segunda-feira, março 2

12 horas de escola por dia?

A Confederação Nacional de Associações de Pais pede o alargamento do horário das creches e jardins-de-infância para 12 horas por dia.
A alteração está prevista no Protocolo de Cooperação assinado entre o MTSS e a Confederação das IPSS, a União das Misericórdias e a União das Mutualidades e poderá ser implementada em breve.
Neste SC queremos ouvir as partes interessadas nesta medida: os pais, os educadores, os psicólogos.
Será benéfico as crianças estarem tantas horas por dia numa instituição educativa? Ou esta medida vem dar resposta a uma real necessidade dos pais que não têm onde deixar os filhos devido aos seus compromissos profissionais?

Convidados:
Albino Almeida, Presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais
Lucília Salgado, Presidente do Conselho Pedagógico da Escola Superior de Educação de Coimbra
António Ponces de Carvalho, Diretor da Escola Superior de Educação João de Deus
Ana Paula Reis, Psicóloga

31 comentários:

Jota disse...

Em Portugal sempre imperou a ideia da quantidade em deterimento da qualidade. Seja como for acho que isto é uma questão de escolha pessoal entre instituições de ensino e pais. Não sei porque é que o Estado há de limitar o horário das escolas.

Jota disse...

agora o "grande pai de todos nós" decidiu que as crianças devem frequentar obrigatoriamente um ano de ensino pré-escolar. Paternalismo ao serviço dos interesses corporativos até quando?

Jane & Cia disse...
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Jane & Cia disse...

Lamento que a sociedade tenha chegado a um ponto que existam crianças que precisem de estar na escola 12h... Felizmente os meus filhos têm avós que podem privar da sua companhia 2 ou 3 horas por dia, até nós (pais) podermos ir buscá-los. Acredito que existam famílias que necessitem desta medida, mas acho que nunca devia ser no âmbito da obrigatoriedade. Para lá de qualquer actividade curricular ou extra-curricular, está a instituição que mais tem sido esquecido nos nossos dias: a família! Para quando uma medida que possa facilitar maior número de horas de convívio entre pais e filhos.

madame M. disse...
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madame M. disse...

Boa tarde,
Tenho as minhas filhas no ensino privado e o horário das actividades após a conclusão das aulas ( 16.20) não vai para além das 18.30h. Mas da direcção deste colégio faz todos os anos um apelo para que os pais as vão buscar até ás 17.30h, limite que a partir do qual começa-se a pagar.
O problema não está nos horários das escolas mas no horário laboral e nas grandes cidades da distãncia entre casa/trabalho.Ou seja o que é preciso mudar é o modo de vida contemporãneo acelerado e perturbante.

Marco Caetano disse...

Nâo me parece uma boa escolha o alargamento do horário escolar. As crianças, neste momento, já respeitam mais os educadores de infância e os professores, que os próprios pais. Reconheço que os pais passam muito tempo nos seus trabalhos, mas não podem deixar de ser os principais educadores.

Elisa Cardoso disse...

boa tarde
escrevo com experiencia do que vi quando trabalhei numa creche/infantário particular...havia pais que já estavam lá a nossa espera antes das 8 da manhã com os filhos as vezes ainda a beberem o biberon e eram os ultimos a irem buscar os filhos....acredito que por vezes seja por excesso de trabalho mas tambem por vezes por não saber o que fazer com os filhos.Neste momento sou mãe a tempo inteiro a quase dois anos....vivo só com o ordenado do marido mas sei o que a minha filha faz, o que aprende, o que come só isso já vale a pena o esforço financeiro....para o ano em setembro vai para a pré para conviver com crianças porque é para a evolução da personalidade dela.....
adoro ouvir falar o dr. António Ponces de Carvalho...
parabéns pelo programa
elisa cardoso

Bounty196 disse...
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Bounty196 disse...

