quinta-feira, julho 16

Pobres, mas felizes

“Portugal é um país socialmente muito frágil, pouco capaz de se mobilizar individual e socialmente, mas, apesar disso, com altos níveis de satisfação e felicidade”. São estas as conclusões principais de um estudo de investigadores do ISCTE apresentado recentemente. Afinal, o que é que nos faz felizes? Teremos orgulho naquilo que somos e nas nossas heranças culturais? Ou somos apenas pouco ambiciosos? E perante tantas fragilidades sociais, como esbater as diferenças e anular as exclusões?
Um debate absolutamente revelador no SC de hoje.
Convidados:
Teresa Costa Pinto, Co-Coordenadora do estudo "Necessidades em Portugal: Tradição e Tendências Emergentes" do ISCTE
Nilton, Humorista e Apresentador "5 Para a Meia-Noite"
João Meneses, Presidente da TESE – Associação para o Desenvolvimento
Luis Miguel Neto, Psicólogo e Professor da Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa

47 comentários:

Peter Galzog disse...

Bom dia. O meu nome é Diogo. Naturalmente que parte do orgulho da nossa nação está nas duas vertentes. O agora, e o passado. Temos uma forte cultura, na minha opinião, que já vem de à muito tempo atrás. Quanto a exclusões sociais, enfim... ainda temos de abrir um pouco os olhos...

Bom Programa.... =)

Mário Santos disse...

Boa tarde,

Um estudo destes só pode servir mesmo para nos deixar bem dispostos... será "encomendado" (face à proximidade das eleições) ou só incidiu sobre os felizes e contentes?

A notícia sobre este estudo - http://reapnimprensa.blogspot.com/2009/06/estudo-portugueses-sao-pobres-e.html - depois de lida leva-nos a questionar como é que chegaram à conclusão sobre tanta felicidade... porque no descritivo das conclusões principais, não há nada que leve a concluir esta felicidade peremptoriamente.

Referir "altos níveis de satisfação e felicidade" parece abusivo para um grau de satisfação de 6,6 numa escala de 1 a 10 e um de felicidade de 7,3 em 10. Se são valores elevados, o que chamar a graus da ordem dos 9 ou 9,5?

Como é possível que com o agravamento da situação em Portugal, um estudo chegue a esta conclusão, contrariando profundamente um outro, revelado em Novembro de 2008 e relativo ao ano de 2006, que concluiu que os "Portugueses são dos europeus menos satisfeitos com a vida"?

Ora bem, este estudo do ISCTE confirma que somos pobres... aí não há dúvidas nem contestação... porventura até mais pobres que em 2006... mas felizes? Como é que alguém que em estudos revelados há 8 meses, que estava muito pouco satisfeito com a vida pode ser feliz? A não ser que sejamos todos masoquistas e não sabíamos... se calhar a dimensão do masoquismo permitirá explicar que quanto mais pobres, mais felizes... se assim for, percebe-se...

Naquele estudo, em termos de bem-estar psicológico, Portugal estava abaixo da média europeia, ocupando o 16º lugar, entre 23, só à frente da Hungria, Federação Russa, Estónia, Eslováquia, Bulgária, Polónia e Ucrânia, que encerravam a tabela. É caso para dizer que demos uma autêntica cambalhota...

Já agora, fica o link do estudo revelado há 8 meses:

http://diario.iol.pt/sociedade/portugueses-portugal-estudo-europa-felicidade-crise/1017772-4071.html

Cumprimentos,

Mário Santos

Mário Santos disse...

Por outro lado, o aumento da venda de anti-depressivos também parece contrariar as conclusões deste estudo sobre a felicidade dos portugueses... quem vive no mundo real percebe que os portugueses estão cada vez mais cinzentos... isso não é sinónimo de felicidade...

Cristina Rocha disse...

Boa tarde!
Se somos na maioria felizes ou não, não sei; mas que somos desenrascados somos: talvez por um pouco de cultura. Acomodados é que não.
A felicidade também é conseguida pelo positivismo (que todos devíamos ter).
Cumprimentos

AG disse...

