terça-feira, fevereiro 12

Corrupção em Portugal


O recém eleito bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, afirmou publicamente que "existe em Portugal uma criminalidade muito importante, do mais nocivo para o Estado e para a sociedade, e que andam por aí impunemente alguns a exibir os benefícios e os lucros dessa criminalidade e não há mecanismos de lhes tocar. Alguns até ostensivamente ocupam cargos relevantes no Estado português". Na sequência destas declarações, foi instaurado um inquérito pela PGR devido à gravidade das afirmações e da repercussão social das mesmas.
Agora, mais do que provas destas acusações, os portugueses querem saber onde existe corrupção, em que instituições e, acima de tudo, quais as formas de a combater. Todas as explicações no SC de hoje.

25 comentários:

lady_blogger disse...

Como se os portugueses já não soubessem onde há corrupção...

Mas ainda bem que há alguém conhecido que fala sobre isto, pois quem melhor que o bastonário para estar a par dos tipos de criminalidade que se "circulam" entre nós.
Marinho Pinto, certamente não proferiu tal afirmação da bocva para fora ao desbarato. Ele sabia que chamaria a atenção da comunicação social e do público em geral.
Acho muito bem que estas coisas a serem verdade sejam reveladas em praça pública e sobretudo que sejam punidos os prevaricadores.
Defendo também que nenhuma profissão deveria conferir impunidade, incluo aqui os cargos políticos.

Eu mesma fui vítima de um crime há 2 anos e perante a existência de provas nada tem sido feito. Eu chamo a isto crime maior, porque havendo provas de quem eram os criminosos e não os prender ou punir de algum modo, é ser tão criminoso ou mais que quem cometeu o crime inicialmente. A morosidade dos processos por vezes é a melhor desculpa, porém muito esfarrapada...
E a criminalidade maior ou menor parece continuar a compensar e consequentemente aumenta em todos os estratos sociais.
A corrupção não é característica dos pobres ou dos ricos, mas sim de todos os que não têm princípios.

CC

Maria Mendes

jon disse...

infelizmente existe muita corrupção em Portugal, a começar mesmo pelo "topo" do governo, pelos supostos pseudo-engenheiros.

Existiu e existe corrupção na questão das clinicas de aborto, na questão do fecho de escolas, hospitais, maternidades e centros de saúde para logo que estes fecham, abram outros no seu lugar mas que são privados, igualmente existe uma clara corrupção nos interesses para construir um novo aeroporto, interesses para destruir zonas de REN (reserva ecológica) para construir casas, etc etc etc...

É muito derivado a esta corrupção que o desenvolvimento economico e social do país fica muito aquem do esperado, provocando graves desigualdades e probreza.

Basta ver paises do norte da europa, que são dos que menos corrupção têm a nivel mundial e que são por isso os melhores paises para viver no mundo.


Corrupção é um cancro, e os principais intervinientes são os politicos e os empresários.

ere disse...

Boa tarde,
não sejamos ingénuos, a corrupção existe e está para ficar. Não é necessário estar em altos cargos para saber o tipo de corrupção que existe, basta estar atento às noticias. Olhem para a nossa principal indústria, o sector da construção e começem a verificar os financiamentos aos partidos, as adjudicações de empreitadas efectuadas de forma subjectiva, etc.. Investigando as áreas do futebol, da função pública em particular autarquias e o sector da construção teriamos já muito para fazer e por muitos anos!! Espermos que aparecem políticos sérios e juizes com coragem. Sou um democrata, mas digo que prefiro uma ditadura séria a uma democracia corrupta.

Joao fernandes disse...

