quinta-feira, fevereiro 4

Encarar a doença com otimismo

Apoio familiar, serviços humanizados e médicos com uma visão holística do doente são factores determinantes na doença oncológica. A componente psicológica desempenha um papel fundamental no processo de tratamento e deve ser desenvolvida tanto pelo doente como pela equipa que o acompanha. Mas estarão os serviços de oncologia preparados para esta forma de apoio? Os hospitais estarão mais humanizados para doenças graves? O auxílio profissional de psicólogos ou psiquiatras é disponibilizado?
Hoje, Dia Mundial Contra o Cancro, explicamos no SC como o otimismo pode fazer a diferença no processo de cura.

Convidados:
Luzia Travado
, Presidente da Associação Viva Mulher Viva
Lígia Costa, Oncologista
Gabriela Freira, Ex-doente de cancro da mama
António Araújo, Cirurgião e Coordenador da Unidade de Patologia Mamária do Centro Hospitalar de Lisboa Central

11 comentários:

Joel disse...

Eu tinha um familiar que tinha cancro e acontece que ela estava farta de pedir ajuda a junta de freguesia, câmara municipal, segurança social e etc e teve de fazer a quimioterapia analises e outros do próprio bolso porque nenhum destes meios a quis ajudar! Porquê??

Pedro disse...

Boa tarde a todos,
Está a fazer 5 anos desde que me diagnosticaram com um melanoma. Estava já na fase 2 e felizmente foi excisado na totalidade.
O susto foi muito grande pois com 25 anos nunca pensei vir a ter um problema destes. Ao longo da adolescência tive comportamentos errados, nomeadamente vários escaldões, mas pensava que a ter problemas de pele seria muito mais tarde. Por acaso ou destino, dirigi-me a um dermatologista para retirar uma verruga e acabei a saber que além do que queria tirar, já tinha comigo um melanoma.
Pedi informação ao médico, e procurei informação na internet. Pela internet, embora existam sítios úteis, acabei mais assustado do que esclarecido. Hoje, continuo a ser acompanhado e sei que a probabilidade de recidivar é superior pelo que o meu comportamento face ao Sol é francamente diferente. E o apelo que faço às pessoas é que olhem para o seu corpo e estejam atentos a mudanças. No meu caso nunca tive sintomas, foi pura sorte ter ido ao médico na altura que fui.

Quanto ao apoio familiar e de amigos é fundamental. Mas mais que motivarem, e dizer que "Vai correr tudo bem!", eles têm de estar disponíveis para ouvir. E aí sente-se que a família e amigos por vezes não conseguem, parecendo por vezes que estão ainda mais assustados que o próprio. Ser capaz de verbalizar o medo que se sente é fundamental para conseguir ter forças para lutar, principalmente quando se sente que para o melhor e para o pior se está apoiado. Saber que quando estamos mais deprimidos, assim como mais alegres podemos falar com quem nos está mais próximo.

nice disse...

Boa Tarde,
bem hajam pelo tema abordado.
Tenho um bébé de 4 meses e durante a gestação apareceu-me um nódulo no peito de 3 cm, como podem imaginar pensei logo no pior, após o nascimento do bébé fiz uma biopsia e felizmente o nódulo é benigno,apesar de ter de recorrer à cirugia para o tirar. Tudo isto para dizer que nem sempre as coisas são más!!! Temos de ter sempre uma atitude positiva.

Pedro disse...

Posso ainda partilhar que quando soube a notícia, a minha principal preocupação não foi propriamente comigo mas sim como dizer à minha família.
O susto foi enorme, e o que quis saber de imediato foi o que tinha de ser feito e que acontecesse o mais rápido possível.
Desde então já retirei vários sinais (nevos melanocíticos), felizmente nenhum voltou a ser melanoma. As cicatrizes servem de memória para o descuido e comportamentos errados que tive e que me trouxeram este problema.

jorgemfnunes@gmail.com disse...

Tenho 61 anos,e há poucos anos,a morte de um familiar próximo,com cancro no colon,despertou-me para aquilo que acho ser o mais importante nestes casos,a prevenção.Por minha iniciativa,pedi à minha médica de família,credenciais para exames.Muito recentemente,por iniciativa de uma familiar,participei numa consulta,que recomendo,a quem como eu,desconhecia que existia.Estou a falar das consultas de risco familiar.No meu caso,ligado à gastro tive o privilégio de ser consultado por uma equipa extraordinária no IPO de Lisboa,sob a coordenação do Dr. Pedro Laje.Resumindo,a PREVENÇÃO É fundamental.
Cumprimentos
Jorge Nunes

carla22 disse...

