segunda-feira, março 9

Médicos reformados: solução para o SNS?

A proposta foi avançada pelo Ministério da Saúde mas divide médicos, administradores e o próprio ministério.
Contratar médicos aposentados para o SNS, afirma Ana Jorge, “servirá para colmatar a falta de clínicos nos serviços de saúde”. Será esta uma falsa medida? É a única solução para fazer face à falta de médicos nas urgências? Irão os médicos aposentados voltar para o SNS? Ou o privado continua a ser mais apelativo?
Os que contrariam esta medida afirmam que a possibilidade já está contemplada na lei e que em alturas excepcionais e determinadas pelo primeiro-ministro é posta em prática.
Neste SC queremos analisar esta e outras propostas para a falta de médicos em Portugal.

Convidados:
João de Deus, Vice-Presidente doo Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos
João Correia da Cunha, Médico cardiologista e Director clínico do Centro Hospitalar Lisboa Norte
Mário Jorge, Federação Nacional dos Médicos
Pedro Lopes, Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares

22 comentários:

Sandra Bastos disse...

E que tal mais vagas nas universidades? Ou incentivar os médicos portugueses no estrangeiro a voltarem?

Bounty196 disse...

Parece-me que é uma medida de remédio a curto prazo e que em pouco contribui para o futuro do SNS. Para mim a solução passa por um maior incentivo, por uma maior sensibilização dos profissionais. É necessário cativar os médicos, mostrar que o privado não tem necessariamente que ser melhor que o publico. Não me parece que aumentar o numero de vagas seja também a solução pois essa medida deve ser pensada com precaução e planeada para ser regulada a longo prazo.

heber disse...

Concordo com a sandra bastos e accrescento, que a curto prazo, é util convidar médicos portugueses na reforma à actividade, porém, sou apologista que se insentivem uma abertura de vagas neste momento, mas com vista a que estas vagas se reduzam nos tempos próximos e, como as universidades terão que se apetrechar para a possivel enchente que virá, que em atenção que as obras que se efectuarão terão que se reconverter, ao mais baixo preço, em outras coisas, na circunstancia da redução de alunos, pois tais infraestruturas deixarão de ter o uso que tiveram.
Um abraço a todos os presentes, especialmente a todos os que fazem deste programa aquilo que é;
Deste vosso sempre fiel espectador;
Héber

Rafael disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rafael disse...

Acho que deveriam baixar as notas para a entrada na universidade, pois um médico bom não é aqule que tem boa nota mais sim aquele que ama a sua profissão, logo se baixassem a nota teriamos mais médicos e melhores. Rafael Barbosa

Luis Rocha disse...

A privatização do Sistema Nacional de Saúde través de expedientes como os Hospitais-empresa é um crime de lesa a humanidade. O Sistema Nacional de Saúde está cada vez pior porque os gestores sem nenhuma competência na área da Saúde que agora comandam os Hospitais estão a destruir propositadamente a qualidade dos serviços de saúde para depois atacar a gestão pública da saúde e completar o processo de privatização.

Os principais criminosos por negligência no nosso sistema de saúde não são os médicos mas sim os gestores e os governantes que servem os grupos privados da área da saúde.

heber disse...

A média é sempre controlada pelas médias dos que entram, isto é, a média surge de uma correlação entre o numerus clausos e as médias dos candidatos, por esta razão, não é possível baixá-las de uma forma propositada a não ser que enviesemos o próprio sistema e tornamo-lo mais injusto. Isto é uma resposta ao comentário do rafael, no entanto, cncordo consigo no aspecto da desumanisação que se assiste cada vez mais na classe médica, falo por casos de que tenho conhecimento e por circunstancias que vivi.
Abraços
héber

Mário Rui Ribeiro Gonçalves disse...

Boa tarde.

Sou um jovem recém-licenciado em Medicina.
Penso que um dos problemas causadores da falta de médicos em Portugal passa pelo número de vagas nas Universidades mas também na falta de vagas para entrada na Especialidade.

Pretendo uma Especialidade concreta, no meu caso, Cardiologia para a que me sinto completamente vocacionado.
Tal como eu, muitos colegas, cuja nota no exame da Especialidade não foi suficiente para eleger a Especialidade pretendida, acabam por desistir do exame, ficando um ano sem poder trabalhar no SNS.
Essas dezenas de médicos são, assim, uma causa da falta de profissionais.

A minha pergunta é: porque não são abertas mais vagas para a Especialidade?
Vendo o exemplo de Espanha e Portugal, comparando 40 milhões e 10 milhões de cidadãos, porque é que o total de vagas em Espanha são 7111 e Cardiologia 153 e em Portugal temos apenas 918 vagas totais e de Cardiologia apenas 16....em comparação temos muitas menos....

Como se explica???

Obrigado e cumprimentos

Mário Rui Gonçalves

androdrigues@clix.pt disse...

Gostaria de saber o que os convidados acham do novo curso de medicina no Algarve que abrirá em setembro e que é diferente de todos os outros existentes em Portugal.

Mário Rui Ribeiro Gonçalves disse...

Concordo com a argumentação sobre o modelo de entrada mas não era essa a minha pergunta.

