terça-feira, outubro 21

Não quero ter filhos

Ter filhos é a última prioridade para mulheres entre os 28 e os 32 anos, revela um estudo recente. As inquiridas com menos de 50 anos valorizam, sobretudo, um relacionamento e um casamento, seguindo-se os amigos e a carreira.
Não ter casa própria e uma situação financeira instável são as principais razões para não terem filhos.
Na França, a temática virou polémica com o livro da psicanalista Corinne Maier, “No Kids – Quarenta razões para não ter filhos”, onde se afirma que querer filhos é “uma aspiração idiota”.
Por que não querem filhos? Será uma opção ou uma imposição social? Quais as (des) vantagens?

Convidados:
Laura Alves, Jornalista
Ana Cid, Secretária-Geral da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas
Pedro Vasconcelos, Sociólogo do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa
Patrícia Melo e Liz, Administradora de Empresa

37 comentários:

Adriano Reis disse...

boa tarde! meus senhores, tenho dois filhos que vivem em C.Verde, graças adeus! o meu segundo filho luis carlos, esta neste momento em tratamento cá e regressará a C.Verde nesta sexta-feira.

Acreditam meus senhores, se não os tinha, pelo menos cá não os iria arranja-los. a imposição social cá realmente não o permite.

A ginastica que já fiz durante este mês que o meu filho encontra-se cá dava para anos em C.Verde.

1º em c.Verde os familiares, amigos, vizinhos todos ajudam.

2º Vivem em liberdade, e há + disponibilidade dos pais.

3ºAs ilhas sao pequenas e tudo é centrado.

Cá namoro com uma Portuguesa a dois e tal, nunca falamos em ter filhos e pelo menos tudo farei para ser um assunto tabu, dado a estas situações economicas e sociais.

Martinha disse...

Boa Tarde

Eu penso que querer filhos é uma aspiração natural do ser humano, enquanto espécie de continuidade e de futuro.
Não os querer ter por condicionalismos sociais e profissionais, juntamente com algum egocentrismo, parece-me evidente. Alguma frustração no futuro...será?
O que é verdade é que ninguém está bem com o que tem...
Ter filhos é estar permanentemente preocupada, gerando por vezes, alguns sentimentos de ansiedade e cansaço, embora eles sejam lindos de morrer.
Não os ter é viver uma vida, no meu ponto de vista, sem sentido...
O que é que dá, afinal, sentido e alguma razão de ser à nossa vida?
Sejamos felizes então com isso. Mas a família parece-me o pilar que suporta alguns momentos menos bons que vivemos ao longo da vida.. enquanto que a vida profissional é, na maioria dos casos, salvo algumas excepções, um meio para atingir os fins.
Quando se tem força de vontade conseguimos conciliar tudo, até mesmo escrever este comentário, quando estou sem tempo, absolutamente nenhum.

Verei o programa mais tarde, na RTP Multimédia.

Martinha

Rita P. disse...

Acho que o verdadeiro problema do feminismo é que agora o ser dona de casa e ficar em casa com os filhos já não é uma opção, quer por motivos financeiros quer pela pressão social. A verdadeira luta não devia ser a igualdade com os homens, mas a liberdade total de opção.
Pela parte que me toca, adorava ter já filhos (mas continuando a estudar e a trabalhar), tal como o meu namorado, mas só se fosse para passarmos todos fome porque o dinheiro não chega...

manucha disse...

Boa tarde
Não estou bem certa de que ter filhos faça parte de um processo de aspiração natural.
Nem todas as pessoas têm vocação para serem pais, nem todos estão dispostos a prescindir de muito, em prole dos filhos.
Saber educar, saber amar, saber cuidar, são tarefas dificeis que implicam muita informação/formação e muito tempo disponivel!
Portanto nem todos deveriam ser pais.
obrigado

Celina disse...