De facto,a corrupção está em todo o lado e com o debate esclarecedor de ontem na RTP1, foi prova disso, tal como os argumentos apresentados por todos os intervenientes no painel, mas não ouvi falar de soluções ou modificações claras ao funcionamentodo sistema judicial, ou mesmo sua organização, o que significa que este problema além de tentar ser uma prioridade de todos , não é passivel de ser resolvido no seu imediato.
Posto isto, queria saudar mais uma vez o dr. António Marinho de Pinto, bastonário da ordem dos advogados, como já o fiz pela sua coragem e atitude perante a " podridão" do sistema judicial em Portugal e citar uma frase ouvida ontem que me parece bastante oportuna nesta fase de discussão do problema da corrupcção em Portugal,pelo DR.Hespanha, " a ocasião faz o ladrão, mas nos dias que correm e com a impunidade e facilidade como as coisas são feitas pode-se dizer que o Ladrão é que faz a ocasião",excelente frase para caracterizar o sistema judicial e a forma como certos advogados e politicos conseguem contornar as leis, e ainda sairem impunes de situações calamitosas e vergonhosas, o que é feito da ética e deontologia que tanto é ensinada e nada posta em pratica por aqueles que a deviam aplicar devido as responsabilidades que exercem sobre o sistema e a sociedade civil???
Mas que bela educação e formação é dada a estes "senhores" que ostentam poder e ignorância, mas mostram um sentido de " grande responsabilidade", ao desafiarem o sistema e sociedade civil com as suas "patranhas" rudes e rudimentares só para conseguirem ter protagonismo mediático e serem consideradosuns senhores, estou claro a referir-me aos politicos advogados que fazem as leis e a todos aqueles que são corruptos descarados e nada lhes acontece...e citando Scolari, " e o burro sou eu"...Continuação de um bom trabalho...João Pedro SampaioFernandes

EviL disse...

Por terem conhecimento, seria de elevado valor a comunicação social denunciar quem eram os 2 donos dos terrenos da OTA comprados ao preço da chuva (1 ex-Presidente da Républica e outro ex-Presidente da Assembleia Nacional) antes de os venderem por uma fortuna a uma grande firma de advogados.
Já não há nada a fazer mas pelo menos permite aos portugueses conhecer melhor os seus políticos.
Óbviamente não iriam comprar sem garantias, agora que nada será feito o contribuinte pagará a factura na mesma... como é habitual.

ere disse...

Culturalmente ainda estamos a precisar de dar o salto pois continuamos brandos e coniventes. Faltam valores que afirmem a seriedade e levem as pessoas a sentirem que a corrupção é um mal e não algo de que se possam vangloriar por se acharem "espertos" e terem conseguido realizar o acto sem serem "apanhados". Ainda estamos na cultura do "o policia é mau" e ser esperto é contornar a lei a autoridade do estado. A corrupção tem de se combater com uma formação das gerações mais jovens desde a mais tenra idade.

ere disse...

Será verdade o que se falou à uns anos que se Portugal tivesse menos corrupção poderia estar com um nível de desenvolvimento equivalente ao da Finlândia?? O nosso país não é economicamente pobre, o seu pior recurso é infelizmente o de quadros dirigentes que são mal formados e mais vocacionados para o interesse pessoal o que torna a corrupção inevitável.

Águazêda disse...

Como bem lembrou ontem o Prof. António Manuel Hespanha, no Prós e Contras de ontem, o facto de a maioria dos deputados serem juristas e ao mesmo tempo exercerem nos grandes escritórios de advogados, leva a que estes deixem buracos na lei, que lhes permitem arrecadar fortunas em pareceres jurídicos ou a instruirem os seu clientes a contornarem a lei.

Águazêda disse...

Daí vem um fonte "natural" de corrupção. A prova é o facto de muitos situações que são consideradas imorais e reprovaveis pela opinião pública e publicada, serem muitas vezes legais.
Razão tem igualmente o bastonário da Ordem dos Advogados, quando defende que estes devem estar fora do Parlamento.

Paulo Sempre disse...

O corrupto, actual, para os seu «botões»:
" realizarás todos os teus actos na sombra, em silêncio, sem provas, sem testeminhas, longe de documentos e especialmente ao largo de telemóveis"
Abraço

ere disse...