Infelizmente na sociedade de hoje e com as dificuldades que atravessamos cada vez mais os pais estão ocupados e com menos tempo para as crianças. Ao invés de as deixarem sozinhas em casa ou a receberem a formação das ruas não há duvida alguma que a permanência no meio escolar é frutuosa...
Não nos enganemos no entanto, esta medida apesar de ser vantajosa não é de forma alguma a ideal. O apoio e carinho familiar são importantíssimos e o valor da família é inquestionável na formação de uma criança e não há escola que supere isso.
Mais tempo nas escolas apenas serve para remediar uma sociedade mecanizada e impessoal onde o trabalho ocupa um lugar acima da família... talvez seria aqui que deveria começar a vontade de mudar algo.

By Anocas© disse...

Mas os pais de hoje não precisam de ter 2 empregos para alimentar os filhos... Precisam para ter um nível de vida acima da média!

Os meus filhos, felizmente, são criados por mim e para isso abdiquei de trabalhar a full-time, mas claro que tenho um nível de vida abaixo da média... E muitas vezes o meu marido tem que fazer turnos duplos para compensar.

Mas acreditem que no fim vale bem a pena!!!

adorolivros disse...

Penso que o mais importante era permitir que (pelo menos) um dos pais tivesse flexibilidade de horário no trabalho para que pudesse dar apoio aos filhos assim que o horário lectivo terminasse. 12 horas numa escola é algo inaceitável. Ninguém aguenta isso no trabalho, quanto mais numa escola e com aquela idade... O problema não é resolvido com "depósitos de crianças", mas sim com o permitir que estas possam chegar mais cedo a suas casas, acompanhadas de pelo menos um dos progenitores. Este tipo de iniciativas é que se podem designar por "Investir no Futuro".

Não faz qualquer sentido que a maioria das crianças não tenha 1h por dia sem tarefas afectas para poder brincar à sua vontade. Tudo isto se vai reflectir no Futuro e iremos todos ser vitímas deste "desenvolvimento".

Vale a pena pensar nisso...

O livro do dia é muito apropriado, já o li e recomendo (assim como os restantes dos mesmos autores).

Cumprimentos,
MG.

Maria disse...

Boa tarde,

Acho que em Portugal esta muito mal organizado a nível da Educação.
Acho horrível uma criança de 2 anos ter que chegar as oito da manhã e sair as oito da noite. Também acho horrível o tempo de licença de maternidade, o que são 6 meses em casa da mãe? Nada. A minha familia é da Coruña e saem da escola ás 16 horas, pois os pais também já não estão a trabalhar.
Cumprimentos

conchita disse...

12 horas de escola por dia implica o distanciamento entre pais e filhos. Implica chegar ao ponto em que deixa de existir qualquer relacionamento entre ambos e passem a ser estranhos dentro da própria casa.
Podesmo chegar ao ponto de passar de 12 horas de 2ªa 6ª a sete dias por semana.
Se os lares são os chamados "depósitos para velhos" as escolas passarão a ser "depósitos para crianças".
Onde esta a HUMANIDADE???

manucha disse...

Boa tarde
Sou mãe de 2 crianças de 3 e 5 anos e desde então sempre foram a minha prioridade.
Hoje sou uma das poucas mães em que o meu horário profissional me permite ir busca-los ás 17h á creche, mas sem qualquer apoio de familiares, (pois não vivo perto de familiares), garanto-vos que mesmo assim, não é tarefa fácil!
No entanto, muitos foram os problemas profissionais que enfrentei, por colocar sempre os meus filhos á frente da minha profissão e em termos de progressão na carreira ainda hoje me sinto prejudicada.
Ser uma boa mãe e ter uma boa carreira profissional não têm que ser incompativel,no entanto em Portugal, muito ainda têm que mudar !
Obrigado

Samuel disse...

Antes de mais Bem Haja pelo debate...
Gostaria de colocar uma questão...
Quanto a programas culturais prq não se implementa um programa mais q testado "Primeiro Olhar - Programa integrado de Artes Visuais" da Glubenkian??
Samuel Simões - Coimbra

Cristina disse...

