quarta-feira, setembro 24

Gestão do tempo

Todos já fizemos muitas vezes a mesma pergunta: por que razão o dia não tem mais de 24 horas?
Quem se questiona sobre a falta de tempo gostaria de saber como tornar o dia mais produtivo e melhor gerido. E com menos ansiedade.
É sabido que uma das melhores formas de combater o stress á através de uma boa agenda e uma boa gestão de tempo.
Neste SC vamos dar-lhe as dicas mais importantes para planear os seus compromissos e mostrar estratégias para eliminar as tarefas supérfluas. E, por fim, dicas sobre como adequar o seu tempo pessoal ao profissional. Saiba gerir o seu dia-a-dia. Os especialistas do Sociedade Civil explicam.

Convidados:
Rosalina Machado, Empresária
Júlio Sampaio Coelho, Formador e consultor na área da Gestão do tempo
Maria José Chambel, Docente da Universidade de Lisboa e Psicóloga das Organizações
Ana Rodrigues, Jornalista Rádio Renascença

40 comentários:

pikenatonta disse...

Boa tarde!

Encontro-me a participar num módulo de ambientação pela UAb em que o último tema discutido foi exactamente a gestão de tempo. Fica aqui apenas um texto bastante interessante que foi objecto de análise:

Quando o nosso tempo termina, acaba a nossa vida. Não há maneira de obter mais. Por isso, tempo é vida. Quem administra o tempo ganha vida, mesmo vivendo o mesmo tempo. Prolongar a duração de nossa vida não é algo sobre o qual tenhamos muito controle. Aumentar a nossa vida ganhando tempo dentro da duração que ela tem é algo, porém, que está ao alcance de todos. Basta um pouco de esforço e determinação.

in http://www.edutec.net/Textos/Self/MISC/timemgt2.htm

Daniel disse...

Boa tarde

A partir do momento em que fui mãe, vivo a vida com mais intensidade e de uma forma mais feliz. Tenho, no entanto, uma ansiedade diária muito grande, para que tudo corra bem e de uma forma perfeita. Se o dia termina, sem que eu tenha realizado tudo aquilo que pretendo, fico bastante nervosa e com dores de cabeça.

Antes de terminar, gostaria de sugerir o filme "into the wild" (o lado selvagem) dirigido por Sean Penn.

Sejamos felizes
Martinha
37 anos
Vila Real

Martinha disse...

Óbviamente que não é o Daniel que está a escrever. O Daniel é o meu filho.. Devo estar com algum problema..

Martinha

Anjos disse...

Boa tarde!
É curioso como gostava tantas vezes de moldar o próprio tempo.
Quase todos os dias acrescentava horas para que conseguisse concluir com algum êxito as tarefas domésticas,fica sempre algo importante por fazer,e passo 24 sobre 24h de 2ª a Domingo em casa!Parece impossível!Falta de organização?Talvez,mas tento ser metódica,organizo as tarefas por ordem de prioridade.Refeições para os dois pequenos,3 anos,1 ano!Roupas para lavar,estender,arrumar,passar a ferro!Refeições para lanche,jantar!Medicações intercaladas para a doença crónica do meu menino de 3 anos.Mudar fraldas umas quantas de vezes ao dia.Arrumar brinquedos,tralhas.Limpa-se aqui,arruma-se acolá!Banhos,biberões,leituras de "boa noite"!2h da manhã...!Ufa!sobrou algum tempo?E agora a noite,que ainda é interrompida vezes sem conta ou por um ou pelo outro,cólicas crónicas do mais velho,incómodos dos dentes da pequena...!
O pai queixa-se de ter pouco tempo para eles pois alguém têm que trabalhar no exterior da casa para sobrevivermos,e os horários laborais são cada vez mais extensos.Eu queixo-me da falta de tempo para mim,para o meu marido,e para brincar com os meus filhos.Afinal lavá-los,dar-lhes de comer,cuidar deles...não é a mesma coisa que brincar!Brincar sem olhar de 5 em 5 minutos para o relógio com medo que o tempo mate o próprio tempo!Curioso!

EviL disse...

Penso que falta uma opção importante no questionário: Dormir

Já para não falar em mim, conheço muitas, mas muitas pessoas mesmo que gostariam que o dia tivesse mais horas para poder dormir um pouco mais.

Cmpts,
Nelson

EviL disse...

Só para completar o meu último comentário...
É que as outras opções do questionário são fácilmente resolvidas tirando horas de sono.
E acreditem que muita gente o faz neste país.

