quinta-feira, abril 29

Dislexia

A maior parte das crianças com dislexia deixou de ser apoiada pelo Estado” – a crítica é de Helena Serra, da Associação Portuguesa de Dislexia.
Com a nova classificação de ensino especial, 20 mil crianças ficaram fora do sistema: grande parte são crianças com dislexia.
Um apoio que pais, professores e alunos deixam de beneficiar. Tendo em conta que são crianças cujo rendimento escolar pode ser mais lento e há alterações emocionais que decorrem das dificuldades de aprendizagem, como deve o ensino receber estas crianças? Há falta de informação? Como surge a dislexia? Como é feito o diagnóstico?
Todas as respostas neste SC.

Convidados:
Helena Serra
, Presidente da Associação Portuguesa de Dislexia
Celeste Vieira, Professora do 2º e 3º ciclo do Ensino Básico
Dulce Gonçalves, Psicóloga Educacional da Universidade de Lisboa
Paula Cristina Ferreira, Técnica Especializada em Dislexia

19 comentários:

Martinha disse...

É possível todos termos um pouco de dislexia? Digo isto porque fiz o meu percurso escolar normal, sou uma pessoa normalíssima, no entanto, tenho meia dúzia de palavras cujas letras troco completamente, como por ex: estomago, parece que quero ler, estogamo; Jerónimo, parece que leio Jerómino (ñ se riam tb). E com alguns números também, por ex: 38,38 eu parece que leio 38,83. Não tenho nenhum problema de visão. E então com a direita e com a esquerda nem se fala, tenho de pensar sempre um pouco qual é a minha direita e a minha esquerda. Não sei se isto é um problema de dislexia, não me atrapalha muito na minha vida normal, no entanto sinto que tenho isto.

Spiralya disse...

Bom Dia.Gostaria de colocar uma pergunta respeitante ao apoio a pessoas com dislexia em idade adulta.A situação prende-se com o facto de alguém que conheço estar a frequentar o RVCC para a obtenção do 12º ano.Como tem dislexia, tem dificuldades a nível de aprendizagem da língua estrangeira, unidade de formação necessária nesse mesmo RVCC.Que solução poderá existir para que esta pessoa possa ultrapassar a questão de obter o seu RVCC ?

Fonseca disse...

Eu acho que nem todos temos algo de disléxicos, mas acredito que muitos tenham uma leve dislexia, não sei se é o caso da Martinha, eu por vezes também faço umas pequenas trocas, mas é por distracção.
O que é lamentável é a falta de apoio do Estado!
O meu filho teve um problema na fala derivado de algo neurológico e o que tive de sofrer para o tratar...primeiro que surgisse o diagnóstico certo, ainda tive de correr muitos pediatras, um neuropediatra, psicólogos e terapeutas da fala. No caso do meu filho, o neuropediatra é que devia ter detectado, mas errou, o menino tinha ainda não tinha feito 3 anos. Mas aos 3 anos foi bem diagnosticado e só a intervenção precoce, bons terapeutas e os dois pais (eu e marido) a participarem e a continuar algum do trabalho do gabinete em casa com o filho, fez com que ele hoje esteja quase curado.
Acho imprescindível a ajuda dos pais em casa, ou um avô/ó ou um tio/a, bem orientados pelo profissional de saúde adequado.
No caso da dislexia, só se consegue o diagnóstico lá para os 5 ou 6 anos, não é verdade?
Quem tem dislexia também pode sofrer de discalculia (muita dificuldade nos cálculos mentais)simultaneamente?
Acho que os professores do primeiro ciclo em geral, estão muito mal informados. Haja Formação para eles nesta área.
E a intervenção deverá ser o mais precoce possível, depois é mais difícil tratar.
O Estado TEM de ajudar, nem que se faça queixa ao tribunal europeu! Ninguém tem culpa de ter um filho doente e não ter meios de o curar.
Bem haja pela feliz ideia de falar deste tema.

Eugénia

sonharamar disse...

porque é que as crianças com dislexia deixaram de por exemplo ter mais tempo para realizar um teste ou exame?

Cristina Rocha disse...

Boa tarde!
Perdoem a minha ignorância, mas os pais não deveriam ser encaminhados pela Junta de Freguesia, ou pela Segurança Social?
Seria mais confortante para a família...
Cumprimentos

Pedro disse...

