quarta-feira, outubro 29

Eutanásia

O assunto da eutanásia entrou novamente em discussão pública. A origem foi uma proposta de referendo entregue na AR recentemente pela Associação Portuguesa de Bioética.
Segundo a APB, ainda é cedo avançar com a pergunta que propõe a referendo, mas poderá ser algo sobre a “concordância ou não da pessoa com a liberalização ou legalização da morte medicamente assistida”.
Neste Sociedade Civil queremos discutir o assunto apresentando todas as visões que esta questão contemporânea merece.

Convidados:
Rui Nunes, Presidente da Associação Portuguesa de Bioética
Isabel Galriça Neto, Médica de Cuidados Paliativos
Laurinda Alves, Jornalista
António Fernando Cascais, Professor da Universidade Nova de Lisboa do Departamento de Ciências da Comunicação

34 comentários:

Martinha disse...

Boa tarde

Não tenho opinião formada sobre o assunto. Considero, no entanto, que um doente crónico e em fase terminal, cujas as hipóteses de cura estejam esgotadas, quer dentro da medicina tradicional, quer das medicinas alternativas, se a dor e o sofrimento são enormes e ele expresse de forma consciente a vontade de morrer, porque não dar-lhe?
Apesar de tudo, penso que é um assunto que tem que ser muito bem estudado, ponderado e analisado, para que não se cometa nenhum erro contra a vida de um ser humano.
Resta saber, onde ficarão guardados os problemas de consciência, para o médico que tem que dar esse passo, bem como para os familiares que foram cúmplices nessa decisão!?

Martinha

pikenatonta disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pikenatonta disse...

Excelente tema para debate! Eu cá concordo plenamente com o comentário da Martinha.

Tânia

Deragnu disse...

Senso clínico não é Eutanásia. Tudo bem, encarnado não é vermelho. Ainda há pouco tempo, morreu à minha frente uma mulher em acidente de viação, erro crasso de engenharia rodoviária e dela a pobre que esperou + 30 min. por ajuda especializada. Nunca me esqueço que um dia estando no hospital nas urgências, que permitiam na altura a proximidade aos cuidados intensivos, eu ouvi, ouvi, “não vale a pena, esquece não escapa”, e o outro médico dizia ainda “vou tentar mais uma vez”, isto demorou vários minutos com um a chatear o outro e no fim o segundo conseguiu estabilizar o paciente. Portanto, as facilidades, “facilitismos”, e “conhecimentos”, o tal factor C, podem salvar vidas. Para quem não pensa assim, ainda bem para o seu equilíbrio emocional, mas a realidade…

Anttónio

Deragnu disse...

A morte está garantida, sim senhor, mas dispenso a urgência do uso dessa garantia.

Lá está a Senhora desesperada, ao telefone, porquê? não tem ajuda e prefere morrer. É razão para deixar de viver.

E as paixões, matam, fazem-nos sofrer, prefiro a eutanásia.

Anttónio

.☆João disse...

Concordo com a eutanásia, quando em casos que medicamente não oferecem possibilidade de cura. Assim evita-se sofrimento. E nem concordo com o referendo para este assunto. Por absurdo, imagine-se que 51% decide pelo não à eutanásia. Eu hipoteticamente tenho uma doença terminal, com muito sofrimento. Que direito têm esses 51% de decidir por mim, a ponto de me "obrigarem" a sofrer pelo tempo restante de vida? Penso que o direito de cada um com doenças terminais, a poder dispôr da sua vida com qualidade, é um direito inalienável de foro pessoal e íntimo.

António Cardoso disse...

A maioria dos médicos e enfermeiros fala de cuidados palitativos como se fossem o remédio para todos os males. Como se o bem estar físico fosse o único palpável. Esta posição não só é de um provincianismo atroz, como a considero de certa forma criminosa.
Pois o que eles nunca vão perceber é que a maioria do sofrimento de quem pede a Eutanásia não é apenas física!!!
É, outrosim, a IMPOSSIBILIDADE!
A impossibilidade de viver a sua vida como a concebe, dentro do deu ideal de estar vivo. A própria paralesia ou a cegueira podem levar a isso. Deixar de viver segundo os seus ideais de vida sustentável pode levar a pedir a Eutanásia. E ISSO MEUS AMIGOS TEMOS MORALMENTE QUE RESPEITAR!
PORQUE PARA ESTAR VIVO NÃO BASTA RESPIRAR!

vitor a. disse...

