segunda-feira, fevereiro 2

Vem aí a lei do sal?

Já este ano foi entregue na AR, via PS, uma proposta de lei para regular a utilização de sal na confecção de pão e nos produtos pré-embalados. A proposta é de 1,4 gramas por 100 gramas de pão.
A proposta, já contestada, tem como objectivo aproximar-nos dos níveis salinos dos países da UE. O argumento é que Portugal tem, actualmente, uma das maiores taxas de mortalidade por AVC da Europa, havendo provas de que a ingestão excessiva de sal pode provocar lesões directas no sistema cardiovascular e em outros órgãos, associando-se por esse facto ao aumento do risco de acidentes cardiovasculares e de mortalidade global.

Convidados:
Fernando Pádua, Médico Cardiologista
Elsa Feliciano, Associação Portuguesa dos Nutricionistas
Maria Antónia Peças, Co-autora do Livro “Sem Pedra de Sal”
Henrique Sá Pessoa, Chef

29 comentários:

Sandra Bastos disse...

Será o sal um hábito ou uma solução rápida? Digo isto porque no corre-corre diário o sal acaba por ser uma resposta rápida para comida com algum sabor.

madame M. disse...

Sou a favor de uma legislação que controle a percentagem de sal nos diversos alimentos: pão, pre-confeccionados, aperitivos, batatas frita, bolachas, tostas, etc, pois é um factor de risco e de custos muito elevados na saúde pública portuguesa. Na minha casa eu controlo o teor de sal e o tipo de sal que utilizo na cozinha e gostaria que a industria alimentar fizesse mesmo. Sou filha e neta de vitimas de AVC.

Martinha disse...

Dr. Fernando Pádua

Tenho 37 anos, 1.68 m e 64 kg. Tento fazer sempre uma alimentação equilibrada e algum exercício físico. Tenho, no entanto, a mão um pouco pesada para o sal. Apesar disso a tensão arterial situa-se entre os 12 - 7. A pulsação cardíaca, e é aqui que está o problema, é acelarada. E, à cerca de 3 semanas, a acelaração cardíaca estava de tal forma acelarada, que tive de ir à urgência do hospital. Estava em pânico e a tremer, com dor no braço e no peito.
Fizeram-me um electrocardiograma e estava bem; as análises ao sangue também estavam. A tensão arterial estava entre 148 - 80. A pulsação cardíaca, ninguém me disse, mas devia estar a mais de 100 pulsações/minuto.
Vim para casa com uns calmantes e não posso tomar café nem exagerar no sal.
Agora estou bem, mas não posso lembrar-me que me dói o coração, se me lembro dói-me mesmo.
Não percebo o que é isto, uma vez que na minha vida corre tudo normalmente. Será psicológico ou devo consultar um cardiologista?

Parece que precisava de um susto destes, para diminuir o consumo de sal.

Cumprimentos
Martinha

Pedro disse...

Boa tarde,

Sou contra este tipo de legislação não pelos malefícios que o sal em excesso acarreta mas pelo teor de tal medida restritiva. Concordo que seja obrigatória a indicação da quantidade de sal e que sejam promovidas campanhas de esclarecimento e sensibilização da população. Contudo, restringir por lei a quantidade de sal é impedir as pessoas de comerem o que preferirem e nesta linha de pensamento deveria-se também regulamentar a quantidade de "fast food" ingerida, a quantidade de álcool, etc... Informação sim, proibição não!

H. Borges disse...

Boa tarde!

Gostaria de saber, em termos comparativos, dos benefícios/malefícios entre o Sal marinho e o Sal refinado.

HB

DiCastro disse...

Concordo com a frase do Pedro abaixo, "deveria-se também regulamentar a quantidade de "fast food" ingerida, a quantidade de álcool, etc..."

Todos nós deveríamos ser "ensinados" a comer bem, ter acesso gratuito a consultas de reeducação alimentar... A grande maioria dos portugueses não sabe o que realmente lhes faz bem à saúde utilizando ainda mitos da altura dos avós que já não se adequam à sua epóca.
Somos um povo conhecido por comer "muito e bem", mas tal como temos pé pesado para o acelarador também temos mão pesada no que toca ao sal na comida!

Cumprimentos.

Carlos Rebola disse...

Considerando que o sódio é essencial ao metabolismo. Será que devemos consumir mais sal no Verão devido à perda daquele elemento pela transpiração?

H. Borges disse...

Agradeço terem falado acerca das "qualidades" e respectiva comparação entre o sal marinho e o sal refinado.

Mas acerca da explicação dada, não fiquei inteiramente esclarecido, o sal refinado não sofre durante o processo de refinação uma adição de agentes branqueadores e de aditivos quimicos?