Muita gente considera que não ter filhos é uma opção egoísta. Eu considero que não é. Acho preferível não tê-los à partida, se não se tem a disponibilidade em termos emocionais ou de tempo, do que tê-los e não educá-los convenientemente, como tantos casos que por aí se vê. Se uma mulher ou um homem encontram satisfação noutros aspectos da sua vida, porque hão-de ser pais só porque sim? Além disso, ainda se fala muito nas mulheres que não querem ter filhos mas parece que os homens já adquiriram esse direito há muito tempo...

Celina Jorge (Mafra)

Sandra Sá disse...

Boa tarde,
Ter filhos nunca é algo de razoável. É dispendioso e requer grandes sacrifícios. Mas quando se encontra a pessoa certa, aquela mesmo que nós faz sonhar e desejar um 3 elemento, não há consciente que aguente! Não sei explicar é um sentimento que nos ultrapassa. Um desejo fortíssimo. Um desejo de paixão.
Sandra - Parede

Maria Pereira disse...

Sou casada, tenho 37 anos e três filhos de 1, 3 e 7 anos e pude conciliar os estudos (Doutoramento) com o apoio incondicional dos avós. As crianças ensinam-nos muito, aquilo que nós adultos já esquecemos. A experiência da maternidade e da amamentação são inesquecíveis e é um privilégio ver uma criança crescer.

Pedro disse...

Boa tarde,
É curioso que a evolução humana nos diriga para a opção consciente da não reprodução.
De facto a parentalidade pode ser uma vocação que nem todos têm.
Não sou pai, e quando penso nisso não vejo sequer no meu futuro próximo nem longínquo ser pai. A responsabilidade por trazer uma vida a este mundo e conseguir que tenha as melhores condições possiveis para ser um ser feliz e realizado e algo que não consigo proorcionar num futuro próximo (e da maneira que as coisas correm, talvez nem num futuro longínquo!)

Penso que todos os argumentos podem ser válidos, quer pra homens quer para mulheres. Nem a maternidade deve ser vista pelas mulheres como algo redutor e menor que uma carreira pois não existe nada mais recompensador que ver uma criança crescer. O que deve ser visto é o vazio que podem sentir após a independência dos filhos e de se terem dedicado em permanência à maternidade e se sintam sem objectivos após esse período.

O caso masculino de prescindir da paternidade é socialmente mais compreendido pois o homem embora sendo parte integrante da parentalidade não sente a gravidez fisicamente como a mulher durante 9 meses e é-lhe dado sempre um carácter mais "solto".

Estes novos modelos sociais levam-me a reflectir sobre os efeitos da masculinazão das mulheres e o efeito nas crianças resultado de gravidez tardia de mulheres.

Pedro
Lisboa

becas disse...

Boa tarde!
Hoje sou mãe de 3 filhos mas a maternidade nunca esteve nos meus planos mesmo quando conheci o meu marido e casei. Os meus pais educaram-me a mim e à minha irmã sem o estigma feminino.Por outro lado, até aos 25 anos fui o membro mais novo da família e cresci sem contacto com bebés e crianças pequenas. Acresce ainda o facto de a minha 1ª ginecologista me alertar para o facto de ter dificuldades em engravidar. De repente 2 meses após ter deixado a pílula engravidei e confesso q o primeiro filho foi uma revolução na minha vida.Só agora com a chegada do 3º filho ´q me sinto preparada para a maternidade.

Pedro disse...

Posso dizer que sou tio, adoro ver cada nova conquista do meu sobrinho, brincar com ele e voltar a ver o mundo da forma sintética que só as crianças conseguem mas para já fico-me por esse papel, ser tio e quem sabe ficar para tio.

lady_blogger disse...

Dentro das idades que referiram tive uma filha. Para mim ter filhos é a parte da vida que mais me realiza.
Nunca tive uma família consistente, e a que tive perdi-a ainda jovem. Talvez por isso sinta tanto a necessidade de ser mãe. Ainda quero ter mais filhos, mas infelizmente o corpo não me permite ter os que desejaria e nem o dinheiro estica, mas como costumo dizer "onde comem 2 comem 3". O problema é que com o passar dos anos a paciência e a disponibilidade diminuem.
Até hoje só conheci uma pessoa que não queria ter filhos. Tive uma vizinha que também dizia não querer, mas a dada altura decidiu que teria, e até foi medicamente aconselhada a ter devido a um problema de saúde.