Aprender a SER FELIZ é como fazer uma SOPA DA PEDRA:


Tal como o frade que foi juntando à pedra na panela de barro: um pouquinho de couve, um pedaço de chouriço, uma pedrinha de sal, um pouco de pão...

Ou seja, "pequenas coisas", "meros ingredientes", com os quais que podemos fazer a melhor sopa do mundo, ( e no final até ficamos com a pedra!!! :D)

---

É com o pouco que temos, que nos podemos superar e potenciar tudo o que nos realize (felicidade, bem-estar,...)!

---

Saudações Civis,
Ana G.

sonharamar disse...

Ainda vivemos na sociedade dos 3 F's, Futebol, Fado e Fátima. Portugal sempre foi um país de empreendedores. O problema é que não há empreendedorismo sem dinheiro e em Portugal poucos ou quase nenhuns é que têm algum.

O problema é todo nosso. Vivemos numa democracia somos responsáveis pelas nossas escolhas pelo nosso futuro pelo nosso voto.
Houve tanta abstenção nas ultimas eleições mas muitas das pessoas que votaram irão queixar-se sem qualquer moralidade de algumas medidas da união europeia.
O português é assim, queixa-se de tudo e nada faz. Conforma-se e não gosta da mudança.
Não me admirava que com tanta iliteracia que existe que os dados do estudo tenham sido diferentes. em vez de 6,6 de 0 a 10 devem ter pensado numa escala ao contrário sendo o resultado deste modo 4,4.

ASS: Pedro Silva

Kairos disse...

Pessoalmente tenho um enorme orgulho em ser português.
Todavia tenho vergonha de certos portugueses...
Temos uma história demasiado grande para sermos pequenos.
Somos a janela para o mundo, ao invés da cauda da Europa.
Urge reencontrar o nosso caminho, mas tal só será possível se regressarmos às origens, dando as mãos aos nossos povos irmãos.
Infelizmente, continuamos a desempenhar o papel de mendigos à porta de uma Europa que não nos conhece, nem sequer pretende faze-lo.
Tal como dizia o poeta:

"A minha pátria é a minha língua!"

Mário Santos disse...

Boa explicação inicial da Profª. Teresa Costa Pinto... mas também reveladora de que as conclusões sobre a felicidade podem estar a ser empoladas... quando se fala em copo meio-cheio ou meio-vazio, aí talvez se esteja mais próximo da verdade... dinheiro não trás felicidade, mas daí a generalizar a felicidade, talvez este seja mesmo um ponto de partida para novas linhas de investigação, tal como referiu o Prof. Luís Miguel Neto. A não ser que sejamos felizes por ser ignorantes... ou por não querer saber do que se passa à volta... ou do futuro...

Mas tal como agora a Profª. Teresa Costa Pinto referiu, se as pessoas associam a felicidade aos seus salários, à sua situação patrimonial, que o estudo comprovou ser má, como se conclui então que as pessoas são felizes?

A felicidade é um conceito qualitativo, muito difícil de quantificar... haverão pessoas felizes, mas penso que não se pode fazer esta generalização que o título sugere...

Cumprimentos,

Mário Santos

joao mendes disse...

boa tarde!

tenho muito orgulho em ser portugues, por tudo o que somos, desde o passado ate ao presente. temos um cultura unica da qual todos nos deviamos orgulhar e respeitar e nao consigo entender como ha cidadaos que nao têm orgulho em serem portugueses...

cumprimentos,
Joao Mendes

Paulo Borges disse...

Se desejar saber mais sobre o Budismo, a sua visão acerca da felicidade e a meditação, visite o nosso site: www.uniaobudista.pt

José disse...

Boa tarde. Tenho estado a ver o programa, acho curioso o estudo em discussão mas... porque será que não vejo nesse painel nenhuma autoridade moral para criticar a postura dos portugueses?

Sylvie disse...

Boa tarde!
O assunto hoje é um pouco subjectivo porque o que é a felicidade?
Não é um estado permanente. São momentos. Nós temos que saber tirar o positivo do negativo!
Tudo vai da forma como nós encaramos a vida.

António Silva disse...