A corrupção é sem dúvida um cancro, mas a vontade política para atacar este cancro está ainda muito longe de ser a mais activa. Está e tal modo enraizada que os meios necessários para se poder atacar o mal de forma efectiva não são disponibilizados. Os governantes sabem perfeitamente da falta de meios e da inoperância das autoridades para actuar de forma expedita. Infelizmente os meios tardam e não se cria um SIMPLEX para que os casos detectados sejm averiguados em tempo útil passando a mensagem que quem recorrer à corrupção será apanhado e levado à justiça rapidamente. A mensagem que tem de passar é a que não existe impunidade.

ere disse...

a corrupção em Portugal tem o famoso lema de "roubar não é feio, roubar e ser apanhado é que é!"

j disse...

Aconselho os portugueses a não irem votar nas próximas eleições, ou votarem nulo (traço em todos).

Sobre corrupção e politicos não quero falar, todos os portugueses já têm informação sobre isso, se não o têm deviam ter, está á vista de todos, é mais vísivel que o tráfico de droga.

Se não existissem corruptos passivos, não existiriam corruptos activos.

Águazêda disse...

Se exigem a um merceeiro que tenha uma registadora, porque não o exigem aos advogados.
Quando se trata de um particular, a perqunta tem sempre a mesma resposta: Se quizer recibo são mais 21%. Claro que toda a gente prefere sem recibo, uma vez que fica 21% mais barato.
Onde depositam os advogados esses valores?
Não será esta uma forma de corrupção?
Só quem lida com as leis poderá acabar com esta praga.

carlos disse...

A corrupção, apesar de ser constantemente falada, muitas vezes constatada e inúmeras vezes discutida, conta não apenas com a anuência das autoridades mas também com a passividade dos cidadãos. Trabalho numa Câmara Municipal e acompanho como técnico obras promovidas pelo meu município e constato com uma enorme frequência que a corrupção é uma atitude imutável, sendo de tal modo grave e atentatória que a tentativa de agir correctamente ganha o rosto, sempre, de incompetência e burocracia desnecessária. O establishment identifica, quando se procede de acordo com a lei e de acordo com as melhores atitudes de senso comum e responsabilidade pública, as boas práticas como burocracia, apesar de saberem muito bem que não é disso que se trata. Julgo que as práticas de corrupção estão de tal modo intrínsecas na nossa sociedade que neste momento é crónica. Cabe a cada um de nós agir.

Paulo Sempre disse...

Para a prossecução dos seus desígnios, os corruptos empregam uma série de estratégias complexas e agressivas, que difícilmente um Estado de Direito Democratico - caso de Portugal - terá mecanismos de invistigação criminal capazes de fazer frente.
Abraço

Joao fernandes disse...

A questão da corrupcção já é debatida e uma realidade nas gerações mais jovens, só pelo facto de não poderem exprimir opiniões ,convicções directas e objectivas, ou mesmo não serem ouvidas, levam a que a intervenção pública não seja levada a sério e que a participação neste processo de divulgação ou mesmo de expressão singular muitas das vezes não seja conseguida e de grande impacto e relevância, logo a confiança na justiça e no poder politico encontra-se degradado e repudiado por estas novas gerações.

António disse...

Trabalhei em 87 numa Empresa a primeira (dizia-se) em Portugal, com sede em Coimbra que funcionava em rede, era uma base de dados sobre básicamente legislação e jurispridência. Depois disso apareceu a net como conhecemos hoje. Isto serve para dizer que argumentos falaciosos, não. Um juiz com ordenados astronómicos não tem dinheiro para um portátil com net, até pode pagar a prestãções, pobrezinhos. Programas até já os há feitos, a proprias associações das "classes" tem conhecimento. Nós no privado com ordenados de 500 E, somos muitas as vezes "obrigados" a fazer aquisições para continuarmos a ter trabalho. Estão sempre à espera de mama e de enchovalhar quem lá aparece.
E se dizemos alguma coisa a quem deveria actuar, ainda nos chamam nomes.
Quem mais tem, mais quer.

