quarta-feira, março 16

Infidelidade nas redes sociais

O único estudo em Portugal sobre as relações e a internet revela que 75,4% das pessoas casadas ou com um compromisso tiveram uma relação íntima através da internet e que muitos destes casos chegaram a um encontro real. Para além deste levantamento, a realidade demonstra que chegam cada vez mais aos escritórios de advogados casos de divórcio com origem em infidelidades através das redes sociais. O perfil dos cibertraídos ou cibertraidores é o de cidadãos comuns que têm acesso a redes sociais, casados há mais de uma década e com um ou dois filhos.
Mas são as redes sociais que originam mais casos de infidelidade? Ou apenas apressam o processo?

Convidados:
Cláudia Casimiro, Investigadora CIES-ISCTE-IUL
Paulo Querido, Jornalista
Luís Miguel Neto, Prof. da Fac. Psicologia – UL
Paulo Veríssimo, Prof. no Departamento de informática da Fac. de Ciências da UL - especialista em segurança informática

5 comentários:

Carlos disse...

As pessoas separam-se porque as suas relações chegaram ao fim. Com trinta anos vi-me ficar sozinho e a internet possibilitou-me conhecer mais pessoas que partilhavam os mesmos interesses que eu, e algumas vieram para o mundo real e fazem hoje parte da minha vida. Cabe a cada pessoa usar a net como se acha melhor mas uma relação sólida nunca, a meu ver, será abalada pela net - será mais, por exemplo, como o seu convidado referiu no local de trabalho.

azulmar disse...

Boa tarde, não me levem a mal mas prefiro não me identificar.
Sou de Setúbal, tenho 35 anos e sou do sexo feminino.
Relativamente a esta questão que está a ser debatida, tenho a dizer o seguinte:
As redes sociais são de facto impulsionadoras de novas relações, e na verdade existe uma certa adrenalina nas relações estabelecidas através destas redes. Acredito que existam muitas relações que sofram consequências negativas por causa das redes sociais. No entanto, para mim a grande questão está no uso que cada um quer dar às redes sociais. Eu própria, que estou numa relação, já senti o tentar aproximar de uma outra pessoa do sexo oposto através do chat do f.book, mas sendo que estou numa relação e também por respeito ao meu namorado, nem sequer alimento esse tipo de tentativa de "flirtar". A minha conclusão é que numa relação, tem de haver respeito pelo outro, e também nas redes sociais, ainda que o outro não saiba do que se passa no f. book do namorado(a, tem de haver esse respeito e devemos ser capazes de naõ perder a noção dos limites.
Obrigada pela vossa atenção

Carlos disse...

Falando do facebook eu gostaria só de acrescentar de que há uma espécie de cyber-bullying sobre quem não tem facebook como é o meu caso. Principalmente no ano comecei a ser agressivamente pressionado para me registar, e acreditem que chegam a ser bastante agressivos. Em jantares de amigos passam muita vezes o tempo a falar do que se passa na rede social o que me desagrada tremendamente. Depois acontece, como ainda à duas semanas, conheço uma mulher num bar, por amigos comuns que quando me vinha em embora me diz "adiciona-me no facebook". Curioso como as coisas vão mudando!!

Cumprimentos,

Carlos Pinto

Dustspell disse...

Primeiramente se deve discutir as redes sociais e suas derivantes de dentro para fora e não o seu inverso e porquê?
Porque o cyberespaço é justamente o reflexo das virtudes e das fragilidades das sociedades modernas e geralmente na sua plena forma...

A internet anada cria somente espelha a realidade e segundo os temas debatidos no programa , a internet nada mais é que a procura sem nunca procurar , o deslumbramento,...Mas se o individuo não apreender a usar essa ferramenta de infinitas possibilidades , essa mesma ferramenta se tornará algo abstrato(O tal vazio) sem qualquer praticabilidade na realidade e personalidade do individuo...

Enfim a internet não cria somente revela , quando possibilita uma total liberdade de movimentos, sejam eles concientes ou inconcientes...

Porque é esta mesma sociedade que bloqueia , o crescimento pela a auto-evolução , esquecendo valorizar/incentivar a diferença , quando pelo o contrário dita as formas..E depois especulamos dos porquês da internet , como se fosse um fenómeno...

Antes da internet , já existiam mundos paralelos , devido ao ainda mesmos problemas...

Mara disse...

Sou estudante de sociologia no ISCTE e estou precisamente no âmbito de um
trabalho de cadeira a desenhar uma pesquisa sobre a Infidelidade online.

Uma das primeiras dificuldades nesse trabalho consiste precisamente em definir
aquilo em que consistem os comportamentos infiéis:

- Será que uma simples troca de piropos nas redes sociais consubstancia um
comportamento infiel?
- Será que uma interacção nas redes sociais pode ser satisfatória em si mesma,
ou que é entendida pelos seus praticantes como um estádio preliminar para um
relacionamento subsequente e presencial?
- Serão os relacionamentos online fora da relação socialmente menos condenados
do que os que ocorrem presencialmente?

Mas claro que mais interessante do que tudo isto está o grande paradoxo da
fidelidade que constitui um valor que nega de certa forma a sua principal razão
de existir. Ou seja, a fidelidade existe porque as pessoas têm a noção de que as
relações que estabelecem não estão garantidas à partida. Resta saber é se são
mais sólidos os relacionamentos baseados no contrato da fidelidade ou aqueles
que não impondo rigidamente esse paradigma se alicerçam numa construção
permanente da relação e que não nega as constantes solicitações da que os
parceiros da relação estão sujeitos.

Ecologicamente a fidelidade baseia-se numa estratégia de perpetuação genética
através duma redução dos conflitos e das energia consumida quer na aquisição,
quer no manutenção de parceiro com o qual se pretende procriar. Actualmente, e
tendo em conta que os relacionamentos já ultrapassaram em muito essa simples
dimensão biológica, é natural que lentamente o paradigma da fidelidade se vá
redesenhando.

Cumprimentos

Alexandre Vaz