sexta-feira, outubro 30

De sim e de não se faz a educação

Como lidar com o comportamento violento de um filho? A maioria dos pais não sabe e começa agora a procurar ajuda especializada.
Quando se fala de crianças com comportamentos desajustados, é comum pensar-se em famílias desestruturadas, socialmente carenciadas, como modelos de comportamento violentos. Mas esta é uma realidade insofismável? Ou há outros factores que desencadeiam a violência? O que mudou na educação para termos crianças violentas? É necessária uma intervenção rápida da escola e da família para que esta questão não termine, como muitas outras, nas barras dos tribunais de menores?

Convidados:
Fátima Mota, Diretora da área da Família na Fundação Bissaya Barreto
António Ponces Carvalho, Dir. Escola Superior de Educação João de Deus
Carlos Reis, Reitor Universidade Aberta
Maria de Lurdes Cró, Doutorada em Psicologia da Educação da Escola Superior de Educação de Coimbra

13 comentários:

Bruno Ervedosa disse...

Acho que a família tem um papel fundamental e hoje em dia o tempo dedicado à cultura da família é muito pouco. Lembro-me que passava o meu tempo com os meus pais ou a jogar à bola ou inventar receitas de bolos com a minha mãe. Com os meus avós ia para o campo (des)ajudar na horta e com os animais. Hoje, as crianças, passam o tempo em frente a uma TV ou a um PC. Penso que isso influêncie o comportamento dos adolescentes.

PROTUGLA disse...

Oi... Primeiro devo salientar a importância deste programa para o desenvolvimento de muitas pessoas e de opiniões neste país, eu própria me apercebo que começo a fazer perguntas que não fazia antes.
Isto, aliás, é uma das facetas da educação, ou seja, fazer crianças ou adultos pensarem em assuntos que não pensavam antes e mesmo fazê-las aperceberem-se de outras realidades.
Como professora de inglês do primeiro ciclo (ou seja só tenho 3h de contacto por semana com cada turma) posso dizer claramente que 60% do tempo de aula é a criar hábitos saudáveis, implementar regras e incutir-lhes sentido de responsabilidade e ética. E como professora é frustrante! Isso deveria vir já de casa. São coisas que, segundo alguns psicólogos, deveria ser incutido desde nascença e que aos 4 anos já são sentidos desenvolvidos.
O problema é que isso não tem sido o que vem a acontecer nas últimas 1 ou 2 décadas. É a falta de sentido de limites, de orientações e de linhas guias. As minhas turmas tiveram um grande choque quando lá cheguei, e demorou a habituarem-se, mas agora que já estou no 2º ano com alguns deles nota-se a evolução e o quanto "agradecem" (indirectamente) por terem limites que conhecem e por se aperceberem que a vida deles também é mais facilitada por isto. E isto nota-se no seu comportamento! A violência é parte da consequência desta falta de modelos e limites.
Quanto a adultos a situação é a mesma. Termos uma sociedade "facilitista" desenvolveu adultos "facilitistas" que, à semelhança das crianças, deixaram de ter uma linha guia e orientadora, transpondo facilmente limites sem que isso lhes pareça estranho, errado, incorrecto ou socialmente inaceitável.

Um novo paradoxo na educação e na sociedade poderá ser uma solução, mas como tarda a ser desenvolvido ou implementado, temos de encontrar soluções para o agora. Porque é neles que está o futuro.

João Paulo Sousa disse...

É tão redutora a questão do sim ou do não, na educação das nossas crianças, como a questão do “porque sim” ou do “porque não” – a vida, enquanto uma espécie de Minesweeper, não se encaixa na perspectiva das sondagens, das médias (que eventualmente só medirão os padrões de mediocridade) e outras “sábias” e doutas teorias, que basicamente não servem para mais que preencher o miolo dos livros… que variam, a uma velocidade tão grande, quanto a necessidade de imprimir “opiniões”!... Em que “divisão da casa” comum, de todos os seres envolvidos no processo de “educação da criança”, fica a validade dos pólos positivos e negativos da dita, quando a crise ou a inexistência de aplicação de valores válidos, estão ausentes no seu quotidiano?
A banalização da questão “da criança” é tão avassaladora, quanto a inutilidade de perceber quantos sins e quantos nãos devem escutar, as nossas crianças… é só mais um padrão! A interrogação permanente do educador (sob todas as formas), no seu influente papel da educação seria mais pertinente… quantos “valores” poderemos validar na criança? Quantos temos, quantos são e o que são… que solidez pode transmitir o adulto que vive em permanente insegurança perante os valores que tomou como garantidos, há muito e hoje, porventura amanhã, não tem qualquer substancial “valor”?
O sim e o não? Porque não o “talvez? vamos lá ver a questão em conjunto!

Paremos e pensemos!

António Santos disse...

