terça-feira, fevereiro 1

Bolonha foi um erro?

O Conselho dos Reitores das Universidades Portuguesas lançou este mês uma recomendação: os licenciados pré-Bolonha podem obter o grau de Mestre através de um ciclo de cursos de mestrado da especialidade ou realizando uma dissertação científico-profissional. Se todas as universidades aceitarem esta recomendação a ascensão a Mestre pode ser uma realidade para milhares de licenciados. Mas as ordens profissionais consideram “uma injustiça” que irá desvalorizar as licenciaturas anteriores. Bolonha errou? O que vão fazer as universidades? Aceitar a recomendação? O têm a dizer os alunos mestrados pós-Bolonha? O privados e politécnicos estão preparados?

Convidados:
António Vasconcelos Tavares, Vice-reitor Universidade de Lisboa+
Fernando Santo, Pres. Conselho Nacional das Ordens Profissionais e
Ex-Bastonário da Ordem dos Engenheiros
Guilherme Portada, Pres. Ass. Académica da Universidade do Algarve
Luís Fábrica Director, Faculdade de Direito da Universidade Católica
Portuguesa

14 comentários:

Irina disse...

Queria deixar aqui uma pergunta: E relativamente aos bacharelatos tirados na fase pré-Bolonha? Poderiam os bachareis pedir creditações para conseguir o grau académico de licenciatura? Já que tanto o bacharelato pré-Bolonha como a Licenciatura Pós-Bolonha tinham e têm como duração três anos.

waste disse...

Caros senhores,
Em minha opinião bolonha é uma falacia; passo a explicar: vivo em Ingalterra aqui ninguém conhece o título de licenciado; aqui, ou se é bacharel ou mestre, não licenciados.
Quanto às ordens profissionais, para mim são apenas uma forma de proporcionar belas vidas a alguns indivíduos e de , e também uma forma do governo se demitir das suas funcões de fiscalização das universidades, pois a susposta função das ordens devria ser o estado a desempenhar, e a não deixar proliferar estabeleciemntos de ensino superio que têm de tudo mesnos de superior. Rui Moreira

Ana disse...

Não concordo com o vosso convidado que discorda das equivalências dos licenciados do regime curricular antigo. Muitas vezes as áreas de mestrado a que se concorre incide em áreas que já foram abordadas na licenciatura e que não faz sentido repetir. Não se trata de uma discriminação em relação aos licendiados de bolonha é antes, a meu ver, uma forma de tornar os dois regimes equitativos.
Ass. Ana Barbosa

ricardo disse...

Na minha opinião, Bolonha não foi erro. Foi um avanço, uma vez que permite um reconhecimento de competências a nível europeu e é o que actualmente acontece na maioria dos países europeus. A discussão sobre as equivalências é desnecessária, uma vez que o empregador deve ter em atenção todo o perfil académico dos candidatos (as disciplinas que concluiu, se o grau é antes ou após bolonha, o nº de créditos que possui, se tem pós-graduações, quais as competências) e não apenas o grau que possui. Mo entanto hà muitas coisas a melhorar nos cúrrículos de Bolonha, nomeadamente, a adaptação das disciplinas já existentes ao correspondente nº de créditos, que na minha óptica está desajustada e deve ser uniformizada em todas as universidades.

Eva_Luna disse...

Uma problemática maior que pós bolonha ou pré bolonha, é a empregabilidade. Sou estudante universitária, por bolonha, curso de 4 anos, e é com espanto que vejo vagas a aumentar em areas sem qualquer tipo de escoamento profissional. Estatisticamente é realmente muito interessante mas é apenas isso.
Há formação académica que não é necessaria no pais. Dai a taxa de desemprego de licenciados que se regista.
Os cursos já não nos dão a segurança de empregabilidade de pré-bolonha, estar a alimentar essa discrepancia é alimentar um fosso, que nos foi implementado sem que nos fosse dada alternativa.

Eva_Luna disse...

