quarta-feira, abril 29

Genéricos ou de marca – quem decide?

Não a querem apelidar de guerra, mas as acusações entre Ministério da Saúde, ANF e Ordem dos Médicos sobre os genéricos tomaram a actualidade de assalto.
Mesmo com o anúncio do Ministério da Saúde, no início de Abril, que cerca de 3900 medicamentos iriam baixar de preço, a ANF lançou uma campanha alternativa. Segundo João Cordeiro, os utentes não têm dinheiro para pagar os medicamentos de marca que os médicos prescrevem. Mas a quem deve ser dado o direito de escolher a marca do medicamento que deve tomar? Antonio Arnaut, pai do SNS, defende que deve ser o utente. A Ordem dos Médicos afirma que deverão ser os médicos a escolher, sem darem preferência à marca. Entretanto, a fatura vai sendo paga pelos utentes sem que estes possam decidir.

Convidados:
Paulo Duarte
, Secretário-geral da Associação Nacional das Farmácias
Henrique Luz Rodrigues, Professor de Farmacologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Paulo Clímaco Lilaia, Presidente da Associação Portuguesa de Medicamentos Genéricos
João de Deus, Vice-presidente Regional do Sul da Ordem dos Médicos

39 comentários:

Sociedade Civil disse...

( recebido por mail)

Cara Fernanda
Como vai? Sou médica prescrevo sempre por DCI. O sistema informático usado nos Centros de Saúde obriga-nos à escolha da marca do genérico. Memo assim grande parte dos doentes vêm com as receitas trocadas pelos farmacêuticos! Sabe como faço? Clico na medicação habitual e imprimo sempre a mesma marca para o mesmo doente. Este modo de funcionar das farmácias prejudica o doente pois alguns ficam de tal modo confusos que tomam 2 ou mais medicamentos iguais mas de nome de marca de genéricos diferentes! Afinal quem ganha com este método, quem é? Nós médicos, não, com certeza e muito menos os nossos pacientes! Pensem nisto aqueles que têm poder de decisão e fiquem sabendo que estas polémicas só complicam mais o nosso dia a dia de profissionais que trabalhamos em prole do bem estar e saúde dos nossos pacientes. Estes também não beneficiam nada com a frustração cada vez maior dos profissionais de saúde que servem constantemente de bode expiatório para todos os erros dos governantes e políticos.
Obrigada e boa tarde

M Lourdes Fernandes

Aiagarb . . disse...

Antes demais boa tarde.
De facto concordo com a opinião anterior. Quantas e quantas vezes a mesma receita ao sair da farmácia traz medicamentos de caixa diferente, como me diz a minha avó, baralhada de cada vez que vem da farmácia. Ultimamente então tem sido demais.
Este facto não é nada benéfico porque apesar de serem genéricos, ou seja o mesmo principio activo os excipientes e o material usado na sua formação ao serem diferentes podem e têm com certeza diferentes timmings de absorção se assim se pode chamar, motivo este que a leva a descompensação de sintomas controlados.
Assim a ultima palavra é do utente que juntamente com o medico devem escolher a medicação e este escolhe a marca que quer e deve manter sempre o mesmo para evitar dissabores.
Assim a farmácia deve remeter-se ao que está escrito e se não é explicito deve perguntar ao utente qual a marca do costume.
Obrigado e boa tarde.

rmoliveira disse...

O modelo de receita médica actual tem de ser alterado. É inconcebível que num país onde: a) se quer expandir a quota de genéricos no mercado e b) se quer promover a prescrição por DCI, se tenha introduzido a possibilidade do prescritor "trancar" a receita com uma cruz não autorizando a substituição do medicamento prescrito por um genérico. É aberrante que isto seja possível.

A autoridade do medicamento em Portugal é o INFARMED, não são os médicos nem a sua Ordem, bem como não são os farmacêuticos nem a ANF. O INFARMED garante a bioequivalência entre genéricos e medicamentos de marca e pôr em causa a sua idoneidade é grave e não devia ser passível de passar impune. Assim sendo, reforço a ideia de que o actual modelo de receita médica está mal, tem de ser alterado e faço a apologia de que um prescritor, se não quiser que o medicamento que prescreve seja passível de ser substituído na farmácia, tem de apresentar uma justificação de ordem técnica na receita.

heber disse...