Anjos disse...

No dia em que tivemos o diagnóstico da doença do meu filho,o mundo desabou-nos em cima!Como é cruel dizerem-nos que o nosso querido filho está condenado a uma doença que não têm cura,e que poucos sobrevivem mais de 20 anos.Muitos morreram na primeira infância.Ficamos aterrorizados.Que sentido tinha agora a vida?Depois fomos erguendo a cabeça.Afinal o que é o tempo?"não é o tempo que as coisas duram que fazem delas maravilhosas,mas sim a intensidade com que são vividas!"E adquiri esse lema para a nossa vida.Viver o melhor possível,dar tudo de bom ao meu filho.Mas infelizmente com o passar dos meses,a rotina diária,a necessidade de executar tantas tarefas tira muitas vezes qualidade de vida ao dia a dia.Parece que não sobra tempo para esse tal "tempo", disponibilidade para uma felicidade descomprometida!
Gerir o tempo é realmente dificil.
Se ao menos o stresse não nos cobrasse o que fica por fazer!

Luísa disse...

Ter tempo de qualidade para nós próprios é fundamental. Sem descanso, sem reflexão, não há trabalho de qualidade.
O melhor que o meu patrão fez foi ter criado na empresa cursos de gestão de tempo.

Parabéns pelo programa!

PEDRO DE CASTRO disse...

Boa tarde,
Sem dúvida cada vez temos mais solicitações do que o tempo disponivel para as efectuar.
É preciso estabelecer prioridades e saber dizer que não quando é necessário.
A capacidade de concentração e relativa, os homens revelam maior capacidade de concentração por tarefa enquanto as mulheres conseguem gerir mais tarefas em simultâneo com menor grau de concentração.

O que eu gostava de saber é como podemos evitar um esgotamento por não ser capaz de colocar de lado actividades?

Pergunto isto porque cheguei a esse ponto por não querer desistir de vários desafios a que me propus e penso que podem haver mais pessoas nessa situação.

cláudia disse...

O facto de não saber gerir o meu tempo leva-me a ter uma alimentação errada! POdiam falar disto também?

Daniela disse...

eu acho que as pessoas quando são muito "stressadas" não tem tempo para quase nada. Depois têm imenso trabalho, acabando por fazer horas e não tendo tempo para a família. Muitas vezes as pessoas perguntam, porque é que um dia só tem 24 horas, pois não organizam ou organizam mal o seu tempo.

lara disse...

Ser mãe fez-me organizar de outra maneira, pois todos os dias brinco com a minha filha. Como será na escola primária? Hoje os nossos filhos quase não têm tempo para brincar. É só escola, estudar, realizar os TPC, comer e dormir. Não é necessário brincar?

NM disse...

Boa Tarde,

Acho que o tempo é feito com pequenos tempos.Temos de dar importância a pequenos momentos, como um simples beber café, mas a sós, não rodeado de inumeras pessoas sempre a falar do mesmo, o trabalho.
Uma ida para casa no metro, podemos ler uns mails, ou ver aquilo que gostamos, num momento nosso com um pequeno protatil ao colo.

A ida á escola dos miudos e leva-los para casa porque tem muita coisa para fazer, porque? Poderemos parar num local e andar cinco minutos, para perguntar como correu o dia.

Não podemos estár sempre a dizer que a culpa é dos outros, o facto de não ter tempo para nada.

Só tenho uma filha de 3 anos, mas tenho de ter tempo para ela!

Obrigado.

Deragnu disse...

Mais uma vez estão a partir de pressupostos errados, mas onde foram buscar a ideia que todas as mulheres são perfeccionistas? Se o são continuem; eu tentei e já percebi que não consigo, atenção sou homem. É preciso cuidado com o “ver o mundo com os nossos olhos”, a realidade não é assim, por mim a experiência de anos, demasiados, demonstrou-me que algumas preferem estar a trabalhar do que “a aturá-los”.

Branqueamentos, só na roupa….branca.

Anttónio

Anjos disse...