Publicada no Publico em 27/10/2008

Citação:
O que está em causa não é o médico promover a morte dos doentes terminais - é tratar as dores que tenham Ciclicamente, os políticos, ou quem serve os objectivos dos políticos no poder, ressuscitam a "questão" da eutanásia como uma grande questão nacional, a carecer, pasme-se, de ser referendada pelo povo português.É preciso perguntar aos portugueses, em referendo, se eles querem ser mortos pelos médicos!A possibilidade de um médico matar um doente que lhe pede para ser morto é, exclusivamente, uma questão da prática clínica dos médicos. Não é uma questão social, nem política, nem religiosa.Se os médicos acharem que, além de tratarem as pessoas doentes, também as podem matar, então, sim, há uma questão política e jurídica, pois é preciso impedir que o façam e puni-los se o fizerem.Invoca-se um argumento inteiramente falso: o de que quase metade dos médicos oncologistas portugueses estariam dispostos a matar os seus doentes incuráveis, se estes lhes pedirem.Para honra dos oncologistas portugueses, e pelo respeito que todos me merecem, afirmo aqui, sem receio de contestação, que este número e esta percentagem são falsos e foram extraídos de uma publicação sem o mínimo rigor metodológico e científico e, portanto, sem qualquer valor ou credibilidade.Matar um doente é uma decisão da maior gravidade. E é de máxima gravidade se este homicídio for praticado por um Médico. O que está, verdadeiramente, em causa não é o médico promover a morte dos doentes terminais; é tratar de forma correcta as dores que eles tenham ou o sofrimento que apresentem. E não fazer sofrer os doentes com tratamentos desproporcionados e inúteis, obstinando-se em intervenções que para nada servem e tiram ao doente o bem-estar possível e o acesso a uma morte digna.É conseguir dar a todos os portugueses - e não apenas aos que os podem pagar - cuidados médicos personalizados e tecnicamente adequados até ao momento da morte. Em vez de os abandonar ou de insistir em tratamentos que são já inúteis. E isto, sim, é que é um problema político nacional a carecer de resposta urgente.Se querem fazer um referendo coloquem aos portugueses esta pergunta: "É a favor de que todos os doentes, em fase terminal, tenham cuidados paliativos de qualidade, pagos pelo Serviço Nacional de Saúde?"Antecipo a resposta: 100 por cento a favor.E a dita "questão nacional" da eutanásia fica esvaziada e sem qualquer sentido.
Membro do Conselho Consultivo do Instituto de Bioética da Universidade Católica Portuguesa

.☆João disse...

Drª Isabel Neto... Não acho correcto referir-se à eutanásia, como um acto em que um médico mata um doente terminal... Penso ser mais correcto, dizer, que o médico está a auxiliar uma pessoa sem esperança de ter uma vida digna, a pôr fim ao seu sofrimento. Além disso, porque acha a Srª Drª, que tem o direito de determinar se alguém deve ou não dispôr do tempo de vida que lhe resta, do modo que mais lhe aprouver? E nem o argumento da Igreja, de que nos devemos resignar aos desígnios de Deus colhe. Porque sendo assim, nem os Papas, nem os outros membros eclesiásticos recorreriam aos médicos quando estão doentes. Simplesmente aceitariam as suas próprias doenças, como a vontade de Deus.

Estrelinha disse...

Não concordo com a Eutanásia porque é totalmente contra os designios de Deus, ou seja para os cristãos a eutanásia é considerada crime, pois para nós só Deus pode tirar a vida.

Valente disse...

Boa Tarde,

Não tenho dúvidas de que os cuidados paliativos é um assunto central na discussão em torno da eutanásia. Está implicito no conceito, que o individuo necessita da plenitude de liberdade para a tomada de decisão e para isso os cuidados paliativos poderão ser cruciais.
Mas apesar disto os cuidados paliativos poderão não intervir em todos os "motivos" que o doente reconhece como suficientes para morrer (ver algo de positivo ao seu redor ou quando indivíduo está convencido da sua inutilidade como ser humano).
A dignidade humana é um direito universal e respeitar a autonomia é também respeitar a dignidade humana.
O referendo poderia levar a condicionar a liberdade e a autonomia à vontade de uma maioria e não da unanimidade.
Não consigo ter uma opinião formada com critérios e argumentos sólidos mas sem dúvida esta questão é uma questão de consciências.