Ola SC (sociedade civil). Estou de volta!! Cumprimento a todos os participantes do forum, produção do SC, técnicos, convidados e, claro!, a nossa queridíssima (lol) apresentadora.

Parabéns pelo tema, iniciemos as duvidas e comentarios que ele me apraz:
Apesar de estar constantemente a surgir nos meios de comunicação, especialistas a afirmarem que não há diferença entre a actuação dos genéricos e dos medicamentos de marca, não é a primeira vez, e, pelo vistos, não sera a ultima, que um médico me confronta com a sua realidade clinica de que o genérico, que lhe sugiro, ao requerer-lhe que não me tranque a receita, como é hábito na actuação clínica de muitos médicos, trancarem as receitas, o produto de marca é melhor na actuação da terapia do que o genérico, segundo os próprios. O que me conduz à tao repetida questão, haverá ou nao diferenças??
É claro que esta é uma pergunta falaciosa, pois varias vezes nos meios de comunicação, se ouve a mesma resposta, mesmo diante de médicos que nao a refutaram. Parece ser consensual que nao há diferenças de actuação, o que me conduz a outra questão; no senso comum, repito, nas conversas de corredor entre as pessoas constata-se, fala-se entre os dentes das relações, hipoteticamente, promíscuas entre a industria famaceutica (uma das interessadas na promoção dos genéricos!!!) e a classe médica, pois diz-se, atenção, não estou a afirmar, estou a repetir o que vou ouvindo, que muitas industrias patrocinam e fornecem regalias variadas à classe médica, nomeadamente, patrocinios de congressos em locais turisticos, ajudas de custo na deslocação a congressos, etc etc, o pior que ouvi, foi o pagamento de luvas a médicos. Torna-se a repetir, é o que se consta. Constata-se isto e seria muito util que os convidados comentassem esta situação.

Já agora deixo uma sugestão ao SNS (sistema nacional de saude) seria muito util que também viesse referido no sistema informatico dos medicos os preços dos medicamentos que não obrigam receita, para que o utente siga para a compra do mesmo previamente informado, ou para que este possa discutir com o clínico a receita deste ou daquele medicamento. Quer se queira, quer não se queira, o factor económico é vital. Posso afirmar, por experiência pessoal que são inumeros os casos proximos à minha pessoa que não compraram o medicamento devido ao preço deste. E, provavelmente, se tivessem conhecimento do preço na presença do clínico, eventualmente, poderia discutir outras alternativas mais baratas com este.

Outra questão, lamento Fernanda Freitas, espero que me permita desviar um pouco o assunto, mas vou focar outro assunto que está inequivocamente relacionado com este e com a sugestão que propus anteriormente. Foi-me receitado pela minha fisiatra glucosamina 250 mg, que me afirmou ser um medicamento que exige prescrição médica. Por me encontrar em dificuldades financeiras na altura e atendento que as receitas têm um prazo de avio, de compra. Pedi-lhe que me passasse triplicado desta para que o prazo de compra se prorrogasse para seis meses. Estou a afirmar isto, pois pode ser muito util esta informação, para quem se encontre nesta situação. Pede-se receita em triplicado e o prazo de compra prolonga-se de 10 dias uteis para seis meses. Caso resolvido para pessoas carenciadas. Ou pelo menos, problema, parcialmente, resolvido, pelo menos em algumas circunstancias poderá estar parcialmente solucionado.
Descobri na farmácia que a médica estava equivocada, nessa dosagem o medicamento não necessitava de receita nem era sequer compartecipado, então fiz o que recomendo a outros que façam, falem com o farmaceutico. Este informa-me que existe o medicamento glucosamina na dosagem 625mg que se tornaria muito mais barato, constatei, com receita médica. Como a minha fisiatra dá consultas no hospital de anadia (permito que divulguem) de 15 em 15 dias, em média, tive que recorrer à minha médica de familia, dra. Lurdes Cajão (permito que divulguem) do Centro de Saude de Anadia que não me aviou a receita por este motivo (pasmem-se!), porque o medicamento não lhe surgia na sua base de dados e como o sistema informatico estava funcional recusava-se e/ou não poderia, eventualmente, por ordens superiores, a passar a receita manualmente. O que me conduz a outra questão e ou sugestão, não seria útil que os médicos e farmaceuticos partilhassem a mesma listagem de medicamentos?????? E não é estranhíssimo esta actuação desta tecnica de saude??
Saudações este espectador
héber

heber disse...

