!

Sandra Campos disse...

Chamo-me José Manuel Rocha, sou de Aveiro, tenho 46 anos e foi-me diagnosticada fibrose quistica há 10 anos. Passei todo o calvário que esta doença implica até entrar em fase terminal, e se estou vivo devo-o á Dra Fernanda Gamboa da pneumologia do Hospital da Universidade de Coimbra, que com o seu profissionalismo em boa hora me enviou para a Coruña, onde em 2005 uma excelente equipa de médicos me fez um transplante bi pulmonar.
No entanto nunca esqueci todos aqueles que não tiveram ou continuam sem ter a mesma sorte que eu, e por isso agradeço a todos os jornalistas que nestes ultimos tempos têm trabalhado na divulgação de toda esta problemática dos trasplantes em Portugal.
Espero que estes ventos de mudança que finalmente sopram, permitam que em Portugal se comece de uma vez por todas a realizar transplantes pulmonares com qualidade e com a mesma credibilidade que são feitos na nossa vizinha Espanha.

Muito obrigado