quinta-feira, maio 27

A iliteracia impede o crescimento do país?

Portugal apresenta um dos mais baixos níveis de literacia dos países da UE, revela um estudo do Ministério da Educação. Para agravar a situação, constata-se que no nosso país ser-se ou não iletrado não tem qualquer influência no sucesso profissional nem na entrada no mercado de trabalho. Outras das questões destacadas pelo estudo do ME é que a elevada quantidade de adultos com baixos níveis de literacia inibe o crescimento económico do país. Afinal, a literacia gera riqueza? Por que falhou a aposta na educação? Para quê fazer investimentos públicos com o objetivo de fornecer bens e serviços a adultos com baixos níveis de competência? Como pôr os portugueses a ler?

Convidados:
Fernando Pinto do Amaral
, Comissário do Plano Nacional de Leitura
Ponces de Carvalho, Director Escola Superior de Educação João de Deus
Graça Simões, Vogal do Conselho Directivo da UMIC e Professora na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa
Lucília Salgado, Professora Escola Superior de Educação de Coimbra

20 comentários:

disse...

Haverám várias matizes a ter em conta: a qualidade do tutor quer nas instituições de ensino quer no lar, o tempo disponibilizado e mobilizado no sentido da literacia (menos playstations, menos computadores, mais livros). Em relação à pergunta em si, sim: a literacia é um instrumento social extremamente importante para o desenvolvimento tanto do indíviduo como de um conjunto, a literacia tem o poder de desenvolver no indivíduo actos de pura diplomacia e conclusões consensuais, pode preparar melhor um adolescente para o seu futuro como para o futuro de uma sociedade, em suma, a litercia ensina-nos a pensar antes de agir. Ensina-nos a ser mais coesos em nossas opiniões, atitudes e gestos. Ensina-nos a pensar, a logicolizar as emoções e a tomar o melhor partido delas e a partilhá-las. Uma ferramenta fundamental para o sucesso mas não, claro, única.

Vera disse...

Na minha opinião, sim.
Como pôr os nossos jovens e as nossas crianças a ler mais? Uma questão para a qual eu adoraria ter resposta, pois se a tivesse conseguiria pôr os meus Filhos, adolescentes e crianças, a ler mais. Quando dizem que o exemplo dos Pais é determinante, eu permito-me duvidar. Eu sou viciada na leitura e em livros. Não leio mais, por manifesta falta de tempo, porque a casa me ocupa na maior oarte do dia, porque a atenção a cada um deles, me tira também muito tempo. Mas leio bastante. Quando dizem que a televisão e a Internet retiram à leitura muita "clientela", não posso deixar de concordar, mas também não posso deixar de questionar "se eu fosse jovem, neste momento, não seria também atraída pela Internet em desfavor dos livros?". Penso que o ensino tem um peso bastante grande na questão do incentivo à leitura e considero que o estudo obrigatório de obras que já eram obrigatórias no meu tempo de estudante (Os Maias, por exemplo) talvez não seja o melhor incentivo à leitura. Penso que se deveria optar por escritores mais próximos do nosso tempo, por temas mais actuais, com que os nossos jovens mais se identificassem, para que se sentissem motivados a ler e até, quem sabe, a chegar à leitura do que agora é obrigatório, com prazer. Saramago já entrou no estudo obrigatório, mas temos António Lobo Antunes com crónicas extremamente actuais, temos Vergílio Ferreira com obras interessantíssimas, não se devendo resumir a sua leitura à Aparição (que é um livro maravilhoso!!!).
Há muito para conversar sobre este tema. Espero que o programa de hoje seja bastante interessante.

Martinha disse...

também, mas a corrupção impede mais.

Vitor disse...

O Ensino Técnico-Profissional, era respeitado pelos empresários, e tinha muito respeito social.
Hoje as escolas secundárias e universidades são elas próprias iletradas nas saídas profissionais dos alunos. Por isto é que as empresas em Portugal desprezam os licenciados.
A generalidade dos cursos universitários são estéreis na concretização profissional, os únicos que ganham são os ditos professorezinhos e afins, neste negócio que é a educação em Portugal.

ﻣﺤﻤﺪ Rachid disse...

