quarta-feira, julho 1

Educação nas mãos das autarquias

O governo negociou há cerca de um ano uma parceria com a Associação Nacional de Municípios Portugueses, que visa descentralizar as políticas em matéria escolar. Mas será que resultou? Que medidas foram implementada em benefício da escola pública? Os professores aderiram? E os alunos? O alargamento da rede pública do ensino pré-escolar, as atividades de enriquecimento curricular, a generalização das refeições a crianças do 1º ciclo do ensino básico, o transporte escolar ou a gestão de pessoal foram algumas das iniciativas adoptadas com vista a um aperfeiçoamento de políticas educativas e da própria rede escolar. Neste SC percebemos o que está a mudar no País à medida que este protocolo vai avançando e quais as metas para o próximo ano lectivo.

Convidados:
António Ponces de Carvalho
, Director da Escola Superior de Educação João de Deus
Susana Armador, Presidente da Câmara Municipal de Odivelas
Valter Lemos, Secretário de Estado da Educação
José Silvério, CONFAP

28 comentários:

Márcio Oliveira disse...

A meu ver esta descentralização vem ajudar e muito a chegar mais perto da população e das diversas carencias na educação em cada instituição de ensino, pois as autarquias são a entidade mais proximas da realidade onde a centralização de funções a meu ver so molhariam em mais escala para as grandes cidades como Lisboa e Porto fundamentalmente.
Dar novas competencias as autarquias a meu ver é tambem inovar e colocar um pouco mais a gestao de forma local e nao apenas nacional!

Strawberryzinha disse...

Consigo compreender a utilidade pedagógica das actividades de enriquecimento curricular, no entanto pergunto-me: será eficaz?

Muitas das crianças não demonstram interesse por estas actividades sendo difícil de as manter em sala de aula de forma producente. Muitas nem motivadas para estas actividades são.

Outras estão apenas porque são mais duas horas por dia em que estão ocupadas e os pais não têm de as ir buscar. E tempo para apenas BRINCAR???? sujar, cair, levantar?

A escola adquire assim um papel de depósito de crianças... para além das medidas serem criadas mas as infraestruturas de suporte necessárias para uma correcta aplicação da matéria na maioria das vezes não estarem disponíveis!!!

É como os hospitais, existe um espaço, muitas das vezes desadequado às necessidades, sem pessoal em quantidade necessária, e sem o equipamento também ele necessário.

Patrícia Santos

Joseph disse...

O facto de o poder político em matéria de educação escolar estar lentamente a ser transferido para as autarquias tem sem dúvida benefícios. Cada localidade pode adaptar o que ensina à sua população. Mas a longo prazo isto pode trazer graves discrepâncias no grau de educação adquirida a nível nacional. Alèm disso, que autarquia (a não ser que alguns dos seus elementos sejam parte integrante da escola) tem o direito e, acima de tudo, a capacidade de decidir que educação dar aos seus cidadãos?

Nana Odara disse...

Aproveito a oportunidade para parabenizar a administração da Dra Suzana no concelho de Odivelas, que é excepcional.

Uma mulher com talento para administrar com muita competência e que merece ser destacada...

sou residente no concelho e posso dar meu testemunho com conhecimento de causa...


Infelizmente não posso votar em Portugal pq sou imigrante, mas se pudesse, não só votava como ajudaria de bom grado na campanha pela sua reeleição...

Zeta Draco disse...

Sou favorável à autonomia das escolas, mas com limites. Li uma vez num jornal espanhol o comentário de um pai acérrimo defensor da autonomia escolar: "Não admito que nenhum professor ensine à minha filha que existem casais do mesmo sexo, ainda que seja verdade." É altamente preocupante que a autonomia possa servir para fomentar os preconceitos locais ou comunitários em prejuízo dos valores republicanos e cosmopolitas. O reverso do comunitarismo é a descriminação e a exclusão (o fenómeno do forasteiro), não esqueçamos.

mariazinha disse...

Aqui em Alpiarça, a situação tornou-se insustentável: a Presidente da Câmara está de relações cortadas com a Presidente do Agrupamento, e os alunos, pais, professores e funcionários movimentam-se no meio desta guerra aberta.Esperemos que seja a excepção, porque acabou por politizar-se ainda mais todo o processo.

Nana Odara disse...