É importante que os professores procurem dar todo apoio aos alunos e serem sensíveis para a falta de tempo e cansaço dos encarregados de educação. E quem dá apoio aos professores? E aos seus filhos?
É legítimo os professores darem apoio aos seus alunos e filhos dos encarregados de educação que não podem dar tanta atenção ao percurso escolar dos seus educandos e, desprezarem completamente os seus próprios filhos?

João Paulo disse...

Sou pai de 2 crianças que andam no ensino básico. Na minha opinião, os esforços de educação, quer da parte dos pais, quer da parte da entidade escolar, de nada valem enquanto não se mudar também o comportamento social e a conteúdo dos "mass-media".
Já nos meus tempos de escola, havia quase como uma "corrida de popularidade" que era sempre ganha pelos mais irreverentes, pelos mais ousados e pelos pior comportados. Convém lembrar que, segundo Hollywood e a MTV, durante décadas, o "herói" da história reune quase sempre essas características.

H. Borges disse...

Boa tarde

Gostaria de uma opinião acerca da questão que coloco:

O meu filho tem 6 anos e iniciou este ano o 1º ano do 1º ciclo num colégio que frequenta desde que nasceu, neste curto espaço de tempo de actividade escolar temos denotado alterações comportamentais, e após varias tentativas de comunicação com o nosso filho no sentido de perceber a causa de tais alterações constatamos que existiam metodologias aplicadas pela professora das quais não concordamos, nomeadamente:

- Os gritos constantes na sala de aula.
- A nomeação dos melhores e piores alunos em termos comportamentais e de aprendizagem. (o meu filho certo dia disse que a professora nesse dia estava muito contente com ele pois tinha feito todos trabalhos muito bem, claro que fiquei obviamente muito contente, mas logo referiu que a mesma tinha dito que nem parecia dele) – Será isto um reforço positivo!?!
- Uma certa “manipulação e chantagem psicológica” de forma a conseguir um controle comportamental e uma evolução acelerada de aprendizagem.

Este tipo de situações provocam situações comportamentais, em que em determinados dias chora para não ir à escola, alegando que nunca consegue fazer os trabalhos bem.

Já abordamos a professora no sentido de tentar alterar o estado de coisas, mas continuam a correr.

Um dos objectivos pedagógicos do colégio é as crianças saber ler até Janeiro/Fevereiro será normal, não será demasiado exigente?

Hugo Borges

Raul disse...

Ainda me lembro dos nãos que levei, e hoje vejo que são a força da minha autonomia como homem e cidadão.

O que se vê actualmente é uma total liberdade na educação, temo que um dia ainda vão chorar mais do que choram quando fazem birra

antonio vaz disse...

Não fui eu que disse, mas sim todos os que de dedicam a esta matéria, que são exactamente as Universidades viradas para o Ensino (ESES) que deram cabo do mesmo em Portugal. Estas Universidades da Treta onde se entra com negativa e só ensinam cadeiras da Treta.

Madge disse...

Os professores não só fazem cumprir as regras como o têm de fazer em simultâneo a 28 alunos, e é aí q reside a dificuldade.

YUma professora

Ema disse...

um tema mt pertinente.
pela experiencia como mãe acho que um NÃO na hora certa produz bons resultados se nao a curto a longo prazo. talvez por isso as minhas filhas (11 e 13 anos)nunca fizeram birras onde quer que fosse. a educaçao traz-se de casa e os pais de hoje esquecem se um pouco disso.

Ema disse...

um tema mt pertinente nos nossos dias!um NÃO na hora certa nunca fez mal a ninguem. mais cedo ou mais tade dará bons frutos.
como mãe nunca me senti "culpada" pelos nãos que lhes tenho dito, da mesma forma tenho orgulho dos que os meus pais me disseram.
a formaçao do caracter começa com pequenos nãos desde cedo.
tb sou mãe , e tenho orgulho de dizer que as minhas filhas nunca me fizeram uma birra onde quer que fosse, ja sabiam as regras e nao valeria a pena desde muito pequenas, e nunca deixei de leva-las "as compras"

Zeta Draco disse...

O nível de permissividade ou rigorna educação, e os valores a transmitir aos filhos são assuntos que dizem respeito aos pais, e não às escolas, e muito menos ao ministério da educação. As escolas devem limitar-se a passar conteúdos, conhecimentos técnicos e competências críticas nas várias áreas; e não usar e abusar do tempo lectivo para inculcar ideologias e valores nas crianças. Ainda há algum tempo queriam eliminar as aulas de filosofia; para substituir por quê? educação sexual ou para a cidadania (na definição de quem?) ou qualquer otra religião e moral alla Marx?
É necessário livrar os currículos de carga ideológica e incentivar - isso sim - o sentido crítico nas crianças e jovens. A razão para isso devia ser óbvia: todos os valores são passíveis de crítica; sim, até os socialistas!

Sylvie disse...

O que mudou para termos agora crianças com comportamentos tão violentos? a sociedade mudou.