segunda-feira, novembro 5

FAMÍLIA BIOLÓGICA VERSUS FAMÍLIA DE AFECTOS

Começa este mês o contacto semanal de Esmeralda com o pai biológico – este impasse permitiu aos médicos concluir o acompanhamento da criança e reduzir os sintomas de ansiedade, provocados pelo contacto com adultos desconhecidos.Este caso mediático – que apaixona e divide a opinião pública – abriu o debate sobre a importância das famílias biológicas e das chamadas famílias afectivas.
Neste Sociedade Civil queremos também falar sobre crianças institucionalizadas mas impedidas de seguirem para adopção porque os pais as visitam, de acordo com a lei, mas os laços de afecto ficam de fora destas relações burocráticas.
Muitos juristas defendem que as crianças devem ser sempre entregues à família biológica, outros que devem ser entregues ou permanecer com a família de afectos. Há, no entanto, uma ideia comum: devem decidir consoante o supremo interesse da criança. E quem sabe qual é?

19 comentários:

RUTE disse...

Gostava muito de saber o que é preciso para ser uma familia de acolhimento.

Ou se há a possibilidade de dar um pouco desta nossa vida de familia feliz a uma criança que não a tenha.

Mas depois penso:

não podendo eu adoptar uma criança definitivamente (por vários motivos económicos e não só) seria justo dar apenas um pouco a estas crianças??!!

Retirá-las de vez em quando do lar, mas depois voltar a "devolvê-las" ao lar?

Será que a criança entende que mais vale pouco do que nada?

E assim vou-me ficando pela indecisão :-S

Sara disse...

Bom dia!

Uma vez que a criança é adoptada por uma família onde é bem tratada e existe amor familiar (ou porque os pais biológicos a deram para adopção ou então porque foi abandonada pelos pais ou lhes foi tirada a sua guarda ou qualquer outra situação semelhante), penso que a criança nunca deve ser retidada a essa família que a acolheu só porque os ou 1 dos progenitores resolve ficar com ela. Não faz sentido! Uma criança não é um brinquedo nas mãos de ninguém.

Só concordo que seja retirada à família de acolhimento se não for bem tratada ou se a família não tem condições suficientes para lhe garantir o básico. Mas neste caso não quero dizer que volte para a família biológica, só deve voltar para a família biológica se esta tiver condições e amor para dar e, se não tiver, espera-se que outra família a adopte. O importante é o seu bem estar!

No caso da Esmeralda, se ela tiver que ficar com o pai biológico haverá uma ruptura enorme, o rompimento de uma família feliz, doa laços de amor criados, de toda a estrutura familiar contruída. Isso obviamente traduz-se em graves sequelas sobretudo para a criança. A lei não está a pensar no seu bem estar, na sua integridade psicológica e quem sabe física.
Independentemente do pai biológico poder ou não ser uma boa família para a menina, ela passou a ser filha daqueles que com amor a criaram e não lhes deve ser arrancada.

?? Gostava de saber, em média, quanto tempo se espera por poder adoptar uma criança a partir do momento em que nos candidatamos a tal: para adopção de crianças até aos 3 anos e crianças com mais de 3 anos (cujas adopções são infelizmente mais raras)?

Anónimo disse...

Crianças estarem instuticionalizadas e sem pais ou familia para as apoiar/cuidar delas, representa um sério trauma para o desenvolvimento psicológico e afectivo da criança, que afectará tudo o resto.


Na questão dos pais, apesar de o laço de sangue por vezes ser forte (talvez igualmente por questões instinctivas), mais importante do que ser somente o pai/mãe biológica que por vezes nem sequer querem saber de seus filhos, são os pais que cuidaram e criaram da criança durante anos ou toda uma vida, pois mais fortes que os laços genéticos, são os laços de amizade, carinho e amor.

Para além disto, mais importante do que a opinião dos adultos sobre com quem acham que a criança deve ficar mais tempo, deve ser sim a opinião da própria criança mediante a sua vontade e seus sentimentos para com a família.

Em casos em que haja pais biológicos e afectivos, sempre que possível deve ser permitido que a criança possa estar em contacto com ambos e desenvolver os seus laços afectivos de forma natural, sem restringimentos do tribunal (por incompetência, arrogância) ou de adultos (por ciúmes, vingança, etc). O que interessa é sempre o que é melhor para a criança.

carpe diem

Anónimo disse...

Esta minha mensagem é dirigida principalmente ao Sr.Dr.Luis Vilas Boas, responsável pelo "refúgio" e só para lhe transmitir que os dois meninos(irmãos)de côr que foram adoptados por um casal do Norte vão ter muito carinho. Hoje encontrei a Avó que estava feliz e muito emocionada dizendo-me que tinha 3 netos- sim um da filha e dois do filho-adoptados há poucos dias, e aqui os olhos ficaram cheios de lágrimas!
Que bom para eles e para os Pais que os procuraram.
Um abraço especial para esta obra.
Maria
Póvoa de Varzim

lady_blogger disse...
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lady_blogger disse...

Uma criança creio que preferirá ser encaminhada para uma família de afectos em vez de continuar numa instituição de acolhimento, contudo muitas vezes quererá manter os laços com a família biológica. Falo com conhecimento de causa.

CC

Maria Mendes

Gil Montalverne disse...