Boa tarde :-)
O que mais me preocupa é que há em Portugal muita iliteracia política. Os Portugueses não gostam de falar de política, porque os "políticos são todos corruptos", as pessoas não percebem que programa tem cada partido político, e se aquilo que está a defender é coerente ou não, por exemplo se um certo partido se opôr contra as medidas de austeridade, as pessoas vão pensar que esse partido está a defender os interesses de Portugal.
E mais no ano em que Portugal está a enfrentar uma grave crise defendeu um aumento para os funcionários públicos incluindo os que ganham uma grande fatia.

Joana disse...

Eu penso que sim. Constato que hoje em dia os jovens lêm cada vez menos e escrevem cada vez pior. Sou recém-licenciada e choca-me ver jovens entrar na faculdade que são incapazes de redigir textos lógicos e com frases coerentes.
O sistema de ensino precisa de mudanças urgentes!

Ponto disse...

Creio que sim. Pergunto-me se a iliteracia não terá, também, a ver com o facto de Prtugal se encontrar ainda numa fase de desenvolvimento cultural, a que um 25 de Abril de 74 veio apenas abrir a porta (convenhamos que o ter um curso superior, tão comum hoje em dia, não implica um background cultural que se coadune com o canudo...).
Leio porque cresci rodeada de livros, tenho pais que lêem, avós que liam. Por outro lado, cresci também sem acesso de monta à internet - e confesso que dou por mim a preferir muitas coisas online às versões "analógicas", como artigos, como notícias.
Por outro lado, ler demonstra frequentemente interesses além-quotidiano que, reparo, a maioria das pessoas não parece ter. Pelo menos, acho reconfortante ver alguém a ler no metro, no autocarro.
Não sei o que falhou pelo caminho, ao nível da educação. Se muitas pessoas têm acesso à tecnologia da informação, seria de esperar um país um pouco mais culto...

Sílvia disse...

Como é possível aumentar o nível de literacia se os próprios meios de comunicação contribuem para que este não cresça? Basta abrir um jornal ou ouvir um telejornal para nos depararmos com certos jornalistas a cometerem erros de português inaceitáveis.

Paulo Santos disse...

Sobre iliteracia
Para mim o mais grave e o problema de determinadas linguagens que tem os mais diversos suportes, o não conseguir descodificar as mensagens.
Já não estou a falar do uso e manejo de informática. Mas desço ainda mais, o entender-se o que se nos oferece e as várias leituras explicitas e implícitas.
E depois o que acho também grave é que há criadores que quando criam determinada mensagem onde existe publico alvo as vezes não entende que esse publico alvo até entende, e ai todas as leituras ou se gosta ou não.
Quanto ao uso de informática domino vários programas, conheço o básico, navego muito na internet e leio muito na internet, tanto blogue, como livros que circulam em pdf em rede.
A leitura hoje em dia levanta questões de suporte, o suporte papel e os novos suportes.
Acho que a pior iliteracia é a falta de curiosidade. Ou em aprender, o comodismo.

sonharamar disse...

para quê investir em literacia e competências pessoais se em Portugal não se dá valor ao mérito profissional mas sim ao compadrio?
o desemprego não falta de aumentar e os bónus dos gestores públicos também não.
não existe qualquer motivação para a alfabetização.

Paulo Santos disse...

Quanto ao mercado de trabalho e iliteracia há coisas que não entendo
Manejo programas, sei um pouco mais que o básico em informática, Ando na Faculdade (estudava, pois tive de desistir por não encontrar trabalho), e nem para fazer embrulhos pegam em mim.
Escrevo, tenho blogues, facebook activo, sou criativo, faço critica, olhem e nada.

J. Miguel Silva disse...

Boa Tarde,

No meio da formação profissional e cursos teconlógicos, estas variáveis podem acarretar vantagens e desvantagens, as novas oportunidades vieram unicamente aumentar a auto-estima dos trabalhadores e provocar um correrio a programas e apoios governamentais que permitem a empresas ter beneficios fiscais.

Outra questão é o facto de este tipo de formação servir para menos presar os profissionais licenciados com curso superior, somos um dos países com mais licenciados desempregados, tinha 33 anos não era licenciado,mas tinha emprego, agora tenho 36 e sou licenciado em Turismo e actualmente Mestrando em Turismo e não tenho emprego, em várias entrevistas me disseram que só admitem funcionários com curso de formação profissional ou tecnológico.
Estarei eu numa posição de arrependimento por obter formação superior.