Pois talvez,para a maioria das pessoas fosse suficiente tirar horas de sono,ou melhor tirar horas em que passamos a dormir,no meu caso,nem sei já o que isso é!Desde o nascimento do meu primeiro filho que em média durmo 5h por noite.Noites com 2 horas a dormir são tão frequentes que realmente seria impossível pensar em ter uma actividade laboral que exigisse raciocínio mais rápido e eficaz.
Nunca andei tão cansada como agora que sou mãe a tempo inteiro.E sempre fui uma mulher como muitos chamam,super mulher!Trabalhei 10 anos numa empresa 8h por dia,estudei ao mesmo tempo,andava na faculdade e trabalhava e até gerei o primeiro filho até aos 8 meses de gravidez no meio desse trabalho todo!E andava bem!Talvez este trauma todo me tenha tirado muito das forças,pode ser...!Mas acho realmente que o trabalho em casa é sobrevalorizado,isto é realmente desgastante.Não têm folgas,feriádos nem férias!
Bem hajam mães e pais!Boa sorte!

carica disse...

Boa tarde,

Independentemente da carreira profissional escolhida, esta torna-se sempre o centro da vida mesmo que não seja por opção, alargando o compromisso que se tem para com a empresa para além do horário de trabalho. Não falo somente das urgências de um médico ou de um polícia, mas de qualquer área seja a publicidade, a informática, etc.
Fico tiste que o tempo para si, para a sua evolução, para a família, que afinal deveria ser a prioridade de qualquer sociedade e de qualquer indivíduo esteja hoje em dia relegada para 3º ou 4º plano.

Obrigada,
Ana Chagas

H. Borges disse...

Cara Fernanda


É certo, a falta de tempo é um denominador comum e constante no nosso dia-a-dia, quer por falta de organização desse mesmo tempo na realização das tarefas a que nos propomos, ou pela organização excessiva e a constante adição de novas tarefas.

Na minha opinião penso que o stress derivado dessa tentativa constante de organização de tempo/tarefas/objectivos é consequência do modelo económico e social que inconscientemente adoptamos e actualmente nos inserimos.

Será este o modelo correcto e que desejamos para nós e para os nossos filhos?

Não será, eventualmente, muito triste, chegarmos à idade do “velhinho” e olharmos para trás e sentirmos que tudo passou rapidamente de mais? Que não houve tempo para “degustar” os momentos que mais significado para nós tiveram?

Ana disse...

Olá,
Deixei de trabalhar para acompanhar os primeiros anos de vida dos meus 2 filhos ( 5 e 3 anos). Tem sido muito gratificante, mas também muito difícil estar ausente da dita "vida normal":casa, trabalho, casa. Muitas pessoas pensam que uma mãe doméstica não faz nada e tem montes de tempo livre!!!Não podia ser mais falso...e também há alguma dificualdade em gerir correctamente o tempo. Agora quero voltar á vida activa e não consigo encontrar um bom part-time que me permita continuar por perto dos meus filhos.Parece que sou "obrigada" a escolher entre a familia e o trabalho, que não há meio-termo e isso é bastante frustante quando não se concorda com o modo de vida "dito normal" que se pratica na nossa sociedade!

Deragnu disse...

Sendo possível colocar questões aqui vai uma crucial na sociedade actual:

Tempo para o sucesso é incompatível com o tempo para o namoro, antes e depois de uma relacionamento mais profundo; não esquecer que somos animais mamíferos, já ponho de parte a questão humana, que nem é preciso para a questão fundamental. Aliás é só estar atento às notícias, as pessoas já não amam, ou então só amam o vil metal.

Anttónio

lady_blogger disse...

Hoje por falta de tempo, ou por má gestão deste, não vi o programa. Ainda não parei desde as 8h 30m da manhã. Geralmente durmo só 6 horas (às vezes menos) por noite. Fico a na net e a ver Tv até tarde e a preparar coisas para o dia seguinte, depois tenho dias em que não sei o que fazer ao tempo, mas na maior parte deles não tenho tempo é para fazer tudo aquilo que desejava.

Parece que quando se é mãe o nosso tempo já não é nosso, mas sim dos nossos filhos e por isso a nós não sobra tempo para nada porque estes nos absorvem a maior fatia.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Para terminar por hoje deixo-vos com a seguinte lengalenga:

"Perguntei ao tempo, quanto tempo é que o tempo tem. E o tempo respondeu-me que tem tanto tempo, quanto tempo o tempo tem!"

CC

Maria Mendes

nova_velha disse...

Boa Tarde:

Assunto interessante o V/ mas quando falam das mulheres,"esquecem" que os empresarios deste pais não já não as aceitam com mais de 33 anos ou com alguma sorte 35!! independentemente das suas qualidades profissionais!! Depois admiram-se de tanta frustação e depressões.
Com os meus cumprimentos,

joao carlos negreiros de sousa disse...

o tempo e uma mer... n a tempo para nada

orlanda disse...