Pedro

Ryan Teixeira disse...

VIVA AO SUICÍDIO

VIVA A MORTE

VIVA EUTANÁSIA

VIVA A GUERRA

VIVA A MORTE !!!!

Ze ninguem disse...

Mas porque só falam dos cuidados paleaivos!? isso e tudo desinformação e pura Hipocrisia .

compreendesse muito bem esses senhores dos paliativos, na minha openiao nem ai deviam estar claro que eles vão sempre apelar pela vida , afinal e essa a sua função, a vida.

toda a vida esta condicionada a hipocrisia desta sociedade, por amor de deus, pelo meos no fim da vida que seja dada a liberdade de escolha.


por outro lado existem outros casos que por decisão clínica deixam as pessoas morrerem erradamente.

aqui esta um bom trabalho sobre o assunto : http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/filosofia/filosofia_trabalhos/eutanasia2.htm

Deragnu disse...

Depois do último suspiro, não é possível voltar atrás. Quando alguém morre pode "matar" alguém próximo. Para mais é sempre possível potencialmente a esperança da recuperação. Não esperem pelo 3º dia, pois não vai correr bem. Viver a vida é viver a vida mesmo que seja um sopro de vida. Quando estamos dementes, esperamos que os nossos semelhantes nos ajudem. Sei que, com a sociedade descartável de hoje, já se torna quase um mito o amor ao próximo. Cuidados Paleativos e já agora antes disto, viver.
O que são casos extremos?

Anttónio

Anjos disse...

Boa tarde.
Sou e sempre fui a favor da liberdade individual de cada ser vivo,portanto o que acho ou deixo de achar é secundário desde que a minha opinião não interfira com a liberdade do outro.Portanto num referendo desta categoria equiparo ao do aborto,voto pela liberdade de escolha mesmo que no meu caso a minha opção fosse diferente.Deixemo-nos de hipocrisias e de mitos.Cada um sabe de si,ninguém é igual a ninguém.Quem sou eu para julgar ou impedir alguém que não suporta viver em determinadas condições o faça?Agora é da responsabilidade de todos nós ajudar e fazer tudo ao nosso alcance para que a vida tenha cor mesmo quando a esperança de melhoras é infíma ou práticamente nula.
Existem muitas doenças crónicas que não têm cura,eu própria vivo de perto uma realidade cruel,mas que nem se põe a hipotese da eutanásia,mas se noutros casos e se um dia alguém o desejar,porque não?Prolonga-se a vida,se calhar sem as medicações para prolongar já teria terminado...!

Nuno Santos Carneiro disse...

A questão da eutanásia, ei-la, a replicar concepções erradas que há que acusar: quando se permite o aborto não se fomenta a morte gratuita de crianças, quando se reformula a lei do divórcio não se promove o fim de casamentos que se sabem vivos, quando se procura o casamento entre pessoas do mesmo sexo não se intenta a destruição de outras formas de família, quando se fala de eutanásia não se dispara sobre quem não querer viver. Sem este entendimento, nem referendos nem replicações de uma sociedade que não quer mudar me parecem minimamente proveitosos. Parabéns pelo programa.

Márcio disse...

Boas tardes
Sou um jovem de 20 anos e sigo diariamente o programa e tenho algumas dúvidas.
*Qual é a diferença entre a eutanásia e o suicídio assistido?
*A eutanásia não será a garantia de uma morte digna?
*A eutanásia não é por vezes a única forma de aliviar uma dor insuportável?
Os cuidados paliativos aliviam a dor física, mas será que alivia a dor psicológica de uma vida que nao passa de respirar!
Um referendo seria um erro pois só esses pacientes e escassos os familiares seriam a favor, pois só eles passam por todo esse processo. Seria mais certo ouvirmos os pacientes que estao em fase terminal nos cuidados paliativos.

