segunda-feira, junho 7

Portugal armado

Há em Portugal 25 armas para cada 100 habitantes. Estima-se que existam 2,6 milhões de armas, sendo 1,2 milhões ilegais.
Estão na posse de homens e fazem em média dois mortos por semana.
Entre 2003 e 2008, a violência armada terá custado 108 milhões de euros anuais ao Estado, entre tratamentos hospitalares e perda de produtividade.
Mas é sem dúvida a proliferação das armas e consequente criminalidade que preocupa os autores do estudo: “Violência e armas ligeiras. Um retrato português.”
Mas como se regula o mercado legal? Como se desincentiva a compra de armas? Legislação mais apertada?

Convidados:
General Garcia Leandro
, Presidente do Conselho Consultivo do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo
Lucília José Justino, Presidente Amnistia Internacional
Ivone Cordeiro, Advogada
Comissário Paulo Flor, Director do Gabinete de Imprensa e Relações Públicas da Direcção Nacional da PSP

24 comentários:

ﻣﺤﻤﺪ Rachid disse...

Para se desincentivar à compra de armas, na minha opinião é preciso agravar o crime da posse e porte de armas ilegais, também é preciso uma fiscalização sistemática a todos os potenciais assaltantes.
A fiscalização tem que ter alvo principal as pessoas que não têm justificação para ter armas.

Ana disse...

As pessoas são ligeiras no tratamento de tal praga.
A impunidade que se vive neste país, onde as pessoas não são castigadas ou o são pouco (a vida humana vale muito pouco neste país).
A verdade foi dita pelo convidado de "uma ideia para Portugal", somos demasiado desorganizados e o facto de ser ilegal tanto faz para o português.
Ter uma arma em casa é um perigo, principalmente para quem tem crianças em casa sejam elas verdadeiras crianças (pela idade) ou pela sua maturidade se comportem como tal.

Para mim bastavam os agentes da autoridade terem armas, para o exercício da sua função e com treino objectivo. E, haver uma lei mais apertada e que desse o devido valor à vida humana (em termos de penas), não podendo ser possível penas suspensas para estes casos.

Para os caçadores (independentemente de eu ser ou não a favor) deveria ser obrigatório X horas de treino por X tempo.

Obrigada por todos os programas.

Ana Rosado

Fonseca disse...

Como em quase tudo, em primeiro lugar tem de haver fiscalização cerrada de vendas, neste caso para impedir a venda de armas ilegais e tem de haver mais leis punitivas para quem faz o tráfico. Neste assunto também se devia aplicar o célebre slogan: "Tolerância Zero!"
Morrerem tantas crianças e jovens por acidentes de armas, só porque adultos inconsequentes facilitam o seu acesso, é um disparate e é lamentável!
Tenho um tio que não tem dois dedos por, quando tinha uns 10 anos, lhe terem metido nas mãos um foguete (de cana, das festas de aldeia) que estava no chão e acenderam-no pensando que voaria ou estava estragado...claro que deu mal resultado! Não se deixem ser cobaias, é um aviso que deixo aos mais novos!
Até um padre, há uns meses foi detido por posse ilegal, lá para os lados de Chaves e por andar a traficar armas...as autoridades têm de desconfiar de todos!
O assunto não é foguetes, mas todos os anos há acidentes em fábricas de pirotecnia onde morre gente e há alguns feridos ou mutilados por causa disto... não deveria haver mais fiscalização, controlo e diminuição deste forma arcaica de festejar? O fogo de artifício é belo, aceito e entendo, desde que se façam cumprir as normas, mas os foguetes de dia!? Que piada têm?

Muitos dos jogos de computador, consolas de jogos, alguns filmes de acção e policiais, juntamente com os desenhos animados, incentivam ou incitam muitas crianças e jovens que não têm uma educação sólida nem vigilância ou controlo em casa ou nalguns A.T.Ls...onde ou como está o Estado a prevenir isso?
Há anos deu uma notícia horrenda dos E.U.A. de um adolescente de uns 13 anos que amarrou o mais novo a uma linha de comboio para imitar o filme, matando a criança...
Em Portugal, infelizmente não faltam acidentes de miúdos que se matam com a espingarda do pai caçador que até tinha licença...
Quando vai parar esta irresponsabilidade geral?

Cumprimentos pacíficos.

Eugénia Fonseca

Zeta Draco disse...

A crescente paranóia da segurança (no duplo sentido de safety e security) está a amaricar a sociedade e a minar o sentido de responsabilidade. As marmas não matam; quem puxa o gatilho, mata! Se não seoubermos lidar com esta realidade nunca sermos uma sociedade CIVIL responsável (pq serõa os polícias e militares os responsáveis pela segurança).

