quinta-feira, junho 12

Tradições em risco com a ASAE?

Será este o último ano das barracas dos santos populares? As febras e sardinhas vendidas em bancas improvisadas vão ser ilegalizadas?
O Ministério da Agricultura já veio apelar ao bom senso e à flexibilidade na aplicação dos regulamentos comunitários no que diz respeito aos produtos tradicionais portugueses.
Em causa estão as queixas dos pequenos produtores e fabricantes de produtos tradicionais que acusam a entidade que fiscaliza (ASAE) de não ter em conta a realidade nacional. Isto porque as normativas europeias não são rígidas e podem ser moldadas caso seja uma pequena ou uma grande empresa.
Quererá com isto dizer que não havia necessidade de retirar os galheteiros das mesas de restaurante? Quem quisesse comercializar aves de caça, afinal só teria que enviar um comunicado a Bruxelas? Por que não se fez?
Convidados:

Madalena Carrito, Presidente da Federação Portuguesa das Confrarias Gastronómicas
Manuel Marques, Presidente da Associação Nacional de Criadores de Ovinos da Serra da Estrela
Firmino Cordeiro, Presidente da Associação de Jovens Agricultores de Portugal

26 comentários:

lady_blogger disse...

Excessivo zelo por parte da ASAE e excessivo desmazelo por parte de alguns comerciantes poderá obviamente conduzir à redução das festividades, mas não creio que por agora dite o seu fim.
Lembremos por exemplo o caso das touradas, elas ainda existem clandestinas ou não...
Ainda sobre as tradições, a ASAE não deverá arcar com todas as culpas, pois vivemos numa época com interesses mais voltados para a tecnologia, a ecologia, e assim "a tradição já não é o que era".
E hoje é dia de festa tradicional de Lisboa, vamos lá comemorar e espreitar o desfile das Marchas de Santo António!

CC

Maria Mendes

Interessada disse...

Acho que o bom senso deve presidir a toda e qualquer situação.
O que eu não admito é que se pretenda fugir à lei através de mecanismos geralmente pouco transparentes, quando esta não favorece determinados interesses, sejam eles de pequenos ou grandes grupos.
Tal como não percebo a necessidade de um ministro vir apelar ao bom senso. No cumprimento da lei ? Ou no seu incumprimento ?
Julgo que a questão está única e exclusivamente no facto de pretendermos ou não qualidade de vida.
Talvez este uso do mais ou menos, ou dos conluios, seja efectivamente uma prática corrente dos portugueses, com a qual eu não concordo decididamente.
Para mim o bom senso está em desenvolver estratégias de qualidade de vida e apelar ao bom senso da sua aplicação.
Defendo a tradição herdada das gerações anteriores, mas sempre pugnando pelos hábitos saudáveis.
Como é óbvio, não posso aderir a barbárie, mesmo quando tradição.
Terei sabido explicar-me convenientemente?
Boa continuação de discussão.

Interessada disse...

Se não é uma questão de atitude, mas de lei, deverão ser propostas alterações a serem revistas em sede própria
Reconheço que efectivamente não estou dentro da lei, mas penso que ela não é incompatível com o artesanato. Deve haver aí uma grande confusão, ou não e dá jeito lançá-la.
Faço um apelo para que seja discutido o assunto sem demagogia.
Se a lei causa problemas incontornáveis acho bem que sejam discutidos e procuradas formas de ‘compensação’ sociais, mas nunca fujindo ao bom senso.

Ludovico M. Alves disse...

A ASAE possui sequer elementos com formação em química e/ou bioquímica alimentares?

António disse...

Imaginem um queijo da serra amanteigado.
Estamos agora debaixo de uma parreira, corre uma brisa agradável.
Alguém trouxe broa de milho amarelo.
Falta um bom vinho ou água pé, mas está a caminho, ou é fácil resolver.
Gostariam de uma boa companhia? pois eu também.
Mas se não houver mais nada, eu mesmo trato do queijo com....simplesmente uma colher, (lavada).

Vocês não vem, asae para vós.


Anttónio

David Martins disse...

Não podemos/devemos olhar para a ASAE como o "bicho papão", temos de admitir que esta entidade também trouxe muitos benefícios. Não acho correcto entrar num restaurante pedir um prato de peixe e esse peixe já ter passado da validade há 1 ano...
Concordo também que a ASAE tem tomado em certos casos medidas extremas, medidas que podiam ser mais "brandas".
"Tradições em risco com a ASAE?"... não estou de todo de acordo com isso, certamente se se mantiverem as condições mínimas de higiene, etc, não se chegará a tanto.

