quarta-feira, janeiro 7

Bebés precisam-se!

A insuficiência de incentivos à natalidade, a instabilidade do mercado de trabalho, a situação económica, o fato das mulheres preferirem ter filhos mais tarde, o aumento da infertilidade (masculina e feminina), são algumas das causas que explicam a baixa natalidade que se regista no nosso país.
Portugal tem assistido a uma constante diminuição dos nascimentos a par de um aumento da esperança média de vida. Se nos próximos anos a natalidade não aumentar, a população será cada vez menos ativa e escassearão os contribuintes para a Segurança Social.

Convidados
Fernando Castro, Presidente Associação Portuguesa de Famílias Numerosas
Ana Bela Pereira da Silva, Presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Empresárias
Ana Aroso, Médica obstetra
Carlos Pereira da Silva, Professor Catedrático do Instituto Superior de Economia e Gestão

21 comentários:

martagaspar disse...

Boa tarde.Só cheguei agora. Dizem que a geração dos meus filhos - 49,46 e 39, é a ultima geração que respeita os Pais e a primeira a ter medo dos filhos e a obedecer-lhes.
Se me casasse agora não queria engravidar. É perigoso e dificil, educar 1 filho, nos dias de hoje. É surreal, quase.

Moka disse...

Boa tarde!
Acho que seria de todo muito importante falarem dos milhares de casais que lutam por um filho e não o conseguem por razões de infertilidade!! E a resposta que o Estado tem para eles são as listas de espera que desesperam qualquer um, para não falar da idade que vai avançando e não espera por ninguém. Pelo privado, só se tiverem pais ricos ou forem ao BES!! Ajudem quem não tem nenhum e luta todos os dias por isso! Obrigada.

Luisa disse...

Olá a todos!

Fui mãe em 2008, tenho 27 anos. Decidi ser mãe agora porque tinha apoio dos avós. Isto porque a minha filha fica com os avós enquanto eu e o pai trabalhamos. Se tivesse que colocar a minha filha num berçario não teria sido mãe tão cedo.
É urgente criar uma rede pública de berçarios, pois esse é o grande dilema para muitos pais. Irá para a pré primária (se tiver vaga) aos 3 anos. Os primeiros anos são muito dispendiosos para quem recorre a infantários.
Felicidades e coragem, pois um filho é a melhor coisa do mundo!

Susana

silvia Marques disse...

Gostava de deixar o meu parecer sobre este tema que tanto me diz respeito, dado ser uma mãe de 2 crianças e desejar um terceiro.
Contudo as despesas e a gestão profissional é mt complicada

Concordo plenamento com o pres da asso de familias numerosas qd refere que o nosso governo não apoio de qq formas as familias trabalhadoras, apenas nos penaliza.

Não recebe abono pois tenho um "elevado IRS", pago o valor máximo do infantário da filha mais nova pela IRS...

A rede publica de infantários não serve as necessidades das familias trabalhadoras, dado que o horário é das 9 ás 15h.

As politicas do governo apenas subsidiam as familias carenciadas que vêm num filho um acréscimo de rendimentos, dado que não fazem descontos para a seg social, pois não exercem qq actividade mas recebem a licença, bem como o valor máximo do abono e outros subsidios.

Silvia Marques

sandra disse...

Boa tarde
Concordando com o Sr. Fernando Castro, não preciso de incentivo para ter filhos, pois gostaria de ter 3, e só tenho 1. O que preciso é de condições e não querendo ser pessimista, enumera-se:
- Abono de família (parece que fui considerada rica, logo não tenho direito),
- Pressão das empresas “ameaçando” despedimento se engravidar,
- Numa entrevista de emprego se digo que tenho uma filha pequena, nota-se logo a mudança de semblante, e nota-se que fico logo excluída…
- Cresces e berçários!? Onde? Inscrições têm de ser assim que se engravida e mesmo assim…é melhor ter cunha.
- Custo de roupa, comida, saúde, educação.
E podia continuar…
Mas no meu caso, e aproveitando a presença da Dra. Ana Aroso, há mais uma razão para não ter mais nenhum filho, a forma como fui tratada no parto. Pois os hospitais e os obstetras não estão preparados para uma mãe que solicite um parto humanizado e somos vistas como extraterrestres ou loucas e as marcas que isto deixou em mim foi tal que não sei se quero passar pelo mesmo de novo.

martinhaa disse...

boa tarde!
é verdade que os filhos não saem barato!posso ver as despesas que a minha mãe tem connosco, estou na faculdade e sempre que há oportunidade faço alguns fins-de-semana para ganhar um extra para despesas, mas o meu irmão com 13 já não é bem assim, em fase de crescimento constante, além da alimentação o vestuário é no que se gasta mais!não temos qualquer tipo de apoios, nem bolsa de estudo nem nada!

