quarta-feira, novembro 19

A “cunha”

Um estudo do ISCTE revela que a “cunha” é o modo mais fácil de chegar à profissão de jornalista. E nas outras profissões, passa-se o mesmo? A “cunha” é aceitável quando beneficia alguém competente e da confiança de quem o/a contrata, ou é sempre uma forma de descriminação?
Neste Sociedade Civil queremos avaliar o mercado de emprego em Portugal nos variados sectores para perceber como se atinge o nível profissional que se escolheu.
As explicações, as expectativas e as respostas neste SC.

Convidados:
José Rebelo, Professor do ISCTE
José Palma de Oliveira, Psicólogo da Universidade de Lisboa
Armindo Monteiro, Presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários
Helena Matos, Jornalista do Público

18 comentários:

lady_blogger disse...

Conheço um senhor chamado Cunha Valente e creio que no seu percurso profissional já tenha feito jus ao seu nome próprio.

Realmente, há por aí tantas cunhas valentes, ou valentes cunhas...

Concordo que conhecer a pessoa certa no local certo poderá ajudar, mas na minha opinião o que deveria ser valorizado seriam as competências das pessoas e não o grau de parentesco ou de amizade.

Já agora: não há por aí uma cunha para mim para a profissão por vós supracitada? ;-)

Agora a sério... cunhas para amigos - não, mas vagas para profissionais - sim.


CC

Maria Mendes

Martinha disse...

Nos meios mais rurais e nomeadamente nas pequenas cidades do interior, o "factor c" não estará tão camuflado e será a única via para se arranjar um emprego decente, mesmo para a função pública.
Em muitos casos direi mesmo que ter uma "boa cunha" será tão ou mais importante que ter um canudo. Mas como "o saber não ocupa lugar", valha-nos ao menos isso.

sonharamar disse...

Estou à procura de emprego na minha área e já por diversas vezes no processo de selecção fiquei para trás apenas e só porque havia alguém com cunha. Mesmo tendo eu qualificações habilitações superiores isso de nada serviu.
Bem sei que Portugal à muito que o sistema é assim mas já estou cansado. E nem sequer me estou a referir aos boys dos titulares de cargos públicos que há aos milhares. Como há na própria rtp que recebem ordenados chorudos e pouco ou nada fazem para bem das empresas minando deste modo todos os esforços dos trabalhadores e prejudicando a produtividade.

Já agora... se me arranjarem alguma cunha na rtp que avisem... :/

ASS: Pedro

Neuronio Perdido disse...

A cunha passa a ser necessária pelas restrições que o proprio mercado obriga, ou seja, qualquer pessoa que queira concorrer a um cargo, todos pedem pelo menos 2 anos de experiencia na area para se certificarem que uma pessoa tem COMPETÊNCIA. Se todos pedirem o mesmo então não temos uma pescadinha de rabo na boca?

Uma cunha resolve isto tudo.

Paulo Santos

lady_blogger disse...

O SC respondeu à questão dos comentários de ontem ter fechado mais cedo do que previa?

CC

Maria Mendes

Sociedade Civil disse...

questões fora do tema devem ser colocadas por mail.

saudações civis

lady_blogger disse...

Fernandinha, eu estava a brincar... até porque neste momento não poderia dedicar-me totalmente ao jornalismo, porque tenho na algibeira uma empresa de informática de serviços especializados. Mas que gostaria de fazer parte integrante de um programa de debate de temas actuais, isso não deve ser novidade para ninguém.


CC

Maria Mendes

Sandra disse...

Não adianta serem politicamente correctos: a cunha é muitas vezes um factor determinante para arranjar emprego...sobretudo os bons empregos. Que anda ou já andou à procura de trabalho convive com esta realidade. Se entrarem por cunha não invalida que tenha competências, mas se não as tiver quando a instituição der por isso já uma pessoas competente perdeu a oportunidade que merecia. É lamentável que assim seja e com muita pena minha tenho de admitir que se puder recorro à cunha para arranjar emprego, porque se não o fizer alguém vai fazê-lo por mim.

Sandra (Porto)

Ryan Teixeira disse...

Pois como disse a outra senhora:
ter uma cunha faz toda a difereça na hora de obter um emprego, e muitas vezes:"o saber não ocupa o lugar"!!!

madame M. disse...

