terça-feira, fevereiro 8

Educação de rapazes e raparigas

Num país onde há graves desigualdades de género e o insucesso escolar é superior à média da UE queremos analisar neste Sociedade Civil a diversidade educacional aplicada ao género. Rapazes e raparigas possuem os mesmos níveis de aprendizagem e capacitação para cumprirem tarefas e atingirem objetivos ou há diferenças a ter em conta? A expressão oral, a expressão escrita, a facilidade com a matemática ou o raciocínio matemático é igual em rapazes e raparigas? A escola está preparada para dar uma educação distinta a rapazes e a raparigas? Esta forma de educação poderia melhorar o sucesso escolar? Ou quem a defende tem uma visão estereotipada sobre o papel da mulher? Que casos de sucesso ou insucesso existem em Portugal e no estrangeiro?

Convidados:
Lucília Salgado, Professora ESE Coimbra
Hermínio Corrêa, CONFA
Teresa Fragoso, Presidente CIG - Comissão para a Cidadania e Igualdade de
Género
António José Sarmento, Director Colégio Planalto

8 comentários:

João disse...

João

Tanto o ensino misto ou diferenciado apresentam prós e contras. Mas julgo que deveria ser anexada ao tema a questão de se realmente a partir do ensino secundário, os jovens têm a capacidade e a razão de escolher uma das duas opções.

Bolacha disse...

quando somos crianças as meninas brincam com bonecas e os meninos com legos,assim como em relação as classes sociais as vivências são diferentes, o facto de terem gostos diferentes e serem estimulados neste sentido reflecte-se nos interesses em adultos. a educação deve ser direccionada para os alunos consoante as suas características individuais e os seus interesses.

Joana
(aluna de mestrado da doutora Lucilia)

Valente disse...

Só uma picadelinha, sem qualquer tipo de ressabiamento: Já há muitos anos que não se diz "escola primária", "professor primário"; é escola do 1º ciclo e professor do 1º ciclo. Esta alteração de nomenclatura foi-nos imposta pelo Ministério da Educação.
Quanto à educação esteriotipada menino/menina, é uma luta permanente e só o tempo vai alterando mentalidades.

Carolina disse...

O senhor António José Sarmento, director do Colégio do Planalto, deveria saber que há anos a terminologia "professor/primário" deixou de existir e passou a constar: "professor do 1º ciclo".
Obrigada!
Maria Carolina professora/aposentada.
No meu tempo sim: professora primária.
Saudações!

Alex disse...

Boas Tardes, Gostaria de perguntar aos intervenientes se já ouviram falar num estudo Norte Americano em que chegaram à conclusão que geneticamente os cérebros do homem e da mulher apesar de morfologicamente serem iguais, a nivel funcional tem pequenas diferenças enquanto o homem tem maior capacidade a nivel do pensamento abstrato teoria espacial, as mulheres tem uma capacidade superior a nível linguístico, dai terem chegado á conclusão que em turmas em que havia uma mulher e um homem juntos se complementavam e os resultados finais eram muito superiores.
Como nota final e indo de encontro ao que descrevi em cima `há um programa muito interessante no Discovery Chanel que explica porque os homens não passam a ferro (explica porque as meninas brincam com bonecas e os homens com bonecos.
Segundo o mesmo estudo refere que o ensino actual a nível mundial está vocacionado para as mulheres dai estas tirarem melhores resultados.

Alex disse...

Boas Tardes, Gostaria de perguntar aos intervenientes se já ouviram falar num estudo Norte Americano em que chegaram à conclusão que geneticamente os cérebros do homem e da mulher apesar de morfologicamente serem iguais, a nivel funcional tem pequenas diferenças enquanto o homem tem maior capacidade a nivel do pensamento abstrato teoria espacial, as mulheres tem uma capacidade superior a nível linguístico, dai terem chegado á conclusão que em turmas em que havia uma mulher e um homem juntos se complementavam e os resultados finais eram muito superiores.
Como nota final e indo de encontro ao que descrevi em cima `há um programa muito interessante no Discovery Chanel que explica porque os homens não passam a ferro (explica porque as meninas brincam com bonecas e os homens com bonecos.
Segundo o mesmo estudo refere que o ensino actual a nível mundial está vocacionado para as mulheres dai estas tirarem melhores resultados.

Tiago disse...

Do meu ponto de vista, a proposta de escolas com ensino diferenciado no género inscreve-se no âmbito de possibilidades variadas da oferta educativa que cada indivíduo, de acordo com as suas convicções pessoais, poderá escolher.
Pela minha p...arte concebo a escola como um espaço alargado de aprendizagens: científicas, psico-cognitivas e socio-culturais. Recuso a escola que se resume a um espaço de instrução especializada. Uma fornalha de talentos...
A pluralidade, o confronto de perspectivas e modelos parentais/familiares é uma riqueza para o desenvolvimento de qualquer pessoa. A própria superação das dificuldades genéticas ou socio-culturais afigura-se como um desafio altamente enriquecedor que cada aluno ou aluna deverá afrontar. É esse o sentido fundamental de qualquer aprendizagem: resolver/integrar um novo problema através de esquemas pessoais previamente adquiridos.
A tarefa da escola, particularmente, do(a) professor(a) será facilitar aprendizagens, ou seja, proporcionar os melhores meios para a sua prossecução. Separar fisicamente numa escola os indivídiuos com base no seu género é uma redução perigosa. E se, porventura, o sucesso cognitivo, ou académico daí resultante se verificar, seguramente que no plano das competências psico-socio-afectivas haverá uma amputação.
Neste sentido, a diversidade de género em contexto escolar é uma mais valia para os alunos e alunas na medida em que lhes possibilitará uma preparação objectiva e subjectiva para a sua vida em sociedade.
Como sou professor em exercício numa escola pública devo dizer que me oriento pelo principio da diversificação de estratégias e adaptação dos modelos didácticos ao perfil dos alunos e alunas que encontro. Todavia esta diversificação não implica uma divisão física do espaço de aula. Apenas uma gestão proactiva da multiplicidade psico-socio-cultural que aí se encontra. E é esta a felicidade da minha profissão

Instituto da Inteligência disse...

Antes de mais permitam-nos dizer que o que conta não é tanto a relação rapaz/rapariga no contexto escolar mas a relação aluno/aluno (independentemente do sexo) e os seus efeitos no aproveitamento académico. Os problemas é aí que estão pois as diferenças individuais entre os alunos são muito maiores do que as diferenças entre rapazes/raparigas (ou alunos/alunas).

O que "separa" rapazes/raparigas é, por isso, muito menos importante e crítico do que as diferenças dos alunos entre si, seja qual for o sexo. São, por exemplo, diferenças de personalidade, diferenças de comportamento, diferenças de opções, diferenças socioculturais, etc. E são essas que têm reflexo nos aproveitamentos, não o género a que pertencem.

Muitas das diferenças entre rapazes e raparigas nas escolas - se bem que existam por razões mais socioculturais do que biológicas - valem menos, sob o ponto vista pedagógico, do que as diferenças - por vezes abismais - entre cada um dos alunos.
Nelson S Lima
Investigador na EURADEC
Ass.Europeia para o Desenvolvimento da Educação (Berlim)