A Fernandinha falou das mulheres britânicas que não sentiam grande apelo para a maternidade. No caso delas talvez se justifique por recearem engordar demais, pois elas já são um pouco pesadotas sem engravidar e com uma gravidez só piorariam.

Com a liberalização do aborto e a escassez da vontade de ser mãe, que será de Portugal quando formos avós (se formos)?

CC

Maria Mendes

Maria José Costa disse...

Tenho uma filha que dizia não queria ter filhos, porque não era necessário te-los para uma mulher se sentir realizada. Ao fim de 6 anos acabou por engravidar porque o marido queria. Teve uma depressãodurante a gravidez. Depois da criança nascerdiz: se eu soubesse que era tão bom ser mãe, já tinhatido há mais tempo. E quer ter mais. Maria José

Nana Odara disse...

Nunca quis ser mãe, mas sempre adorei crianças...
Pensei que ser mãe era uma espécie de castigo, a pior coisa do mundo...
Mas tive a sorte de ficar grávida de surpresa aos 29 anos de uma relação com um amigo...
Entendo as mulheres que optam por não serem mães, mas duvido se em algum momento não se sentirão frustradas a medida que o tempo vai passando...
Entendo todos os argumentos pelas carreiras, pela casa e carro e por sobrar mais algum dinheiro e tempo pro lazer...


Mas o REAL PROBLEMA AQUI É O MODELO SOCIAL PATRIARCAL, QUE DEFINIU SOCIALMENTE PAPEIS MASCULINOS E FEMININOS DE UMA FORMA PRECÁRIA E REDUTORA...
É O MODELO SOCIAL PATRIARCAL QUE É INADEQUADO À MATERNIDADE PQ SUA BASE É A MULHER SUBMISSA AO HOMEM, CONDIÇÃO DA QUAL A MULHER SE LIBERTOU APÓS MUITA LUTA...

A ALTERNATIVA VIAVEL SÃO AS COMUNIDADES MATRILINEARES ONDE AS FUNÇÕES SOCIAIS SÃO DIVIDIDAS ENTRE HOMENS E MULHERES, SENDO QUE AMBOS PODEM TER VIDA SOCIAL E PROFISSIONAL SEM DEIXAR DE TER UMA VIDA FAMILIAR SAUDÁVEL...

NEM TODAS AS PESSOAS HOMENS E MULHERES TEM OBRIGAÇÃO DE SEREM MÃES E PAIS... MS NÃO SE PODEM JUSTIFICAR AS OPÇÕES PESSOAIS DIMINUINDO UMA FUNÇÃO NÃO SÓ VITAL COMO SUBLIME...


A MULHER QUE NÃO QUER TER FILHOS NO FUNDO QUER NEGAR O SEU PRINCÍPIO FEMININO, POR CAUSA DE TANTOS SÉCULOS DE REPRESSÃO E DOMINAÇÃO CONTRA AS MULHERES...


MAS O PROBLEMA É REALMENTE O MODELO SOCIAL QUE NÃO PERMITE ÀS MULHERES E ÀS PESSOAS VIVEREM EM FUNÇÃO DE SI MESMAS E NÃO PARA O EMPREGO, PARA PAGAR CONTAS, PARA O SISTEMA...

NÃO QUERER TER FILHOS NA VERDADE É APENAS ESTAR MAIS EM FUNÇÃO DO SISTEMA, DE JUNTAR MAIS DINHEIRO, DE GASTAR MAIS DINHEIRO, E NÃO EXATAMENTE DE SER MAIS FELIZES OU MAIS CONSCIENTES DE SI MESMAS

Pedro disse...

O que é curioso e que espero nunca chegue a Portugal é algo que já se verifica nos EUA, que são edificios onde são proibidas crianças.
É inacreditável e só podia acontecer na América! Será que até têm o autocolante na entrada do edificio??

Marco disse...

