quinta-feira, abril 15

Ensino público vs privado

Nos últimos dez anos, o número de inscritos no ensino privado aumentou de 15% para 18%.
O que justifica este aumento? Há um descrédito do ensino público? Ou um maior investimento no filho único?
Com a crise financeira as famílias deviam optar pelo ensino público, que à partida é menos dispendioso se ficar perto de casa. Mas a procura do ensino privado em Portugal é diametralmente oposta à queda dos resdimentos das famílias. Vamos descobrir porquê neste SC e identificar as mais e menos valias de ambos os sistemas de ensino.

Convidados:
Carlos Pinto Ferreira
, Dir. Gabinete de Avaliação Educacional – Min. da Educação
João Muñoz, Vice-presidente da AEP – Associação de Estabelecimentos de Ensino Privado e Cooperativo e Administrador do Colégio São João de Brito
Ananias Quintano, Director Executivo da Esc. Secundária Gabriel Pereira
Albino Almeida, Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais

12 comentários:

João José disse...

Porque o sector privado tamb... Ver maisém tem que existir numa economia aberta, cria postos de trabalho, tem melhores equipamentos e instalações e muito mas muito mais organizados e, os melhores profissionais são atraídos pela parte financeira e, realmente o ensino publico degradou-se a todos os níveis e, ou seja colocou-se a jeito, e também não tem capacidade para como noutros sectores como o da saúde de dar resposta aos cidadãos que pagam os seus impostos, recordo de que as pessoas que colocam os seus filhos no privado estão a pagar impostos também para a escola publica e dela não usufruem nada.

BZ disse...

O número de alunos no ensino privado só não subiu mais porque o Estado, através dos impostos, "obriga" pais a escolherem escolas públicas.

O sucesso das escolas privadas resume-se a um muito simples conceito: LUCRO. Se não cumprem as expectativas dos seus clientes (os pais e alunos), elas não sobrevivem muito tempo!

Martinha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
BABS disse...

Uma outra vertente que muitas familias descionhecem é a possibilidade do Ensino Doméstico...

Vivemos numa sociedade onde as crianças, diferentes entre si, têm que aprender ao mesmo ritmo e da mesma forma, sob pena de serem considerados problemáticos quando não atingem os objectivos propostos por alguém que não conhece aquela mesma criança!

O Ensino Doméstico, é ainda visto como uma forma de exclusão, quando na realidade é exactamente o contrário.

O Objectivo não é isolar a criança, mas sim, juntamente com outras crianças da comunidade, aprenderem cada uma ao seu ritmo de uma forma que deixa as crianças não só preparadas para o futuro, mas acima de tudo motivadas, porque desde cedo perceberam o que é o respeito.
Respeito pela sua aprendizagem, pelas suas caracteristicas pessoais, e pelo seu ritmo de desenvolvimento.

Os estudos demonstram que uma criança respeitada, terá, obviamente, maior tendencia para respeitar o próximo... Não seria esta a sociedade civil ideal?

Para saber mais sobre o ensino doméstico podem consultar:

http://aprendersemescola.blogspot.com/

Obrigada e cumprimentos
BABS

ﻣﺤﻤﺪ Rachid disse...

Boa tarde
o ensino privado pode ter melhores condições e equipamento, mas não significa que forma melhores alunos que no ensino privado.

Há quem fala da degradação do ensino público, mas esto é completamente falso. Oensino público é mauito mais exigente.

Creio que o aumento da taxa dos alunos inscritos no ensino privado só indica que há pais que preferem deixar total responsabilidade na educação dos seus filhos aos estabelicimentos de ensino privado.

Vitor disse...

Não existe direito à escolha para o ensino Privado, porque depende da bolsa dos encarregados de educação.
Quando o ordenado minímo não chega aos 500 euros, pergunto que país é este.
Um ensino para ricos e outro para pobres, que é mais fraco.
É um país com desigualdades acentuadas.
Para a classe dos professores é um ultraje dizer que o ensino privado tem os melhores professores.
O colégio mulitar não é um exemplo de "Educação", vejam os acontecimentos que lá passaram.
Também não compreendo como se empurram os alunos para o ensino, quando existem milhares de Licenciados desempregados!
Triste fado deste país!

António Rei disse...

Foi dito que D. Dinis fundou os "estudos gerais" porque estes se destinavam a todos. Não era esse o sentido, embora hoje possamos ser tentados a entendê-lo como tal. Eles eram "gerais" porque englobavam a totalidade dos saberes então conhecidos e transmitidos, naquelas instituições então recentes, as universidades. Aliás "universidade", de "universal" e "geral", têm semelhanças semânticas.

sofia disse...