Re Ola a todos:
a propósito da automedicação, venho por este meio recordar de que este fenómeno ocorre também devido à carência económica dos utentes. Distribua-se a riqueza e talvez este fenómeno diminua e que os médicos continuem a alertar dos inconvenientes desta atitude.
saudações a todos do héber

heber disse...

Ola forunianos:
Concordo muitíssimo com o sugerido pelo rmoliveira e acho merecedor de atenção o referido pela lourdes fernandes e aiagarb.
O referido pela lourdes se circunscreve ao proprio sistema e não ao utente ou à relação médico utente e vem a justificar muitos dos erros dos utentes, porém esses erros podem ser culmatados se o utente for bem atendido por parte do médico que se preocupe com o tipo de medicamentos que o utente toma e faça os exames regulamentares nas mais básicas regras de medicina de saude geral.
A opinião do aiagarb acaba por justificar e confirmar a situação retratada atrás por mim da recusa de muitos médicos em passar genéricos.
Em relação ao salientado e sugerido pelo rmoliveira subscrevo-a na íntegra.
Por isto começa-se a entender, até pelas opiniões apresesentadas por alguns forunianos, que aparentemente, parece, que estão ligados ao sistema de saude, que o medicamente genérico não é mais receitado neste país, não por desconhecimento do utente, mas sim, porque não é receitado pelos clínicos, pelos médicos.
O que levanta uma séria questão, de quem será a maior responsabilidade para o descalabro da dívida do nosso SNS à industria farmaceutica???
Saudações do Héber.

Vitória disse...

O Dr. João de Deus disse que a decisão é do médico com o doente. A ser verdade eu cocordava em pleno, porém o que acontece é que o doente vê muitas vezes recusado o seu desejo (de medicamento genérico), já me aconteceu e já ouvi colegas e amigos referir o mesmo.
Eu penso que, se quem paga é o doente deve ser ele a decidir.

Vitoria Caldeira

Alexandre disse...

A responsabilidade é sempre do doente. aceitar ou não a sugestão médica, aceitar ou não ser operado.

O corpo e a saúde é sempre do doente.

Esses que se dizem médicos estão a envenenar a opinião pública.

Quando é que o médico segue um doente que atendeu numa urgência hospitalar?

Quando é que os médicos tomam nota do lote dos medicamentos?

Os portugueses têm de aprender a dizer, "desculpe senhor doutor mas não vou tomar esse medicamento".
"desculpe senhor doutor mas não vou fazer essa operação".

sonharamar disse...

O povo tem memória curta. Ainda me lembro das viagens pagas a supostos "congressos" a médicos por parte de farmacêuticas. Do género suborno se o medico receitar determinados medicamentos. Agora é outro atentado á bolsa dos portugueses. A industria farmacêutica é das mais rentáveis do mundo. Só com a paranóia da gripe suína as acções da roche subiram 30%. Os genéricos são bons para toda a gente menos para as farmacêuticas. Trata-se apenas disso e nada mais. Devia-se era fazer como no Brasil e nacionalizar patentes de medicamentos. O acesso à saúde não pode ser só para alguns.

ASS: Pedro Silva

Alexandre disse...

a nível técnico não existe qualquer diferença entre medicamentos de marca e genéricos numa medicação aguda.

Mais um veneno dos médicos: é um problema técnico... outros são ignorantes... ainda não perceberam que são eles os ignorantes com essa frase.

José Mendes disse...

Duas perguntas para os intervenientes:
1-Onde posso arranjar genérico "Lansoprazol" em comprimidos orodispersíveis?
2-Porque razão em duas situações distintas para me receitarem comprimidos para as dores, num caso “nimisulide” e noutro “paracetamol”, num hospital me receitaram também um comprimido para proteger o estômago devido a esses comprimidos genéricos serem agressivos para esse órgão.

heber disse...

Ola ALExandre:
Relato-te uma situação que se passsou comigo. Efectivamente, já cheguei a esse ponto. Ainda tentei persuadir o médico a receitar-me o genérico, este recusou-se e pouco se importou se tomava ou não a medicação. Por isso...
Saudações do héber

Alexandre disse...

A alergia pode acontecer com mudança de lote no medicamento de marca... não apenas com genéricos.