Uma problemática maior que pós bolonha ou pré bolonha, é a empregabilidade. Sou estudante universitária, por bolonha, curso de 4 anos, e é com espanto que vejo vagas a aumentar em areas sem qualquer tipo de escoamento profissional. Estatisticamente é realmente muito interessante mas é apenas isso.
Há formação académica que não é necessaria no pais. Dai a taxa de desemprego de licenciados que se regista.
Os cursos já não nos dão a segurança de empregabilidade de pré-bolonha, estar a alimentar essa discrepancia é alimentar um fosso, que nos foi implementado sem que nos fosse dada alternativa.

Hugo disse...

Boa tarde,
Bolonha veio trazer coisas boas e coisas más, uma delas é a vulgarização dos graus. Se hoje em dia todos têm de ser Mestres para ser aceite nas mais diversas ordens, daqui a alguns anos, teremos um país cheio de doutores. Será um país com excesso de qualificações, para certa áreas.
Hoje em dia tem havido uma exploração por parte das empresas aos recém-licenciados. São os salários ridículos, para as qualificações obtidas. E ainda se assiste a outra situação mais grave, as empresas aliciam os jovens a fazer um estágio profissional em parceria com o IEFP, ficando o salário a ser pago "a meias" entre as entidades e quando esse estágio acaba, os jovens são mandados embora, e vem outro para o mesmo lugar e para a mesma situação.
Quando acabar o meu curso de Engenharia, sei que vou ter o ordenado mínimo à espera. Talvez fosse melhor trabalhar na caixa de um supermercado, tenho menos responsabilidades e ganho o mesmo!

Mara disse...

Boa tarde. Na sequência do vosso assunto, bolonha teve sobretudo uma perspectiva economicista e facilitista, no meu caso, professor, antigamente ter um mestrado era um incentivo ou seja subida de escalão. Depois de bolonha deixou de ser incentivo. É tudo uma questão de estatistica e facilitismo ! O ensino está uma lástima, os professores têm de fazer teses para justificar os níveis negativos.!
Obrigado

--
Pedro

Mara disse...

Boa tarde

Para explicar o que foi o Processo de Bolonha, nada melhor que alguém que esteja no terreno, ou seja, os alunos. Sou finalista de um Mestrado Integrado em Engenharia no IST, pelo que fui apanhado pela transição quando estava no 2º ano do curso. Resumidamente, o que Bolonha fez foi aumentar para o dobro o trabalho a realizar pelos alunos (que já era elevado) e reduzir para metade o trabalho dos professores, uma vez que foram reduzidas as horas de aulas teóricas e principalmente das aulas práticas ao mesmo tempo que se aumentaram os conteúdos programáticos das disciplinas, com fusão de duas disciplinas numa só. Assim os professores passaram a ter mais tempo livre para investigação e menos para ensinar. No meu curso, o facto de ser mestrado integrado é apenas uma alteração da designação do curso, já que para ser reconhecido são precisos os 5 anos como antes de Bolonha. Um licenciado em engenharia, com apenas 3 anos, tem uma licenciatura em Ciências de Engenharia que na prática não serve para nada.

Portanto, Bolonha é uma nulidade em termos de vantagens para os estudantes, vindo apenas aumentar dificuldades extra-aprendizagem.

Daniel Bernardo

Mara disse...

Actualmente encontro-me no mestrado de Economia e a estrutura do mestrado pós-bolonha simplesmente não se alterou face ao mestrado pré-bolonha. E ao contrario do que afirmaram no programa, Matemática é cadeira específica para acesso pelo menos ao meu curso cá na Universidade de Aveiro.
Quanto à licenciatura não perdeu sequer uma única unidade curricular específica de economia, apenas unidades curriculares associada à sociologia e engenharias.

José Ferreira

bixo disse...

Concordo perfeitamente quando dizem que se deviam avaliar competências não títulos, mas em Portugal valoriza-se muito pouco as competências (adquiridas até através de experiência profissional)mas sim os títulos.

Sou bacharel em Design pela Universidade de Lisboa mas entretanto vivi no Reino Unido onde tenho trabalhado na área da educação para a cidadania. Recentemente decidi voltar porque quero contribuir para essa área em Portugal mas tenho tido imensa dificuldade em inserir-me no mercado de trabalho porque todos os meios (estágios profissionais, INOV, etc) exigem-se sempre títulos de grau 5 (licenciatura) e ignoram completamente a minha experiência profissional.