Boa tarde , tenho 34 anos e sou antiga aluna do Instituto de Odivelas , que é um colégio com uma natureza semelhante ao colégio militar , mas sem uma componente militar tão vincada.
Esta opção escolar foi tomada pelos meus pais , em vitude do projecto educativo da escola, estabilidade do corpo docente, e cumprimento dos programas escolares.
Posso garantir que estou muito contente pela escolha que tomaram , tive uma formação fantástica, que me permitiu entrar no IST e continuar os estudos, com facilidade pois a minha preparação era superior há da maioria dos meus colegas.
Em termos pessoais, ficavam as saudades de casa e dos mimos que eram muitos e que eram recuperados ao fim de semana.
Tive muitas oportunidades, viagens ao estrangeiro,equitação, esgrima,aulas de puricultura.E sempre me senti feliz por pertencer a uma escola que premiava os bons alunos e ajudava os que tinham dificuldades, promovendo o espirito de equipa , que tanta falta faz no mercado de trabalho e que é raro de encontrar. Não concordo com a ideia de que o ensino não estatal é menos exigente e no meu caso , as provas de aferição vieram prová-lo.Cumprimentos

Sónia disse...

Tive o prazer de leccionar na Escola Sec Gabriel Pereira, após 10 anos de serviço em escolas públicas a nível nacional, e fiquei muito bem impressionada quando me apercebi das preocupações desta escola com os problemas financeiros dos seus alunos e respectivas famílias, sobretudo em época de crise. Fazem-se cabazes de produtos essenciais a distribuir às famílias mais carenciadas, pequenas quantias a serem disponibilizadas aos alunos para consumo no bar/ papelaria, e note-se que tudo isto é feito sem chamar à atenção nem expor os visados. Em lugar nenhum pude participar numa campanha tão louvável e bem estruturada.

Sónia

Pandroid disse...

Sou um professor de Física e Química no Reino Unido, mais propriamente na cidade de Londres. Tive a experiência de um ano no ensino publico Português até decidir emigrar. Comecei a trabalhar no ensino público Inglês e neste momento encontro-me a leccionar numa escola privada Internacional com exactamente a mesma filosofia do colegio de St. Dominics que usa o IB.
Desconheço a forma de trabalhar das escolas privadas em Portugal, mas estou de acordo em há alguma falta de transparência nos processos de avaliação dos alunos, pois não podemos esquecer que as escolas privadas não deixam de ser empresas.

Eu acredito no ensino público e acho que é essencial. Agora o grande problema e que é algo que está profundamente enraizado e que é um grande obstáculo ao aumento da qualidade do ensino é a organização e a gestão das escolas. As escolas têm ter mais autonomia na gestão do pessoal, principalmente no docente. Quando fui contratado pela primeira vez em Inglaterra fui submetido a uma entrevista e a 2 aulas-entrevista. As escolas assim podem dizer que tentam escolhar os que consideram o melhor. Penso que esta pequena mudança aumentaria rapidamente a qualidade do ensino.

Esta é apenas uma sugestão de mudança entre outras que penso que seriam essenciais

Parabéns pelo programa.

fatimavieira disse...

Exmos(as) Senhores(as)
Quem trabalha numa escola como eu não se admira que muitos pais estejam a colocar os filhos nas escolas privadas.
Infelizmente a indisciplina e a falta de educação e empenho/estudo por parte de um grande número de alunos são o dia a dia nas escolas públicas.
Quem, como eu, defende a escola pública fica triste, até revoltado, ao ver o clima de desmotivação e de stress que se vive nas escolas públicas deste país.
- Os professores têm papeis e mais papeis, grelhas, relatórios, planos, fichas para isto e aquilo, testes de recuperação para alunos faltosos (por cada prova a fazer, são tiradas várias fotocópias de documentos a preencher). A propósito destes, nunca um aluno que faltou por doença ou outro motivo devidamente justificado ficou sem fazer o seu teste. Mas agora alguém se lembrou de complicar. Marcar provas para alunos que sistematicamente faltam por faltar, na maioria dos casos, com a conivência da família... enfim.
- Alunos a falar constantemente nas aulas, que depois de várias vezes advertidos continuam a falar e a perturbar o trabalho de professores e colegas, não respeitando os outros.
- Alunos que passam de ano com três níveis inferiores a três (às vezes mais), porque reprovação só em último caso, pode traumatizar as crianças preguiçosas.
Claro que a falta de bases, de conhecimentos sólidos, nota-se à medida que os estudos vão avançando e não admira que os professores universitários se queixem cada vez mais com o baixo nível de conhecimentos dos alunos que chegam ao 1º ano de um curso universitário. Até eu, que actualmente dou aulas de F.Q. a alunos do 3º ciclo, me queixo que os jovens não sabem ler, escrever e fazer um simples cálculo mental.
É preciso reconhecer o mérito, o esforço, premiar os bons alunos, os jovens que estão atentos, são empenhados e estudam. E fazem-no muitas vezes inseridos em turmas complicadas, o que não acontece nas escolas privadas. Deve-se mudar esta situação com urgência.
Por outro lado, as escolas privadas têm quase sempre professores contratados, mais novos e que têm menos experiência (o que não quer dizer que estejam menos motivados, pelo contrário) o que não acontece nas públicas.
Cumprimentos.