.☆João disse...

Ao contrário do que preconizou o advogado que na peça se referiu ao referendo como meio ideal para legitimar a eutanásia, ao invés de se proceder por via legislativa, por processo de iniciativa da Assembleia da República, penso sim e ao contrário, que a eutanásia deveria ser regulamentada por Lei emanada da A.R., representante de todos os portugueses, e depois ser decisão de cada um de nós, a decisão de acabar os seus dias, do modo que desejasse, com apoio médico, e devidamente assistido. Sem medos, sem sofrimento, com tranquilidade e em paz. Ou preferem os que são contrários à eutanásia, que as pessoas desesperadas, comentam contra si próprias, actos desesperados de pôr termo ao seu sofrimento? Não é obrigação do Estado, e da Sociedade, promover o bem-estar de todos?

Anjos disse...

Existem muitas doenças crónicas,basta consultar a lista da Associação Rarissímas,e ver como na realidade são bastantes doenças sem cura que na sua maioria treminam com um sofrimento desumano,muitas em que o doente está completamente consciente mas que perdeu todas as faculdades motoras,fica paralizado,cego,com inumeras dores,autenticos vegetais,e se querem viver devemos dar tudo ao nosso alcance para proporcionar a melhor qualidade de vida possível mas e se não for essa a sua vontade?Como pode um doente completamente imobilizado decidir sobre o curso da sua vida?

Celina disse...

Eu concordo com a eutanásia no sentido em que a opção deve ser da própria pessoa. É essa a questão última: o direito a escolher, a liberdade individual. Nem a morte nem a vida devem ser impostas contra vontade. Acho que a religião ainda tem aqui um peso inegável. A religião cristã defende que a vida é sagrada acima de tudo e só Deus pode decidir a morte. Que isso valha para os crentes, tudo bem, agora não queiram impor esse modelo a todas as pessoas. Obrigar uma pessoa a viver quando ela não quer não será tão criminoso ou prepotente como o inverso? Que ninguém tenha de passar por isso, mas se tiver de passar que possa escolher. E os cuidados paliativos não são a solução milagrosa: lembrem-se do espanhol Ramón que lutou anos por morrer, ele tinha todos os cuidados e ainda assim preferiu morrer...

Anjos disse...

"Não concordo com a Eutanásia porque é totalmente contra os designios de Deus, ou seja para os cristãos a eutanásia é considerada crime, pois para nós só Deus pode tirar a vida."

Quais designios de Deus Estrelinha?
A dor e o sofrimento?Deus só quer o nosso bem,isso de mascarámos a igreja como apologista do sofrimento humano é um mal que convém a muita gente.As pessoas realmente de boa fé são as mais tolerantes.Já lá vão os tempos de se queimar na fogueira os ditos pecadores...ou ainda não?Não será maior o pecado de não respeitarmos a liberdade e o sofrimento de cada um?

Márcio disse...

Já acompanhei de perto um caso muito delicado, nomeadamente um pai de uma amiga minha. Ele estava em fase terminal com cancro pulmunar avançado e sabia-se que iria morrer dentro de dias, dito pelo médico. A dores eram insuportaveis para ele, a familia chorava, chorava e sofria. Sofriam por ele sofrer nos ultimos momentos da vida dele pois os cuidados paliativos ja não o aliviavam em nada. Eu chorei por ver o sofrimento dela. Pois deus não lhe pode dar uma morte digna, mas a familia podia! Se fosse legal teria uma morte digna e sem mais sofrimento

Anjos disse...

Sou totalmente a favor de cuidados que visam a diminuição do sofrimento e isso pode-se generalizar a todos os departamentos e unidades hospitalares.São pequenos gestos que fazem a diferença.Infelizmente a qualidade de cuidados continuados,paliativos,não é extensível a todas as unidades hospitalares e muito menos respeitada e praticada por todos os profissionais.

Mel disse...

Anjos, cada um têm a sua opinião, eu não interferi com a tua pois não? Sou crente em Deus, tenho a minha forma de pensar diferente da tua, a verdade é que Deus nunca me desiludiu, mas tu pensas de maneira diferente e eu respeito isso, porque se não acreditas o problema é teu..
Não vou andar aí a tentar mudar as ideias ás pessoas, cada um têm a sua opinião.