Boa tarde!
Antes de mais ontem vi o programa do Nilton e fiquei pasmado(ele é mesmo pequeno, relativamente à Cláudia Vieira =)!
Na minha opinião, se fizer o que gosto, sinto-me feliz. Isto de acordo com trabalho, lazer e coisas materiais! No entanto, tenho consciência que não posso ter tudo o que quero, mas fico feliz quando alcanço a maior parte dos meus objectivos, com o meu esforço!
A Felicidade é muito complexa e variável. Ficam aqui alguns exemplos:

A uma pessoa com fome, a comida é capaz de trazer felicidade!
A um actor, um Óscar...
Ao Nílton, uns centímetros...

Abraço

Sylvie disse...

"O segredo da saúde, fisica e mental, está em não se lamentar pelo passado, não se preocupar c o futuro, nem se adiantar aos problemas, mas viver sabia e seriamente o presente".
Buda.

Sylvie disse...

Eu sou pobre e não me sinto uma pessoa triste e/ou melancólica.
Mas também é uma verdade que o dinheiro não trás a felicidade mas que ajuda, isso ajuda!
O q me faz sentir feliz? acordar e sentir-me bem fisicamente pois (pelo menos no meu caso, e falo por mim claro) sentir-me bem fisicamente é sentir-me feliz.

Oestrímnia disse...

O mero desejo de felicidade pessoal, sem ter em conta o mesmo desejo em todos os seres sencientes, é uma manifestação de egoísmo. Só se pode ser verdadeiramente feliz quando nos pomos ao serviço da felicidade de todos os seres, não só dos entes queridos, dos amigos e dos seres humanos, mas de todos os seres vivos.

Nia disse...

Parabéns pelo vosso excelente programa, apresentadora e convidados - um espaço de debate e troca de ideias que muita falta faz à nossa TV.

Quanto ao tema, podemos ter toda a riqueza do mundo mas a verdade é que se estivermos sozinhos, sem amigos ou família, vai tudo pelo cano abaixo, quando o contrário nem sempre se verifica - o essencial é de facto a riqueza de espírito, como dizia o jovem entrevistado na rua.

Sara

Francisca disse...

Boa tarde,

Eu considero que seja treta.
O portugues engana-se a se proprio.

Parte tudo da mentalizaçao portuguesa, que se resume simplesmente ao que tem , nao procuram por mais, porque defacto a muito mais para olhar, ver observar, outros horizontes que os portugueses desconheçem.

E outro ponto é ue as pessoas se queixam e se lamentam sobre a sua vida " ai nao tenho dinheiro" " ai a poluiçao esta a aumentar", mas nao fazem nada para mudar , nada! e essas pessoas que se queixam continuam por exemplo a mandar lixo para o chao ;)e sao umas deprimidas !!!

Ou seja
È necessario MUDAR A MENTALIDADE PORTUGUESA !

Cumprimentos,
Francisca Gonçalves

Íris. disse...

Felicidade e Participação Cívica?

Sim. Acredito que nossa a felicidade e a saúde do nosso país passa por sermos mais activos! Principalmente por sentirmos que realmente temos uma palavra a dizer na mudança para melhor do mundo que nos rodeia...

Agora tenho e, creio que em grande maioria, temos um problema: participar como?

Por vezes sinto vontade de participar, mas logo me apercebo que não sei bem como o posso fazer... e pior do que isso: sinto que não sou uma pessoa informada quando se fala de questões sociais e políticas!

Falta Formação para a Participação!

Íris Rocha, 22 anos, Aveiro.

CME disse...

Olá,

Parece-me algo estranho que um estudo feito em Portugal contradiga outros estudos, feitos na Europa e nos EUA.
Fiquei perplexa perante a alegada ausência de uma correlação entre rendimento e felicidade, especialmente no que respeita às classes com menores rendimentos.
Um outro aspecto com impacto na felicidade é a confiança que temos no Outro e nas Instituições. Esse estudo parece contrariar outros estudos que revelam o baixo índice de confiança dos portugueses em ambos.
Fico a aguardar pela publicação do documento.

Quanto à minha “receita de felicidade”, acredito na máxima “If you want to find a happy man, find a man with a project”. Nota: também serve para as mulheres. ;)

Parabéns pelo programa!

