terça-feira, dezembro 16

Empresas milionárias e solidárias?

Um mês após a criação da Rede Nacional da Responsabilidade Social das Organizações o Sociedade Civil traça, na época da solidariedade, o perfil das empresas. Quem são os empresários mais solidários do país? Que estratégias utilizam para fazer cumprir os seus projectos, ainda que em tempo de crise? Há legislação que obrigue as grandes empresas a doarem parte dos seus monumentais lucros para acções de responsabilidade social? Todos os anos, por esta altura, instituições particulares de solidariedade social e várias empresas dão as mãos por uma causa. Lançam livros, discos,enviam postais, organizam leilões...chegam a casa de muitos portugueses e, não raras vezes, a muitas partes do mundo.

Convidados:
Francisco Murteira Nabo, Bastonário Ordem Economistas
Jorge Filipe, Director Recursos Humanos do Grupo Auchan
Teresa D’almeida, Presidente e Fundadora da Associação SOL
Isabel Calado, Directora de Marketing da Galp Energia

31 comentários:

lady_blogger disse...

Toda esta solidariedade por parte das empresas é de louvar, mas será muito mais se aquilo que doarem não for descontado nos impostos. Assim seria ser solidário através de outrém, neste caso através do Fisco.
Deve-se dar não porque dá boa imagem e até se pode descontar, mas sim porque realmente se é solidário.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Alguém me diz que não tem nada para dar, que é pobre... Mentira! Todos podemos dar carinho, um pouco do nosso tempo, e isso também é ser solidário. Ser solidário não é só dar coisas visíveis e palpáveis, tais como bens e dinheiro. Quem assim pensa, não conhece o verdadeiro sentido da solidariedade.

CC

Maria Mendes

Luís Bernardes disse...

Boa tarde lady_blogger
Cá estou eu mais mais uma vez, vim conheçer a tal "famosa" solidariedade.

lady_blogger disse...

Fernandinha. sei que não tem por hábito dar presentes no Natal... Mas e quanto a actos de solidariedade é adepta nesta altura por iniciativa própria?

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

A solidariedade social parece ter um tempo específico (o do Natal) e parece dirigir-se maioritariamente a crianças.
Solidariedade deveria havê-la sempre desinteressadamente e sem olhar a credos, raças, e idades.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lady_blogger disse...

Pergunte à senhora da Sol porque pede tanto se tem só 22 crianças lá? Sei que algumas coisas são doadas a outras instituições, mas outras ainda boas desperdiçam-nas em vez de tentar vendê-las para angariarem recursos em vez de andarem sempre a pedir na televisão.
Diga-lhe que o que as crianças precisam é de um espaço maior e de saúde, e esta última não se pode comprar.
Um beijinho para as crianças da Sol.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Algumas instituições devem achar que quem dá não se apercebe do que é aproveitado e sobretudo desaproveitado.

CC

Maria Mendes

pe disse...

Caros senhores/as,

Venho dizer que, ao contrário do que essas empresas dizem que se preocupam muito e agem "altruisticamente, que a realidade é que embora haja algumas excepções, infelizmente a quase totalidade das empresas que afirmam que se preocupam com questões sociais, de solidariedade, de direitos humanos, ambientais ou animais, e que fazem algum projecto no sentido de contribuir para uma dessas causas, na realidade isto é geralmente feito unica ou essencialmente por uma questão de estratégia comercial (obter muita publicidade gratuita, cativar mais consumidores, mostrar uma faceta mais "generosa" da empresa, etc), e não por verdadeiras preocupações e acções altruistas sem envolverem interesses económicos.


Basta procurarem por termos como o "greenwash", para se ter uma ideia do que é praticado.


Um consumidor deverá ter sempre o cuidado de verificar o historial de cada empresa e desconfiar das suas "ofertas", pois podem envolver unicamente interesses monetários.


Fica aqui uma pergunta: Se uma empresa dizer que se preocupa verdadeiramente com estas questões, então porque não apenas oferece o que tiver para oferecer, SEM FAZER E EXIGIR NENHUM TIPO DE PUBLICIDADE???

Normalmente, quem é verdadeiramente generoso, não faz publicidade dessa mesma generosidade.