Enquanto o sal marinho, o seu processo de obtenção advém de uma cristalização natural mantendo as proiedades minerais orinais como por ex.:

Potássio
Ferro
Cálcio
Iodo
Magnésio
etc.

HB

João disse...

A utilização de sal permite à comida adquirir mais paladar. A sua moderação é necessária mas creio que não deva ser passível de legislação. Aliás, sempre que se legisla parece que se cria uma ordem à qual as pessoas tendem a gostar de desobedecer. Enfim, creio que nos encontramos no mundo para cumprir uma série de obrigações biológicas, entre as quais nascer, procriar e morrer! Todos vamos morrer, é um dado certo. Viver até aos 100 anos, pelo menos a mim, não me seduz absolutamente nada! Sem sal a comida não terá o mesmo charme. O pão em particular, sem sal, é mau de mais para sequer pensar nisso. O que acho é que o ser humano tem demasiadas obsessões com a saúde! Creio que para contrariar os problemas de saúdes básicos, uma dieta diversificada e exercício físico frequente e constante (sim, durante toda a vida) chegam e bastam! Sal com moderação, pois claro...aliás, se há coisa que detesto é comida a saber a sal, um calcanhar de Aquiles de muitos restaurantes nacionais!

andoàderiva disse...

Boa tarde
Creio que é um temendo exagero a quantidade de sal que os nossos padeiros pôem no pão. A própria associação de panificadores em vez de se unir para "cartelizar" os
preços deveria unir esforços para reduzir progressivamente e de forma global essa quantidade, de modo a "educar" o paladar dos consumidores.
Fica aqui o desafio...

Paulo Aguiar disse...

Um dos alimentos que os portugueses mais consomem, e que é fonte de grandes quantidades de sal é o pão. Felizmente existem programas de redução do sal no pão. Aqui no concelho de Arouca o Projecto Pão.Come desde Março de 2007 tem contribuido para a redução gradual da quantidade de sal no pão. Penso que todas as padarias aderiram e os resultados são apreciáveis.

Pedro disse...

Boa tarde,
Todos os consumos devem ser efectuados com sensibilidade e bom-senso.
O primeiro passo a ser dado tem de ser o do esclarecimento inequivoco do consumidor e de quais puderão ser os efeitos na saúde. O livre arbitrio fará o resto.

Por experiência pessoal posso dizer que com força de vontade e persistência se pode abdicar do consumo do sal e açúcar substancialmente.
Já há mais de um mês de deixei de consumir açúcar branco e neste momento a única bebida que adoço ligeiramente é o café e apenas com açúcar amarelo.

A minha questão passa por saber qual deverá ser o consumo mínimo destes minerais e se a ingestão dos mesmos nos alimentos como o pão é suficiente para uma alimentação equilibrada, ou se ainda assim é necessário complementar com sal nas refeições preparadas em casa.

Pedro C
Lisboa

Moi même disse...

Olá, boa tarde!

Aqui em casa utilizamos pouco sal nas refeições, para não dizer que por vezes até é esquecido.

Tenho 4 filhos e quando estes eram pequenos, foi recomendado pelo pediatra, redução do sal para metade da quantidade que utilizaria normalmente.

Rosa Moreira

david leal disse...

Desde pequeno fui educado pela minha mãe a consumir menos sal, e por o meu pai a consumir muito sal. Nesta situação tentei manter um ponto de equilibrio. Portanto acho que é mais da "educação" da pessoa, acho que a falta de formação, informação e custume faz das pessoas consumirem mais do que deviam, a nova legislação pode ser aplicada aos restaurantes, industrias, etc, mas se as pessoas não ganharem outro estilo de vida, será mais dificil.

madragoa disse...

O meu marido, de acordo com o médico, tem de ingerir mais sal pois tem níveis de sódio muito baixos (Doença de Addison). Além disso, ele também aprecia comida bem salgada. É 1 grande problema cá em casa fazer refeiçoes adequadas para ambos (à excepção das que permitem adição de sal no próprio prato...como a sopa!)

manucha disse...

Boa tarde
esta proposta de lei vai tb abranger os produtos de alimentação infantil?
Pois como dizia e mto bem o Prof.Fernando Pádua não chega reeducar os pais, é necessário que os produtos á venda e as publicidades direccionadas ás crianças tb sejam alvo desta regulação...
E esperemos que asseguir venha a regulação do açucar!
Gostaria que a Dr Elsa Feliciano esclarecesse a questão do sal refinado versus sal marinho, a informação que tenho é de que devemos ingerir alimentos integrais ou seja não refinados ( sal, açucares,arroz, massas,etc...)
pois estes não sofrem adicção de agentes branqueadores e produtos quimicos, não é assim?
Obrigado

Estêla-mágica disse...