Por outro lado, quanto mais burocracia e arbitrariedade policial houver na atribuição de licenças, mais armas ilegais haverão na posse de cidadãos de resto cumpridores e amigos da lei que meramente pretendem proteger-se. Na minha opinião, qq pessoa adulta e mentalemnte sã, cumprimdo requisitos de formação técnica e cívica de poder comprar armas de defesa pessoal, com licença renovável, e automaticamente revogada em definitivo se condenado definitivamente com pena de prisão efectiva superior a um ano. Comentários?

provocação disse...

Boa tarde a todos, a minha pergunta é no âmbito legal e questiona o seguinte: um crime efectuado por uma arma legal tem uma atenuante na pena em relação a uma ilegal? Não há uma certa hipocrisia em permitir-se que em função da profissão umas pessoas possam estar armadas e outras não? Não é para garantir a segurança que existem por exemplo os guarda-costas? Qual o critério de um ourives em disparar sobre alguém podendo a qualquer altura alegar que achava estar sob perigo, (não ficará com o dedo mais susceptível a premir o gatilho?)

Zeta Draco disse...

Acho interessante o argumento do senhor polícia que diz que quem tem uma arma consigo mais rapidamente fará recurso à violência do que quem anda desarmado. De facto, a probabilidade é muito elevada de a pessoa armada que eu encontro na rua ser uma polícia, e não um comum cidadão. Devemos então, por essa lógica, passar a considerar todos os polícias que avistamos na rua como potenciais agressores letais. Belo argumento, sr agente.

sonharamar disse...

o que mais me assusta é a forma como a lei é aplicada. estão previstos exames físicos e psicológicos. mas como é feita a fiscalização desses exames?
é tudo fogo de vista, na realidade há sempre formas de contornar o sistema e de se arranjar uma arma.
ao contrário do que se pensa é bastante fácil.
e se for ilegal ainda mais fácil e barato é.
não é com esta lei que há-de ser mais difícil a qualquer um comprar uma arma.

Desejo de Sentir disse...

Os elevados índices de criminalidade contribuem directamente para a crescente proliferação bélica na nossa sociedade, procuradas essencialmente pelos que buscam protecção e pelos os que, de forma oposta, procuram exercer actividades criminais. A "onda de violência", intimamente ligada a um receio de insegurança cada vez mais difundido contribuem para este factor de forma decisiva.
O que deve fazer o cidadão comum, que procura protecção e defesa pessoal nos meios municipais respectivos, quando se sente inseguro por não andar armado?
Basta pensar que hoje em dia até a profissão de estudante se torna de alto risco, quando os adolescentes têm de atravessar zonas problemáticas a caminho de casa, sem esquecer que hoje em dia, qualquer baixa citadina é uma zona problemática.

bonequinhoda bic disse...

Boa tarde Sociedade Civil, Fernanda e convidados.
Uma arma de fogo não é um brinquedo creio que qualquer pessoa com o mínimo de senso comum irá dizer-lhes isso.
Os senhores estão a abordar o tema das armas de caça adquiridos por pessoas com licença, visto que o que não falta no país são associações de caçadores ao invés de grupos de conservação da natureza (mas isto é outra história).
Apenas gostaria de salientar um ponto de vista.
Quantos crimes passionais são cometidos em Portugal com armas de caça ?
Quantos suicídios ?
Quantos assaltos à mão armada são feitos com armas de caça roubadas ?
Peço um pouco de reflexão às pessoas em geral sobre estes tópicos.
Obrigado.

Zeta Draco disse...

O problema das armas extraviadas resolve-se uma base de dados de pessoas com licença de uso e porte. Os cidadão responsáveis se perderem uma arma comunicam à polícia; e um cicadão responsável que encontre uma arma perdida entrega-a numa esquadra. Os que se apoderam delas sem licença não são bem intencionados.
Não se esqueçam que os ladrões e outros malfeitores têm SEMPRE acesso a armas (extraviadas, roubadas ou de compra ilegal). Se restringimos demais o acesso dos cidadãos às armas, teremos uma sociedade em que APENAS OS LADRÕES TERÃO ARMAS. Estou certo que o ladrão pensará duas vezes antes de roubar o banco, se pensar que lá dentro pode estar um ou mais clientes armados.

Luís disse...