Fala-se muito da injustiça entre antigos mestres e actuais mestres, mas então e bachareis? O grau de bacharelato simplesmente desapareceu! Não consigo ver a diferença entre o meu bacharelato e uma actual licenciatura...

paula disse...

Tenho dúvidas sobre a competência dos novos cursos pós-Bolonha, ou então os 6 anos que necessitei para me formar em Ciências Farmacêuticas foram excessivos e serviram para dar emprego a Professores Universitários. Alguém terá que "abrir os olhos" e olhar com "olhos de ver". O problema vem desde a escola primária. Cada vez se exige menos a partir das bases do ensino. Sinto cada vez mais o ensino a degradar-se e se já estamos na "cauda da Europa" em diversos campos, no caso do ensino não teremos comparação com outros países da Europa. Haja dinheiro para enviarmos os nossos filhos para estudarem no Estrangeiro.
Paula Sá,38 anos, Farmacêutica

Mara disse...

Antes de mais boa tarde, e felicito a RTP 2 por este programa e sobretudo sobre o tema que esta a ser tratado hoje. Apenas comecei a ver o programa às 14h40, mas acho que deveria tentar participar com o meu exemplo

Para mim esta é a verdadeira questão de fundo da crise económica e sobretudo social, que uma boa parte da população mais jovem tem vindo a sentir nestes últimos 5/6 anos, passa pelo temo que hoje está a ser debatido.

Sou possuidor de Licenciatura em Geografia, variante de Cartografia e Sistemas de Informação Geográfica (SIG) e pós-graduado em Geografia, na área de especialização em Geografia Física-Recursos e Riscos Ambientais.

Sem querer entrar em discussões, isso deixo para vós e para os participantes que estão nesse programa, proveito para vos dar um exemplo do mau uso dos dinheiros públicos e do tempo dos estudantes, ao nível do ensino superior.


Tenho um CV que considero que possui alguma dinâmica, esforço e investimento da minha parte, apesar de não ter tido acabado a licenciatura com uma grande nota (por motivos externos, que não adianta estar a debater aqui), penso que possuo e o CV demonstra um pouco isso algumas competências cruciais para a área de trabalho que pretendia para a minha vida profissional (nomeadamente Ordenamento do Território e Análises Ambientais).

Após este CV e chegando ao mundo Real cheguei à conclusão que não valia a pena remar contra a maré e resignar-me que o curso que tirei tem graves problemas de empregabilidade, tem excesso de oferta (era na altura Leccionado pela Universidade de Lisboa; Universidade Nova de Lisboa; Universidade de Coimbra; Universidade do Porto; Universidade de Évora), na Universidade de Lisboa entravam na altura 140 alunos todos os anos, no mundo profissional pouco são as empresas que conhecem o curso.


Actualmente, visto o panorama económico, decidi empregar-me como Motorista de Serviço Público na CARRIS, claro que tenho tido algum dinamismo, como por exemplo o 3º lugar no prémio Inovação promovido pela CARRIS


Sem tomar mais tempo, deixo aqui o meu exemplo que gostaria que fosse apresentado por vós.

Muito obrigado
Aníbal Almeida

Mara disse...

Boa Tarde,

Gostaria de manifestar a minha concordância absoluta com o Engº Fernando Santo.
Como é possível defender que as competências dos recentes licenciados ou mestres sejam consideradas no actual mercado profissional em igualdade de circunstâncias (acesso a emprego, participação em concursos públicos, formadores, etc) com aos anteriores graus com a mesma denominação, mas com formação tão distinta?!

É uma injustiça discriminar os recém licenciados, mas não é uma injustiça igualar formação de 5 anos com actuais formações de 3 anos??
De facto só é compreensível este passo como mais uma operação enganadora no nosso País. Haverá agora muito mais Licenciados!
Não interessa nada que detenham menor formação.
Assim evolui um País.

Queremos um Futuro com melhores Licenciados, melhores Mestres, melhor Doutorados, e não queremos antigos Licenciados, Mestrados e Doutorados com as suas competências diminuídas!

Parabéns ao Programa.

Margarida Torres

Arquitecta Paisagista