Maria Elias

Historiador disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
mariela dias | gonçalo gonçalves disse...

A felicidade depende muito da forma como fomos educado. Se formos educados para nos satisfazer com pouco e a valorizar os valores humanos seremos muito felizes, mas se a nossa educação não der tanto valor aos valores humanos e mais a outras ambições poderemos ser infelizes.
Será que somos infelizes porque somos pouco ambiciosos?
Nós somos empreendedores:
marieladias.blogspot.com

paula brigida disse...

A felicidade... é algo individual... é algo do momento, somos um ser insatisfeito por natureza, daí que a sensação da felicidade seja algo com duração demasiado curta.

Alguém um dia tentou defenir a felicidade...


Ela canta, pobre ceifeira

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.
Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção!
A ciência Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa

António Cruz disse...

SOMOS FELIZES, COMO?

- Milhares de desempregados;
- Milhares de alcoólicos;
- Milhares de toxicodependentes;
- Milhares de Idosos abandonados;
- Milhares de crianças mal tratadas;
- Incivismo na estrada e na vizinhança;
- Estado demitido de funções(não há justiça);
- Cidadãos incumpridores e subsidiodepedentes;
- Milhares de casos de violência doméstica(mais de 100 mulheres mortas em 2008);
Esclareçam-me se um povo cujos elementos se integram nos acima mencionados pode ser feliz?

Eu não sou feliz, tenho momentos de felicidade!!!!
António Cruz

João Silvério disse...

Não acredito em pobres felizes...
É de certo um estudo muito mal feito,a pobreza nunca trouxe felicidade.
Como pode alguem que não tem comida para dar aos filhos ser feliz?
A felicidade só se consegue com estabilidade monetária,uma boa saúde e uma boas relações sociais!

sergio.artdirector disse...

boa tarde,

Nós os Portugueses, temos uma espécie de sabedoria inata, que se traduz numa desconfiança ou falta de fé num futuro melhor. Sabedoria adquirida à custa de muitas derrotas, sofridas ao longo de gerações. Nós não temos fé no futuro, porque não temos com que nos orgulhar-mos no passado.

Historiador disse...

Boa Tarde,

Apesar da crise económica,

Eu tenho orgulho em ser Portugês, orgulho pelo passado de uma nação que prestou os maiores serviços ao progresso da humanidade e contribui para a dignificação dos laços entre os vários povos da Terra.

E Viva Portugal!!

Bom Programa....

fantasy disse...

Uma sociedade que não estima os seus idosos, depositários de conhecimento e cultura; bem como as suas crianças, em extinção pelo custo que acarretam, não pode ser feliz e muito menos rica. A riqueza de uma nação não passa apenas pelos seus polos industriais. A cultura e, consequentemente a educação e o desporto, deveriam ser prioridades de empreendedorismo. Mais do que os cafés e os restaurantes ou as micro de construção civil.
Quando se continua a definir como objectivo de vida o ter uma casa e um carro à porta poucos poderão ser felizes, mas muitos continuarão pobres.

andreia disse...

Boa tarde,
falamos, falamos, masa verdade é que o zé povinho foi habituado a andar de "fato e gravata" e trabalhos como os de antigamente, desde entregar o pao em casa, como outros de igual exemplo, sao vistos por muitos como trabalhos de segunda... o meu sonho até é ser agricultora, comprar uma courela e fazer ali aminha vidinha, mas quando falo nisso todos me olham de lado e comentam... sonha a pobrezinha... até tem um curso superior e quer ir trabalhar na terra... é urgente mudar... é urgente arriscar...

Sofia disse...

Olá Fernanda, muito boa tarde.É evidente que é falacioso dizer-se que se é pobre mas feliz.Isso da felicidade é um mito, ningém sabe o que é e se alguma foi realmente feliz.Como dizia uma personagem interpretada pela Soraia Chaves: "prefiro ser infeliz no meu Audi descapotável, do que num banco de autocarro".
Sofia Linhares, Porto

golfinho prateado disse...