Este programa teria sido interessante há umas semanas atrás, quando explorei a "sociedade civil" com os meus alunos de Filosofia. Mas, hoje em dia, os jovens não sabem o que é a Sociedade Civil, nunca ouviram tal expressão e desconhecem o que seja um Estado de Direito. Penso que começa aí: a displicência total, a demissão dos indivíduos relativamente à cidadania, a falta de interesse. O que permite que o Estado possa, também ele, demitir-se. O que permite que exista, DE FACTO, um sentimento de impunidade na sociedade, que acompanha e exacerba o sentimento de insegurança e injustiça. O que resulta no desejo de garantir a segurança por acções e meios privados.
A falta de Estado, faz a sociedade civil declinar, levando os indivíduos a procurar defender os seus direitos naturais por sua conta e pela sua medida.

sonharamar disse...

são absurdos os critérios das classes de armas. por exemplo para se comprar uma pequena faca ou mesmo um abre cartas de colecção que até nem corta nada, é necessário uma peritagem da PSP.
no entanto vendem-se facas de cozinha com 30cm em qualquer hipermercado.

Miguel disse...

è lamentável que este tema tão sensivel seja debatido tão levianamente. A lei foi alterada de forma a diminuir os crimes cometidos com armas de fogo mas o resultado foi o oposto, um flop. Os efeitos mais visiveis foram os custos das licenças que tiveram aumentos absurdos e a dificuldade das pessoas de bem em manterem as suas actividades lúdicas com as suas armas e efectuarem as suas transações (armas de caça), quando um livrete chega a levar um ano a emitir é impossivel o sector envolvente evitar o colapso. Existem armas muito mais perigosas do que as de fogo, por exemplo o automovel que mata indiscriminadamente. Combatam os ilegais mas não prejudiquem os que estão e sempre estiveram legais, tenham vergonha !!

Stonetalker disse...

Em relação a usar os videojogos como argumento para justificar a violência por parte dos adolescentes, devo frisar que o problema não o jogo em si, o problema é a completa falta de noção por parte de alguns encarregados de educação assim como vendedores que fazem com que crianças desde os 5-6 anos tenham à sua disposição jogos para maiores de 18 e/ou 21. Casos como a famosa serie GTA.
A minha duvida é se não existe maneira de educar graúdos e miúdos para evitar este tipo de situação?
Assim como punir lojas que não façam respeitar a legislação?
Tive casos, em que falei com crianças que diziam que iam passar o fim de semana todo a jogar GTA. Onde estão os pais?
Em relação às armas, pessoalmente acho que tenho mais medo de andar com arma do que sem.

Obrigado pelos V/ programas.

F.

Zeta Draco disse...

Há IMENSA arbitrariedade na avaliação de quem pode ou não ter acesso às armas por parte dos agentes da PSP responsáveis pelas lecenças. Essencialmente, se o agente "embirrar" com a cara do requerente simplesmente indefere o pedido sem qq recurso. Sei disso por testemunho directo de vários polícias e militares meus amigos que o dizem.

Furão disse...

Conviria que fosse bem esclarecido, num programa que se relaciona, de algum modo, com a posse de armas, o que se entende por excesso de legítima defesa. A jurisprudência em Portugal tem sido claríssima: com uma lâmina encostada a uma carótida, e provado em tribunal com testemunhas oculares, aquele que se defenda com um simples disparo de uma arma de fogo, mesmo não letal, é o arguido com a pena mais grave, normalmente sendo libertado o possuidor da lâmina e ficando em prisão preventiva o autor do disparo, mesmo se se tratar de um agente de autoridade. Por isso, o melhor mesmo é não querermos nada com a defesa pessoal...

carlos disse...

carlos: eu so queria que o senhor comissario me esclarece-se uma situaçao eu trabalho como vigilante numa empresa privada onde trabalho por turnos e durante a noite se for comfrontado com um assalto o que devo fazer se nao podemos ter nenhuma arma nem uma simples arma de imobilizaçao como por exemplo uma tyzer e qual a razao de nao podermos ter a mesma.

Tiago Silva disse...

Viva,
Gostava de saber porquê um Ourives matou um ladrão de legitima defesa e vai preso durante 2 anos (salvo erro)?

João disse...

Boa tarde, em relação à influencia dos videojogos em crianças e jovens é preciso avaliar a maneira que eles são obtidos, não é primeira vez que vejo crianças de 10 e 11 anos que suplicam aos pais para comprar jogos violentos, claramente definidos para maiores de 16 anos e 18 anos e que simplesmente compram sem pensar duas vezes qual é o seu conteúdo, a educação parte do seio familiar e tem de ser os próprios pais a definirem o certo e o errado, o que se pode fazer na vida virtual e na vida real.
Cumprimentos.

Fonseca disse...