José Miguel Silva

Licenciado em Turismo pelo ISCET Porto.

Parabéns pelo programa.

José Costa disse...

Do ponto de vista de qualquer empregador, quando contrata um empregado para utilizar uma máquina não tem qualquer interesse em verificar se o futuro empregado sabe ou não "descodificar" um texto jurídico, uma factura da electricidade, etc… pois quem o deve fazer não é quem o lê sem compreender o que lê, mas sim quem o escreve que o deve fazer de forma “descodificada”. Um empregador necessita só de saber que o empregado tem o nível educacional e profissional necessário para o trabalho em causa. Se o trabalhador se enquadra nesses parâmetros. Tudo bem, se apesar disso não se enquadrar, o problema já passa para outro nível que vai pedir outros esclarecimentos. Aí temos que questionar o sistema escolar e a formação dos professores pois tudo começa aqui!Quem é habituado a ler na escola dificilmente deixa cair esse hábito ganhando com isso uma nova prespectiva da vida.A iliteracia começa na falta de formação escolar.

lena disse...

Parece-me que ainda poucos perceberam qual a grande razão que impede o crescimento do país.
Não tenho dúvidas de que a principal razão que está na base da proliferação da iliteracia no nosso triste país prende-se, como afirmou o Prof. Medina Carreira, com a pouca-vergonha que grassa hoje nas nossas escolas, fruto do profundo desprezo a que grande parte dos pais e encarregados de educação votou quer o conhecimento quer o respeito pelas entidades e agentes educativos. Por arrasto, esta atitude estende-se às crianças/adolescentes, refectindo-se numa contínua indisciplina e não saber-estar em contexto escolar, que impossibilitam qualquer aprendizagem.
Obviamente que tudo isto mais não gera do que um ciclo vicioso, onde a mobilidade social não passa de uma miragem, condenando as próximas gerações, sobretudo os filhos dos pobres,(que são já uma grande percentagem da nossa realidade social), ao itenerário de pobreza a que foram condenados os seus pais, impedindo assim o tão desejado crescimento económico do país.
Ainda ninguém parece ter percebido que 90% do problema está na educação.
Pergunto-me a quem interessa este estado de coisas...

Uma Professora inconformada

Paulo Saraiva disse...

A iliteracia não é fruto do acaso nem é apenas a ponta do iceberg; é uma arma...

A estupidificação generalizada da população é uma meta clara das classes dirigentes visando a criação de uma massa amorfa de gente inteligente o suficiente para carregar nos botões certos, e estupidificada quanto baste para suportar os salários de miséria actualmente oferecidos por trabalhos que noutros tempos seriam considerados de escravatura.

O sistema educativo está construido como fábrica de incompetentes. É e vai sê-lo cada vez mais.

Estamos no preambulo da implementação de um sistema totalitarista de escala global, do qual o embrutecimento generalizado é apenas um breve capitulo. Basta analisar a “qualidade” do entretenimento com que somos brindados diariamente em horário nobre.

Paulo Santos disse...

Quanto as bibliotecas
Eu sou do tempo das bibliotecas itinerantes e já agora o bem haja a Gulbenkian que impulsionou essa forma de dinamizar a leitura.
Devorava livros e entrar numa livraria era sempre a luta com a tentação. Quando estudava era conhecido pelo “Esta na Biblioteca”
E há poucos dias um amigo esteve a discutir que, o maior inimigo do ser humano é um livro, olhem passei-me, e depois fui para casa olhei-me ao espelho e disse “devo ser tão estranho”.
Menos mal tenho letra

Paulo Santos disse...

por exemplo o grafite é das linguagens mais interessantes de se descobrir, as vezes quem olha um grafite esquecesse que o suporte a mancha o todo a rua e as vezes até o nome da rua alem do desenho e da mensagem do desenho que é o centro tudo faz parte da leitura
ja agora as fotos do bensksy são muito interessantes
http://www.lemonde.fr/culture/portfolio/2010/05/26/banksy-quand-la-fresque-urbaine-devient-un-jackpot_1361268_3246.html

Paulo Santos:
Facebook: Santos Paulo
Blogue: http://deiasdispersasfotosanexas.blogspot.com

Pedro_D disse...

