sexta-feira, novembro 3

MUDANÇAS NO ENSINO SUPERIOR

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior foi o único contemplado pelo Orçamento de Estado com um aumento de verbas. Como será aplicado este dinheiro? Que mudanças se fazem sentir devido ao protocolo de Bolonha? Resultados práticos da entrada do MIT em Portugal?

4 comentários:

Teresa Bastos disse...

Tenho o bacharel em enfermagem, desde 1997, entretanto tirei uma licenciatura em Relações Internacionais. Não tive oportunidade de fazer o 4º ano de complemento para a licenciatura em enfermagem até há um ano atrás. Agora procurei vagas em escolas de enfermagem públicas no Porto, e não há, nem me sabem dizer se abrirão novas vagas. Questionei a Ordem dos Enfermeiros que remeteu para as Escolas... E a Declaração de Bolonha, prevê que o curso de enfermagem passe a ter 3, 4 ou 5 anos de base?

Daniel Cardoso disse...

Agradecia que não fizessem publicidade barata ao processo de Bolonha, escondendo a realidade dos factos.

Falo de experiência própria: a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas adoptou para calendário escolar de Bolonha aquele que as outras faculdades estão a abandonar. Para além disso, ainda subiu a carga horária. A FCSH tentou também impor restrições a inscrições em disciplinas a um máximo de cinco por semestre - os estudantes tiveram que boicotar as propinas para conseguir alguma flexibilidade.

A aplicação do processo de Bolonha, tanto nesta faculdade como em muitas outras, tem sido um desastre organizacional. Este ano, muitos serão os alunos que não poderão terminar porque existe uma saturação do mercado em termos de estágios (já que na prática acabam um mesmo curso dois anos ao mesmo tempo). Os meios de comunicação, por outro lado (e eu estou no curso de Ciências da Comunicação, variante de Jornalismo) calam todas estas coisas porque não correspondem aos sagrados "valores-notícia". Por outro lado, se no meu curso há falta de professores, noutros da minha faculdade há (vários) professores a dar a mesma disciplina a dois ou três alunos cada um...

Fátima Lopes disse...

Boa tarde! Gostaria que me esclarecessem no programa decorrente se as propinas ao nivel do ensino superior irão aumentar, visto que o meu curso é engenharia civil na Universidade de Aveiro e Bolonha irá incluir mestrado integrado!! Esta resposta ainda não me foi totalmente esclarecida e é também importante focar que este genero de assunto, pois as propinas são elevadas, estão na casa dos 1000€ anuais. No entanto, também gostaria de saber porque algumas engenharias não têm estagio associado ao curso, haveria assim uma melhor formação PRATICA!!

Anónimo disse...

Caros,

O aumento no ministério não contempla o ensino superior, pelo contrário, existe um descréscimo de 6%. O aumento é exclusivamente para a investigação. Porém apenas um par de docentes, alunos e empresas terão contacto com ess valor. Os acordos com MIT e CHU são uma excelente propaganda, mas o país real, o português comum, não irá usufruir desse investimento. Cria-se um grupo elitista que muito irá receber, ao contrário do resto do ensino superior ou mesmo da sosciedade.

Mas coloco uma questão pertinente: devemos centralizar o ensino superior nas grandes cidades e obrigar a deslocalização das pessoas, ou, permitir que em locais onde se justifique, onde potênciais alunos (jovens ou pessoas já de família, com empregos a tempo inteiro) pretendam continuar a sua formação, mas, por várias restricções não se podem deslocar, criar polos de ensino superior? Notem que hoje em dia as pessoas não se podem dar ao "luxo" de se deslocar durante alguns anos da sua vida e sem qualquer rendimento simplesmente estudar. Por outro lado deslocar as pessoas para o litoral implica uma imediata dessertificação do interior, pois raramente existe retorno às suas origens. Será que as Universidades e Politécnicos do litoral devem asseguar a leccionação do ensino superior em Portugal? Têm capacidade? O ensino superior em massa é rentável?

Agradecia a discussão destes dois tópicos.

Grato pela atenção.
João Silva