Valter disse...

Antes de mais, boa tarde a todos.

O que me parece, como utente, é que no meio desta "guerra" entre médicos e farmacêuticos se discute quem vai ficar com as "prendas" dos grandes laboratórios, porque quem precisa vai acabar sempre por pagar mais por medicamento X com princípio activo Y enquanto não tenha informação e poder de decisão.

Valter Luís

Jorge disse...

Não posso estar mais de acordo com a opinião expressa pela Alexandra e acrescento:
Estou farto de ouvir os médicos a falarem da responsabilidade do médico... mas qual responsabilidade? Quantos casos esses senhores nos poderão referir de médicos que foram efectivamente responsabilizados por algo que correu mal (prescrição, operação, etc.)???

Alexandre disse...

Um medicamento genérico não tem qualquer novidade médica. Porque é que a industria farmacêutica gasta dinheiro com delegados de informação médico para "informar" os médicos? será por isso que a industria defende a prescrição por genéricos de marca? O que está mal é a legislação que permite genéricos de marca. Deveria existir apenas genéricos.

Que escolha é que existe? ou é genérico ou não é genérico...

Se estão a colocar em causa a competência do INFARMED os médicos que o assumam!

Borralho disse...

Boa Tarde,
Par além da diferença entre genéricos e medicamentos de "marca", temos de ter em conta a dificuldade de se obter receitas para doentes crónicos. A minha avó, doente renal cronica, toma uma serie de medicamentos, que tem de aviar varias vezes ao longo do ano, e como é habito em Portugal, deixa-se o nome do medicamento com a administrativa que depois da ao medico para passar a receita. Se como foi o caso da minha avo que tem vários medicamento do mesmo nome com diferentes dosagem, se enganar na embalagem da dosagem o medico de família ao passar a receita nem confirmou o medicamento que a doente estava a tomar, e fez com que se gastasse dinheiro em medicamentos incorrectos e que volta a precisar de outra receita. Neste caso quem tem culpa? A doente de 80 anos que não tem consulta nos próximos meses? ou médico que não verifica e só passa receitas a "despachar"? Sou a favor dos genéricos, e acho que é decisão do medico e do doente. no entanto, como esta o sistema é complicado para muitos.
Inês, Évora

Alexandre disse...

A ordem dos médicoa ainda vai referendar a abertura encapotada de farmácias em hospitais privados e consultórios médicos?

Será que os médicos querem abrir famácias? Esse é o ponto, uma inveja enorme que os médicos têm dos farmacêuticos.

Concordam com as afirmaç~es do bastonário da ordem dos médicos sobre os genéricos?

Colocam em causa o INFARMED ou não?

Especialidades disse...

A utilização de genéricos em Portugal é no meu entender um assunto cujo debate limita os Portugueses a um estado de "atonicidade sem qualquer intervenção real".
O seu uso não deveria ser sequer questionável. Estudos comporvam a sua eficácia, como tal não existe dúvidade que sendo uma mais valia económica (é possivel uma poupança de cerca de 70%)devem ser de escolha prioritária. Contudo considero que a industria farmaceutica e várias classes profissionais monopolizam esta questão em favor dos seu próprios beneficíos. A prescrição deve ser clara e não obscura. Os benefícios de uma prescrição devem visar a melhoria de um estado de saúde do doente e não a melhoria económica de quem prescreve, cria e vende. Porque não se autoriza o uso dos genéricos? Quais as razões plausíveis de tal escolha? A questão é respondida mas não satifaz o utilizador...Os Portugueses compreendem a questão percebem que o não uso dos genéricos é apenas um encargo para a sua carteira. Mas sabem ou acreditam que dependem das classes que os prescrevem para que a sua saúde não seja posta em causa..
é vergonhoso considerar que os Portugueses não compreendem lou não vêem..
Não aceito que o utente decida qual a prescrição acieto sim que a classe médica precreva tendo em conta as vantagens clínicas e económicas para o utente e não para o seu fim pessoal..
Quanto à prescrição pelo farmacêutico o conceito é o mesmo..

ana ines pereira disse...

Ola e boa tarde.
Sou uma adolescente e estão sempre a dizer-me que não me devo achar mais inteligente que os outros. Mas o facto, é que actualmente, maior parte dos portugueses não sabem o que tomam, nem as doenças que têm. Se temos médicos nos consultórios que consecutivamente estão em formação, porque é que as pessoas não se sujeitam a respeitar a opinião do médico?
Obrigado e muita boa tarde.