Meu filho é aluno da escola EB1 Antônio Maria Bravo e deixo aqui o testemunho das iniciativas da Camara de Odivelas não só na educação oficial, mas tbm nas iniciativas e investimentos em procjetos de carater lúdico para as crianças do concelho, que tbm contribui para a educação, num sentido mais amplo (desenvolvendo aspectos de fundamental importância, na cultura, no desporto, na democracia e civismo, entre outros) e ajuda na formação de um ser humano integral.

Al-Dumar disse...

Sem dúvida que se deve louvar esta medida de descentralização. Mas, há que ver que não basta dar competências às autarquias, e a seguir por razões de política económica, restringir e limitar o financiamento das mesmas.Relativamente a Odivelas, o meu concelho, noto que tive que arranjar uma boa vontade em Lisboa para colocar a minha filha de três anos na creche pública, já que em Odivelas não há vagas, e ainda continuam a grassar as construções pelo concelho todo.Daqui a 5 ou 6 anos quero ver onde as nossas crianças vão estudar.
Álvaro Marinho

Catarina disse...

Estou a trabalhar há dois anos nas atividades de enriquecimento curricular. Trabalhamos para uma empresa que é contratada pela Câmara Municipal para gerir estas AEC´s.
As condições de trabalho são más: recibos verdes, sem ajudas de custo de deslocamento e outras.
Sempre me perguntei porque é que a Câmara não gere directamente as actividades? Para quê criar intermediários?
Acho que sem eles as condições seriam melhores.
Catarina Fonseca

Ego disse...

Ouvi a presidente da CM Odivelas anunciar a demolição da Escola Avelar Brotero e fiquei aterrado, pois confirma-se o boato q tenho ouvido. A Câmara condena assim friamente um dos mais importantes edifícios de Odivelas, único na arquitectura de forte influência de Le Corbusier. Com a demolição apagam sem mais também as memórias de várias gerações q por ali passaram. Mais uma vez se prova q é um concelho mais interessado em prodizir cidade nova do q estimar e presevar o q tem de bom.

prof. Vicente disse...

Será que a médio prazo, com o conhecido endividamento das autarquias, não corremos o risco de serem "desviados" fundos da educação para cobrir outras despesas (ou dívidas) da autarquia?

Manjedoura disse...

Boa tarde!

Aproveitava a presença do senhor Valter Lemos, para o questionar acerca de uma questão relacionada com um distrito que bem conhece.

No agrupamento "Entre Ribeiras" existe uma escola,a EB 2 e 3 ou ex-C+S do Paúl situada na Vila do Paúl. No espaço da escola foi construído um pavilhão polidesportivo de custos que penso terem sido relativamente AVULTADOS...
Acontece que chove dentro desse pavilhão e a autarquia e o ministério, parece jogar ping-pong com a situação e o problrma não é resolvido, levando a deterioração dos equipamentos.
A culpa morre solteira?
A escola é bem gerida, e é dinamica, pois lá se realizam festas, festivais de folclore e outros de âmbito nacional e internacional no campo cultural e desportivo.
É má gestão dos agrupamentos?
Das das autarquias?
Quem regula ou fiscaliza o desempenho das autarquias em matéria de educação?

Boa tarde e parabéns pelo programa.
Devia existir também em horário "pós laboral".
Bem hajam!

francisco disse...

Boa tarde

Fala-se de tantos equipamentos relacionados com a escola, como seja computadores e projectores de vídeo
E ninguém olha para o mobiliário que está desajustado para a altura dos jovens. Pois Escolas como dou o exemplo Madeira Torres em Torres Vedras onde as cadeiras serão para jovens até aos 12 anos e são usadas põe alunos que frequentam até ao 12º ano que chegam a ter mais de 1.80 de altura,
Provocando lesões esqueléticas duradouras e indiscutíveis.
Por qual equipamento devemos começar ?

Francisco Nunes

Fátima disse...

Estão cerca de 50 professores das AEC's, no Municipio de Abrantes, sem receberem desde o mês de Abril. Como protesto deixaram de leccionar a 1 de Junho. A desorganização foi total durante o ano inteiro, é isto sucesso?Perguntem às crianças e às escolas! Estas aulas têm sido um negócio para municipios e empresas. Não acredito que o problema seja só em Abrantes e com a Empresa Lúdico Ideias.

leandro freitas disse...

estudo na escola secundaria C/3 de marco de canaveses. onde se fala que vai ser reconstruida. vamos ser transferidos? vai ser realmente reconstruida ou é só voatos de eleiçoes?
gostava de ser esclarecido...
obrigado gosto muito do progama

M Sousa disse...