Boa Tarde, acho que hoje em dia todos têm demasiadas actividades tanto pais como filhos, parece que têm medo de estarem juntos e não saberem o que fazer. Eu sou Mãe a tempo inteiro e toda a gente me diz que não aguentava. O meu filho tem 2 anos, e na altura fiquei sem trabalho e optei por ser Mãe em vez de iniciar nova carreira. Até hoje não me arrependo acho que é bom para ele, e quando for para a escola acho que lhe consigo dar o melhor apoio do que se estivesse a trabalhar, na Empresa onde estava parecia mal sair antes das 20, e o Pai é bastante ocupado pelo que ele iria estar bastante tempo sem nós ou se calhar ainda não existia ...

Samuel disse...

...o que se sente é que a partir do primeiro ano ainda continua uma "castração" à criatividade desenvolvida até aqui!!...
O que se pode desenvolver mais a nível de expressão Plástica...
por isso a minha questão sobre o programa educativo visual "Primeiro Olhar"

Jorge Manuel G disse...

Uma história de vida.





Fui despedido pela Qimonda por não aceitar as 12 horas de trabalho.



Como poderia aceitar semelhante horário de trabalho e educar a minha filha de 6 anos e que frequenta a 1ª classe.



Mas agora, com o novo código de trabalho, aprovado pelo PS, a entidade patronal poderá dispor da nossa vida como bem entender.



A minha filha, que já tem o Magalhães, não tem papel higiénico na casa de banho da escola, nem sabonete nos lavatórios.



Já tem o Magalhães e partilha o mesmo espaço escolar com mais de 200 crianças do pré-escolar ao básico numa escola com mais de 40 anos.



Imagine este ambiente escolar durante 12 horas diárias. UM ABSURDO!



É necessário dar condições aos pais para o serem!





Vila do Conde, 3 de Março de 2009-03-02





Cumprimentos,



Jorge Gomes

By Anocas© disse...

6 actividades extra-curriculares??

Realmente, que barbaridade!! E eua agora pergunto aos pais do nosso país, por quem são educados os vosso filhos? Por vocês não é certamente!

E digo-vos, porque tenho andado à procura de infanário para o meu filho de quase 4 anos, que não existem praticamente instituições, com as condições básicas necessárias, para que os nossos filhos, lá possam permanecer, é muito triste constactar isto!

conchita disse...

estou de acordo com Elisa Cardoso, já que também trabalhei um ano e meio numa creche/fardim de infância e arrepiava-me mães que deixavam os filho as 7:30 da manhã (hora de abertura) e iam busca-los minutos antes de fechar (19 horas), chegou-se ao cúmulo de serem 19:30 e a criança acompanhada de uma funcionária estar à espera dos pais ou de algum familiar para os vir buscar...

A. Santos disse...

Cara Fernanda,

sou professor do Ensino Público e não consigo compreender o seu silêncio de moderadora enquanto o «senhor Confap» - ah, a raiva que se pode ter dos professores!... -, com a maior das naturalidades, afirma que o futuro da Escola Pública Portuguesa está na capacidade de cada um dos «centros educativos» [ai, George Orwell, o que tu sabias!...] se metamorfosear, a todo o momento, num qualquer «parque de diversões modulável» do tipo da «Quinta do Santoínho», aberto a todos, vinte e quatro sobre vinte e quatro... Ou seja, em meia-hora de copos, boroa de milho e chouriço, conspurcava-se o espaço - para não dizer TEMPLO - onde pacientemente ensinamos aos mais novos o que os poderá proteger da auto-complacência, da estupidez reinante e da barbárie que se adivinha!
Já reparou que, quando esse senhor toma a palavra, entra-lhe «pela casa dentro», qual comissário político em busca da mínima nesga para destilar um pouco mais de ódio sobre os docentes?

Boa tarde!

António Abílio Carvalho dos Santos,
Professor de História do 3.º ciclo,
Vila do Conde

João Paulo disse...