Boa tarde...
Tive um irmao quando ja tinha 15 anos e sempre fui no fundo o pai dele... Agora ja adulto e visto que ja tive um "filho" que não era meu nao esta nos meus horizontes ter um filho... Acha que isto é um processo normal ou tou a ser muito pessimista? Obrigado pelo esclarecimento e parabens ao programa

lady_blogger disse...

Há quem não queira ser mãe, avó, bisavó, tetaravó. Eu gostaria de ser tudo isso, pois seria sinal que estaria viva para ver crescer a minha descendência, a minha amada família.

CC

Maria Mendes

alice disse...

Aos 20 anos ter filhos era qualquer coisa inimaginável para mim. Só senti vontade de ter filhos depois dos 30 anos.E tive. Aos 39 tive o 2º. Entretanto aos 41 resolvi voltar a estudar, fiz o mestrado. Ter filhos nunca foi impedimento para mim da minha realização pessoal ou profissional, antes pelo contrário, aprendi a organizar e a optimizar o meu tempo.

Nana Odara disse...

AS MULHERES QUE NÃO QUEREM TER FILHOS SÃO ESCRAVAS DO SISTEMA PRODUTIVO E ECONÔMICO, E NÃO MAIS CONSCIENTES DO FEMININO SAGRADO E DA VERDADEIRA MATERNIDADE...
ISSO OCORRE POR CAUSA DOS SÉCULOS DE SUBMISSÃO DA MULHER, É PORTANTO UMA NEGAÇÃO DO SEU FEMININO...
TORNAM-SE MACHOS DE SAIAS, BUSCANDO POR LIBERDADE SEXUAL E AVENTURAS, DROGAS E VICIOS DIVERSOS, NO FIM, DÃO-SE CONTA DE QUE ANDARAM A FUGIR DE SI MESMAS IMITANDO UMA SUPOSTA LIBERDADE MASCULINA... QUE É TBM FALSA...

lady_blogger disse...

Um casal meu amigo no regresso de um país estrangeiro, procurou casa em Coimbra na década acho que de 70, já aí se viram "à nora" para conseguir uma casa onde viver, isto porque quando sabiam quantos filhos estes tinham, de imediato diziam não querer tantas crianças no prédio.

Realmente isso de proibirem crianças nos prédios, lembra a proibição aos animais. A minha filha de certeza por ser tão reguila seria proibida de entrar em muito lado. Pergunto: mas nós somos seres racionais ou irracionais? Ou seremos nós tão racionais que deixemos de parte os sentimentos e assim desprezemos os nossos semelhantes em ponto mais pequeno? Somos mais importantes que as crianças, desde quando?

CC

Maria Mendes

Pedro disse...

A pressão do relógio biológico é a pressão de uma oportuniade perdida, do que podia ter sido e não foi ou poderá já não ser.
Não penso que seja tanto a pressão social mas a pressão do próprio.

carica disse...

Boa tarde,

Tenho 29 anos e ainda não tenho filhos, por opção.
Acredito que ser mãe / pai é o maior projecto de toda uma vida e, para toda a vida, uma vocação.
Quando abraçarmos o chamamento de sermos pais há-de ser totalmente conscientes de tudo o que isso implica: emocional e financeiramente, a nível de tempo, etc.
No entanto, não somos pessoas desprovidas de instinto paternal, de afectos, de humanismo e sensibilidade. Apenas vamos devagarinho porque acreditamos que educar um novo ser humano para o mundo é uma tarefa grandiosa.
O verdadeiro instinto biológico existe nos nossos pais, que insistem na vinda de netos.

Obrigada, Ana Chagas

Nana Odara disse...

Relógio biológico, instinto parental e outros conceitos são variaveis condicionadas socialmente...

lady_blogger disse...

Quem diz que a carreira é mais importante que constituir família, eu sugiro que repense no assunto. Quando morrermos teremos sido bons profissionais, mas se morrermos e tivermos filhos teremos sido talvez bons pais e até bons profissionais. Se no 1.º caso deixámos para trás uma carreira, no 2.º deixámos também um pouco de nós mesmos, e que certa forma se lembrará de nós não pelo que tivemos mas pela maneira como amámos.