é claro que se pudessemos, nós jovens mulheres teríamos filhos, mas como o vamos fazer se nem emprego estável arranjamos?não há dinheiro para poupar, quanto mais para ter uma criança!
talvez um dia tenha a sorte de ganhar o euromilhões e aí possa contribuir dignamente para o crescimento da natalidade no nosso país!

boa tarde para todos,

Marta Loureiro

Kella disse...
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Luisinho disse...

Como é possível que nas instituições apoiadas pelo Estado seja dada prioridade de inclusão das crianças filhas de pais a receber subsidio de desemprego ao invés de filhas de pessoas trabalhadoras?Não seria normal que estando os pais desempregados tivessem maior possibilidade de cuidar dos filhos e ficar com eles em casa?

Luisinho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Romy disse...

Boa tarde a todos, já sou avó tenho 54 anos , só tive uma filha porque trabalhava e não tinhamos apoio de ninguém, tenho uma netinha de 5 anos, eu e o meu marido ajudamos no que podemos, a minha filha até gostava de ter mais um filho, mas realmente o estado não facilita a vida á classe média, os colégios são carissímos , a roupa idem a alimentação é o que se sabe da mais cara da Europa,como não havia casas para alugar toda a gente teve de comprare, crest renda leva um ordenada, assim é muito difícil ter mais que um filho, e as que o têm e trabalham e no caso da minha filha que está na Universidade, temos que dar os parabéns, são umas heroínas.
Cumprimentos

Luisinho disse...
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C.F. disse...

Adiei durante muitos anos a maternidade em função de uma carreira profissional. A vontade de ser mãe sempre existiu e aos 38 anos, após 3 anos de tratamentos fui premiada com a notícia de que iría ser mãe de gémeos. A felicidade plena durou pouco tempo, aos 2 meses de gravidez a multinacional americana onde trabalho há 18 anos comunicou-me que tinha sido incluída num processo de despedimento colectivo (que ainda está a decorrer) que envolvia 2 pessoas (obviamente que me disseram que esta situação nada tinha a ver com a minha situação de grávida...). Convém salientar que sempre fui uma profisional dedicada, responsável, habilitada, com resultados excelentes e avaliações acima da média. Esta é a nossa triste realidade, não existe qualquer responsabilidade social nas empresas. Continuo a desejar muito ter os meus bebés nos braços mas tenho medo do que o futuro me/lhes reserva.
Sinto que fui demasiado castigada por ter não ter resistido ao desejo de ser mãe.
Carla

Kella disse...

Boa tarde!
Tenho 36 anos (faço-os hoje) e tenho 3 filhos. Concordo que não é fácil criar as nossas crianças nos dias que correm, especialmente com a pouca ajuda que recebemos do estado.Sou professora e passo grande parte do dia a "criar os filhos dos outros" em vez de poder ficar em casa com os meus!Felizmente o meu marido, que também é professor mas no regime nocturno, fica com os nossos durante o dia.Quando chego, ao fim da tarde, cabe-me a mim o jantar, os banhos e a hora do deitar.Quase não nos vemos mas,sabemos que estamos a fazer o melhor pelas nossas crianças.
Raquel Henry

Rita Nora disse...

Boa tarde.
Relativamente a esta questão, penso que a sociedade em que se vive hoje é demasiado consumista, deixando de lado os valores e os sentimentos que é o que realmente importa. Ninguém pode negar que a conjuctura económica actual não é favorável, mas penso que os pais ainda não se consciencializaram de que é necessário dizer não.Que em vez de compensarem os filhos através de bens materiais pelo tempo que não estão com eles, talvez fosse mais produtivo aproveitar esse tempo livre num passeio ou num momento de lazer que não envolvesse necessariamente gastar dinheiro.
Tenho 22 anos e a minha infância sempre foi baseada na conversa e compreensão, até mesmo quando queria um brinquedo e os meus pais não tinham forma de mo dar naquele momento, ainda assim eu sabia entender.
É essa mentalidade que deve ser cultivada hoje, porque as crianças hoje em dia vivem num "mundo fácil", muito também por culpa dos pais.

Margarida Clemente disse...