Duas perguntas:
1ª Porque éque num debate que pretende ser esclarecedor, não está presente nenhum representante dos profs. Está o minísterio, a autarquia, os E. De educação...Parece-me que a opinião que estes têm deste processo é demasiado importante para ser omitida
2ª Não são só "as condições Físicas das escolas" que passam a ser geridas pelas autarquias: A contratação de auxiliares de ação educativa (e provavelmente no futuro o vencimento que irão ter direito), as refeições (cujas autarquias delegam noutras instituições que por vezes aferecem refeições de má qualidade...)..., estamos tb á espera de quando as autarquias passarão a contratar professores ( como já fazem para as actividades extra curriculares do 1º Ciclo) onde o factor de decisão será o vencimento e não a qualidade do serviço que irá ser prestado...

M Sousa

fernando disse...

Quero esclarecer que o novo diploma de Gestão das escolas se presta ao caciquismo e ao clientelismo descarado e a politização ordinária dos Conselhos de Escolas e da gestão das escolas. Quem é que percebe de gestão de projectos pedagógicos? Os representantes da autarquia, associações e actividades ecoonómicas locais? Que formação pedagógica têm para lhes entregarmos de mão beijada a decisão da gestão das escolas?A escola não é campo de propaganda eleitoralista, muito menos um depósito de recursos materiais!

Prof. Patrícia disse...

Sem duvida que esta delegação de competências é bastante importante, e é de louvar. De qualquer modo não nos podemos esquecer que tudo isto deve ser controlado. Falo particularmente no caso das AECs, onde as condições de trabalho são más... Muitas vezes os professores são contrados por empressas que pagam mal, mas mesmo sendo contratados directamente pelas câmaras continuam a recibos verdes. Quem controla esta exploração de profissionais licenciados e competentes?...

jose disse...

Boa tarde Fernada Freitas
parabéns pelos conteúdos dos sucessivos programas.




As escolas em parceria com as autarquias deveriam em conjunto ser autónomas ao nivel de gestão e manutenção de instalações, e elaboração de projectos pedagógicos locais.
Por exemplo com o fim generalizado de cozinheiros nas cantinas das escolas só se criaram condições na generalidade para uma má qualidade dos alimentos que as empresas privadas servem nas escolas.


Ao nivel de contratação de pessoal docente e não docente, deveria ser a tutela (o ministério da educação) a deter as regras do jogo, assim não aconteceria o que está a contecer! As autarquias transformadas em empresas municipais contratam a seu belo prazer com critérios absurdos, parabéns pelos muitos professores das AEC´S a recibos verdes e pela transparência das contratações.


As autarquias não deveriam ter sequer voto na eleição dos directores das escolas, é demagogicamente mau os funcionários, professores e alunos das escolas não votarem na eleição dos directores (estes ganham bónus nos seus vencimentos).


Num pais onde as autarquias são guetos de corrupção passiva e activa são de facto de louvar estas iniciativas.


Nem tudo é mau, podia ser pior... e deste modo nos contentamos com a indiferença de quem governa mal (as autarquias na sua maioria não têm pessoas com formação adequada para uma excelente gestão pedagógica e administrativa do parque escolar)


Este modelo tem falhado em muitos paises da europa ocidental, utilizar este argumento é perpetuar a ignorância.


filipe de melo rodrigues

Cookinha disse...