12 horas de escola por dia é simplesmente uma forma de acabar com as responsabilidades dos pais e fazer com que cada vez mais a escola e os Professores assumam responsabilidades que não são suas. Obviamente, vão haver muitos pais a ficar todos contentes.

Isto faz-me lembrar quando tinha as minhas filhas num ATL (pré-escolar), onde havia pais que literalmente despejavam os filhos no ATL às 7 ou 7h30 da manhã e depois (alguns deles, estavam no café desde das 17h e) iam buscar os filhos à hora de fechar, ou seja às 19h.

Por outro lado, pergunto-me para que servem actividades escolares que os alunos têm obrigatoriamente, nomeadamente, Área de Projecto, Formação Cívica, Estudo Acompanhado, etc.

D. disse...

Quando as crianças nascem, os pais têm direito a uma licença parental. No final desta a criança deixa de existir para o estado até aos 3 anos, altura em que se podem inscrever no pré-escolar, mas não há vagas. O pré-escolar funciona até meio da tarde, a maior parte dos pais trabalha até às 19h, chegando a casa depois das 20h. Será que o estado não quer que tenhamos filhos?

By Anocas© disse...

Eu estou verdadeiramente indignada com este tema, quer dizer, em vez de estar a promovor uma melhoria do ensino e das instituições de ensino, em vez de estarem a lutar para que as mães pudessem ficar com os seus filhos, não 6 meses, mas um ano no mínimo, em vez de mudarem o código de trabalho de forma a beneficiarem os pais, fazem o oposto... Isto tem que nos revoltar!!

pikita disse...
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pikita disse...

E os funcionários das escolas, e os professores deixam de ter direito de serem bons pais?

Acrescento que trabalho num Agrupamento de Escolas em que para uma reunião geral de pais (marcada para as 18 h, para cerca de 600 pais) sobre a utilização segura da Internet apenas apareceram 3 pais.
São estes os pais que querem a escola de 12 h. Não se preocupam sequer em aprender a educar os filhos.

Tiago Magalhães disse...

Porque haveria de haver 12 horas por dia????

Se um dia AINDA tem 24 horas e as crianças têm que dormir mais que 8 horas... sobram para os pais quase nada...

Apesar de concordar em parte que as crianças estejam com os seus amigos, 12 horas é algo de descabido.

Inês disse...

Tenho 29 anos, sou bailarina e psicóloga e fui uma criança sipostamente sobrecarregada. Entre os 3/4 anos e o fim da adolescência, pratiquei ballet e depois outras modalidades, conservatório de música, natação e belas-artes, fui extremamente acompanhada em tudo isso pelos meus pais e feliz, porque nunca fui "depositada" em lado nenhum e pude praticar tudo aquilo que pedi.

Acredito que a vida deles teria sido bastante mais fácil em termos de horários e financeiramente se tivesse sido diferente. Sempre fui incentivada a adquirir connhecimento e não seria a pessoa que sou se não tivesse passado por isso. O único aspecto em que saí "lesada" na infância foi o tempo de recreação com outras crianças fora da família, mas os ganhos superam claramente esta perda e agradeço profundamente aos meus pais todas as oportunidades que me deram e todos os sacrifícios que fizeram nesse sentido.

No entanto, concordo com a Dra. Ana Paula Reis: há crianças e crianças e tudo o que é demais é prejudicial.

O opção deveria ser dos pais e das próprias crianças e não imposta por ninguém. Mais qualidade e variedade sim, mas por opção. Todas as crianças têm necessidades específicas.

Obrigado.

Dulce P.P. disse...

Boa tarde!
Gostamos de copiar de outros países, porque não aproximar daquilo que se faz na Europa (França,Alemanha...)?Como disse a Drª Ana Paula Reis.
Como serião os Horários dos professores num modelo de 12 horas de Escola aberta?

João Paulo disse...

Pelo que pude ler neste blog, posso verificar que este pedido da CNAP é tudo menos inocente e os pais perceberam quais são as verdadeiras implicações de uma medida destas...

Como se costuma dizer: "de boas intenções está o inferno cheio"...