quarta-feira, março 11

Eutanásia: o que é o “testamento vital”?

O conceito reapareceu entre os especialistas de bioética a propósito do caso da italiana, Eluana Engaro, uma jovem a quem foi suspenso o "meio desproporcionado do tratamento”, afirma Rui Nunes da Associação Portuguesa de Bioética – “caso houvesse o testamento vital teria sido bem mais simples”.
É isto que queremos discutir no SC: a possibilidade de qualquer um deixar expressa a vontade de não ser submetido a tratamentos desproporcionados que prolonguem a vida de forma artificial.
A APB propõe que haja um modelo único a ser seguido pelos hospitais portugueses, para que não reanimem o doente em fase de doença terminal. Um consenso não estabelecido pelos vários serviços e médicos portugueses.

Convidados:
Rui Nunes, Presidente Associação Portuguesa de Bioética
Laura Ferreira dos Santos, Instituto de Educação e Psicologia da Universidade do Minho
Luís Costa, Diretor do Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria
Pe. Vitor Feytor Pinto, Coordenador Nacional da Pastoral da Saúde e Professor de Bioética

19 comentários:

Catherina Sanders disse...

Boa tarde,

Apesar de opiniões contrárias sobre a eutanásia, deve-se falar.
Para um dia chegar o consenso que permita uma lei.
Mas penso que deve haver respeito sobre a vontade da pessoa doente.

Tenho uma amiga do tempo da faculdade que teve um grave acidente de carro em 2003. Ficou em coma e os médicos não davam esperanças nenhumas. Mas o pai não deu autorização para desligar as máquinas de respiração.
O senhor já tinha perdido a esposa, e não seria ele a decidir sobre a vida da filha.
Com boa sorte, ela acordou e tem evoluído. De certeza que não é a mesma pessoa, mas está a se construir noutro ser. Com algumas lembranças do passado.
Foi bom o pai não decidir, para ela e para todos.
Ela continua a ser aquela miúda sorridente e bem com a vida. Pode ter mudado, mas é acima de tudo a Teresa Meireles.
Abraços,

Catherina

Martinha disse...

Olá

É mais um dos assuntos controversos da sociedade actual.

Tenho aprendido imenso com o vosso programa. Obrigada por existirem.

Martinha

Bounty196 disse...

Sou completamente a favor... Devemos ter o direito de decidir o nosso futuro e a nossa vida caso um dia nos encontremos numa situação terminal ou mesmo supostamente terminal...
Falo por mim, se um dia me encontrasse numa cama de hospital com uma doença em estado terminal não tenho duvidas que quereria terminar a minha vida.
É tudo uma questão de cultura e a nossa sociedade encara tudo que sejam formas de suicídio como covardia ou falta de força de vontade... acho que esta na altura de mudar a forma de pensar e evoluir... ninguem deve ser obrigado a sofrer ou a viver apenas porque os outros querem...

Castelhano disse...

Boa tarde!
Parabens pelo programa!

Desconhecia este conceito de testamento vital. Se é verdade que a pessoa deverá ter o direito a decidir sobre a continuação ou nao dos tratamentos também é verdade que não é facil estipular a 'fronteira' entre o que vale a pena fazer ou deixar de fazer...
Neste momento não sei se concordo com o testamento - será fácil depois interpreta-lo? Ou há 'modelos' de testamento para facilitar a interpretação? Já agora, quando é que os médicos podem 'desligar as máquinas'?
E o que dizem as directivas/leis concretamente, o que é que está definido nesta altura na nossa legislaçao?

Vou continuar acompanhar o programa!
Cumprimentos

Pedro disse...

Boa tarde,
Vivemos numa sociedade que prefere tapar os olhos a ver a realidade.
A decisão de terminar a vida não é algo que se faça de ânimo leve nem de forma gratuita.
Se encararmos a realidade pelo que ela é, vemos que a única garantia que temos desde que entramos neste mundo é que um dia vamos morrer. Pergunto-me então porquê tanta polémica por uma pessoa querer morrer com dignidade e de uma forma que preserve a sua dignidade e o respeito pessoal e familiar.
Enquanto continuarmos com atitudes hipócritas, enquanto sociedade apenas fomentamos os suícidios não assistidos e grande parte das vezes traumáticos para os entes queridos.
A fé o que é da fé e ao homem o que é do homem. Não sou católico e a igreja enquanto instituição é uma organização de homens e dos seus ideais.
Se queremos uma sociedade de respeito mútuo, então quero que aceitem as minhas decisóes assim como eu aceito e respeito as demais.

Pedro disse...

estes assuntos têm de ser encarados de forma séria pois o que se fala não é de suicidios "a la carte".
Todo este processo tem de ser efectuado com acompanhamento médico e psiquiátrico caso a caso.
Existem diversos cenários, não apenas o das doenças terminais. Uma pessoa sã que sofra um acidente violento que a deixe encapacitada ou em estado vegetativo deve ter liberdade após ser devidamente informada e acompanhada para tomar decisões fundamentadas.
Se existem credos que recusam transfusões sanguineas, porque se colocam tantas objecções noutro tipo de decisões pessoais?

Eugénio Rafael disse...