J. M. Macedo de Barros disse...

Sabemos que a democracia ainda é uma miragem, porque continua o exercício de monopólio de controlo de Poderes. Também sabemos que a indústria farmacêutica controla o exercício da actividade médica, porque informa, fornece e alicia os que prescrevem. Mas quero falar da democracia económica, para dar Poder ao doente, de escolher entre opções genéricas. Não esquecer que os recursos financeiros das indústrias farmacêuticas são retirados do bolso dos doentes. O doente português médio ganha muito pouco, para poder entregar o pouco que tem aos médicos e outros prestadores! Portanto, seria melhor para o futuro de todos, que se deixassem de guerras entre corporações e passassem a partilhar Poderes de decisão com os vosso clientes, que vos garantem uma vida principesca! Os vossos clientes só precisam de garantias de qualidade, efeitos e eficácia semelhantes, para compostos de embalagem e interesse diferentes!

Eugénio disse...

Que qualidade podemos exigir num medicamento se todos os dias vemos laboratórios que aparecem e desaparecem? Se mesmo receitas trancadas são modificadas.

IC disse...

Olá Fernanda,
como vai?

Sou farmacêutica e gostaria de dar a minha opinião.
No dia a dia da farmácia onde trabalho deparo-me com situações muito complicadas de falta de dinheiro para os medicamentos, sendo que muitas vezes a escolha nem é entre o medicamento de marca e o genérico, é antes entre o levar o genérico ou nenhum pois não há dinheiro! Noto ainda que as razões que levam os médicos na sua maioria a escolher o medicamento de marca ainda se prendem com preconceito de que não terá qualidade igual!
Outra coisa que gostaria de dizer é que não raras vezes tenho assistido a trocas de marca de genérico que o doente toma habitualmente por parte dos médicos. Não é por acaso que o laboratório Tetrafarma, um laboratório pouco conhecido em Portugal até há bem pouco tempo,foi alvo da maior subida dos últimos tempos ocupando agora a 6ª posição no ranking dos laboratórios de genéricos, que são muitos.

heber disse...

ola a todos. Tentei varias vezes entrar no programa por tele e não consegui para apresentar um caso contrario ao paresentado pela sra. que falou por telefone. Atendendo que não consegui, aqui deixo o testemunho.
Foi graças à benevolencia de um farmaceutico que consegui uma prescrição mais barata de um receituario prescrito por um médico que não teve a menor atenção para comigo quando me trancou a receita quando lhe pedi para o não fazer.
Receitou-me o alfadagan (marca) fervescente, quando poderia receitar o principio activo, se não me engano, o paracetamol, de forma muito mais barata.

Saudações do Héber

carmen irmamata disse...

Boa Tarde,

Não será de tomar medicamentos genéricos, ou prescrever, no caso dos médicos, independentemente dos recursos financeiros do paciente?

Os milionários também poderão optar por não dar dinheiro a ganhar a farmaceuticas?

Em termos de saúde, é igual?

heber disse...

ola jorge:
Subscrevo a tua irónica questão.
saudações do héber

me. disse...

Boa tarde, a todos os intervenientes.

Os genéricos em portugal são os genéricos de marca, só aí parece quase dúbia a sua classificação.

Quando dizem que os farmacêuticos não teem quqlquer interesse na venda destes medicamentos, pergunto, no caso dos genéricos a indústria quue os produz coloca nas farmácias, 10 embalagens para e outras 10 de oferta á farmácia, isso não fará suscitar o interesse de negócio. Além do mais o estado=todos nós paga também a comparticipação! Todos somos lesados de alguma forma.

Águas turvas digo eu.

Espectadora de lisboa

heber disse...

ola alexandre:
Na tua ultima opinião publicada em que falas de existirem apenas marcas genéricas, esqueceu-se(?) que as empresas farmaceuticas têm que obter lucros que faça abater o investimento inicial da descoberta do principio activo, daí ser necessário a existência de marcas. É uma forma da industria farmaceutica recuperar os prejuizos que teve na investigação. De resto concordo genericamente consigo.

Saudações do Héber

Alexandre disse...