Para bom entendedor...

DS

OKGIRO disse...

Eu tenho um blog onde divulgo e vendo alguns trabalhos manuais e decidi que metade da venda dos mesmos reverteria a favor da Associação Ajuda de Berço.
É a minha forma de ajudar já que de outra forma não tenho hipóteses mas fico admirada porque toda a gente elogia muito o trabalho, a iniciativa etc mas ninguém ajuda. Muitas vezes, solidariedade é só mesmo de boca.

H. Borges disse...

“Solidariedade… que futuro?”

É obvio que o estado não pode suprir todas as necessidades de âmbito social e de intervenção solidária, mas será este um dado completamente adquirido, válido e legitimo?

O Estado, e entenda-se todos nós, tem a responsabilidade de, zelar, verificar, acautelar e enveredar todos os esforços para que os seus cidadãos se sintam num plano equitativo e justo dentro da sociedade onde se inserem.

Veria com melhores olhos, uma reestruturação, verdadeiramente revolucionaria, do ministério da Segurança Social ou um outro eventualmente a ser criado para os propósitos de uma verdadeira sociedade solidária.

Não seria eventualmente possível adoptar medidas verdadeiramente eficazes com a intervenção do estado?

Concretizando, todos sabemos que maior parte das vezes os valores doados pelos cidadãos e empresas a organizações de solidariedade e instituições de cariz solidário, são canibalizadas pelas próprias instituições/associações para a manutenção das infra-estruturas com os custos fixos da própria actividade. ´
Não seria mais construtivo e eficaz, por exemplo, e pegando nas empresas convidadas no programa:

- Isentar o pagamento de combustíveis, no âmbito da sua actividade, as instituições de solidariedade?

- Isentar o pagamento de infrastruturas e telecomunicações?

- As empresas retalhistas e de distribuição, serem, mediante acordo social e com contrapartidas reais, assumir um compromisso de doação de viveres e géneros?

Ou seja o papel do estado pode e deve ser melhorado em toda esta realidade, é efectivamente bonito ver empresas e cidadãos darem, e quererem ajudar quem precisa, mas por vezes, e no que toca às empresas, muitas vezes um aproveitamento e manipulação das campanhas que desenvolvem de solidariedade.

É certo que cada um dá o que pode, mas a verdadeira solidariedade é que se faz sem esperar qual retorno, financeiro ou social.

HB

Tidjon disse...

Toda esta parafernália de campanhas de solidariedade por parte das empresas, sob a alçada da propalada responsabilidade social, está muito bem, mas convinha que essas mesmas empresas aplicassem o mesmo principio para dentro. Eu explico, que efectuassem um esforço real no sentido de manter os empregos dos trabalhadores, que promovessem, de facto, a real valorização do empregado, seja através da melhoria das condições salariais, formação para além daquela a que estão obrigadas por lei, etc, etc.
Isso é responsabilidade social das empresas! Pergunte ao Sr. "Auschan" quanto ganha por hora um repositor que trabalha na reposição da loja depois da mesma fechar?!...
Se as acções que inicialmente referi servem apenas de cosmética, então não há responsabilidade social por parte das empresas, apenas o aproveitamento publicitário de um chavão sonante!

lady_blogger disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
sonharamar disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
pe disse...

EXEMPLOS DE "GENEROSIDADES" INTERESSEIRAS DE EMPRESAS:


EXEMPLO 1: uma empresa muito conhecida a nivel mundial que é a McDonalds, tenta mostrar uma faceta mais generosa para com crianças, dando-lhes presentes e outras ofertas, mas na realidade usa essa mesma generosidade para convencer as crianças de que comer hamburguers e batatas fritas é bom (surpreenda-se: nos EUA muitas salas de aula para crianças têm publicidade à McDonalds), o que faz com que ganhem clientes logo desde muito cedo. Para além da questão da imensa publicidade que têm nos média, entre outras vantagens.

No entanto, esta empresa comete crimes contra a natureza porque contribui directamente para a sua destruição e o sofrimento e morte de biliões de animais por ano. Em questões sociais, a McDonalds também é conhecida por explorar os seus empregados, e em prejudicar muito a saúde das pessoas que consomem os seus produtos.