Pior que a morte só mesmo o modo sobrevivência e a tortura de viver em agonia, porem proliferem-se primeiro os cuidados paliativos, e recorra-se à eutanásia como plano Z,

a minha pergunta é: quão mais ético é prolongar uma vida agoniante, estilo tortura prolongada, é possível arranjar melhor barómetro ético do que a vontade da pessoa implicada, cada um escolhe para si o que mais feliz lhe fará, afinal além da certeza da morte, eu sei que a única coisa que temos todos em comum é a perseguição da felicidade,

a igreja católica, perdoem-me, foi e continua a ser um saco de pedras às costas do maratonista, considerando o que ela prega, é anti-producente e parece-me a mim descaradamente ilegítimo

Pedro Pedrosa disse...

Quando é que seria aplicado um testamento vital? Apenas em casos irreversíveis?
E nos casos em que as pessoas só recuperam 5% das vezes? Quem decide se o testamento é aplicável?

O Informático disse...

Boa tarde,

Gostaria de deixar algumas questões que me parecem pertinentes:

1) Assumindo que a pessoa com uma doença terminal é crente na religião católica, o facto dessa pessoa precisar de estar ligada a uma máquina para continuar viva não significaria que Deus já a levou?

2) Quem tem o direito de decidir sobre a vida da pessoa? Essa decisão não deveria ser apenas da própria pessoa? Que argumentos realmente existem para se poder contrariar a vontade da pessoa sobre a sua própria vida, assumindo que a pessoa decide conscientemente não continuar a viver?

Daniela disse...

eu penso que a eutaasia devia ser permitida em casos de doença terminal porque cada um sabe aquilo que sofre e por isso acho que, da mesma maneira que decidimos o que fazer com a nossa vida, deveriamos ter o direito de decidir em caso de doença terminal.

cumprimentos

parabens pelo programa

Bounty196 disse...

É um assunto tão delicado e tão polémico que gera uma enorme discórdia... mais uma razão para se autorizar...cada um de nós é que sabe o que fazer, quais as suas convicções e quais os seus valores...faz quem quer não faz quem não quer... mais do que pela vida sou pela felicidade!

Pedro disse...

A nossa sociedade aceita de bom grado que sejamos doadores de orgãos passivamente e que apenas no caso de não o querermos ser, tenhamos que apresentar objecção em vida.
Todavia não aceita que em vida uma pessoa decida sobre a sua vontade.
Posso partinhar que recentemente uma pessoa próxima em fase terminal de cancro foi enviada para casa porque no Hospital lhe disseram que não a poderiam admitir por ser uma situação irreversivel e como tal o internamento não era opção. Isto passou-se no Hospital de Santa Maria. Neste momento está no Curry Cabral onde foi internada por uma situação considerada reversivel, mas não por causa do cancro.
A ser tratado desta forma pelos prestadores de saúde acham que alguém se sente tratado com dignidade?

Dannilo disse...

Bao arde Devemos deixar os politicos desidirem quando alguem neste estado saude deve morrer ou não?Bem uma coisa é certa eles ja desidiram quando mandam jovens para as guerras jovens em bom estado de saude que um dia poderiam vir a ser medicos engiheiros,a decisão deve ser do doente e seus familiares e de mais ninguem principalmente as RELIGIÕES procurem ver o que as religiões fazem neste mundo,mais isto fica para outro debate

Pedro Pedrosa disse...

E se os médicos estiverem errados? Se for outra doença, ou se for uma doença que no furuto possa vir a ser tratada, mesmo em estados aparentemente terminais?

Dannilo disse...

Se eu ganhace no euromilhões se não ouvese guerras fome miseria se se se se...O mais importante é aqui e agora nós estamos a viver agora não o ontem nem o amanha

Mati disse...

Olá,

Parece tão difícil devidir sobre a legalidade/ética da eutanássia, mas é tão fácil adormecer os animais que estão a mais nos canis.

Olga disse...

Actualmento com 56 anos, tenho, desde que me lembro, a mesma opinião sobre o assunto. A posição da maioria dos médicos é de uma arrogância profundamente irritante, só equiparável à de membros do clero que pensam que são os detentores da verdade universal e deuses incarnados. A falta de respeito pelo doente/pessoa é absoluta, com raras e honrosas excepções. A minha maneira de lidar com o assunto é servindo de 'buffer' entre eles e os membros da minha família próxima que se encontrem doentes, e evitá-los quando o problema de saúde é pessoal. No caso de doença grave, de certeza que recusarei qualquer tipo de tratamento nem me deslocarei a um hospital. Quanto à eutanásia, há sempre a versão 'feita em casa', que será certamente escolhida mais cedo do que o necessário para evitar chegar a situações em que já não tenha o controlo.

Nina disse...

Esse assunto so diz respeito a cada um de nós

josé disse...

Boa noite,

Passei por aqui para ler algumas opiniões sobre a eutanásia e deixar o meu comentário/opinião sobre este tema, pois estive em outro país recentemente, onde este foi um assunto que falei com outras pessoas, outro povo, outra cultura e a minha opinião é muito simples, acho que a eutanásia deveria ser legal no nosso país tal e qual como o aborto já é legal pois acho que cada ser humano é livre de fazer o que quer da sua vida, claro que não vamos ser de extremos e usarmos este metódo em todas as ocasiões, mas numa fase terminal de uma doença ou numa doença incuravél eu sou de todo a favor deste metódo. Espero que venha a ser mais debatido num futuro próximo e um dia seja legalizado em Portugal.

Abraços para todos, obrigado.

josé Gonçalves