Boa tarde,
Penso que há muito ainda a fazer. Sendo esta a segunda causa de morte em Portugal, há que investir mais em prevenção (independentemente da idade) e também na formação dos médicos (a humanidade é imprescendível..).
A minha tia morreu (cancro no cérebro) em casa porque não teve direito a estar numa unidades de cuidados paliativos. Penso que merecia viver os seus últimos dias de uma maneira mais digna..
Penso que quando se aborda a doença do cancro dá-se muito enfâse ao cancro da mama.. Tive também uma colega que morreu com cancro do estomago..
Existem muitas doenças (cardiovasculares, diabetes) que são mais "acarinhadas" pela comunicação social do que o cancro.. há que atribuir a importância que merece, seja em termos de prevenção, de cuidar das pessoas ou em termos de informação. Existem rastreios suficientes? Está o nosso sistema de saúde suficientemente preparado para esta doença??

Maria disse...

Mais uma vez tenho de intervir.. Infelizmente tenho ja alguns casos de cancro na familia, uns mais bem sucedidos, e outros, infelizmente nem tanto. O ultimo caso terminou ha 2 semanas num rapaz com 23 anos.. E muito se diz sobre a prevençao, sobre os comportamentos de risco.. E se eu disser que ele nunca teve qualquer comportamento de risco.. Nao estara ja tudo determinado pela nossa base genetica ?

Quanto aos profissionais que acompanham todos esses casos so tenho a louvar.. Sao pessoas demasiado especiais, que merecem todos os agradecimentos. Mas, infelizmente nao sao o tal "Deus".

Madalena disse...

Aproveito para agradecer ao Dr Araújo e homenagear todos os que nesse serviço nos tratam com imensa humanidade e com muito optimismo. Não é fácil, mesmo quando a situação é à partida muito favorável! Durante o tempo em que andamos em tratamento, sentimo-nos protegidas e isso é muito importante. A Dra Cristina, psicóloga, não está aí mas acho que lhe chegará também um "obrigada" meu! Bem-haja Sociedade Civil por fazer este programa.

carica disse...

Boa tarde,

Tive duas tias que faleceram com cancro da mama e creio que essa foi a maior chamada de atenção que pude receber sobre a doença.
Enquanto mulher sinto-me grata de ter uma médica de família que me ouve com total atenção, me informa e é paciente e gentil para me responder mesmo aquelas questões mais tolas. Contribuiu sem dúvida para que hoje eu seja uma cidadã razoavelmente bem informada.
Quanto a encarar esta doença com optimismo os media são fundamentais. São as histórias maravilhosas das mulheres que venceram a doença as maiores responsáveis para que não se encare o cancro da mama como um bicho papão.

Obrigada, Ana Chagas

M. João disse...

Tive cancro, fiz quimio, radio, recidivei, fiz quimio... caiu-me o cabelo das duas vezes, tive toda a sorte de problemas e não, nunca parei de trabalhar. Voltei às aulas 15 dias depois da operação. Tudo isto foi caminho para a cura e fiz tudo sozinha. Nunca fui acompanhada a nada, passei por tudo sem ajudas de psicólogos, mas com a família e os amigos do meu lado. Até aqui, só posso dizer bem. O que correu mal? A reconstrução - se é que lhe posso chamar tal. Para a doença estamos... mais ou menos preparados. Para o susto que é o processo de reconstrução e o resultado da dita, não! Uma sugestão: faça um programa sobre isto...

do/do/pima disse...

boa tarde

È com muita pena que lamento e dou o meu testemunho,pois nem todos os médicos estão preparados para dizerem uma doente que terá de retirar a sua mama.
Foi o que me aconteceu em 2004 no IPO do porto.
Foi trágico o modo com que eu tive de lidar com a situação ,pois nunca sequer me perguntaram se precisava de ajuda psicológica.
Graças á minha familia e á minha vontade de viver que lutei e venci todos os medos graças a Deus tudo correu bem.