Sou um caso semelhante ao da pequena Esmeralda. O Dr. Villas Boas conhece bem o meu caso e pode citá-lose ele assim estender. Com 2 meses fui para casa dos que sempre foram por mim e não só considerados meus Pais e quando tinha 10 anos, nas tentativas de aproximação do p. biológico sofri muito. Imagine-se o que será com a Esmeralda com 5/6 anos! Tal não foi conseguido felizmente pelo p. biológico. Os pais da Esmeralda são os que a criaram e lhe deram amor e afectos e não quem agora aparece reclamendo o seu direito à Esmeralda. Desejo ardentemente que ela fique com os Pais que a criaram. Estou `vossa disposição.

Anónimo disse...

Na reportagem reconheci a mãe(Leonor Matos) do menino que morreu em Angola e que toda a gente acompanhou com tanta emoção.
Um abraço grande para ela e oxalá estes meninos possam ser muito felizes com ela e ela também possa usufruir de uma felicidade merecida.
Maria

Anónimo disse...

Boa tarde!
Em primeiro lugar queria dar os parabéns pelo excelente programa.
Penso que o facto de uma criança ser mais adoptável do que outra pode muitas vezes não ser um problema para os "pais" que a querem adoptar mas também na família onde estes se inserem. Por exemplo, uns pais podem querer adoptar uma criança de côr mas porque a sua própria família não os acolheriam bem, estes acabam por desistir dessa possibilidade e pedem um "perfil" mais adaptado aos padrões da família.
Ália Montes, Vila Nova de Gaia

RUTE disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Sofia
Olá boa tarde.
Antes de mais gostaria de dar os parabéns pelo programa e aproveitar a presença do Dr. Villas Boas no programa, para perguntar como é a situação das crianças com Sida no Refúgio Aboim Ascensão.
Continuação de um bom trabalho.
Sofia

RUTE disse...

Fernanda, quando falei de poder partilhar a minha vida peridicamente com uma criança, não me estáva a referir a receber algo por isso. Pois sei que há familias de acolhimento que recebem X por uma criança.

Simplesmente como tenho uma filha, acho que era positivo proporcionar a essa criança o mesmo que dou à minha, ida ao cinema, ao teatro, ao parque, um piquenique, beijinhos, abraços, uma história ao deitar, guloseimas, etc...

Ana disse...

Boa tarde a todos. Eu e o meu marido temos em andamento um processo de adopção. Estou à espera à cerca de três anos, a contar com as entrevistas que demoraram quase um ano. Não é fácil esperar sabe-se lá quanto tempo mais... Gostaria de saber se no nosso caso é possível sermos família de acolhimento mas dada a situação que ficássemos com a criança acolhida, talvez assim conseguíssemos ter uma criança mais cedo.Gosto muito do programa parabéns e obrigada.

Opinião Masculina disse...

Antigamente os casais tinham filhos em grande número, que as desgraçadas das mulheres mais pareciam umas "vacas parideiras", o que era uma desgraça, chegavam a abandonar muitas dessas crianças na chamada "roda", era aí que outros iam buscar filhos porque não os conseguiam ter ou porque queriam ter mais tarde "braços" para poderem trabalhar em beneficio próprio, após tanto tempo, pareçe que voltamos a ter defensores desse tipo de actuações, como a Doutora Maria Barroso e o Doutor Villas Boas, ultrapassando a lei pela direita, o que é vergonhoso.

Anónimo disse...

Tenho já dois filhos maiores e tenho pensado muitas vezes em acolher uma criança aos fins de semana. Tenho muito medo de criar falsas expectativas na criança alvo desta situação e por outro lado receio que não tenha capacidade suficiente para disponibilizar tudo o que dei afectivamente aos meus filhos e que continuo a dar.
E estas dúvidas vão fazendo protelar um desejo que não sei se será honesto experimentar.
Um abraço e parabéns pelo programa e pelos convidados.
Ana

Anónimo disse...

Existem crianças mais bem amadas por uma familia adoptiva, que pela familia biologica!

Quantos e quantos pais, lutaram e lutam, pela adopção duma criança, que jamais poderão concretizar biologicamente?
Será que esses pais vão amar essa criança de maneira diferente?
Bem, acredito que não.
Sou a favor, no caso da Esmeralda, que essa criança seja deixada aos cuidados dos pais adoptivos, pois forma eles que estiveram sempre ao lado dela, nos bons e nos maus momentos. A criança já adoeceu, concerteza. Quem cuidou dela com todo o amor? E as noites mal passadas? Quem sofreu com elas?
Na minha opinião, o pai biologico deve visitar a sua filha sempre que desejar, mas deixem que ela cresça e ai sim, poderá decidir o melhor para ela.
Obrigada pelo programa.
Carla
Viseu

Anónimo disse...

O senhor Doutor Juíz Rui Rangel, pesssoa de quem muito prezo, tem razão, às vezes as crianças são consideradas autênticos troféus, o que é mau, e como ele mesmo disse em classes mais abastadas, o que é mau para a criança, foi o que aconteceu com o Sargento Gomes com a pequena Esmeralda, com a acessoria de algumas pessoas, de entre as quais duas que aí estão, mesmo atropelando a lei. Queria lembrar que o tribunal decretou a entrega da Esmeralda ao pai, quando esta ainda não tinha 2 anos de idade.

fernando sequeira disse...

Na sequência de um divórcio, deixei de ser pai.As tradicionais regulamentações conferem-me o direito de visitar a minha filha em fins de semana alternados,15 dias de férias no Verão,1 dia no Natal e 2 dias na Páscoa.Nunca foi cumprido.Para ver a minha filha percorro 3 vezes por semana 150 Km.Vejo-a no meio das grades da escola, nos intervalos das aulas.Meti um processo em Tribunal FM do Seixal e estou à 3 anos à espera.Será a minha filha um protótipo da criança do futuro?Quem são os responsáveis?

Anónimo disse...
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