terça-feira, dezembro 2

Planeamento urbanístico: o que falha?

Numa altura em que qualidade de vida é sinónimo de melhor arquitectura, mais espaço público, redes viárias e acessibilidades reforçadas, de que forma é pensado o futuro das cidades? Qual o papel das autarquias e das próprias juntas de freguesia neste contexto?
A realidade mostra-nos que as cidades crescem ao sabor de planos de urbanização pensados para um horizonte temporal de curto e médio prazo, sem aparente pensamento global e estratégia urbanística que projecte a realidade urbana para o futuro mais distante. Resultado: cidades impessoais, sem espaços de fruição pública, pejadas de veículos, inviáveis.
Convidados:
Jorge Bonito - Vogal Conselho Directivo Nacional da Ordem dos Arquitectos
José António Lameiras - Responsável da Especialidade de Ordenamento do Território da Ordem dos Engenheiros
Manuel Salgado - Vereador do Urbanismo da Câmara Municipal de Lisboa
Francisco Ferreira - Vice-Presidente Quercus

28 comentários:

lady_blogger disse...

Se descentralizassem alguns serviços e comércio para a periferia das capitais de distrito, provavelmente as populações não seriam um caos aglomerado, e haveria dispersão habitacional e mais qualidade de vida.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Depois do plano urbanístico bem reestruturado, fará sentido expandir o conceito de certificação energética a todas as casas. Será um 2 em 1 em termos de protecção ambiental.
E por falar em questões ambientalistas... Sabem o que vai a Susana do SC oferecer como prenda de Natal? Numa reportagem televisiva, disse que iria oferecer lâmpadas economizadoras. Eu sugeria-lhe que acrescentásse uns candeeiros manufacturados por ela e com alguns materiais reciclados. Que tal? Não será uma prenda económica, mais composta, e igualmente amiga do ambiente?
Fica a sugestão.
Mais barato que isto só se fizer como a Fernandinha, ou seja, não se ofereça nada. Nada vale mais do que um afecto, e o melhor que se pode oferecer neste Natal não é generosidade em tempo de crise, mas sim Amor todos os dias das nossas vidas.
E fica mais esta sugestão!

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Para quem quiser fazer um candeeiro para oferecer, pode usar restos de plástico duro, e experimentar confeccionar um tão moderno quanto o que aparece a 19 de Junho de 2007, no .
euronios.

CC

Maria Mendes

AG disse...
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AG disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
AG disse...

●Porque é que dizemos muitas vezes que nos sentimos bem, que é agradável passear e estar, pelas ruas de Alfama ou pelo Bairro de Alvalade?
●Porque não dizemos o mesmo para a zona das Avenidas da República ou dos Estados Unidos da América?

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●Com um fervor que comparamos a Álvaro Campos, é Le Corbusier, que promulga a “casa como uma máquina de viver”. Que posição tomamos quando este arquitecto modernista lega o “MORT DE LA RUE”? (Aí está, a resposta à terceira interrogação que fiz inicialmente.)

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●Uma vez mais, é necessária uma reflexão aos VALORES ESSENCIAIS dos espaços que existem cidade. Que acolhem o nosso corpo, o nosso universo como humanos. Descobrir o “genius loci”, compreender de que CARÁCTER, IDENTIDADE e ESPESSURA HUMANA, são feitos esses lugares arquitectónicos que permitem o entrelaçar da experiência com o devaneio.
●Não de um “bizzarismo” urbano, passando uma ideia de sociedade emancipada e moderna, que mascara os seus desequilíbrios:


“ O nosso mundo. As cidade que passam como navios iluminados ao largo das auto-estradas. Arquitectura que não se deixa ver e compreender senão pelo olhar furtivo ou sonhador transportado pelo tráfego que se escoa a cem quilómetros à hora. Neste mundo, só paramos quando nos aborrecemos, só paramos para nos aborrecermos.» - Michel Freitag, Arquitectura e Sociedade

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Ana G.

Adriano Reis disse...

Boa tarde,

Adoro e amo de paixão lisboa! Acho que precisa muito e muito mesmo de mais espacos verdes.

Apesar dos prédios ter fachadas lindissimos, é triste vê-las a apodrecer e abandonadas.

Lisboa é um esta um caos com falta de estacionamentes, centralização de muitos serviços etc,etc.

se é para planear o urbanismo, a que pensar realmente toda estas situações caótica que todos nós conhecemos e bem!
www.teatropalcodavida.blogspot.com

pedalofilo disse...