Boa tarde,
Sou o Pedro e tenho 30 anos e ao ler sobre dislexia verifiquei que quando criança tinha todos estes sintomas, mas naquela altura não se falava sobre este problema.
Se não formos tratados naquela altura, quais são as consequências no futuro e na carreira profissional? Actualmente ainda sinto alguns destes sintomas.

Nim Nim disse...

Boa Tarde, O meu filho é um comunicador nato, tem sempre muito a dizer e chegou na 1ªclasse a não querer aprender português, a professora da altura dizia-me que "ía desistir dele", fi-la prometer-me que se empenhava, tal como eu me empenhei em casa a acompanhá-lo. Questionava-a sobre essa matéria e ela informava-me sempre que ele era apenas distraído, apenas na 4ªclasse a professora me apoiou em averiguar sobre a eventual disfunção do meu filho. Penso que a generalidade dos professores também deveria ter mais informação sobre o assunto.

Ana disse...

Boa tarde
O meu filho Gonçalo tem 9 anos e tem uma perturbação ligeira do tipo disléxico.
De facto, nem sempre é fácil acompanhá-lo e por vezes ele sente-se cansado da sua diferença. Tem acompanhamento especializado, duas horas por semama, o que lhe permitiu melhorar bastante os resultados escolares e a sua auto-estima.
Tenho mais 3 filhos e por vezes é dificil reservar-lhe algum tempo em exclusivo. Sinto que precisava de ter formação especifica para pais sobre a dislexia
obrigado
Ana Parreira

Ivo disse...

Boa tarde, ha que referir que a dislexia nao deve ser alarmante! no colegio do meu filho no inicio do ano todas as 200 crianças do 2º 3º e 4º ano foram rastreadas, e 98% delas foi diagnosticado dislexia!?!, será esta mais uma maneira de justificar o insucesso escolar? é que apenas 2% dos alunos ficaram retidos, dai que entendo que a dislexia nao deve ser alarmante deverá sim ser acompanhada mas sem assustar as crianças ou pais.

carla disse...

Tenho uma menina disléxica com 9 anos. Identifico-me completamente com a mãe do Bernardo, há uma têndencia para banalizar o problema o que considero inaceitavel porque estas crianças sofrem mesmo, mesmo. Existem demasiados escrupulos em rela~çao a um diagnóstico, falam em catalogar as crianças com o rótulo demasiado pesado mas esquecem que elas já são catalogadas de burras preguiçosas, etc... muitas vezes pelos próprios professores e até por elas mesmas; a minha filha aos 7 anos, 1º ano, 1º periodo atirou-me com os livros, a chorar, a gritar que era burra e que nunca iria ser capaz de aprender, que não queria ir à escola...
Sim, concordo que são situações complicadas mas mais que um diagnóstico é necessário ajudar efectivamente estas crianças logo que é evidente a dificuldade, independentemente de nomes...
As escolas NÂO tem capacidade de resposta, nem se interessam na sua maioria... O Estado só está preocupado com as aparências e dita leis que apenas existem no papel, Nâo sâo aplicadas e não é por deconhecimento mas porque não querem, supostamente não há verbas...mas depois gastam milhões com medidas contra o abandono escolar...
À dois anos que foi diagnosticada dificuldades de aprendizagem à minha filha e porque eu fiz uma "guerra", à um ano passou a Dislexia porque continuei a guerra... e a minha filha continua sem apoio na escola.

Cristina disse...

Sou sócia de uma Associação, a APPDAE - Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades Específicas, que é uma associação sem fins lucrativos, que tem vindo a lutar pelos direitos das crianças, jovens e adultos com DAE desde a sua existência (19 de Março de 2007).
A APPDAE considera muito importante programas deste género, de divulgação dos problemas dedicados à dislexia mas pensamos que não podem ser esquecidas as outras Dificuldades de Aprendizagem Específicas (DAE) como a discalculia, a disgrafia e a disortografia e suas comorbilidades como o défice de atenção e a hiperactividade.
A APPDAE tem um site interactivo (que pode ser consultado em www.appdae.net) com uma média de 2000 visitas por mês. Efectuou, desde o princípio deste ano, seis acções gratuitas de formação em escolas do norte e do centro do país (1 em Vila do Conde, 3 no Porto e 2 em Pinhal Novo e Seixal). Orientou uma sessão na EXPO CRIANÇA em Santarém e em Maio irá estar no auditório municipal do Montijo e no Agrupamento de Escolas de Caxias.
Além disso, responde diariamente aos inúmeros pedidos de apoio que chegam de todo o país e realiza encontros mensais de pais, professores e técnicos sobre a problemática das DAE com convidados e em locais empre diferentes.
Os telespectadores poderão visitar o site (www.appdae.net) para poderem ver o que a APPDAE está a fazer pelos alunos com DAE.
O Ministério da Educação infelizmente tem-se "esquecido" dos alunos com DAEs. A formação dos professores é fundamental para que possam implementar as estratégias mais adequadas e como se sabe, a maior parte das vezes as DAEs não são abordadas na formação pré-graduada!