Parece-me que a sociedade portuguesa ainda é muito limitada pela carga das elites e da perpetuação da sua influência nas várias áreas: financeira, cultural, política. Tenho pessoalmente a convicção que é devido a essa permanência das elites que Portugal é um país mediocre e pouco competitivo e criativo ( empresarial, politico, cultural), ou seja a nossa pobreza advém da pobreza e da permanência das elites, onde o peso da tradição é superior ao das competências pessoais. A sociedade está a mudar para mas muito lentamente.

. disse...

Caros Senhores e Senhoras,
Sem duvida alguma um dos maiores motores da sociedade Portuguesa, continua a ser a "cunha", por tal sendo esta prática, madrasta do desenvolvimento social e economico de um País.

Vamos experimentar se o moderador deste blog aceita o "post"...

Assinado

José da Cunha Mayor (bricadeira)

Nuno Dantas disse...

Sou recém licenciado em Ciências da Comunicação da Universidade do Minho e o meu desejo é ser jornalista. Quando iniciei a minha licenciatura, pensei que ao fim de 5 anos teria carteira de profissional. Contudo, o curso entrou no processo de Bolonha e ao fim de 3 estava licenciado, no entanto para ter carteira de profissional de jornalista, tenho que tirar o Mestrado.
Aqui é que está o problema, porque o primeiro factor de entrada é a experiência profissional mas da forma como está a licenciatura ninguém me dá emprego na área. E como não conheço nenhum "sr. cunha" acho que a minha licenciatura é para deitar ao lixo...

Iúri Wanima* disse...

SIm...realmente as cunhas são a mais valia dos portugueses!

E a existência de descriminação na selecção de pessoal para trabalhar continua a crescer!

Dou um exemplo meu:

Em termos de nadadores salvadores para um Hotel...os senhores magnatas preferem ter um rapaz que se desenrrasque muito mal dentro de água mas que seja um seguidor de perfil físico etc, do que terem um rapaz como eu: Negro, e com um aspecto diferente( se virem o meu blog vão constatar)

isto é um dos muitos casos que eu já passei...mas infelizmente isto é portugal...

Mas um dia no futuro ainda vão ouvir falar de mim...

Bom Programa

conchita disse...

Boa tarde:

Tenho um curriculo relativamente bom, no entanto o que me aparece pela frente são empregos de limpeza e tive que os aceitar para poder ter comida na mesa para a minha filha. Muitas vezes ponho em causa se valerá a pena continuar a manter o curriculo que tenho ou mudar e escrever que só sei ler e escrever, visto que já tenho tido conhecimento de algumas pessoas menos formadas do que eu e no entanto gozam de um emprego que nem sequer têm qualificações para tal. Neste caso o factor cunha valeu a essas pessoas.

Emanuel Silva disse...

Eu tenho 16 anos e estou a estudar para seguir a carreira de jornalista. É um facto evidente que, principalmente, hodiernamente a "cunha" é o maior empregador de Portugal. O que almejo é que quando procurar emprego me seleccionem pelas minhas qualidades e não por ter ou não cunha numa determinada empresa.

Rui Valente disse...

Boas tardes! Meu Nome é Rui , sou de Esmoriz e tenho 25 anos.
É realmente verdade (infelizmente) que ainda continua erguido o primeiro degrau da corrupção! a maldita CUNHA!
A sociedade e os cidadãos esquecem-se que as pessoas não valem por aquilo que têm ,(neste caso o Nome próprio beleza física, )mas sim por aquilo que são !
Irei continuar até ao fim da vida terrena, bem firme na minha luta contra qualquer tipo de corrupção,uma das filhas da grande mãe de todos os males: A Ignorância Humana! Um bem haja a todos vocês.E já agora as cunhas ñ prestam pois há muita gente tão pobre tão pobre que só têm dinheiro!

androdrigues@clix.pt disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rui Vieira disse...

Fiz 50 anos, sou designer gráfico e estou no desemprego à cerca de 2 anos! Quando dizem que devemos colocar os detalhes principais no nosso CV, então aí ao colocar a minha idade, seria o mesmo que colocar uma corda ao pescoço, isto porque quase todos os anúncios que vejo, colocam limites à idade, independentemente do grau profissional.
E chega por aqui porque o texto seria muito longo...!