------


EXEMPLO 2: Há cerca de ano e meio, houve uma iniciativa ambiental de reflorestação, da iniciativa da Vodafone (Se não me engano) e de um banco (que não me lembro).
Na reportagem (publicidade gratuita) que foi mostrada na televisão, os responsáveis disseram que o seu "único" objectivo era ajudar a reflorestar portugal, proteger a biodiversidade, etc etc... E pelos vistos as pessoas aceitaram todos os argumentos sem sequer reflectirem primeiro do que poderia haver por detrás...

Pois eis aqui o que se passou verdadeiramente: Essa acção ambiental foi uma autêntica FRAUDE e um "greenwash" a todos os níveis.
Disseram que foram plantadas cerca de 3000 árvores, e TODAS elas eram pinheiros BRAVOS, uma árvore que não é natural de Portugal, que prejudica a biodiversidade e ecosistemas de Portugal, e que é plantada unicamente para produzir madeira. Ou seja, plantaram árvores em terrenos que depois servem UNICAMENTE para serem cortadas para produzir madeira, e ainda por cima dizendo falsamente que é para proteger a natureza quando na realidade se trata de interesses económicos.


EXEMPLO 3: Durante bastante tempo foi anunciado num comercial na televisão, que uma determinada marca de águas minerais estava a oferecer alguns cêntimos (menos de 5 se não me engano) por cada água comprada, dizendo que cada garrafa comprada equivalia a uma árvore plantada. ORa isto é mais uma vez pura mentira, pois trabalho em viveiros e esse custo nunca conseguiria ser suficiente para plantar uma árvore, além de que contactei essa empresa para explicar essa questão, e nunca quiseram responder.





Estes são apenas alguns exemplos que demonstram os verdadeiros interesses destas empresas. Não nos esqueçamos igualmente que também ao darem donativos, fazerem mecenato, estas empresas além de muita publicidade, clientes, ganham também nos impostos.

Obviamente que mais vale pouco do que nada, mas não venham cá dizer mentirosamente que fazem o que fazem apenas porque se preocupam com as causas, quando sim, se preocupam com os lucros que dai obtêm.


Felizmente existem alguns exemplos (poucos) que são de verdadeira solidariedade.

Cumprimentos

H. Borges disse...

Muito bem, existem doações que não são apenas finaceiras ou nomeadamente em númerário.

Mas são apenas pontuais, e abrangem um pequena franja das associações/instituições, porque não generalizar?

Por que não implementar uma "obrigação" verdadeiramente real de solidariedade?

Todos nós, empresas e cidadãos, retiram uma mais valia da sociedade onde estão inseridos, por que não instituir uma obrigatoriedade de contrapartidas reais?

Tidjon disse...

Apenas uma pequena achega ao comentário anterior... para não parecer que estou de alguma forma a perseguir a instituição Auschan...

Onde é que estava a responsabilidade social da Galp quando manteve artificialmente, elevados, os preços dos combustíveis?

É tudo, boa tarde.

sonharamar disse...

Nem parece um programa sobre solidariedade. Parece só publicidade e marketing. As empresas a gabarem-se dos seus pequenos feitos para ficarem bem vistas aos olhos do consumidor. "a minha empresa tem "responsabilidade social" e por isso é melhor que as outras."
A verdadeira solidariedade não inclui a hipocrisia. O cumulo é com a Galp. todos sabemos o preço da gasolina, onde é que estava a "solidariedade social"?
Essa pseudo solidariedade é apenas e só mais uma forma de publicidade.

ASS: Pedro Silva

lady_blogger disse...

Agradeço o esclarecimento da sra. Teresa da Sol, e até o convite. Já nos conhecemos. Quando me referi a 22 crianças, falava das que lá moram.
Reforço aqui os votos de Feliz Natal à Sol!

CC

Maria Mendes

EuMesma disse...

Boa tarde a todos/as!