Boa tarde,
Vivi 10 anos na Alemanha onde pude apreciar, primeiro com estranheza como as familias podiam juntas e durante a semana ir às compras, passear, etc.
Penso que isto se prende muito com a flexibilidade de horários de trabalho sendo que eles lá não são estanques e quem começa a trabalhar às 8 pode acabar às 16.00.Aqui tive a sorte de encontrar um trabalho em part-time (pelo que fui muitas vezes criticada pois pensavam algumas pessoas que eu "não queria trabalhar"), mas na verdade consigo gerir bastante bem o meu tempo, trabalho, consigo ir buscar as crianças à escola, acompanho-as nos trabalhos escolares, nunca precisaram de estar em ATL, têm tempo para brincar e estudar sem stress.
Acho também que, pela mesma razão (pouca flexibilidade dos horários de trabalho dos pais) as crianças "crescem" em Portugal mais depressa, têm uma agenda sobrecarregada para coincidir com a ausência dos pais e estão muitas vezes muitas horas entregues a si próprios por falta de tempo dos pais.
Obrigada,
Orlanda Esser

Deragnu disse...

Família, saúde, trabalho, objectivos.

Falta a diversão, brincar, como diz a Fernanda, pode ser jogos físicos ou não e a dança com contacto ou não. Em relação aos objectivos falta saber em que sentido. Objectivos profissionais ou pessoais?

Anttónio

Balsinha disse...

Fernanda, não resisti a enviar-lhe este texto de João Pereira Coutinho, não o milionário mas sim o jornalista. Já tem uns tempos mas está tão actual.
Vale apena pensar nisto.

"NÃO TENHO FILHOS e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades. Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas. Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos. Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar.
Hoje, não.
A criança nasce não numa família mas numa pista de atletismo com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis. E um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito.
É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho, as quecas de sonho. Não admira que, até 2020, um terço da população mundial estará a mamar forte no Prozac.
É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência. Mas a felicidade."

Parabéns pelo programa

Augusto

carica disse...

Boa tarde,

Actualmente sou administradora de condomínio do meu prédio, e como sou dona de casa os condóminos sentiam-se por sua própria iniciativa à vontade para me incomodar a qualquer dia e a quase qualquer hora.
Após algum stress, tomei algumas decisões e acções. Informei a todos que só estaria disponível num determinado horário, e faço questão de dar a entender que só em caso de o prédio estar a arder é que têm permissão para me abordarem na minha casa em altura de férias e de fim de semana.
Demorou algum tempo, mas as pessoas já absorveram esta noção do meu direito ao meu tempo privado sem interrupções.

Obrigada,
Ana Chagas

manucha disse...

Boa tarde Fernanda

Concordo que é fundamental rever valores morais e estabelecer prioridades, mas não será esse caminho contraditório ao nosso modelo de sociedade?
Então o que fazer?

Fugaz disse...

Eu queria apenas referir que agradeço muito aos meus pais o facto de me terem ocupado os tempos livres durante a minha infância com actividades como a natação, o ténis ou a música. Aquilo que aprendi em cada uma destas ajudou muito na minha formação enquanto pessoa, a crescer de forma saudável e a conviver com várias realidades que não aquelas que se encontram na escola e em casa.

orlanda disse...

Boa tarde novamente,
Queria só acrescentar que é bastante comum na Alemanha as mães principalmente (mas também os pais) trabalharem por conta de outrém a 50% ou a 80%, etc. de acordo com as suas necessidades económicas, recebendo a remuneração proporcional.
Não é bem o caso da flexibilidade, sem horário definido, como acontece cá.
Obrigada,
Orlanda

nova_velha disse...

Boa tarde:

Sobre seu "último desafio", só dido o seguinte:
- gostaria de ter um emprego para me sentir útil, poder pagar minhas contas, poder sentir-me viva e ter o minimo de qualidade de vida!!!!!

Os meus cumprimentos

H. Borges disse...

Gabriel Garcia Marquez retirou-se da vida pública por razões de saúde, e enviou uma carta de despedida aos seus amigos.

Um magnifico texto que reflecte o tempo, e o que fariamos dele quando já pouco nos resta de tempo, tempo para viver!!!