Reafirmo que o nosso olhar para a ASAE não deve ser de medo, de "bicho papão", mas uma entidade à qual todos nós podemos recorrer para denunciar algo que não esteja correcto, um entidade que trabalha tento como objectivo o bem estar de todos NÓS (habitantes de Portugal).


Abraço

Interessada disse...

Agora que estamos na presença das declarações feitas na Voz do Operário, digam lá meus Senhores se não é possível haver higiene respeitando a tradição.
Tenho de discordar quanto à questão levantada àcerca das luvas.
Agora tudo parece muito confuso. Mas não é.
Que me diriam se não se exigissem estes cuidados aos médicos dentistas ? Acham que lhes dá jeito? NÂO, mas eles querem preservar a sua segurança de vida.
Sejam civilizados, meus Senhores!!!!

Interessada disse...

Desculpem que tenha de intervir desta forma, mas não ver que o material de uma colher de pau implica perigos que não estão associados ao cobre, já é uma questão de inteligência.

j disse...

O PORTUGUÊS NORMALMENTE GOSTA DE COMIDA DOCÊ, FOI HABITUADO AO LONGO DOS ANOS A INGERIR MICRÓBIOS E BACTÉRIAS NA COMIDA DE MUITOS RESTAUANTES E TASCAS, POR ISSO É QUE NORMALMENTE ESTRANHA QUANDO NÃO TEM DIREITO A ESTA "VITAMINA".


Fernanda acho que o seu programa hoje está enquinado, pois não se encontra aí nenhum convidado da ASAE.

Carlos disse...

No seguimento do que a Sra. Madalena Carrito estava a dizer há pouco. Acho que é relevante saberem que hoje em dias as típicas barricas de ovos moles de Aveiro já não são assim tão típicas. Devido às questões de inerentes à acreditação do sistema de HACCP, para estarem de acordo com a legislação os ovos moles dessas barricas já não podem estar em contacto directo com a madeira da barrica, pelo que têm de estar numa embalagem de plástico dentro dessa barrica.

lady_blogger disse...

Por acaso já vi uma reportagem televisiva onde explicavam parcialmente como se fazem os pastéis de Tentúgal, dos quais estais a falar agora no SC.
Esticavam uma massa tipo obreia no chão acho que de um sótão.
Como vivi em Coimbra, tinha sempre por perto desses pastéis, e que deliciosos que eles são... Parecidos com estes há uns outros saborosissimos conhecidos por pastéis de Vouzela.
Proibir as condições de confecção destes pastéis, pode ditar o seu fim ou mudar o seu aspecto ou cunho particular.

CC

Maria Mendes

Ludovico M. Alves disse...

Sim. Uma colher de pau inibe peptinases... uma colher de cobre possui compostos procarcinogénicos após redução e possui um metal pesado que pode não só desnaturar protéinas como oxidar lípidos causando maus odores e sabores.

Definitivamente, quem não vê os beníficios do cobre sobre a madeira deve ser muito sofredor.

Por esta e por outras é que pergunto de novo:

A ASAE sabe sequer o que é defender a saúde publica?

Ludovico M. Alves disse...

Foi dito e muito bem: seguir as HACCP. Que são padrões legitimos, preocupados com a saúde, testados e creditados. Não são proibitivismos absolutistas como os da ASAE.

São estudos que identificam riscos e apresentam pontos de controlo e reparação.

AG disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marta Varino disse...

Vivo numa quinta onde criamos animais para nosso consumo desde um porco, ovelhas, coelhos, frangos e patos. Até o nosso próprio pão fazemos. Temos também os nossos vegetais e alguma fruta, é raro comprar estes artigos. Claro que somos nós que matamos os nossos animais e não acho mal nenhum, há centenas de anos que assim era e não acredito que isso provocasse doenças. Claro que não temos quantidades para vender, mas para nosso próprio consumo.

AG disse...

Olho para a tradição como veículo de uma identidade que me está a ser transmitida, quando o queijo da serra envolve o pão...ou quando me "embebedo" em ovos moles...

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A produção artesanal e não industrial, preserva esse testemunho vivo e HUMANO. Essa relação de produção NÃO MECANICA, que conserva esses rituais, como MEMÒRIAS VIVAS...

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CONSERVAR o presente, PRESERVANDO o passado para que possa ser LEGADO PARA o futuro!

Ana G.

Ludovico M. Alves disse...

Lembrei-me agora a forma mais simples e directa de demonstrar o dogmatismo irracional da ASAE: como é que se pode ser tão rigído e inflexivel quando a regra básica das ciências e saúde alimentar é que a qualidade e segurança é sempre relativa?

António disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tomaz disse...