O Bastonário da ordem dos médicos deve justificar a frase:

"Há genéricos muito potentes e com duplicação das doses colocam o doente em risco. É um crime a substituição de medicamentos prescritos pelo clínico por genéricos"

O INFARMED concorda?

A classe médica concorda com este bastonário?

heber disse...

Re ola alexandre:
Essa aliás parece-me até uma boa ideia. Médicos com interesses farmaceuticos, pois assim, as receitas que passam passarão a contemplar um interesse económico na venda. E vende-se mais os genéricos. Repare-se nos lucros deste sector no ano transacto e nas cotações em bolsa das industrias que os manufacturam. São raras as que se encontram em dificuldades económicas e nas que se encontram nesta circunstancia, suspeita-se, de má gestão.
Por isto, alexandre, quem sabe se não será até util que os médicos se virem para o negócio das farmácias?...
Deixo-vos, para já, com esta provocação.
Saudações do Héber

B.P. disse...

Exmos Srs

Trabalho na Industria Farmacêutica há mais de 12 anos, tendo trabalhado nos últimos 10 em laboratórios genéricos.
Sei, por experiência própria que a única forma que os laboratórios de medicamentos genéricos tiveram de entrar nas farmácias foi bonificando. Isto porque as farmácias devido ao baixo preço não queriam vender medicamentos mais baratos pois percentualmente a sua margem é menor. Para lhes dar um exemplo as empresas fazem bonificação (ou desconto financeiro) deste forma: na compra de 50 embalagens de um medicamento recobebem até 250 (isto quando não recebem rappel no final do ano).

Para além disso ninguém fala da Almus (empresa de genéricos da ANF)?
Não está isto também tudo condicionado pela violação da liberdade de concorrência que existe quanto à propriedade de farmácia, que nesta fase é um sistema fechado e corporativo?


Melhores cumprimentos

Anónimo

heber disse...

Ola a todos:
Reparem que a correlação apresentada de pensionistas e activos mantem-se, de 4 para 2 ou de dois para um, a correlação é 0,5 o que torna inválido os argumentos apontados, recorrendo à estatistica.
Mais uma provocação, quem anda a enganar quem?? A industria farmaceutica, os médicos ou ambos, atendendo que o utente não tem interesse em se enganar a si proprio??
Saudações do Héber

heber disse...

Parabens pelo programa!!! Lamenta-se a falta de tempo para se comentar muitos testemunhos apresentados neste forum, sugere-se que se torne o programa mais interactivo.
Saudãções do Héber

José disse...

Não tenho gostado nada do discurso de alguns médicos e nunca me passou pela cabeça estar do lado dos farmacêuticos como estou agora. Então as grandes questões que alguns colocam, como a cor das embalagens, o formato dos comprimidos ou a possível sobredosagem não se resolve na consulta, trocando informações com o doente? Acham que isto é primordial na sua profissão? Se um doente não consegue distinguir coisas como essas pode votar nas eleições, conduzir, trabalhar, etc?
Será incompetente um médico meu amigo que conhece bem o sistema e receita sempre o medicamento mais barato, curando da mesma forma os doentes? Já o caso do único telefonema para o programa, também me deixou com a pulga atrás da orelha. Uma senhora a quem foi apresentado igual produto numa farmácia, não só não quis (isto tudo bem, segundo percebi havia o privilégio de uma grande assistência medicamentosa), como ainda se mostrou aborrecida!
Um médico conhecido e bastante competente receitava-me carradas de medicamentos (nenhum genérico) e queria que eu lá fosse de meio em meio ano, o que eu, aliás, nunca cumpria. Passado um tempo, optei por outra médica que achou estranhíssimo. Após os exames habituais, concluiu que eu não precisava de medicamento nenhum. E assim foi... até hoje!
Os médicos devem passar a receitar por DCI e o Ministério só deve comparticipar o mais barato!
Quase nem acredito no que vou ouvindo e estou bastante preocupado com este país e com a falta de coragem política!

Sociedade Civil disse...

( recebido por mail)

Cara Dr.ª Fernanda Freitas

Não assisti ao deate desde o seu início, mas parece-me que o problema principal é a viciação da farmacovigilância que a troca da receita provoca.

Os medicamentos, podem diferir na qualidade de fabrico, e conter dosagem incorrecta ou contaminantes causadores de efeitos adversos, como a FDA tem relatado nos USA (v anexo).