Abraço ás pessoas de bem,
Anttónio

Paulo Sempre disse...

Para " Tocqueville", a corrupção dos governantes em regimes democráticos é bastante mais de recear, pelo efeito de contágio sobre todo o Povo". Afinal, em regimes democráticos os simples cidadãos são dominados pela surpresa e pela inveja quanto assistem ao rápido enriquecimento de um , ou mais, dos seus iguais, não encontrando para tal outra explicação que não se encontre na imoralidade dos procedimentos. E isso concorre para ligar o exercício do poder a ideias de indignidade, que, naturalmente, não contribuem para o seu prestígios.

ere disse...

será a promiscuidade que se verifica entre o mundo do futebol e o da política que leva a que os dirigentes dos clubes de futebol se sintam impunes? Não deveriamos balizar claramente as áreas e as interferências entre ambas? Aquando do Euro foram tomadas decisões lesivas para o Estado e para as autarqias que levaram a que fossem gastos milhões muito acima do previsto, que é feito deste dinheiro? Serão os clubes máquinas de lavar dinheiro?

j disse...

Esses velhos que estão aí na arbitragem, com cara de anjinhos, a dizer que não existe corrupção, devem ter andado com os olhos tapados, são uns meninos de coro, para eles está tudo bem, por isso é que o país está como está, culpa deles.

Paulo Sempre disse...

A perda de sentido do interesse comum, tem transformado a democracia em demagogia.

Quando a decisão popular se subtitui, ou tenta substituir-se às leis, não no interesse de todo o conjunto, mas de uma multidão, que pretende decidir em conformidade com interesses particulares de uma certa classe, ou de quem por detrás dela se esconde, também o podor, tornado demagógico, perde a legitimidade..
A imagem de um rápido enriquecimento dos governantes ou de dirigentes desportivos - sem castigo - hão-de contribuir para os maiores desregramentos nas lutas pela conquista do poder. Com inevitáveis consequências para os Povos.

Paulo Sempre disse...

Prncípio ideológico do saco azul:

" Nunca te esquecerás de que a
ética Kantiana é uma teoria impraticável e que são o poder e a ambição que ditam todas as acções dos homens"

Ice O. Star disse...

Caras Senhoras e Senhores!

O tema em discussão é muito actual e interessante.
No entanto, não passa de uma discussão semântica.
Defina-se "legalidade", quando os que legislam o fazem directa ou indirectamente em causa própria...
Michael Bakunin já escreveu sobre isso há mais de
um século: o Estado reclama para si o monopólio do crime!
Para legalizar a extorsão do cidadão pelo Estado, basta legislar e criar novas leis fiscais.
Seguindo o raciocínio de Jorge Luís Borges, a democracia não existe, as eleições existem meramente para satisfazer as estatísticas e o que chama hoje democracia, não passa de ditadura burocrática e fiscal; ou seja, proxenocracia.
Onde as instituições existem, mas são impedidas de funcionar em prol do cidadão; mas não em prol dos detentores do poder, sejam eles políticos ou outros.
Para sobreviver na proxenocracia, o cidadão tem se
deixar "escravizar" fiscal e financeiramente.
Não se trata aqui de comparações, de como estamos bem hoje com relação a didatura, antes de 1975.
Trata-se de saber porque, certo grupo de pessoas
pervertem a democracia e a justiça para saquearem
o erário público (que por sua vez foi gerado pelo
trabalho e mais valia do trabalho dos cidadãos), ou
fazer uso dos bens públicos a revelia dos demais.

Cumprimentos

IOS

Ice O. Star disse...

Em tempo:
permitam-me retificar a parte final de meu
comentário acima. Onde se lê "Trata-se de saber porque, ...", leia-se "Trata-se de saber porque a sociedade permite ... ".