Mel disse...

Desculpa comentei com o da minha irmã (:

Mel disse...

Ah e não tem nada a ver de queimar os pecadores na fogueira, se tiveres bem informado as coisas mudaram e muito, lá por a igreja não concordar com isso não quer disser q vai queimar as pessoas por isso, ou queres ver que se te fores confessar a um padre ele te vai por numa fogueira? Por isso é que existe o perdão, não? lol...

lady_blogger disse...

Temo menos um suícidio do que a morte, mas ambos me assustam. Logo a eutanásia (por vontade própria- suícidio; ou por vontade alheia- homícidio) não me parece algo que deseje ver legalizado, até porque "enquanto há vida, há esperança".

CC

Maria Mendes

Anjos disse...

Sinceramente acho que interpretaste muito mal o meu comentário.
1º Quem fala na palavra crime não sou eu,logo um crime é algo contra a lei,logo deve ser punido,se agora não existem fogueiras existem outras formas por vezes na mesma dolorosas e impiedosas!
Portanto ao afirmar que a eutanásia é um crime,log nunca poderá ser aceite,certo??!
2º Se me julgaste descrente a Deus,deves ter lido muito mal o meu comentário...!Volta a ler,com calma,sem sentimento de insegurança.Eu não ataquei a tua forma de pensar,aliás o que mais defendo é a liberdade,e a de expressão é mais uma e se calhar a mais importante forma de liberdade!O que critiquei foi "mascarámos" as vontades dos cristãos como as vontades de Deus,e Deus a meu ver é muito mais grandioso que alguns caprichos religiosos.Sou cristã,acredito em Deus,critico muito a igreja se calhar por a conhecer bem melhor do que se calhar tu a conheces,mas isso é outro departamento!Conheço a dor na sua dimensão maior,coisa que exige muita maturidade e compreensão.Espero que nunca passes por verdadeiras provas de fé,aí sim,questionamos muitas vezes onde está Deus?Mas Deus existe,para bém da nossa esperança e só quer o nosso bem.Por vezes nós é que temos que escolher o caminho a percorrer e a forma como o vamos percorrer e isso deve ser livre!Entendes??
3º Não pretendo mudar opiniões nem ideias de ninguém,isso sim é que critiquei,pois quantas vezes a igreja tenta manipular a opinião dos seus crentes com base na opressão,censura,critica e culpabilização?Visita as missas do Minho,e interior do País e depois diz qualquer coisa...Lol

Anjos disse...

Estrelinha só para terminar adorei o teu pensamento:
"A nossa felicidade apenas depende de nós e não dos outros."
Que assim seja um dia...
Como cristãos temos o dever de não causar nem sofrimento nem infelicidade a ninguém...
Anjos

cecília disse...