Obviamente que sim!!! Iliteracia promove a ignorância dum povo. E a ignorância é uma grande pedra que impede o desenvolvimento em todos os níveis, quer pessoais, quer a nível da comunidade.

Fonseca disse...

Eu acho que a iliteracia é uma das cuasas que impede o crescimento do país, sem dúvida. Com a iliteracia, criam-se os estúpidos e os "chicos-espertos", com algumas excessões de pessoas iliteradas que estão sossegadas no seu canto e não fazem mal a ninguém, mas acomodam-se, escondem-se e não desenvolvem ou ajudam a desenvolver o país...
Lena disse: (...)"...a pouca-vergonha que grassa hoje nas nossas escolas, fruto do profundo desprezo a que grande parte dos pais e encarregados de educação votou quer o conhecimento quer o respeito pelas entidades e agentes educativos. Por arrasto, esta atitude estende-se às crianças/adolescentes, refectindo-se numa contínua indisciplina e não saber-estar em contexto escolar, que impossibilitam qualquer aprendizagem.(...)
Ainda ninguém parece ter percebido que 90% do problema está na educação.(...)"
Vê-se que não leu as minhas opiniões de há semanas atrás. Eu formei-me em professora, mas não estive no activo por diversas razões e sempre respeitei os agentes educativos e até tenho família nessa área. Ando há mais de um mês, e não só eu, a afirmar que a culpa dos males da sociedade é a Educação em decadência. Até sugeri alguns livros do Augusto Cury que é quem mais defende isto. Os professores têm a profissão mais importante do mundo e não sabem. Assim enchem-se os psicólogos, psiquiatras e afins...isto quando os "perturbados" acham que não estão doentes e ficam espalhados em todo o lado a gerar o caos.

E para a Vera: gostei de saber de que gosta de ler, porque eu também. Quanto aos miúdos mesmo que já sejam mais crescidos, leia-lhes livros à noite. Coloque-os a ler em voz alta para a família. Interaja com eles, nos diálogos das histórias, imitando vozes, dramatizando, por ex. tu és aquele personagem, tu és aqueloutro, etc. Não sei se falaram disto no programa hoje, lamentavelmente , não pude ver na TV.
Sr. Paulo Santos, admito que os empregadores por vezes dão empregos a quem mais lhes apetece, mesmo que essa pessoa tenha menos habilitações, é estranho, por vezes é estranho...temos que pensar porque o fizeram e tentar novamente noutro lado, com outra forma de apresentação, mais positivo, sei lá...

Nos E.U.A. andam muito em voga os E-books, porque ainda não se espalharam aqui? Acho que a crise também não deixa...ou será a iliteracia?!

A iliteracia tem de acabar, não faz sentido nos nossos dias.
Mas pior, são os que frequentaram a escola e não se nota nas suas atitudes, no conteúdo das suas ideias, nas palavras que mais usam...muitos esqueceram quase tudo e ficaram completamente iliterados!
O Estado devia combater este flagelo e ajudar a Educar o seu país!

Eugénia Fonseca

Dustspell disse...

Eis um tema que é urgente sua discussão...iliteracia é por lógiva a causa mas não a unica do pouco desenvolvimento seja ele económico , social , cultural...Vejamos o acesso e promoção da cultura e falo nos meios de comunicação de 1ª linha ou seja as televisões e imprensa mais mediatica..Quase nula ou em muitos casos mercantil ou pior , tendenciosa ou manipulista...
Como exemplo se olhe a msuica que se promove em Portugal..Quando tanto talento seja em areas como o folk/world music, rock , jazz, metal,... Eu que adoro musica só vejo na internet , um meio de ultrapassar esse mesmo condicionamento cultural que existe nos meios mediaticos..Enfim...Para sermos um sociedade moderna , cultivada,..Não basta erguer cimento quando devemos acima de tudo e antes de tudo alimentar a alma para que assim construamos uma sociedade mais qualificada e autonoma , sem isto jamais poderemos almejar os Piases nórdicos ou alguns paises de leste que em termos de musica(Falo do que sei) já nos ultrapassaram..Mais um enfim...É uma questão de abertura mental da parte das instituições administrativas que coordenam a cultura e seus derivados...Sim ainda somos um povinho enclasurado e porconsequentemente preconceituosos...Graves fragilidades...