A solidariedade social das empresas é fundamental, é um facto. Mas é necessário apostar-se na capacitação das organizações/instituições/pessoas para que estas possam tambem responder de forma mais directa com as pessoas que tem mais carencias. Muitas vezes o que acontece é que depois dos apoios prestados pelas empresas colmatam as necessidades das instituições apenas no momento, quando sao necessarias a longo prazo.E aí tem de se apostar na formação para a gestao/mobilização dos recursos que muitas vezes sao desperdiçados por falta das mesmas. Às vezes os meios existem e depois nao sao devidamente geridos, tambem porque muitas vezes os que dao a cara por essas organizações sao voluntarios com outras actividades, que nao tem essa formação para uma gestao concertada da instituição. Gostaria que focassem tambem esta tónica.

Com os melhores cumprimentos;

Boa tarde a todos.

N.O

lady_blogger disse...

O Banco Alimentar deve ter mais cuidado ao dar coisas a alguém, isto porque este Verão vi em Monsanto enlatados fechados e ainda dentro do prazo desprezados numa sucata.

CC

Maria Mendes

pe disse...

"Nem parece um programa sobre solidariedade. Parece só publicidade e marketing. As empresas a gabarem-se dos seus pequenos feitos para ficarem bem vistas aos olhos do consumidor. "a minha empresa tem "responsabilidade social" e por isso é melhor que as outras."
A verdadeira solidariedade não inclui a hipocrisia. O cumulo é com a Galp. todos sabemos o preço da gasolina, onde é que estava a "solidariedade social"?
Essa pseudo solidariedade é apenas e só mais uma forma de publicidade."



Concordo totalmente. Parabéns pelo comentário.

Os consumidores têm de acordar e não se deixar manipular por estas empresas.

lady_blogger disse...

Agora um conselho a quem recebe algo que não deseje:
Dê ou procure saber quem precisa do que deram a si. Não estrague! Se a si não faz falta, pode fazer à 1.ª pessoa que encontra na rua, ou ao seu vizinho a quem você nunca prcura como está.
Fica a sugestao.

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Não se esqueçam de responder às necessidade da Liga Portuguesa Contra a Sida, que na lista solidária dos CTT pede obras de arte para vender. Será um pedido diferente este?!

CC

Maria Mendes

Tidjon disse...

Agora exige-se uma pequena correcção ao "Sr. Auschan". Existem mais empresas com a certificação de responsabilidade social, e apenas para enumerar uma, as Águas do Algarve.

Atentamente.

pe disse...

Cara Fernanda e todos os leitores...


Gostaria de recomendar ler um livro excelente, chamado "conversas com Deus" de Neale Donald Walsh. Será uma excelente prenda de natal ;)

Experimente.

Cumprimentos e boas festas.

H. Borges disse...

Caro pe

É sem sombra de dúvida um belo livro.

Subscrevo a sua recomendação

HB

lady_blogger disse...

Neste Natal e durante todo o ano sejamos Solidários das formas que pudermos!

CC

Maria Mendes

lady_blogger disse...

Gostaria de poder lutar por causas sociais e congregar ajudas para quem necessitasse. Pena que não tenho dinheiro nem tempo para ajudar todos os necessitados.

CC

Maria Mendes

Sandra Bastos disse...

ÓH lady_blogger!!! Tendo em conta que passa todooooos os dias (ou quase) a ver o SC 1h30, de certeza que se quisesse tinha "este" tempo para iniciativas de solidariedade. Começar a fazer comentários às 10h da manhã e terminá-los às 4 da tarde...contendo "pérolas" como as de hoje em relação à Casa Sol não se inclui propriamente no âmbito da responsabilidade social que cada um de nós tem de ter em prol de terceiros.

lady_blogger disse...

Eu não quis criticar ninguém, se assim intrerpretou lamento. Só queria colocar uma questão. Até porque é de louvar a dedicação a uma causa como a da Casa Sol.
E se a Sra. Sandra Bastos sabe que passo pelo SC todos ou quase todos os dias é porque também por cá anda. Não será?
E está enganada, por acaso não vejo nem estou cá desde manhã até à noite como lhe deve parecer, mas passo cá com quase tanta frequência como a que abro o correio. Pelo menos não perco tempo com novelas.
E quem lhe diz que não sou solidária? Mas isso não interessa...
E vir ao SC pode ser uma forma de solidariedade. Veja quantas vezes é aqui debatido temas de causas sociais aqui no SC.
Tenha um Bom Natal Sra. Sandra!

CC

Maria Mendes