Fonseca disse...

O médico de família ou o pediatra deveria ser o primeiro a estar atento a algum problema de desenvolvimento da criança. E antes disso ou em simultâneo, os pais da criança devem estar atentos e informarem-se bem, na internet, perguntem a profissionais de saúde, aos educadores, etc, não deixem o tempo passar.
O meu filho poderia estar hoje mudo, e não exagero, se eu e o pai dele não insistíssemos com os médicos e não nos tivessemos informado e persistido, e tínhamos as minhas dificuldades financeiras, porque um neuropediatra custa no mínimo 80 euros!
Porque se for pela segurança social ou consulta externa no Hospital pode demorar meses que são necessários para a terapia da criança! Apressem os médicos, mostrem como vocês e a criança estão a sofrer.
Repito: a intervenção precoce é fundamental.
Mas nunca é tarde demais para a criança/adolescente, não desistam de os ajudar!
E, por favor, evitem dizer que "estão disléxicos" ou que estão a ter "ataques de autismo" ou que parecem um "autista" ou outra doença do fora mental/neurológico: é muito triste e disparatado dizer isso. Quem teve filhos doentes e viu bem de perto estes doentes várias vezes e sabe das verdadeiras dificuldades deles, é que fica admirado, ou até ofendido, como pessoas "normais" se referem nestes termos, quando na verdade não têm nada a nível mental. Confundem com cansaço cerebral, talvez por falta de dormir ou ansiedade, stress ou quando se tem desconcentração banal.
Por falar nisso, há muitas crianças com graves défices de atenção, às vezes ligado à hiperactividade, mas pode ser típico de um sobredotado ou alguém com algo do espectro do autismo, era um bom tema a discutir um dia, não acham?

maria luís disse...

O meu nome é Maria Luís e tenho 26 anos , desde de pequena que detectaram em mim uma dislexia com um grau muito elevado.
Tive sempre enormes dificuldades quer na escrita, na leitura e mesmo na fala .
Alguns professores e colegas não percebiam as minhas dificuldades e acabei por sofrer de bullying
Desde criança que ouvi dizer que era deficiente e que não seria capaz de aprender e estudar como uma criança normal, que nunca chegaria longe.
Mas ao contrário do que me disseram , trabalhei sempre muito, é um processo longo e por vezes muito duro porque a dislexia não vai com o tempo.
Hoje posso dizer que sou uma pessoa normal, muito feliz e realizada, com um Curso Superior e Mestrado Integrado em Arquitectura e devo-o a minha Psicóloga Ana Maria e principalmente aos meus Pais que sempre me ajudaram muito.
Nós somos muito inteligentes e com inesgotáveis capacidades, não nos subestimem ;)

Fonseca disse...

Segundo o que sei, para tentar responder ao Pedro, 30 anos, acho que também há tratamento para um disléxico adulto. Há de certeza! Um bom terapeuta da fala, sei que ajudará, pois também está formado para tratar problemas de leitura e escrita e/ou talvez um bom neurologista ou psicólogo especializado, informe-se bem.
Os professores não deviam ter de pedir Formação de dislexia ou outras necessidades especiais de aprendizagem, todos eles deviam estar bem informados e abertos a estas questões pois há uma grande variedade de problemas que as crianças podem trazer no 1º ano de escolaridade e o professor deve saber fazer um despiste. Porque as Educadoras também não estão bem informadas.

Fonseca disse...

