terça-feira, maio 7

Distúrbios alimentares



Anorexia e bulimia são os distúrbios alimentares mais conhecidos, mas existem outros quadros clínicos menos frequentes, como a voracidade alimentar e a obesidade mórbida.
Os números da anorexia estabilizaram e os da bulimia diminuíram nos últimos 20 a 30 anos. Um avanço que em boa medida se deve ao aumento das consultas da especialidade. Por outro lado, a obesidade, nomeadamente a infantil, tem aumentado de forma alarmante, equiparável a uma epidemia.
A que devem estar atentos pais e educadores? Como se desenvolvem estes quadros clínicos? Que influência tem a publicidade?
Há tratamento para os distúrbios alimentares ou é uma doença para a vida?

1 comentário:

Patrícia Pereira disse...

Há tratamento. Mas nem toda as as pessoas têm posses económicas para ter consultas de psicologia. Os acordos com os sistemas da função pública estão a acabar. Os hospitais têm uma lista cheia de pessoas, em que uma consulta leva meses devido à quantidade de pessoas inscritas. Poderão afirmar que a solução está no privado, mas não, nem toda a gente pode pagar 80 euros por uma consulta.
A publicidade, por sua vez, tem por trás o claro interesse económico de vender. O objectivo não é ter uma população saudável: é encher os bolsos com dinheiro. Por outro lado, se se investisse na educação, a população se calhar saberia alimentar-se de uma outra forma. Mas nada é feito, e repito, por interesse.
Pais e educadores podem ter um papel crucial no apoio aos seus filhos e educandos, mas os pais muitas vezes têm dificuldade em estar atentos a tantas esferas da sua vida, uma vez que por vezes chegam a casa muito tarde, e nem tempo nem "cabeça" têm para ir fazer o jantar.
A sopa pode ser uma boa opção, pois uma panela que seja feita é barata (dentro daquilo que, pessoalmente, considero ser barato, pois esta questão pode ser também relativa), e pode durar a semana inteira se for posta no congelador.
Mas está em causa uma outra questão: a de como ter uma acção continuada, um papel de observação no comportamento da criança. Não nos podemos esquecer que tudo isto se processa dentro daquele que é o contexto social - as crianças por vezes podem ter estes problemas devido a outros, como o fenómeno de bullying ou até a própria falta de atenção por parte dos pais. Este problema pode ser uma bola de neve, aquilo a que sociologicamente lhe chamaríamos efeito de Mateus.
Assim, esta situação teria grande probabilidade de ser resolvida se se prestasse atenção a outras dimensões, que levariam a que esta se resolvesse mais facilmente - tempo para os pais auxiliarem os filhos, um maior investimento na educação alimentar, debates públicos em que as crianças também participassem. Estas e outras são "soluções" não são fáceis de concretizar, devido à lógica que se instalou no nosso país.