Sou a favor das artes marciais e das "armas" de choque eléctricas como defesa pessoal. Até há uns sprays para imobilizar os bandidos, mas imitá-los com armas é inútil: NÓS NÃO SOMOS MATADORES!
Nisto de a NÃO VIOLÊNCIA, quem mais me impressionou no século XX foi Ghandi, tenho parte da sua história em filme que retrata bem a sua epopeia...
Sr Luís, sou a favor da Filosofia desde o 1º ciclo, as crianças têm de aprender a pensar por si...

Quem é verdadeiramente corajoso defende-se com as mãos, pés, braços, não é cobardemente com uma arma...
Evitar os acidentes com os mais novos é primordial e caçar é primitivo e inútil!
Os caçadores snobs que arranjem animais robot e vão para um sítio seguro dar tiros! Ora bolas!

Zeta Draco disse...

Parabéns sr general. O exemplo da Sicília que deu faz todo o sentido e não é de todo paradoxal. Já lá vivi e posso testemunhar que é perfeitamente seguro morar e andar na rua à noite em qq local. Nunca lá vi ninguém com ar ameaçador, com atitude agressiva ou de cabeça quente a ameaçar quem vai metido na sua vida. Em todos os locai a que fui e casas que visitei fui sempre bem recebido. Isso só demonstra que uma sociedade civil armada não é de todo necessariamente violenta. Apelo a que se libertem dos preconceitos transmitidos por Hollywood com "Padrinhos" e similares sobre violência siciliana.

antonio disse...

a liberdade de um país pode ser medida pela análise de dois factores: a liberdade de imprensa, e a legislação de armas. se seguirmos este critério portugal é um país do 3º mundo . leis mais restritas só facilitam a vida aos fora da lei! O reino unido é um optimo exemplo! tendo as leis mais restrtivas D europa!! é o pais com altissimos indiçes de criminalidade armada!!

José Costa disse...

CAPÍTULO I - Direitos, liberdades e garantias pessoais - Artigo 24.º
Direito à vida - 1. A vida humana é inviolável.######### Artigo 25.º-
Direito à integridade pessoal - 1. A integridade moral e física das pessoas é inviolável.######## Artigo 21.º - Direito de resistência - Todos têm o direito de resistir a qualquer ordem que ofenda os seus direitos, liberdades e garantias e de repelir pela força qualquer agressão, quando não seja possível recorrer à autoridade pública.########### Quantos portugueses já foram mortos porque não têm dinheiro para conseguir comprar legalmente uma arma de defesa e lhes falta paciência para aturar as burocracias do estado, que tem como única finalidade "sacar" dinheiro seja de que forma for mesmo à custa da falta de segurança proporcionada por esse estado? Se for assaltado e agredido ou ameaçado com uma arma branca ou de fogo, tem tempo para pegar no telemóvel e chamar a polícia através do 112 se o mesmo estiver disponível? E tem que dizer aos assaltantes que esperem para serem presos, pelo menos até serem presentes a tribunal com direito a lanche reforçado! Enquanto na Suíça é total a confiança do estado, no cidadão, talvez porque aí a Democracia funciona pois o estado é fiscalizado através do referendo, cada cidadão válido, depois do treino inicial no exército de cerca de dezoito a vinte e uma semanas, consoante se destinem a unidades de combate ou de apoio , fica responsável pelo equipamento individual, da farda à arma, que guarda em casa. Em Portugal valoriza-se a desconfiança do estado (sem legitimidade democrática) em relação ao cidadão. E os tribunais e o resto da corja partidária ainda querem respeito?

Dustspell disse...

Insegurança se traduz no desejo de se auto-proteger...Pelo menos nos espaços urbanos , porque no interior do pais possuir uma arma é meramente cultural ou com efeitos para caça ...

E sobre controlo de armas tem piada..Qu7ando nem os próprios agentes na reserva são controlados, quando já se teestemunharam agentes na reserva que nem um corta-unhas deviam t~er em sua posse , por motivos psicopáticos ..Quando sabemos que esse mesmo acompanhamento psicológico durante e após carreira é praticamente inexistente...

E falando no cidadão como não desejar têr uma arma nem de forma simbólica , porque vejamos nas grandes cidades comon Lisboa existe o medo e que esse mesmo medo é agravado pelo o medo incutido/especulado e quando por horas "mortas" , um cidadão não pode andar na baixa sem se precaver , porque policia por esses espaços são um achado...

Se se trabalhar na problemática da segurança logo se obtem resultados..E outro factor que a policia detesta falar..Trafico de armas por parte de alguns agentes...