Amo-te Filha!

CC

Maria Mendes

Florbela disse...

Boa tarde,

Já fui "vítima" de discriminação, numa entrevista de trabalho, por ser mãe.
Isto não é normal!
Cheguei mesmo a pedir ao entrevistador, que este facto, não fosse negativo, pelo contrário, que eu teria mais necessidade de trabalhar, porque as despesas aumentaram.

Flor

Nana Odara disse...

Se a sociedade vivesse um modelo econômico diferente do capitalismo selvagem, e da grande competição profissional que tem inúmeros aspectos negativos, tal dúvida ou questionamento à maternidade não ocorreria...

As mulheres que não querem ser mães tem motivos que se prendem unicamente com questões financeiras para fazer face a uma sociedade feita baseada na repressão feminina, e que não previlegia o "trabalho" das mães... pq até bem pouco tempo atrás essa força de trabalho estava completamente submissa...


o trabalho de ser mãe, criar e educar uma criança requer uma dedicação a longo prazo, que não coincide com objetivos instataneos de consumo e produtividade da sociedade atual

madame M. disse...

Quem se tem de adaptar á contemporaneidade são os homens e não as mulheres. se a paternidade e a maternidade for de facto dividida a maternidade não é ( nem deve ser) impedimento de nada, a não ser se o pai não existir ou não colaborar...a sociedade é que cria desigualdades; ser mãe e mulher trabalhadora é muito difícil em certos sectores profissionais, mas e ser pai??

Alex disse...

Boa- tarde a todos.União não implica gestação.Sou mâe de uma menina com 7 anos e pessoalmente é uma benção e felicidade. Corroboro que para se ser pai e mãe tem de se ter vocação, pois não é apenas t~e-los e entregá-los a amas, colégios, ATL's. Com o que descontamos podereríamos perfeitamente ficar com os nossos filhos até aos 3 anos, como acontece com alguns países da Europa. O ideal é poder conciliar qualidade com quantidade em família.

Nana Odara disse...

Nas sociedades matrilineares os cuidados da criança após o desmame são uma função dos pais...
isso aproxima os pais e filhos e cria o vínculo parental, ao mesmo tempo que possibilita ao homem exercer a sua sensibilidade e seu lado lúdico... claro, estamos falando de sociedade mais comunitáriase menos capitalistas...

Andromeda disse...

Nunca quis ter filhos. Tenho 26 anos e desde que me lembro nunca tive o mínimo desejo de ter filhos. Não há nenhuma razão específica para isso, simplesmente não quero, não há em mim qualquer desejo para que isso aconteça. Já em criança, enquanto as outras meninas brincavam com bonecos bebés e expressavam o seu desejo em ter filhos apesar da tenra idade, eu tinha outros interesses e desejos. Não é que não tenha brincado com bonecas, tinha uma enorme colecção de Barbies, mas nunca achei graça a brincar às mães, nem a bonecos bebés.
À medida que o tempo passou, ao contrário do que muita gente afirmava, a falta de vontade de ter filhos cresceu enormemente, a ponto de se poder falar em vontade de não ter filhos. E não é porque me queira dedicar livremente a uma carreira. Apesar de estar a acabar um curso superior na área da Engenharia Informática não tenho qualquer intenção em me dedicar 12-14h por dia a um emprego como fazem muitos homens e mulheres que conheço. E também não é por falta de uma relação estável pois estou numa relação dessas à quase 9 anos.
Simplesmente não quero filhos, pura e simplesmente. Vou ser honesta, não gosto de crianças. Não que lhes deseje mal, nem nada que se pareça, apenas não gosto de tê-las por perto, não as acho mínimamente interessantes, não despertam qualquer sentimento positivo em mim. Não creio que seja por esta razão que não queira ter filhos mas acredito que ambos tenham a mesma origem, tenha este "não querer ter filhos" a origem que tiver.

Pedro disse...

É verdade que a descriminação existe e posso contar um caso que me aconteceu de proposta de susbstituição temporária de uma senhora que estava de licença de maternidade mas a que o empregador chamava de férias de maternidade com um sentido muito pejurativo, pois sentiu-se enganado por ter celebrado o contrato e só após ter tido conhecimento desse facto.