Quando me falam da crise, digam:
- crise? qual crise?...
ficam escandalizados e logo vem um chorrilho de argumentos, mas a verdade é que a crise foi a melhor invenção para os portugueses. Serve de desculpa para tudo! E, principalmente, de desculpa para nada fazer, não partir à luta, e só queixar...

Historiador disse...

Boa Tarde,

Apesar da crise económica que o nosso país atravessa,

Sim, eu tenho orgulho em ser Portugês, orgulho pelo passado de uma nação que prestou os maiores serviços ao progresso da humanidade e contribui para a dignificação dos laços entre os vários povos da Terra.

E Viva Portugal!!

Bom Programa....

paula brigida disse...

A felicidade é uma sensação curta... não existe uma felicidade para toda a vida, o homem é um ser por natureza insatisfeito que busca sempre algo... Não se apercebendo das coisas mais simples da vida. E o tempo vai passando e as oportunidades também...


Alguém um dia tentou definir a felicidade...



Ela canta, pobre ceifeira

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.
Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção!
A ciência Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa

Rita P. disse...

Já dizem os Deolinda: Agora é que isto vai para à frente! Se bem que agora vai jogar o Benfica... vão indo, eu vou lá ter!

Ainda este fim de semana um amigo, que tinha estado fora, comentou, espantado com os bares do bairro alto fecharem às 2h:

"Alguém devia fazer alguma coisa!"

Logo se apercebeu da gafe, o alguém somos todos nós!

Os portugueses estão habituados a queixar-se muito e a não fazer nada pela mudança, pelo que o resultado só pode ser um:

DISSONÂNCIA COGNITIVA!

O resultado: felicidade.

paula brigida disse...

A felicidade é uma sensação curta... não existe uma felicidade para toda a vida, o homem é um ser por natureza insatisfeito que busca sempre algo... Não se apercebendo das coisas mais simples da vida. E o tempo vai passando e as oportunidades também...


Alguém um dia (português) tentou definir a felicidade...



Ela canta, pobre ceifeira

Ela canta, pobre ceifeira,
Julgando-se feliz talvez;
Canta, e ceifa, e a sua voz, cheia
De alegre e anónima viuvez,
Ondula como um canto de ave
No ar limpo como um limiar,
E há curvas no enredo suave
Do som que ela tem a cantar.
Ouvi-la alegra e entristece,
Na sua voz há o campo e a lida,
E canta como se tivesse
Mais razões pra cantar que a vida.
Ah, canta, canta sem razão!
O que em mim sente 'stá pensando.
Derrama no meu coração a tua incerta voz ondeando!
Ah, poder ser tu, sendo eu!
Ter a tua alegre inconsciência,
E a consciência disso! Ó céu!
Ó campo! Ó canção!
A ciência Pesa tanto e a vida é tão breve!
Entrai por mim dentro! Tornai
Minha alma a vossa sombra leve!
Depois, levando-me, passai!

Fernando Pessoa

Ana Mafalda disse...

Em relação`aos resultados pobres/felizes, gostava de deixar aqui dois pontos de vista, que não são, em pura verdade, completamente independentes:
A) A questão da pergunta (da felicidade) em si e da honestidade com que se responde. Utilizando aqui uma analogia: quantos portugueses (com problemas reais e muitas vezes sérios/graves) respondem que "não" quando se lhes pergunta "Está tudo bem?" ?! Com certeza que muito poucos... O português (ou o ser humano)tem dificuldade em assumir/publicitar perante o outro que não está bem...A situação da (suposta)normalidade e felicidade é muito mais cómoda e fácil de aceitar (hipocritamente...).A mesma reacção se pode aplicar à pergunta "É feliz?"
B) O português é o eterno resistente...e temos a história do nosso lado...e penso que consegue, talvez por selecção natural (:)), sobreviver aos momentos mais difíceis arranjando estratagemas e microcosmos em que consegue (so)viver e vivenciar a sua felicidade.
Haveria com certeza muito mais para desenvolver mas não quero maçar.
Desde já agradeço estes debates e estudos e felicitando-os a todos.
Mafalda Pereira

fantasy disse...