Era apenas a de comparar em relação ao número de cidadãos e o número de vagas, cerca de 7 vezes mais no total e 10 vezes mais em Cardiologia.

Rafael disse...

Como muitos estudantes que querem ir para médicos e não têm média para ir, optam por ir para enfermeiros, por causa disto há o excesso de enfermeiros e a falta de médicos, o que não pode continuar assim.

Rafael Barbosa

Eugénio Rafael disse...

e nao s formam mais professores cos lugares disponiveis? 60 000 médicos gera competitividade, e nao é da competitividade que emerge a necessidade de ser melhor? nao havera alguma pseudo-erudiçao colada á profissao de médico?

Mário Rui Ribeiro Gonçalves disse...

Para clarificar, estes valores de vagas são de entrada na Especialidade...não são vagas de entrada nas Faculdades.

J. M. Macedo de Barros disse...

Médicos reformados, recuperados novamente para o activo, significa algumas vezes que aqueles se desviem da sua clínica privada, onde permanecem além da idade da reforma. Por isto, as medidas políticas, no interesse dos doentes, são sempre desfavoráveis ao interesse dos profissionais. Não devemos esquecer que os médicos juraram servir o interesse do doente, apesar de sempre servirem o maior interesse das suas bolsas e carreiras de super recebedores!
Macedo de Barros

Pedro disse...

E porque não acabar com o monopólio do ensino médico em Portugal e dar a possibilidade a que o mesmo se faça a nivel do ensino superior privado? Existem imensas propostas "em estudo" à imenso tempo, pessoalmente conheço algumas delas e parecem-me ter uma qualidade irrepreensivel... Existe alguma justificação plausível para que a medicina seja o unico curso superior sem representação no ensino superior privado?

Rafael disse...

Será mais competente um médico que tirou o curso numa universidade estatal, ou outro que tirou numa universidade privada com uma média mais baixa da permitida nas estatais? Eis a minha questão.

Rafael Barbosa

Pedro disse...

Qual a fundamentação para nesta fase se questionar a competencia de Médicos licenciados pelo privado ou pelo estatal, se tal não existe em Portugal? Ou existem diferenças evidentes nesta matéria nas restantes classes profissionais? Não me quer parecer que se questione a competencia e o profissionalismo de Enfermeiros, Medicos Dentistas, Fisioterapeutas, Farmacêuticos... e no entanto todas estas licenciaturas têm representação no ensino privado... Mas seguramente que alguem que tem média de 19 valores no final do ensino secundário é, logo à partida, um futuro excelente profissional médico... Uma questão de mentalidades que lamentávelmente só se continua a verificar em Portugal!

Rafael disse...

Existe, por exemplo a medicina dentária, desculpa não dizer, não havendo medicina geral

Pedro disse...

Boa Tarde, Sociedade Civil.
Tenho concordado com a generalidade das ideias discutidas.
Gostaria apenas de acrescentar um pequeno pormenor ao tema das vagas:
Noutros países (Reino Unido, Austrália, Países Nórdicos..) para fazer face à falta de médicos, criaram vagas especiais para profissionais de saúde (Técnicos de Diagnóstico, Enfermagem..)que estenderiam os estudo obtendo a Licenciatura em Medicina.
Estes sendo já profissionais no ramo da saúde têm outras "skills" que facilitariam no processo de formação de um médico.
Porque não criar cursos de raiz para estes profissionais?
Acrescento ainda que o ratio de médicos per capita em Portugal são extremamente baixos, e que parece que muitos ignoram em Portugal.

Agradecia um comentário do painel.

Obrigado pela atenção.
Cumprimentos a todos.

Rafael disse...

Respondendo ao Pedro, eu já fui a um dentista que teve uma media mais baixa do que o outro, e esse outro tem menos experiência do que o que tem a média mais baixa, como se diz para se ter bons resultados não é só a teoria mais sim a prática, o que conta muito, pois não me interessa se o meu médio teve ou não melhor média desde que ele saiba detectar uma doença.

Rafael disse...

Devido às altíssimas notas para a enrada na uiniversidade, muitos não conseguem entrar, o que faz com que Portugal aceite médicos com mesia muito inferior de outros países, logo temos de dar mais oportunidades aos portugueses.

oqueosmedicosnaodizem disse...

Como médica, sempre fui contra aquilo que chamava de promiscuidade entre público e privado. Confronto-me agora com uma realidade que me obriga a refugiar no privado. Terminei a minha especialidade este ano e só tenho disponíveis contratos hospitalares a tempo parcial (35h), nenhum hospital me contrata a tempo completo (42h), porque não há dinheiro para pagar. Assim sendo, como especialista vou passar a receber ainda menos que nestes últimos anos em que era interna, vou ter um salário ~1800 euros. Após 6 anos de curso, 2 de internato geral e 5 de especialização - 13 anos ao todo! e como especialista não sinto a minha posição dignificada quer em termos de carreira, na questão remuneratória nem na forma como o hospital público me trata. Solução: vou ser obrigada a completar o meu horário e salário no regime privado, ao contrário do meu desejo.