Nana Odara disse...

Não temos de ser mães e pais por obrigação...

Mas não podemos deixar de ser pais e mães em função do mercado e do sistema...

Temos de ir modificando o sistema construindo um novo modelo social mais fraterno e menos capitalista...

carica disse...

Há cerca de 5/6 anos numa entrevista para um estágio, o entrevistador depois de indagar o meu estado civil perguntou-me, com um ar muito sério, se pretendia ter filhos a médio prazo.
Acredito sinceramente que se a minha resposta fosse positiva nunca teria sido admitida nesse estágio.

Obrigada. Ana Chagas

Pedro disse...

Há pessoas quem nem animais de estimação devia ter quanto mais ter a seu cargo a educação e o cuidado de um ser humano!

conchita disse...

Boa tarde a todos. Sou mãe com 32 anos e uma menina de 4 anos. Numa entrevista de emprego de uma conceituada empresa estava eu e outra jovem para obter o cargo. A outra foi seleccionada só por que tinha mais disponibilidade de ficar depois da hora de trabalho e eu não, já que vou buscar a minha ao infantário e não posso ficar depois da hora. O meu marido não pode porque trabalha por turnos.
Há muita discriminação o facto de ser mãe e não poder "dispensar" mais horas à entidade empregadora. É lamentável mas existe esta discriminação.

Anjos disse...

Boa tarde!Talvez seja realmente tarde para o meu comentário,mas mesmo assim gostava de deixar a minha experiência.Sou mãe e sempre o desejei ser.Mas lembro-me que quando engravidei do meu primeiro filho já trabalhava numa conceituada empresa há 10 anos que ao saber da minha gravidez,um dos chefes do departamento fez questão de em plena reunião dizer "espero que esta virose que a vossa colega apanhou não se espalhe!"Fiquei sem palavras e momentâneamente tive dificuldade em entender que a virose era mesmo a minha gravidez.Foram sempre feitos comentários no sentido de evitar esse "tal despertar" do desejo maternal nas minhas colegas.Quase todas que são agora mães já não trabalham na empresa.Coiíncidência ou não!Eis a questão!

Anjos disse...

Mesmo tendo que abdicar da minha carreira e de muitos projectos que tinha,nunca me arrependo da opção de ser mãe.Acho que muitos pais se queixam em excesso,os que têm filhos saudáveis não imaginam o tormento que é ter filhos com problemas de saúde.Aí sim os planos de vida mudam!E mesmo assim sobrevivemos e sorrimos!
Acho que ter filhos é uma opção de cada um,livre,que deve ser ponderada mas nunca imposta.Nem devemos criticar quem não têm nem quem quer ter!
Existem tantas pessoas que por si só a sua existência já é abominável,quanto mais serem capazes de criar,cuidar,amar e educar um outro ser!
Agora acho que devem existir medidas governamentais coerentes,se realmente queremos um país com mais crianças,não é com estes miseros subsídios,com esta pouca protecção no emprego,com falta de creches,com estes salários tão desfasados dos preços dos bens essenciais...etc etc que sentimos vontade e temos condições para o fazer.É realmente um jogo de malabarismo conseguirmos pagar as contas todas no fim do mês!Bem,mas isso já é outro programa!

O Homem dos Leões disse...

Uma directiva da União Europeia, no ano 2069, determina que: todos os europeus e benefeciários do sistema de Segurança social de qualquer estado membro, que, aos 65 anos de idade, (idade de reforma), não tenham pelo menos dois filhos perfeitamente reconhecidos, não terão direito a reforma.

Quero ver então a corrida espavorida à procriação e a discursos, tipo, eu nasci para ser mãe, eu adoro crianças, eu até amo o meu marido. Os homens se houverem, na altura, só servirão para os fazer () e pagar as contas, para acompanhar e participar e dar educação, (tenho dúvidas), ouvirão o que ouvem hoje, muitos; os filhos são meus, fui eu que os pari.

E tanto para dizer........

tt