sexta-feira, março 8

Desafios da maternidade



Longe vai o tempo em que a maioria das mulheres era mãe a tempo inteiro. Em Portugal, as mães de hoje participam ativamente no mercado laboral, sendo que a maioria trabalha em horário completo. Mas será que o fazem por opção? Ou se pudessem escolhiam “serem mães” mais horas por dia?
Como se concilia a maternidade com a vida profissional? E que tempo têm estas mulheres para si mesmas?
No Dia Internacional da Mulher o Sociedade Civil mostra-lhe os desafios de quem escolhe ser mãe hoje.

3 comentários:

Cátia Maciel disse...

Agradeço a possibilidade de desenvolvimento de um tema tão importante para a humanidade, afinal, não há ser humano que não tenha sido carregado num ventre materno.

Gostava de questionar, em Portugal, no século XXI, como se garante o direito a ser mãe a tempo inteiro?

Sou mãe de um menino de 3 anos e meio, já fui investigadora em ciências sociais, professora universitária, mulher profissionalmente activa.

A decisão de ser mãe a tempo inteiro sujeitou-me a uma miríade de críticas que chegam de todas as partes e incluem ameaças como:

Por parte de amigos e familiares: "se são voltas a trabalhar o teu marido deixa-te e ficas sozinha e na miséria"

Por arte de trabalhadores sociais "se o menino não vai para o jardim de infância está em incumprimento pois a lei obriga a 2 anos de frequência escolar antes do ingresso na escola primária"

Por parte de psicólogos "estar em casa com a mãe cria dependência na criança"

Por parte de todos os amigos da vida alheia #ficas em casa porque o menino tem uma doença?", "que horror, o que fazes em casa, todo o dia?", "como consegues estar todo o dia com crianças"?", "não te sentes limitada, submissa, subjugada à família?", "como consegues ser dependente de um homem?", "não tens medo de, quando quiseres voltar a trabalhar, ter que ir lavar escadas?"


Onde fica o meu (nosso) direito a acompanhar os nossos filhos, todo o dia, todos os dias? Onde fica o nosso direito a sentir-mo-nos realizadas com a vida familiar? Onde fica o nosso direito a, um dia, voltar a integrar o mercado de trabalho sem sentimentos de culpa e inferioridade?

Porque é que ser "só mãe" é tão indesejável, mal visto, criticável?

Mónica Cabral disse...

Boa tarde, sou mãe de uma menina de 2 anos e meio, gostaria de comentar que a própria sociedadeconsidera que é à mãe que cabem as responsabilidades sobre os filhos. Quando a minha filha nasceu e eu comentava com familiares, amigos ou conhecidos que o meu companheiro e pai participava em muitas das responsabilidades inerentes à nossa filha, a maioria das pessoas respondia-me: "ainda bem que ele te ajuda!". Mesmo sem intenção as pessoas consideram que o pai ajuda a mãe e não que tem o dever e direito de partilhar com a mãe na educação dos filhos.

marcio sousa disse...

Muito bem dito Sra Cátia Maciel, hoje em dia a dedicação à família é algo reprovada socialmente, privilegia-se o culto individual a carreira a vida pessoal o viajar, em detrimento da parentalidade e da vida familiar.
Entendo que é necessário atribuir mais responsabilidade aos pais de forma a equilibrar a balança pai/mãe, a nível de licenças e ausências ao trabalho isso levaria também os empregadores a encarar com mais igualdade empregar um homem ou uma mulher e também em questões salariais.
Claro está que as questões económicas têm um peso brutal em tudo o que diz respeito ás famílias, voltando às ausências dou o meu exemplo em que optamos por passar para a mãe 1º porque o seu vencimento é inferior e 2º porque no meu caso ausentar-me do trabalho implica uma grande perda de rendimento que nos tempos que correm simplesmente não podemos abdicar. Se tivéssemos a possibilidade económica a minha esposa seria por opção mãe a tempo inteiro mas simplesmente não tem essa escolha.