A FDA controla a qualidade dos medicamentos no mercado com fiscalização do processo de fabrico e análises periódicas da composição química dos produtos. Apesar deste controlo preventivo da FDA da qualidade dos produtos no mercado americano, passam este crivo produtos defeituosos (v anexo). A Farmacovigilância é o segundo sistema de controlo do mercado, que permite identificar precocemente os problemas

causados pelos medicamentos (quer pelo fármaco, quer pelos contaminantes) e retirá-los do mercado.

Se o farmacêutico alterar a receita do médico, a detecção destes efeitos adversos pelos clínicos fica viciada (o efeito adverso do medicamento B trocado pelo farmacêutico é relatado pelo médico que segue o doente como causado pelo medicamento A que prescreveu), prejudicando deste modo gravemente a Farmacovigilância e a Saúde Pública.

Num país com problemas logísticos e financeiros como Portugal, ao anular este crivo final da Farmacovigilância, o controlo da qualidade dos medicamentos fica seriamente agravado. Assim, a atitude da ANF pode eventualmente configurar atentado contra a Saúde Pública se surgirem efeitos adversos de medicamentos defeituosos indetectáveis pela troca das receitas.



Fernando Martins Vale

Prof. Farmacologia da FML

rmoliveira disse...

Caros,

Venho por este meio contrapor a opinião veiculado por Fernando Martins Vale neste blogue:

O Fenrando Martins Vale sabe que os medicamentos podem diferir na qualidade de fabrico de lote para lote?!

Sabe que cada medicamento tem um lote associado?

Sabe que um lote A pode estar em perfeitas condições e um lote B não?

É provável que não saiba, porque não é farmacêutico e muito menos é especialista em tencologia farmacêutica.

Agora, explique-me uma coisa: os médicos prescrevem também o lote do medicamento? Não! Não é possível, é impraticável. Essa informação está na farmácia.

Acrescento ainda que a farmacovigilância é responsabilidade não só de médicos mas também de farmacêuticos: conhece os impressos do INFARMED específicos para médicos e farmacêuticos?

Desculpe Fernando Martins Vale, mas o seu comentário é, na minha opinião, demagogia pura e qualquer pessoa informada, e até a FDA que referencia, lho diria. Mas não vamos tão longe, contacte o INFARMED.

Eu acho que nesta questão, e espero não ser censurado por dizê-lo publicamente num blogue, quem tem de ser ouvido e acreditado são os peritos do INFARMED, não são os "professores de farmacologia" da FML.

Sem mais,
Ricardo M Oliveira
Estudante da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa

Alexandre disse...

Caro Fernando Martins Vale,

A farmacovigilância em medicamentos de urgência fica tão viciado como a troca de lote de um medicamento de marca.

garante que entre uma receita e outra o lote é o mesmo?

Em portugal é o INFARMED e não a FDA americana que voto na matéria.

A sua opinião não tem fundamento técnico!

Cordiais saudações,
Alexandre

Alexandre disse...

Caro Héber,

Para que fique claro.

quando os médicos têm farmácias mesmo que para medicamentos gratuítos o estado e os doentes ficam a perder.

Porquê?

Porque apesar de serem gratuítos para o doente o estado está a pagar os medicamentos. Um hospital privado concerteza agradece a disponibilidade de medicamentos gratuítos para os seus doentes...

O estado não ficará a ganhar.

Para os doentes ficará mais caro, pela simples razão que no lugar de ter aconcelhamento gratuíto pagaram um aconsulta médica de 75 euros? para um medicamento que pode valer 2 euros.

Os interesses comerciais têm de existir numa farmácia. A acção social que desempenha na sociedade tem vindo a ser reduzida mas em muitas aldeias ainda se sente esse papel importante.

Se o médico prescreve e tem lucro com o que prescreve a real necessidade de prescrição é posta em causa. Por isso é proibido por lei e parece dar algumas alergias...

Cordiais saudações,
Alexandre

Alexandre disse...

Caro B.P.

Se deixar contacto e se vender genéricos com uma cota interesante de mercado existem muitas farmácias interessadas em fazer negócio com as suas condições.

Na realidade do mercado as condições são muito diferentes.

Claro que as farmácias têm que olhar para as condições comerciais, para poder melhor servir os doentes. Para aconselhar gratuitamente...

Cordiais saudações,
Alexandre