Muito se tem falado ao longo do programa das AEC's...penso que, nomeadamente no caso do Inglês, que é o que me toca a mim, a situação não é sustentável da forma como está por muito mais tempo. Concordo que as Câmaras deviam assegurar as AEc's em vez de delegarem tarefas a escolas de línguas privadas ou a associações, que se limitam a pagar nos e a dar nos condições de trabalho precárias, sem valorizar minimamente o nosso trabalho. Parece que somos ~( os porfs das AEC's) considerados Prof.s de 2ª categoria ou de categoria 0 porque no fundo somos uma espécie de "intrusos" que vamos aquela escola uma ou duas vezes por semana!
Para além disto, o Inglês deveria ser uma Actividade Integrada no Curriculo, e não ao final do dia quando as crianças estão super cansadas. Parece me uma acatividade demasiado "intelectual", mesmo sendo apenas uma sensibilização à língua...para estar confinada a estas horas. Além disto, os programas de inglês do 2º ciclo tem de ser "urgentemente" reformulados e readaptados, porque muitas crianças que frequentam o Inglês no 1º ciclo vao desmotivar à entrada do 5º ano, porque vão estar a repetir conteúdos, mesmo que de forma mais consolidada e estruturada!
Parabéns FERNANDA pelo excelente programa de serviço público e já agora, que tal um programa, dedicado só às AEC's e outro ao Inglês no 1º ciclo!?

Muitas felicidades e continuem a trabalhar em força...

Prof. Patrícia disse...

A verdade é que nem tudo gunciona mal. No nosso agrupamento temos um quadro de docentes de AECs estavel, trabalhamos todos há 3 anos mas mesmo assim continuamos a recibos verdes, e nesta altura do ano não temos trabalho...

Hugo disse...

Descentralizar pode ser uma mais-valia, mas é necessário implementar sistemas de controlo da qualidade dessa descentralização. Muitos dos problemas das AEC (gestão de pessoal, qualidade do ensino, supervisão, integração dos professores, entre outros) ficariam resolvidos se os professores fossem colocados em resultado do normal concurso nacional e geridos por cada agrupamento em que trabalhassem.
Em termos de gestão patrimonial das escolas, a proximidade com o poder local será importante, mas muitas autarquias deparam-se com problemas orçamentais e é necessário garantir os investimentos quando são imprescindíveis, no caso de obras urgentes, por exemplo.
É importante dar tempo para melhorar as reformas, mas é igualmente importante conversar com as pessoas visadas e ver nas críticas oportunidades de melhorar as medidas implementadas.

NB disse...

Boa tarde.
Um grande problema neste assunto, é que quem o gere pensa primeiro na posição politica e nos lucros e só depois nos professores e nas crianças.
Depois, são áreas a que se dá pouca importância pois são áreas culturais e este país sempre foi uma desgraça no que toca a valorizações culturais.

Nuno Baião (NBdrums)

Fátima disse...

Já refiraram, em directo, a situação dos professores sem receberem em Abrantes, mas o que está em causa é a maneira como as Câmaras contratam estas empresas, sempre pelos custos mais baixos, é assim que se aposta na educação?
A aprendizagem de música é uma miragem, não é fácil contractar professores com estas condições precárias de trabalho.

Cookinha disse...

Não concordo muito de a contratação dos Prof.s das AEC's passe a ser feita por concurso nacional...porque cabe às autarquias essa tarefas, e além disso, se isso sucedesse,a maioria dos profs, como eu, que agora tem algum trabalho e ao pé de casa, ficaraia desempregado porque os "outros" lhe passariam à frente!
Por isso na minha opinião isso não faz qualquer sentido, mas faz sentido fazer contratos, melhorar as condições de trabalho e dar mais regalias aos profs, e já agora aumentar lhe os horários, pk trabalhar até 10 horas por semana, não enche os bolsos de ninguém1 Ou então há tanto para fazer nas escolas, porque não pedir a estes professores para o fazer e assim ajudar a melhorar muitas coisas, inclusivé o trabalho das profs titulares, que é bastante para uma pessoa só!

Clube de Fans da Joana Silva disse...

Brilhante Programa! Linda Apresentadora! Grande Blog!

Martinha disse...

P´ra "Strawberryzinha (Patrícia Santos):

"Muitas das crianças não demonstram interesse por estas actividades sendo difícil de as manter em sala de aula de forma producente. Muitas nem motivadas para estas actividades são."

Oh minha querida provavelmente será o pouco interesse e a pouca motivação dos professores, que se reflecte depois nas crianças!

"É como os hospitais, existe um espaço, muitas das vezes desadequado às necessidades, sem pessoal em quantidade necessária, e sem o equipamento também ele necessário."

Olhe nunca as escolas tiveram tanto pessoal e equipamentos como agora!!!

Martinha disse...

Muitos professores parecem "crianças", passam a vida a reclamar...!!!