Assimilando uma série de organismos criou-se este organismo de supervisão chamado ASAE. Assim deveria ser com todos os intervenientes na manutenção de uma identidade cultural, especifica como é a gastronomia portuguesa, deveriam estar organizados num grande grupo onde o espírito associativo, promovesse não só a identidade secular de uma herança, como também promover dentro dessa secularidade as recentes normas de higiene e segurança que hoje são essenciais para a saude publica

António disse...

Noutro tom, volto só para dizer o que se trata é sacar dinheiro, através de multas e seja de que expediente for, era isso que queria dizer, não é.
Claro que a higiene é fundamental e conheço vários estabelecimentos ainda hoje que não o fazem, simplesmente estão bem encostados e assim não são incomodados dá para perceber? Fui empresário durante 20 anos nestes sectores sei bem o que se passava e passa. Concorrência desleal é aos montes.

Não lavar a frigideira é o mesmo que antigamente se dizia quando se ia tomar uma refeição e da necessidade de lavar as mãos; era corrente dizer quem as quiser comer que as lave. O problema em Portugal é a velocidade que se vai dos 8 aos 80 e a gulodice por arrecadar verba para sustentar uma monstro chamado Estado.

Fiquei sem emprego, preferi fechar até porque o negócio enfraqueceu muito, não valia o esforço de outra modernização. Mas afinal continuam muitas ilegalidades.

Pipis, caracóis,etc, não é proibido?

Anttónio

EviL disse...

Acho totalmente imoral aquela situação em que deitaram fora comida destinada a pobres.
Com tanta gente a passar fome por este mundo fora e Portugal é lamentável.
A eles e à família deles concerteza que não falta nada, senão não faziam isso.

G disse...

A ASAE deve controlar o cumprimento das leis de modo a proteger os consumidores e contribuintes. A ASAE não cria leis.
Se forem necessárias excepções legislativas para cumprimento de tradições devem ser criadas pelos parlamentos. Não se deve querer que uma entidade fiscalizadora por vezes "feche os olhos".

E quanto às tradições, as que são contra a saúde pública têm que ser lembradas apenas nos livros de história.

Tal com aquela tasquinha que lavava os copos todos na mesma água...

G.T.

Interessada disse...

Fico satisfeita por ver que, já quase no final do programa, podemos ouvir apoio à actividade da ASAE
Reparem como é importante a participação nestas discussões, e como foi perceptível que ~já não é tão fácil vender gato por lebre aos portugueses.
BEM HAJA AOS RESPONSÁVEIS E PARTICIPANTES DO SOCIEDADE CIVIL

Guto disse...

Acredito que haja algum excesso de zelo. Mas em âmbito geral,uma grande parte (claro que há excepções )daqueles comerciantes que vendem aquelas iguarias em caravanas ambulantes, tem mau aspecto ... ou seja, um aspecto pouco higiénico.
Na caravana louça suja aos molhos... tudo sujo e um monte de gente atarefada com o cabelo solto a passear por cima de panelas e frigideiras com óleos.
Se se quer vender algo a alguém temos de implementar na nossa sociedade atitudes de higiene e boa conservação dos alimentos.
Claro que a Srª de vende 30 chouriças e 10 presuntos ache que não necessita de os conservar. Mas agora imaginem estes 4 ou 5 horas ao sol, à poeira e às moscas como estamos habituados a vê-los em plenas feiras de verão .
Claro que ASAE tem de actuar... e deve fazê-lo com frequência.
Porque não contam o número pessoas que sofrem de intoxicações ao comerem estes produtos, pois tenho a certeza de que existem uns bons números a apresentar.
Só falamos em bom senso quando não sofremos na pele as coisas.
Por que se fala em total excesso da ASAE... qual de nós aquí sabe a verdadeira razão porque a ASAE é posta no terreno. Saibam que muitas vezes são denúncias dos próprios comerciantes.Não defenso tudo o que ASAE faz , mas estou certo que vivemos num pais do facilitamos, e da desculpa emocional "Coitadinha da senhora recebe 150 euros de reforma e querem-lhe tirar o pão da boca" .
Quando existem problemas de saúde não são os comerciantes que se responsabilizam, por isso faz todo o sentido que haja inspecção, com zelo, sem excessos e com profissionalismo.
O património cultural antigamente restringia-se a casa de cada um e pouco mais

Interessada disse...

Muito bem explicado GT. Inteiramente de acordo!

AG disse...

"Tal com aquela tasquinha que lavava os copos todos na mesma água!"

Muito curioso este facto! No poupar é que está o ganho ( permitam-me a ironia ) EHEH!

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Em 49s se explica como há "tradições" que não se regem pelos ideais que defendi à pouco...

Legar para o futuro algo de bom ??

http://br.youtube.com/watch?v=EzQ_NBV5Z4g

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Uma optima noite de Santo António, para os colegas do blog!