quarta-feira, outubro 7

Escolaridade obrigatória

A proposta do alargamento da escolaridade obrigatória continua a dividir os pais – apesar de já ter sido aprovada, contesta-se a forma como será aplicada na prática. Os argumentos estão em cima da mesa. De um lado defende-se que irá permitir um melhoria na qualidade do ensino, já que poderão aumentar e qualificar o parque escolar, do outro considera-se que é uma medida insuficiente para colmatar os erros que se têm vindo a cometer na educação.
Neste SC queremos ouvir os dois lados e perceber o que vai mudar no ensino em Portugal.

Convidados
Jorge Ramos do Ó, Professor Instituto de Educação da Universidade de Lisboa e Professor Convidado na Universidade de São Paulo
Edviges Antunes Ferreira, Vice-presidente Associação Professores de Português
Hermínio Correia, Confederação Nacional das Associações de Pais
André Martelo, Delegação Nacional das Associações de Estudantes do Ensino Básico e Secundário

18 comentários:

Johnny disse...

Sou daqueles que acredita que valia mais menos escolaridade obrigatória com mais qualidade e exigência, do que mais escolaridade sem qualidade e exigência. Perda de tempo e dinheiro.

carica disse...

Boa tarde,

Creio que a educação é um dos sectores da nossa sociedade que necessita de uma reforma extrema a todos os níveis. Alargar a escolaridade obrigatória será uma medida insuficiente para colmatar as falhas presentes.
É preciso repensar e ter coragem de alterar radicalmente o número de disciplinas e o conteúdo das mesmas, garantir uma uniformização na escolha dos manuais escolares e uma maior qualidade destes, apostar nas escolas profissionais dando liberdade ao aluno de intervir na escolha das componentes do seu currículo, melhorar as condições físicas das escolas. Igualmente, questiono-me se será realmente produtivo o excesso de horas que compõem os horários, pois há crianças que passam quase 12 horas fora de casa e ainda voltam com tpc para serem feitos.

Obrigada. Ana Chagas

SDN disse...

Concordo inteiramente com o comentário do Johnny.
Penso que a decisão de colocar a escolaridade obrigatória até ao 12ºano, revela falta de conhecimento de "campo". Sou estudante, e vejo inúmeras pessoas que estão na escola depois do 9ºano porque "quase são obrigadas" por ser a única saída que têm. Esses alunos não são produtivos e não estão na escola por gosto, estão por obrigação. Sendo que ainda não é obrigatório imaginem quando for... Obrigar alguém que não quer estudar, a faze-lo não é bom. Devem apoiar-se aqueles que querem estudar e não obrigar todos a ter essa decisão.
"Toda a estrutura da escola deve ser repensada"

LEKpublicidade disse...

Sou um adepto da escolariedade minima, uma vez que contra mim falo e pela voz da experiencia

Pois abandonei a escola pelo 8º ano e realmente quando tudo parecia um mar de rosas deparei-me com a realidade do mundo de trabalho, em que passei por vários empregos, e tive a sorte de ter uma mão numa grande empresa de construção civil em que me deixaram aventurar pela area do projecto, e apostaram em mim. caso contrário seria mais um sem estudos a fazer trabalho sem objectivos futuros.

hoje e com alguma responsabilidade decidi acabar os estudos no ensino nocturno e inclusive candidatar para faculdade em que estou no 3º ano de arquitectura.

A falta de ensentivo talvez passe pela falta pedagógica de apoio ao aluno e um trabalho civico para nos dar ensentivos de aprender cada vez mais...
Talvez um ensino estilo Inglaterra fosse opção...

Marcelo

Joana Santos disse...

Sinceramente acho completamente incompreensivel esta medida, visto que nao ha condiçoes para tal mudança.
Vejo-o como uma utopia... Nao se pode apenas pensar no fim, mas sim nos meios para o conseguir.
Nao ha condiçoes nas escolas para tal.
O dinheiro que se gasta actualmente nas escolas, entre livros, material, fotocopias, etc, é ridiculo. Como vao as pessoas pagar todos esses encargos durante 12 anos?
Para alem disso acho que aos poucos e poucos vamos caindo (em muitas situaçoes) no fascismo...
Cada um deveria ser livre de tomar as suas próprias escolhas, e nao ser obrigado a presenciar tamanha injustiça, ficando na escola contra vontade durante 12 anos. O que passa a acontecer é cada vez mais insucesso escolar visto que os alunos andam contrariados e desmotivados.
E necessario mudar as mentalidades, as disciplinas, as cargas horarias, os intervalos, os preços dos materiais e principalmente alargar os subsidios a familias mais carenciadas.

Despeço-me com muito mais para dizer.

Joana

carica disse...

Boa tarde,

Tenho mais 12 anos que o André e, os exames nacionais apareceram na minha altura. Pode-se dizer que fui uma das suas cobaias e critico-os amplamente. Lembro-me que tive que repetir o 12º ano por ter tido 9,4 num exame nacional. Perdi um ano por uma décima e, nesse momento a consideração pela avaliação contínua foi nula.

Quanto à qualidade das aulas, não se pode deixar tudo na mão dos professores, é próprio sistema que tem que mudar. Isto porque talvez um professor tenha energia para ssr criativo e inovador nos primeiros anos de carreira, mas axreditem que acabará por se cansar e se render à rotina tão mais fácil que é seguir o manual.

Obrigada, Ana Chagas

CA disse...