Fonseca disse...

Posso estar a afirmar um disparate, mas apesar das dificuldades e incongruências que enfrenta o ensino público, acho-o mais vantajoso que o privado. Na verdade, tudo depende do estabelecimento em si e respectivas condições materiais, em especial, a qualidade humana dos profissionais.
O ensino que conheço melhor e´o público,pois é o que frequentei e tenho família a trabalhar lá, por isso não sei se numa escola privada seria melhor aluna que numa privada, mas no meu caso, nem que eu quisesse, os meus pais nunca iriam pagar para eu andar numa escola privada mesmo que fosse melhor: como eles sofreram, quiseram que eu sofresse...mas isto é outra longa história pessoal complexa.
O que me interessa aqui dizer é que, penso que na escola pública conhece-se uma maior variedade de pessoas, de crianças e adolescentes de várias classes sociais e isto é vantajoso em termos de maturidade e conhecimento de culturas diferentes. Vejo pelo meu filho que frequenta o público: ele chega a casa admirado com histórias verdadeiras dos colegas, por exemplo, uns comem restos do jantar do dia anterior ao almoço e vice-versa, outros são deixados ao abandono em frente à televisão e os pais deixam-nos ver TUDO, outros cujos pais dão iogurtes fora de prazo para o lanche dos filhos dizendo que não faz mal, outros não lhes compram calçado ou roupa necessária, porque preferem gastar em tabaco e alcóol, etc...então ele valoriza mais a mim e ao pai que tem. Já conheceu meninos/as filhos dos pais que trabalham no Circo e de feirantes.
Os professores tanto podem ser bons no privado como no público. Acho que a vantagem que muitos aqui apregoam do ensino privado é serem todos de uma classe semelhante,gostos e religião semelhante, mais ou menos quase todos bons alunos e ter em geral, melhores instalações que no ensino público às vezes. Mas é falível, não é garantido que pagar mais se tenha um melhor serviço, bem vejo por exemplo pelos médicos... já paguei pequenas fortunas a especialistas privados e na verdade já fui melhor mais eficazmente bem tratada por clínicos gerais do Estado.
No Ensino, tudo depende da Direcção das escolas, do local, dos professores destacados, porque crianças e adolescentes são moldáveis na personalidade e podem-se reeducar, tem de haver grande força de vontade.
Mas é verdade o que disse antes de mim, aqui, Fátima Vieira, há um grande facilitismo nas passagens de ano e decréscimo na exigência de conhecimentos. Não se pode continuar a premiar os preguiçosos faltosos, podem-se tornar uns parasitas da sociedade.
Mas se pelo menos a Escola formasse seres humanos bondosos, com "sede" de saber mais, preparados para o mercado de trabalho e não só "pequenas enciclopédias offline ambulantes", já não era mau de todo, porque com o acesso que há hoje em dia à informação, qualquer um é autodidacta facilmente e eficazmente!
Sou a favor de escolas pequenas, quase familiares, é mais vantajoso. Os professores conhecem melhor todos os alunos, podem intervir melhor, ninguém fica esquecido e "abandonado" e os alunos fazem amizades duradouras mais facilmente.
A Escola não deve ser um mero negócio ou um depósito onde se vigiam crianças, antes pelo contrário: estão-se a formar futuros seres humanos adultos e queremo-los pacíficos e saudáveis, não é verdade?
Obrigada pela dica BABS, isso do aprender sem escola parece-me interessante...

Um abraço!

Eugénia Fonseca