Boa tarde!
Gostaria de dar o meu contribuito para a discussão.
A dificuldade sentida por muitos casais em conseguirem partilhar o mesmo espaço é também um factor que contribui para que muitos adiem a decisão de serem Pais.
Muitos casais vivem a experiência de trabalharem em locais afastados que os obriga a viverem separados e a estarem juntos apenas ao fim de semana.
Quando o local onde trabalham difere do local onde as famílias residem é difícil tomar uma decisão tão importante, uma vez que não se tem apoio familiar e os empregos são instáveis e a situação financeira é frágil.
Tenho 33 anos e ainda não sou Mãe, devido exactamente ao facto de viver esta situação!
--
Margarida Clemente

paty disse...

Quando dizem que as mulheres portuguesas não querem ter filhos essa hipótese só abrange cerca de 5% dessas mulheres, as outras querem , porem é-lhes difícil ter mais que dois filhos.Isto acontece,ou por motivos económicos (pois com a falta de rede publica de infantários e creches e respectivos horários que estes praticam só restam os particulares que cobram exorbitâncias por criança ),motivos sociais (os avós na maioria ainda trabalham ,como pode ser possível estes ajudarem os netos...)motivos profissionais (pois é... ainda existem pessoas que são despedidas por engravidarem ),esta é a realidade do nosso Pais.

Le Petit Picasso disse...

Daniel

uma rede de apoio poderia consistir em implementar creches gratuitas nas universidades, nas empresas, aliviando os encargos familiares e promovendo a natalidade em idades mais saudaveis. Contribuir para uma diminuição de impostos para jovens casais, facilitando a aquisição de estabilidade nas novas famílias. As autarquias deveriam fornecer actividades de baixo custo (natação, educação musical, outras actividades) em vez de criar recintos privados pagos pelo estado sem contributo para a sociedade. Haveria tana coisa para fazer... é só pensar de forma comunitária e deixar interesses privados

Ana Maria disse...

Boa tarde a todos. Tenho estado a acompanhar o vosso programa e gostaria de manifestar a minha opinião sobre o mesmo.
Não tenho filhos, ainda, pois a vida não me proporcionou condições financeiras, estando neste momento desempregada.
Como exemplo de maternidadde tenho a minha Mãe, que deixou o emprego para cuidar do meu irmão e de mim. Claro que a minha mãe teve condições para isso e também não tinha os avós por perto para nos deixar. Penso que não têm de ser os avós a ter a obrigação de deixar de trabalhar, reformando-se, para cuidar dos netos. Penso que a educação de uma criança é, sobretudo, uma obrigação dos pais! A sociedade é que não está programada para dar apoio aos pais e poucos são os empregos que permitem aos mesmos fazer esse acompanhamento aos filhos.
Gostaria que quando tiver filhos pudesse acompanha-los como a minha Mãe o fez... claro que é um sonho, só não sei se se irá realizar.

sofia wahnon disse...

Tal como a Sandra, também eu fiquei traumatizada pela forma como fui tratada na MAC, em Lisboa, em 2003, quando o meu filho nasceu: fui gozada pelo pessoal por pedir, assim que entrei em trabalho de parto, uma epidural. Disseram-me com grande frieza que tinha que aguentar pois "doer é natural". Sei de muitas experiências desagradáveis em maternidades públicas do nosso país, que de facto não estão preparadas para um parto mais humano.

sofia wahnon disse...

De lembrar ainda que, a não ser que o casal (a mãe, em particular) decida ser acompanhada no Centro de Saúde por um médico de família, tendo aí que aguardar pela sua vez por vezes várias horas seguidas, as consultas MENSAIS num médico ginecologista/obstetra particular, custam em média 65 euros. Só mesmo com grande sacrifício...

Anjos disse...

Olá.
Cheguei tarde ao blogue pois os meus filhotes sugaram-me literalmente o tempo!Mas queria dar os parabéns ao programa e ao tema.
Sem duvida que hoje em dia as expectativas se alteraram,procuramos melhores condições para criar os nossos filhos.
Sou mãe de dois filhos e sempre foi meu sonho ter muitos filhos,mas devido a uma série de questões foi se esbatendo esse sonho e práticamente colocado de parte.
Hoje olhamos o futuro com cautela e receio.Os gastos são muitos,os abonos em vez de aumentar são reduzidos,ainda ontem recebi carta da segurança social com a actualização do abono dos miúdos que passa a metade pois a mais nova atingiu 1 ano de idade!Pois parece que as politicas são mesmo de estimular nascimentos!Só nascimentos...depois deixam de ser apoiados,crescem e são educados com valores miseráveis,porque consideram os nossos rendimentos altos?!Dá para rir!
Bem se realmente nós servimos de espelho a outros casais que sendo do nosso ciclo de amizades pretendem seguir o exemplo e ter mais de 1 filho,acho que em breve abrem os olhos e já ninguém quer ter mais filhos porque os sacrificios e privações são realmente muitos!