sexta-feira, setembro 18

Produtos agrícolas 10x mais caros

Porque é que um quilo de batata vendido pelo produtor a 0,06€ ou 0,07€ é vendido nas grandes a 0,40€ ou 0,50€/Kg? Como é que uma agricultura subsidiada, numa Europa sem taxas aduaneiras entre Estados-membros, resulta em produtos alimentares cada vez mais inacessíveis às classes baixas? Como é que nos passámos de um país quase auto-suficiente em termos agrícolas, em meados do séculos passado, para uma nação que importa a esmagadora maioria dos vegetais que põe na mesa?
Em época de crise, as contas de supermercado são as que mais pesam nos orçamentos familiares. Porquê? Que alternativas têm os parceiros do SC para apresentar?
Convidados:
Eugénio Sequeira, Presidente da Assembleia Geral da LPN
Firmino Cordeiro, Presidente da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal
José António Rousseau, Director-geral Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição
João Vieira, Trilho – Associação de desenvolvimento rural

5 comentários:

Martinha disse...

Os produtos agrícolas estão cada vez mais caros por muitas razões e uma delas é, sem dúvida, o não querer ser agricultor...ninguém quer cultivar as terras. Porquê? Porque são trabalhos árduos e sempre mal pagos. Pois é mas, toda a gente gosta de comer produtos agricolas de qualidade.
No meu caso eu opto sempre, mas sempre mesmo, pelos produtos nacionais e biológicos. Mais caros, é certo, mas como a saúde não tem preço, não tenho dúvidas de que é a opção mais acertada.

Guilherme disse...

In "Ciência Hoje":
Em 2008, a Comissão Europeia lançou uma campanha promocional para a agricultura e produção biológica, denominada «Agricultura Biológica. Boa para a natureza, boa para si». Desde então, foi criada uma plataforma online (http://ec.europa.eu/agriculture/organic/home_pt) que funciona como o ponto central de informação para todas as questões relacionadas com as políticas para uma boa prática da actividade.

MPT Algarve disse...

Felicitações ao programa por mais uma vez chamar a atenção a um problema gravíssimo e cuja preocupação deveria ser tema central de todos, e em especial, de todos os partidos políticos que se interessam pela sustentabilidade nacional.

À pouco referiram a ausência do debate político sobre o assunto.
Não posso deixar de referir que o único Partido político que defende a economia de subsistência, com foco na agricultura biológica almojando a autosuficiência alimentar do país, é de facto o Partido da Terra.

Falou-se na exportação. Pois bem dando como exemplo a conhecida amêndoa algarvia, perceba-se os dados oficiais:
Quando a Cooprabol foi formada, em 1995, reunia 100/120 toneladas de amêndoa por ano. Em 2008 ficou-se pelas duas. Números oficiais confirmam a tendência de queda na produção comercial de amêndoa no Algarve. Em 1999, foram produzidas 3339 toneladas, em 2005, 1279. E, em todo o País, no mesmo período, passou--se de 34 631 toneladas para 13 823 (ver quadro ao lado).

Por continuar a haver quem pense que importar é melhor que produzir, ficamos à mercê das políticas externas de cada país, enquanto poderiamos muito bem promover o emprego e a sustentabilidade alimentar do país, cultivando-se os produtos para que temos apetência e limitando a importação aos produtos para os quais não temos condições favoráveis.

Por este caminho, e se o problema continuar a ser ignorado, rumamos a passos largos para a extinção da produção agrícola e para um grave patamar de fome e total dependência das ajudas de países terceiros.

Muito Obrigado.
Paulo Rosário Dias - ALGARVE, pelo MPT (que integra a coligação para as legislativas FEH - Frente Ecologia e Humanismo

Pedro Pontes disse...

A agricultura serviu sempre para trampolim de figuras intervenientes. Temos uma agricultura de mato e giestas, onde as terras já nem são limpas. Falam em agricultura biológica, pois sim. Eu tenho uma proprieda de 2hectares na zona da Beira Alta, não vejo qualquer apoio para fazer seja o que for. Ainda por cima tenho de gastar dinheiro para limpar. Por favor, deixem-se de teorizar e digam o que fazer. é pena que nem as associações que representam o sector, tenham a frente gente com determinação e conhecimentos para tal.
Pedro

deliancourt disse...

As pessoas já não procuram grande gratificação na vida profissional. Apenas procuram lucro e segurança. A agricultura é um sector árduo, com margens de lucro pequenas, com elevados riscos (dependente muito do clima e com elevado risco na comercialização dos produtos perecíveis), mas muito gratificante em termos de qualidade de vida e sintonia entre valores e pratica do dia-a-dia. Passa-se que muitas pessoas que têm terras não estão dispostas a arriscar investir nelas e terem de esforçar-se para encontrar a equação ideal para aa rentabilizar. E ainda querem que lhes 'paguem' para serem agricultores. Ao Sr. Pedro Pontes: se não acha mal ter que pagar nas obras de manutenção da sua habitação porque acha mal pagar por trabalhos de limpeza e manutenção as suas terras? Se não as quer nem a elas se sente emocionalmente ligado VENDA. O pior que anda por aí são os proprietários citadinos que negligenciam as suas terras/propriedades. Não plantam nem deixam plantar!