“Se por um instante Deus se esquecesse de que sou uma marioneta de trapo e
me oferecesse mais um pouco de vida, não diria tudo o que penso, mas
pensaria tudo o que digo. Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas
pelo que significam. Dormiria pouco, sonharia mais, entendo que por cada
minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz. Andaria
quando os outros param, acordaria quando os outros dormem. Ouviria quando os
outros falam, e como desfrutaria de um bom gelado de chocolate! Se Deus me
oferecesse um pouco de vida, vestir-me-ia de forma simples, deixando a
descoberto, não apenas o meu corpo, mas também a minha alma. Meu Deus, se eu
tivesse um coração, escreveria o meu ódio sobre o gelo e esperava que
nascesse o sol. Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre as estrelas de um
poema de Benedetti, e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à
lua. Regaria as rosas com as minhas lágrimas para sentir a dor dos seus
espinhos e o beijo encarnado das suas pétalas... Meu Deus, se eu tivesse um
pouco de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às pessoas de quem
gosto que gosto delas. Convenceria cada mulher ou homem que é o meu favorito
e viveria apaixonado pelo amor. Aos homens provar-lhes-ia como estão
equivocados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem
saberem que envelhecem quando deixam de se apaixonar! A uma criança,
dar-lhe-ia asas, mas teria que aprender a voar sozinha. Aos velhos,
ensinar-lhes-ia que a morte não chega com a velhice, mas sim com o
esquecimento. Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo
o mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira
felicidade está na forma de subir a encosta. Aprendi que quando um
recém-nascido aperta com a sua pequena mão, pela primeira vez, o dedo do seu
pai, o tem agarrado para sempre. Aprendi que um homem só tem direito a olhar
outro de cima para baixo quando vai ajudá-lo a levantar-se. São tantas as
coisas que pude aprender com vocês, mas não me hão-de servir realmente de
muito, porque quando me guardarem dentro dessa maleta, infelizmente estarei
a morrer..."



Gabriel Garcia Marquez

Deragnu disse...

Cheguei à conclusão que hoje perdi tempo, será que posso recuperá-lo algum dia? Perder tempo, pode ser investimento? Ou terei de alinhar pelo modus operandi actual e deixar-me de perdas de tempo.

Anttónio

manucha disse...

Caro h.borges

Muito bonito, já conhecia mas é sempre bom recordar!
Só é pena, que só no fim da vida, as pessoas cheguem a essa conclusão e talvez, nem todas.
È nosso dever, como adultos, como pais, como cidadões, transmitirmos todos esses valores ás nossas crianças, mesmo que isso implique ir contra o "sistema" e acarrentar com as respectivas consequências que daí advêem...
Só assim poderemos ter um futuro mais justo, mais solidário, melhor, enfim...mais feliz!
Obrigado

manucha disse...

leia-se...
cidadãos

Obrigado

Martinha disse...

Obrigado H. Borges pelo minuto que ganhei ao ler o texto de Gabriel Garcia Marquez.

AG disse...

O ser humano é um ser de hábitos. Somos condicionados a este conceito de hábito/rotina, aos nossos afazeres indispensáveis, na maneira como encadeamos os outros ao “nosso” tempo,... (O despertador que toca a uma determinada hora, o trânsito que desespera qualquer manhã, o café das 10, o encontro com...)

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Como gerir as rotinas aos momentos de ócio ? Conciliá-los com horários diários? Estabelecer metas aos longo do dia e agendar todas as tarefas ?

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Vemos o tempo a escapar-nos, a escorrer-nos, como as horas dos relógios de Dali.
Pensar no tempo é sempre uma insatisfação. Penso que todos andamos como Proust, “em busca do tempo perdido” em querer reencontrá-lo e prolongá-lo para lá do tempo presente, projectá-lo idealmente como Horácio, num Carpe Diem...

Anjos disse...

E com todos os conselhos decidi,agarrar no tempo e fazer do tempo uma obra mágica,dar aos segundos minutos,e aos minutos horas!E lá esticou...não sei bem como!E dei-me ao prazer de disfrutar o sorriso dos meus filhos por um momento,sem remorsos de fujir no tempo!
Obrigado caro H.Borges pelo texto de Gabriel Garcia Marquez que se a ele pouco lhe adiantou essas conclusões no final da vida que essas mesmas sirvam para alguém no inicio da vida!E irónicamente ou não hoje todos arranjamos tempo para falar do tempo!Bem hajam!

lady_blogger disse...

Voltei cá só para ver quem gosta de falar do tempo.
Costuma-se dizer que quando nada há para se dizer a outrém, que se fala do tempo. Mas por aqui falou-se do tempo porque havia muito para dizer, e não foi tempo perdido.

CC

Maria Mendes

Sociedade Civil disse...

o livro do dia será entregue a H. Borges.
agradecemos contacto com a produção

Saudaçoes Civis