A dislexia, não é assustadora, de facto, nem muito preocupante, dependendo dos casos. Se houver algo associado, pode ser mais problemático.
Cuidado para não deixarem os especialistas rotularem as crianças e depois ninguém "puxa" por elas para melhorar. Porque se uma criança tem graves dificuldades ou incapacidades a ler e escrever, é preciso ver que professores/as tem, se os pais a ensinam bem e apoiam em casa pelo menos duas ou 3 vezes por semana, porque: até aos 8 anos qualquer criança que tenha uma visão sã e ande na escola tem de aprender a ler e a escrever minimamente. Os pais devem estar atentos, mas nada de entrar em pânico nem assustar filho/a.
Um disléxico, normalmente não terá grandes dificuldades futuras se tratado atempadamente. Anda para aí um excesso de doenças mal diagnosticadas. Algumas viram moda...
Antigamente, por exemplo, a depressão curava-se sem nada, era o tempo, uns chás calmantes e a ajuda de amigos/as...no entanto, defendo a ajuda de bons psicólogos na maioria dos casos.
A Psicologia em Portugal tem evoluído muito, já só estamos 20 e tal anos atrasados em relação à América...sim, porque há uns 15 anos, estávamos uns 50 anos atrasados...ena! Estamos a sair da idade das trevas em relação à psicologia e psicoterapia e afins.

Ninguém falou da discalculia, pouco conhecida, mas que afecta algumas crianças que passam por "burrinhas" a matemática sem o serem. Aliás, para mim ninguém é burro, ou está doente, tem uma perturbação ou é mal ensinado e mal orientado em casa e na escola.
Será o não tratamento da discalculia um dos motivos, em Portugal, dos maus resultados a Matemática?

manjedoura disse...

Com o diagnóstico precoce e rigoroso e com a formação dos docentes do regular as escolas estão preparadas para dar resposta a estes alunos, através da Língua Portuguesa, do Apoio Pedagógico Acrescido a Língua Portuguesa e através do apoio individualizado nas disciplinas com pares pedagógicos. E por fim, com a ajuda dos pais e o esforço do aluno também não fazia da dislexia um problema alarmante.

Leonor disse...

Parabéns pela iniciativa de reservar o programa a um tema tão importante. É fundamental sensibilizar a sociedade para a existência das Dificuldades de Aprendizagem Específicas (dislexia, disortografia, disgrafia, discalculia) e dar as ferramentas aos pais, professores e outros profissionais para permitirem à criança vir a ser um adulto que atingiu o seu potencial máximo.
Teria sido óptimo se a Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas (www.appdae.net) tivesse participado, pois tem desenvolvido diversas acções de muito valor.
Leonor Ribeiro

Eduarda disse...

Saúdo a existência de um programa dedicado à dislexia.Reforço comentário anteriores neste blog de que não podem/ não devem ser esquecidas as outras DAE como a discalculia,a disortografia, a discalculia e a dispraxia, para já não falar das suas co-morbilidades.
Também eu faço parte da APPDAE - Associação Portuguesa de Pessoas com Dificuldades de Aprendizagem Específicas e convido todos a visitar o nosso site em www.appdae.net para verificarem o trabalho que temos estado a desenvolver.
Estamos no terreno onde é preciso promover a divulgação e formação (aos professores e às famílias) na área das DAE. Sabemos por experiência que a "invisibilidade" das DAE perante a escola e a sociedade em geral constitui muitas vezes um obstáculo ao sucesso destes alunos.
Se, dentro da área das necessidades educativas especiais, quarenta e oito por cento (sim, 48%) dos alunos têm uma DAE, onde está o investimento do Ministério nesta área específica da educação especial?
As verbas dispendidas em formação na área das DAE têm de ser encaradas como um investimento e não como um gasto supérfluo!
As associações precisam da força dos Pais e Professores de crianças/jovens e adultos com DAE!
Vamos ajudar os nossos filhos e os nossos alunos agora para que, no futuro, possam ser adultos bem sucedidos!

Aprende+ disse...

WORKSHOP: Dislexia
Aprende+ Centro de Formação e Apoio Escolar do Montijo
Formadoras: 2 psicólogas com muita experiência no trabalho com crianças dislexicas.
PREÇO:50 euros -presencial
20 euros - à distância
Atribuição de certificado em ambas as modalidades.
aprende.mais@hotmail.com
Dr.ª Ana Santos