Bravo ao Prof. Jorge do Ó. O problema que identificou é um problema demasiado complicado para que possa ser assumido, e que é até mais grave na universidade. A questão da autonomia do indivíduo é talvez prematura no secundário, mas deve ser incentivada desde o básico. O grande problema é saber se os 100 mil professores estão preparados para essa revolução... pelos vistos não estão! Nem tão pouco haverá vonta política para isso! É o país que herdámos, que temos. Dificilmente poderá ser mudado...

Ângela disse...

Boa tarde,

Ainda relativamente à questão dos exames, será justo que estes tenham um peso tão significativo na nota de ingresso ao ensino superior?

Será justo que, chegado ao final do 12º ano, um aluno veja a sua média resultante do esforço realizado ao longo de três anos (10º/11º/12º) valer tanto como duas horas e meia de realização de um exame, como acontece, por exemplo, para o ingresso em medicina, em que três exames valem 50% da nota de ingresso?

Obrigada! Angela

pedro carreira disse...

boa tarde,
concordo que os exames do 12ºano sejam apenas para os alunos que querem entrar para o ensino superior, mas discordo completamente que estes sejam feitos por professores do ensino superior, mas sim pelos professores do secundário, porque são estes que acompanham o aluno.

Anaquariana disse...

Tenho 60 anos mas apesar da diferença de idades, concordo inteiramente com o André Martelo. É uma perfeita idiotice continuarmos com os exames nacionais. Então de que vale a avaliação contínua ao longo de todo o percurso escolar?
Deixo também uma nota em relação à Universidade Aberta, tenho pena que não esteja aí em estúdio alguém que nos pudesse esclarecer melhor, o que o Prof. Carlos Reis disse, foi pouco.
Um abraço
Ana Albuquerque

Jose Luis PP disse...

Concordo com o aumento da escolaridade mínima mas já orientando os alunos para uma área vocacional ao estilo das antigas Escolas Comerciais e Industriais, de contrario é só perda de tempo para o próprio aluno que nem aprende uma profissão nem a mais valia que poderá acrescentar terá um valor "palpável". JLuis

Maria Lisboa disse...

Concordo com o que diz Jorge Ramos, no entanto pergunto se já reparou que, cada vez mais, as políticas (os políticos) insistem num ensino a "metro", apenas para a produção de diplomados a qualquer preço, mesmo sem conhecimentos (entendo por conhecimento a capacidade de gerir o que se aprende e não o saber apenas debitar "coisas"), e não para a formação de um cidadão capaz de intervir criticamente e resolver problemas. Parece-me que, a estes políticos actuais (e não é apenas por cá), interessa que haja uma grande massa que trabalhe ordeiramente, sem pensar muito, e depois exista uma meia dúzia de "iluminados" destinados a chefes (fadados pela hereditariedade).

mike Gomes disse...

Testes vocacionais
Enquanto o nosso ensino não contemplar, em vez (?) de EXAMES, testes vocacionais feitos de x4 em x4 anos aos alunos…. Durante o ensino básico, O secundário e O superior, O ensino não trás mais que más consequências para o próprio ensino, como para os alunos.
Que cada aluno descubra por ele, com a orientação e apoio dos professores/orientadores, a sua vocação, que pode ser mantida, alimentada, ou mesmo alterada durante o seu percurso de vida escolar. Descobrir, conhecimento, e o poder para a criatividade de cada um em cada momento,

Damage disse...

Quando se acaba o 12ºano em que se andou 12 anos a estudar o aluno depara-se com uma situação, não sabe fazer nada,não sabe fazer uma reclamação, não saber fazer um curriculo, não conhece os direitos no mundo do mercado.
Isto acontece porque acham que os Lusiadas é mais importante.
Só queria referir mais uma coisa, se um aluno não tem aproveitamento, justifica-se continuar a estudar, ou não tem suporte financeiro, quem é que paga.

mike Gomes disse...

Testes vocacionais
Enquanto o nosso ensino não contemplar, em vez (?) de EXAMES, testes vocacionais feitos de x4 em x4 anos aos alunos…. Durante o ensino básico, O secundário e O superior, O ensino não trás mais que más consequências para o próprio ensino, como para os alunos.
Que cada aluno descubra por ele, com a orientação e apoio dos professores/orientadores, a sua vocação, que pode ser mantida, alimentada, ou mesmo alterada durante o seu percurso de vida escolar. Descobrir, conhecimento, e o poder para a criatividade de cada um em cada momento,

testarblog disse...

O projecto educativo da Escola da Ponte prima por privilegiar a aprendizagem pela criatividade e os interesses individuais do aluno "desempacotando" o programa curricular nacional e desvalorizando os exames como avaliação massiva descaracterizada, promovendo interesses contextualizados.

Crazy_Guitar disse...

Mais e baixar a fasquia é igual a mantermos o 6º ano ou, até, a 4ª classe.

Augusto Deveza Ramos disse...

Uma verdadeira escola não seria obrigatória mas livre, em que houvesse alegria em levar os filhos e as crianças desejarem por sua intenção irem à escola.
Não é o caso.
A obrigatoriedade é o sindrome do controle social subrepticio que temos nesta sociedade estalinista e nazi, em que se ensina «o que pensar» e não «como pensar».
A escola não devia ser obrigatória. Eu luto contra qualquer arbitrariedade do Estado nomeadmente contra esta obrigatoriedade escolar.
A obrigatoriedade resulta da necessecidade brutal de inculcação de valores de uma determinada classe social para se propagar no tempo.
Eu vi amigos meus tirarem pessimas notas a desenho só por serem pretos. Estupidos a tirarem notas altas por serem filhos de professores de matematica.Vi arbitrariedade na escola. Como aluno e como professor.
O medo instalou-se no coração da escola, porque não sabeis mais o que significa educação.