Por falar em planeamento para o FUTURO, porque não o Sr. Vereador apresentar aí no programa o PUALZE ? Seria bom alertar em antena aberta para a discussão pública acerca duma aerea essencial para Lisboa.

sonharamar disse...

O que falha? Falha não haver mais excelentes casas com rendas simbólicas como aquelas arrendadas pela câmara de Lisboa a quem tem cunhas.

AAS: Pedro Silva

martinhaa disse...

é importante também referir que o bom planeamento urbanístico, aquele que nos dá uma qualidade de vida superior também tem de ser bem pago!

e mesmo que seja dificil de admitir, as nossas autarquias e os nossos construtores ainda pensam na quantidade de construçao (os euros que vão entrar em caixa) e não na qualidade, que está ao alcance de alguns e não das massas!

uma boa maneira de mudar esta anarquia urbanística era limitar a construção destes "bairros sociais", estes aglomerados de prédios "feios", tanto a nível estético e de modo de vida!

é triste ver que temos potencial para ser-mos um dos países mais belos e organizados da europa e não o somos!

"Satya" disse...

Não pude deixar de comentar o que estão neste momento a discutir, os transportes nas grandes cidades...

Só uma Pergunta: Para que serviu o STO (aquela coisa!! em oeiras/paço de arcos)??
num momento em que se fala de poupança de energias ver aquele transporte sem ninguem dias e dias consecutivos doi na alma!!

Pedalófilo disse...

Concordo ABSOLUTAMENTE que a Mobilidade tem de ser planeada a longo prazo, por isso é importante construir sem dar primazia ao automóvel.
Seria interessante ter a coragem POLITICA, de não ser eleitoralista, de criar zonas habitacionais sem estacionamentos, tornar muitas ruas em sentidos únicos e com limite 30km/h, elevar as passadeiras, aumentar os passeios.
Devia também ser proibida a autorização de grandes superfícies comerciais junto ao centro da cidade, e apostar no comércio tradicional com acessos pedonais.
Voltando à mobilidade, gostaria de apelar a que não se gastasse milhões com cicloVIAS, quando em muitos casos podem ser feitas cicloFAIXAS (não segregadas) se acompanhadas de medidas de redução de tráfego e velocidades.

kyler disse...

Comprei uma bicicleta desdobravel, para a poder transportar no metro e hoje fiz a minha primeira viagem casa trabalho de bicleta. O meu objectivo é usar o carro menos possível.
Gostava que a camara de Lisboa torna-se a cidade mais ciclável.
Vivem milhares de pessoas nos suborbios, que trabalham em Lisboa e centenas de casas vazias na baixa da cidade. Porquê?

Kanina disse...

eu sou de Tomar e o que falta é exactamente planeamento...e saber fazer...

por exemplo, fizeram uma ponte a pouco tempo e estava mal feita, tinha uns cabos eletricos mal postos...
o centro historico esta a morrer... desde que cortaram o transito... as lojas estao todas as fechar... enfim... Tomar esta a morrer...

Marie disse...

O que eu gostava de viver no centro de Lisboa, concordo com os problemas apontados (estacionamento, serviços...)mas até estava disposta a contornar essas situações com maiores deslocações ou outras alternativas. O que não consigo mesmo contornar são os preços, que são astronómicos e não permitem qualidade de vida...sei que não é bem doambito do ordenamento...mas para voltar a trazer pessoas para a cidade penso que seria das medidas mais eficazes.

Marie

PEDRO DE CASTRO disse...

O que falha no plano urbanístico português á a falta de cultura arquitectónica que inequivocamente resulta num espaço urbano desqualificado.
Como podemos querer politicas de habitação e de vivência da cidade se não há coragem para fazer frente à especulação?
O caso de Lisboa é pragmático!
Só vive em Lisboa quem foi realojado para habitações sociais, quem está com arrendamentos de à 50 anos ou quem tem rendimentos muito acima do português médio. Onde está a classe média? Pois, essa está nos arredores porque não tem capacidade para pagar enormidades por um apartamento subdimensionado em Lisboa.
E qual é a resposta da CML a esta situação? Criar uns pseudo planos de intervenção que nunca chegaram a ser implentados, mas que ficam muito bem no papel e até fazem parecer que se preocupam com o problema. Entretanto mais de metade da cidade está com edificios devolutos e degradados e os espaços públicos, nomeadamento arruamentos e jardins completamente abandonados e com falta de cuidados.
Houvesse coragem política e menos retórica e este problema era rapidamente resoluvel.