Uma sociedade que não estima os seus idosos, depositários de conhecimento e cultura; bem como as suas crianças, em extinção pelo custo que acarretam, não pode ser feliz e muito menos rica. A riqueza de uma nação não passa apenas pelos seus polos industriais. A cultura e, consequentemente a educação e o desporto, deveriam ser prioridades de empreendedorismo. Mais do que os cafés e os restaurantes ou as micro de construção civil.
Quando se continua a definir como objectivo de vida o ter uma casa e um carro à porta poucos poderão ser felizes, mas muitos continuarão pobres.
Maria, Faro

Casto Severo disse...

Mudar a mente, convertê-la do egoísmo ao altruísmo, é a mudança radical. Desejar a felicidade dos outros activa centros cerebrais ligados à experiência do bem-estar e felicidade.

RitaPereira disse...

Certo, tudo isto é muito bonito, a felicidade e o optimismo que se constata inexistente no povo português. Mas sejamos objectivos: como poderemos ser confiantes, se uma larga e crescente maioria da população se encontra desempregada, ou quando somos explorados nos postos de trabalho, ou quando deixamos de estudar porque não temos meios económicos para o fazer? É esta a realidade, e perante isto obviamente que é complicado ter esperança num país assim.
E não será com uma mera aparente 'Revolução Obama': não chegam lirismo nem promessas de um futuro diferente, são necessárias acções e medidas para melhorar no imediato a vida das pessoas.
Assim sim, os indicadores de confiança aumentarão, bem como os de felicidade.

Esperemos por esse dia!

Abraço,
Rita

E disse...

Lamento mas é simplesmente patético. Faz-me lembrar algo como uma sociedade ultra-liberal, em que convém existir "light motives" como este para "animar malta".

Fernanda Freitas, pf diga aos seus convidados que chega "de conversa da treta" ( ou " bull-shit" talvez eles entendam melhor ). Diga-lhes para irem passar umas "férias" em Detroit ou no Vale do Ave e viverem com o salário minimo local durante dois meses, para poderem avaliar devidamente qual o sinónimo de "viverem pobres mas felizes"!!!!!!!! Depois diga-nos algo sobre o que é " mudar lampadas, eliminar emissões de carbono, etc ....."
Por favôr tire-nos deste filme, de lisboetas patetas e provincianos e que vivem no " mundo do fantástico "

Obrigado

Obrigado

SEGREDOS OCULTOS disse...

Eu também sou muito viajado e trato o Obama por tu. Mal empregada electricidade.

Antonio disse...

apesar de pobres agora somos + felizes pois temos o 5 para a meia noite para nos fazer rir e esquecer um pouco as tristezas

aestrelaquequeriavoar disse...

Olá a todos!! a nossa vida individual depende das nossas escolhas e somos individualmente a pessoa que mais felicidade pode dar a si própria, acho que muitos portugueses, não que sejam os únicos mas os que melhor conhecemos, desresponsabilizam-se da sua própria vida e felicidade. acho tb que a comunicação social é responsavel de tanto falarmos da crise e isso piora, e passa a ser negativamente absurdo. a tal "crise" que passamos é muitas vezes um ponto de partida para um bom salto de mudança. a forma como encaramos os problemas é a base.
concordo com o Nilton, não há emprego, mas há muito trabalho, devemos ser mais inquietos e não comodistas.
SORRIAM...

SEGREDOS OCULTOS disse...

Penso que a felicidade tem mais ligação com a ignorância, no sentido sobretudo de inexperiência, que propriamente com o poder económico. As crianças, por exemplo, são quase sempre felizes independentemente de tudo o mais.

CME disse...

Viva outra vez,

É possível aceder ao estudo?

A divulgação das conclusões pela imprensa parece-me muito enviesada.

Maria

Sociedade Civil disse...

podem consultar o estudo em :


http://tinyurl.com/kjzneb

saudações civis

SEGREDOS OCULTOS disse...

Mafalda Pereira felicito-a pela sua inteligência. Gostaria de acrescentar que as estatísticas e sondagens são sempre politicamente correctas e quase sempre favorecem quem as encomenda e paga. Por outro lado não devemos ignorar que em vésperas de eleições todos os conteúdos media nacionais estão contaminados com interesses políticos quer esses media sejam, ou não, conscientes disso.