Uma receita fantástica para cozinhar sem sal e acentuar o sabor natural dos alimentos é ao vapor. Eu não queria acreditar mas de facto é verdade: desde que cozinho, por exemplo, os legumes ao vapor que prescindo de qualquer tempero e a comida não perde o sabor nem fica insonsa.
Ass.: Maria João

Livros de Ciências Farmacêuticas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
luisa disse...

Boa tarde
Só à segunda-feira é que vejo o vosso programa com bastante pena minha.
Quanto ao uso e abuso de sal já há muito tempo que uso ervas aromáticas. Quando vivia em Lisboa tinha-as em vasos e floreiras. Qualquer pessoa pode ter vasos na cozinha ou na varanda.Agora que tenho jardim continuo a ter algumas em vaso para estar perto da cozinha quando chove e outras estão na pequena horta. É dificil habituar os portugueses às ervas tais como tomilho, alecrim,etc

Pedro disse...

Quem tem sal em casa que o passe a usar para uns banhos de sal grosso que são bons para a fastar o mau olhado!!

Joana disse...

É verdade que o sal contribui para o aumento da celulite ou que, de alguma forma, engprda?

aoliveira disse...

O sal engorda?

andré oliveira

Carol disse...

Prof. Padua,
considera a PIMENTA um bom substituto do sal, para temperar grelhados (peixe e carne)?

susana paulo disse...

Por falarem em alimentos dietéticos: Penso que não é dada muita importância ao "sem sal" ou "sem açúcar" e há muitas pessoas com doenças crónicas que têm bastante dificuldade em seguir dietas saudáveis que não prejudiquem a sua saúde. Não podem comer sal, mas é dificil diversificar a alimentação, há uma escassez de alimentos sem sal.

Antístenes disse...

Legislação que limite ou mesmo erradique a presença de sal, ou de outros produtos tais como óleos vegetais hidrogenados - que possuem gorduras trans -, é manifestamente necessária.
As afirmações do responsável da FIPA provam esta necessidade: ele não quer legislação limitante.
Confiar na indústria é totalmente absurdo. A industria faz dinheiro não só à custa do uso de ingredientes de baixo custo, mas também com combinações de sabores que promovem o consumo repetitivo de determinados "alimentos", tais como as batatas fritas ou as barras à base de açúcar. O sal, o açúcar e os óleos hidrogenados são os ingredientes essenciais para a criação de habituação dos sabores.
Além do acima, a indústria tem um problema grave com a limitação do sal:
as comidas pré-feitas precisam de sal para evitar o crescimento microbiano.

Moral da história:
O melhor é confeccionar alimentos em casa em vez de os comprar feitos.
E a legislação é necessária.

Quanto à flor de sal, isso não passa de golpe publicitário:
Sal é cloreto de sódio.
Vindo do mar, da mina ou de indústria química, NaCl é sempre NaCl.

A única coisa que poderá variar serão os teores de OUTROS sais presentes.

Sugestão: em português escreve-se “chefe” e não “chef”.

Um Tecnologista Alimentar

Sofi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
luis salgado disse...

Que tal usar o molho de soja, o shoyu e o tamari como temperos.

Sofi disse...

Boa tarde. Queria so chamar a atenção para o seguinte aspecto. Ao longo do programa falaram sobre o pão e a quantidade de sal que é adicionada na sua confecção. Facto é que quando me dirijo a uma padaria ou mesmo a um super ou hipermercado, não tenho acesso à quantidade de sal presente no pão (bolas, carcaça, pão alentejano)e apenas aos ingredientes que este tem. São seria este um dado inprescindivel para um consumo informado e selectivo do pão com sal?

andrelima disse...

o comentário não é sobre bem sobre o sal mas em relação à transparência..

o exercício sugerido já o fiz a algum tempo e só não entendo como é que os jornalistas e os meios de comunicação social, que felizmente têm algum poder nesta matéria, não interpelam os responsáveis das câmaras e empresas publicas sobre estes valores..pois ficar à espera de explicações ou justiça é demasiado arriscado..

este assunto no programa de hoje fez-me lembrar o celebre discurso do Padre António Vieira:

"O efeito do sal é impedir a corrupção; mas quando a terra se vê tão corrupta como está a nossa, havendo tantos nela que têm o ofício de sal, qual será, ou qual pode ser a causa desta corrupção? Ou porque é que o sal não salga, e os pregadores não pregam a verdadeira doutrina; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes, sendo verdadeira a doutrina que lhes dão, a não querem receber. Ou é porque o sal não salga e os pregadores dizem uma coisa e fazem outra; ou porque a terra não se deixa salgar, e os ouvintes querem antes imitar o que eles fazem, que fazer o que dizem. Ou é porque o sal não salga, e os pregadores se pregam a si e não a Cristo; ou porque a terra se não deixa salgar, e os ouvintes, em vez de servir a Cristo, servem a seus apetites. Não é tudo isto verdade? Ainda Mal."