Xana disse...

Moro na ribeira do Porto. Mais no centro da cidade é impossível. No entanto é uma zona onde não é possível estacionar um carro a menos de 300m e, fora do "cómodo" horário compreendido entre as 06:30h e as 11:30h dos dias úteis, é proibido circular na única rua que permite um acesso automóvel até menos de 100m das habitações. Nestas condições não é possível descarregar cargas (compras do mês, p.ex.) nem ir buscar/deixar pessoas com dificuldades de locomoção. Em zonas com as caraCTERÍSTICAS da Ribeira do Porto é necessário conjugar de forma mais harmoniosa os interesses dos moradores com a exploração turística.

Alexandra Sá Pinto & Pedro Cardia

XISTO disse...

A internet como a estrada do futuro, se um dos plano que se deve ter ara as nossas cidades e diminuir o automóvel nas cidade, e isso é possível no presente, se as empresas como capacidade darem a liberdade aos seus funcionarios de trabalhar em suas casa e online, e isso faz com que as grande cidade fiquem com maior liberdade dos automóveis e melhor ambiente e todas as pessoas como maior qualidade de vida. Sou o Bruno Castro e trabalho online a 3 anos para todo o mundo e 90% do meu trabalho é para os EUA e acho que é possivel implementar este metodo de trabalho nas grande cidade em portugal, mas acho que a internet deveria ser mas barata ou até mesmo GRATIS. obrigado pela oportunidade... Bruno Castro

Goncalves disse...

Já foram abordados no debate dois pontos bastante essencias neste momento.
A mobilidade onde cada vez mais se fala em portagens urbanas e onde também se devia discutir e apostar nas ciclovias. Mas as desculpas são sempre as mesmas, ou existem muitas inclinações na cidade, ou chove muito e nunca se tentou apostar e tentar resolver os problemas.
Outra questão muito relevante é os centros da cidade. Até que ponto as SRU estão a funcionar bem. Será que vai levar à gentrificação? E isto será bom ou mau?

Joaquim Faria disse...

Já ouvi falar muito em urbanismo asnão ouvi falar ainda nos urbanistas, porquê???

Goncalves disse...

É também relevante introduzir neste debate a questão das Autoridades Metropolitanas de Transportes.
Só com uma entidade deste género com poder de decisão e também com condições financeiras poderá melhorar o sistema de transportes das áreas metropolitanas. Associado a isto não estão só os transportes, mas também estacionamento e mesmo as próprias vias.
O estacionamento neste momento esta exactamente ao contrario do que devia ser, adequa-se a quem vem trabalhar na cidade e desaqua-se aos moradores da mesma. Ou seja chama o carro para a cidade

João Gonçalves

Joaquim Faria disse...

Se a ordem dos Urbanistas fosse criada, e reconhecida pelo governo,como foi e é reconhecido o curso, talvez o urbanismo em Portugal melhorasse substancialente. Não se pode pedir a quem trabalha em peq. escala, arquitectos, que trabalhem em grande escala, urbanistas....

PEDRO DE CASTRO disse...

Lisboa é o caso paradigmático do que uma cidade podia ter sido mas não conseguiu.
Até meados do séc. XX Lisboa ainda estava a crescer e com base em planos urbanísticos cuidados com uma visão integrada da cidade.

Pergunto porque nunca existiu a capacidade como existiu noutros países, como a Holanda, de haver cuidados com o planeamento urbanístico.

Onde têm andado os arquitectos e mais recentemente os urbanistas?

Temos tantos profissionais qualificados nestas áreas, porque é que não são capazes de passar da teoria à prática? Boas teorias já nem precisamos de inventá-las, basta analisar os casos já existintes e que resultaram no estrangeiro! SEjamos práticos

Goncalves disse...

Outra questão muito relevante no planeamento urbanistico é o que costuma acontecer quando por exemplo as escolas fecham ou serviços fecham. Como não têm pessoas as escolas ou serviços fecham, mas isto leva a que como não existem estes serviços as pessoas não querem morar lá. E saiem para outros centros.
Isto acontece também nos transportes, por exemplo a CP falhou muito neste aspecto, linhas com pouca gente diminuiu as frequências, isto leva a que menos gente ande no comboio e a linha acabe por fechar. A política devia ser exactamente o contrario, aumentar as frequências para tentar chamar mais gente

João Gonçalves

Rita P. disse...