Boa tarde

Devo dizer que ainda não tive oportunidade de ver o programa.No entanto, dado que ando a investigar este tema no âmbito da minha formação devo dizer que conheço a posição da maioria dos convidados que participaram. É importante reflectirmos sobre este tema na sociedade portuguesa e essa reflexão só ganhará em ir buscar os exemplos de outros países europeus (também pelo facto de estarmos numa fase em que pensamos mais os direitos das pessoas num nível europeu e menos restringido às fronteiras nacionais). Não será necessário referir apenas os já tão conhecidos países que admitem a eutanásia (sendo o caso do Luxemburgo o mais recente). Encontra-se generalizada a discussão em volta do tema e já se vai notando uma abertura crescente às práticas eutanásicas (que para não existirem equivocos, em traços muito vagos, entendem-se como sendo um acto médico que visa responder a um pedido de um doente que se encontra numa fase terminal,irreversível, ouseja um acto que se insere nas boas práticas médicas). Começo pela Suíça, é um país que não admite a eutanásia na sua plenitude, tal como acontece no nosso país, o que é que isso quer dizer? Devido a uma simples expressão ("motivo egoísta") abre uma brecha no domínio do suicídio assistido (que também cabe no âmbito da eutanásia)se este for praticado num quadro de compaixão, nomeadamente em face de doentes terminais em duro sofrimento que já não pode ser minimizado (referindo-me aos sempre necessários cuidados continuados, cuidados paliativos). Já para não esquecer que a Suíça é o único país onde funcionam associações que promovem ajuda ao suicídio, praticam a chamada morte assistida, em estrangeiros... Qualquer cidadão, seja qual for a sua nacionalidade, pode deslocar-se até lá e verificar se está apto a usufrir dessa ajuda. É claro que isso sai muito caro, portanto nem todos o podem suportar...É muito importante este facto! Em que é que é diferente a nossa lei? Não temos o "motivo egoísta", não temos brecha para deixar de considerar como criminosos comportamentos que na Suíça e muitos outros países (sendo a Alemanha um bom exemplo, não esquecer que o maior tabu relativamente à eutanásia vem do factor histórico alemão) são considerados como de acordo com a lei...
Isto falando em linhas muito gerais... Sim, é importante, sucessivamente, discutir este tema e até que ponto se deve admitir... Mas já não podemos negar a importância do evidenciar de um novo paradigma: o doente devendo ser respeitado na sua autodeterminação e deixando de ser considarado como ojecto do paternalismo característico da profissão médica... Não são palavras ocas, é a realidade que se nos impõe também na medida em que temos tecnologia que consegue prolongar a vida até tempos indetermináveis... mas em que condições? É isso que nos devemos perguntar... em que condições estamos vivos ou não... devemos lutar contra a irracionalidade do absoluto da vida, porque a morte também faz parte da vida e não podemos evitá-la, penso que temos antes de tornar menos dura, de a desmistificar, ninguém gosta da ideia de ter que morrer...
E, com todo o respeito pelo credo dos outros, não devemos meter a religião ao barulho... estamos num sociedade laica e não devemos impor as premissas de um credo dominante às minorias que não concordam e têm o direito de não concordar com ele. O direito a exercer um credo faz parte da liberdade pessoal de um pessoa e não serve como fundamento científico para nada que se deva a impôr a uma sociedade globalizada mas mesmo assim rica em diversidades culturais que devem coexistir e ser respeitadas no âmbito do exercício de uma liberdade individual...
Resta dizer que gostei muito de ver a participação na discussão neste blog e que gostaria muito que a discussão não ficasse por aqui. Nunca devemos ter medo de debater exaustivamente temas tão importantes como este.
Cumprimentos :)

cecília disse...

Lamento, esqueci-me de referir que em Portugal é admitida uma forma de eutanásia, que é considerada como parte das boas práticas médicas, a eutanásia indirecta (que é provocada através de uma prática médica que visa em primeiro plano atenuar ou mesmo suprimir o sofrimento físico do doente mas que tem como consequência previsível o acelaramento do processo da morte). Por isso, estará errado quem afirmar que não há eutanásia em Portugal...
Cumprimentos

Estrelinha disse...

Anjos, não sabes nada sobre mim para dizeres que conheçes melhor a igreja que eu, já passei por provas de fé sim, se não acredita que não pensava desta forma em relação a Deus, porque a maioria das pessoas da minha idade nem sequer querem saber disso.
Respeito a tua opinião sobre a igreja, a igreja tambem é contra o aborto mas não é por isso que as pessoas que o fazem são mal vindas lá, aliás porque na Igreja só estão os pecadores e por vezes os piores (:
Claro que tambem existem coisas que não concordo, mas pronto, tambem nunca nada está ao gosto de toda gente não é?
Tens razão quando dizes que existe Padres que gostam de manipular, mas tambem existem outros que só querem ajudar. Nada é perfeito, exite sempre partes boas e más. Jesus que era perfeito não agradou a todos (:

Beijinhos*

lady_blogger disse...

E do tipo de eutanásia (se assim se poderá chamar) usado também em Portugal para abate de animais doentes, ninguém fala disto?

CC

Maria Mendes

.☆João disse...

lady_blogger, acho que não entendeu o mote do programa, nem das postagens anteriores. Eutanásia é uma coisa, ..."morte por vontade alheia - homícidio"... é outra. Nada a ver com o tema. O homicídio nas suas várias modalidades, já é devidamente enquadrado legalmente, e que eu saiba, eutanásia não se encaixa em nenhuma das definições utilizadas para o acto de tirar a vida a outra pessoa.