Parem de fazer estradas e parques de estacionamento! Não estão a ajudar em nada ao problema do trânsito, só pioram! Mais espaços verdes, melhores transportes públicos, mais respeito pelos moradores e pelos pedestres. Lisboa, nesse departamento, é uma vergonha! Vejam a Cidade Universitária, por exemplo. Porque não mais faixas de bus em vez de mais parques de estacionamento? Assim já chegávamos a algum lado...

PEDRO DE CASTRO disse...

O Parque das Nações tem metade do seu parque habitaçional DESOCUPADO e ainda assim continuam a construir mais habitação!!
E porquê? eu sei ms gostava que explicassem...

sandra disse...

Boa tarde, e antes de mais parabéns pelo excelente programa. Gostaria de deixar algumas considerações acerca do tema hoje em discussão.
Não querendo colocar em causa nada do que foi dito pelos convidados do programa de hoje, gostaria de ouvir a perspectiva de uma mulher que ocupasse um cargo no domínio do planeamento urbanístico. Não sou urbanista, nem tenho formação dentro de qualquer área semelhante. Sou mulher e sou mãe de filho pequeno pesado demais para andar ao colo e pequeno demais para andar por si. Nessa perspectiva, tenho a dizer que é uma tarefa quase impossível transitar em algumas zonas da cidade de Lisboa. Longe vai o tempo em que as mulheres-mães ficavam em casa longos períodos de tempo ou tinham quem cuidasse dos filhos pequenos. Hoje, falo por mim e certamente, por outras mulheres em semelhante condição, sempre que saio, o meu filho anda sempre comigo. Mas tenho sempre que pensar 2,3 vezes e organizar-me logisticamente para que a saída ocorra sem problemas de maior.Andar em transportes públicos pode ser uma experiência traumatizante quando não há condições para o trânsito de carrinhos de bébés: autocarros, escadas de metro onde não há elevadores, repartições públicas e outros serviços públicos onde só há escadas e nunca há um elevador, para não falar da calçada portuguesa quando existe,dos passeios que não existem, dos passeios entrecortados por árvores... ou que estão ocupados por carros.
Na minha humilde opinião, seria interessante darem uma palavra às mulheres em termos de planeameto urbanístico, pois são elas que andam sempre com 'a casa e a familia às costas'. Dito isto, não só é necessário tornar a cidade mais transitável para os velhos, mas também para os deficientes e sobretudo para as jovens mães, já que o Sr. 1º Ministro pretende incentivar a natalidade. Não só é necessário dinheiro para isso, é preciso criar condições, criar estruturas para tal. Obrigado a todos pela atenção. Uma espectadora interessada, Sandra Carvalho

Sociedade Civil disse...

( enviado por mail)

Boa-tarde; Dr. Fernanda.

Estou a ouvir-vos e agradecia o seguinte esclarecimento, quando os espaços adjacentes da Expo:

- os parques de estacionamentos, não seriam no futuro o estacionamento, "obrigatório" das viaturas que entravam em Lisboa?

- a própria Central Rodoviária não estava igualmente prevista para umas dessas áreas?

- estas finalidades estavam em consonãncia com a linha do metro e comboio, e os ex-lisboetas sentiam-se "aliviados" e como parte interesssada desse suposto projecto, ou não existe essa leitura?

- nãp era suposto os serviços oficiais, tipo conselho de ministro igualmente lá se instalarem? Não apreciaria, pelos serviços de segurança que essa grupo teria de ter, mas tv estivesse melhor, mais arejado do que hj em dia.

- que continua a fazer a Norte aquele desvio "divertidissimo, no minimo adjectivá-lo assim desde a Expo, a Norte?

Não compreendo o que aconteceu a tanta "loucura" imobiliária, especulação, e essas tretas todas.

Claro temos lá um jardim pedonal, com parque de skate, saquinhos pros cócos dos caês e outras mini-funcionalidades de puro prazer.

Não gosto já de ir à Expo, sinto-me agredida com aquela coisa do Casino.

E a Pala famosa do artiquecto Siza Vieira? Quem a aprecia, hoje em dia? estudantes de arquitectura? Safa-se o Oceanário... o Pavilhão... e a nostalgia da memória do que tão bonito e agrdável era lá chegarmos e deixarmos num parque o apêndice da viatura e, sobretudo, do que nòs, ex- Lisboetas "exilados" e não só, pensavamos que nos fosse oferecido.

Puro engano, não pensaram nas pessoas, nessa não acredito.

Enfim, pelo que ouço as convergencias e anti-convergencias e o...costume.

Obrigado

Maria Ramalho