segunda-feira, março 22

Plágio dos trabalhos escolares

O comércio de teses de mestrado ou mesmo de doutoramentos é comprovado pelo inúmeros sítios na internet onde se oferecem trabalhos já feitos ou serviços pagos à peça. E esta é a versão simplificada – o plágio começa muitas vezes com um vulgar Google it seguido de um copy-paste.
Hoje, trazemos ao Sociedade Civil professores, alunos e pedagogos para discutir os inconvenientes de um percurso escolar ficar marcado por esta prática. Que adultos serão estes? Que valores estamos a passar? Que validade tem um curso ancorado em plágios?

Convidados:
Manuel Ferreira Ramos
, Confederação Nacional das Associações de Pais
João Pedro Aido, Associação Professores de Português
Manuel Caldeira Cabral, Professor Universitário
Paulo Querido, Jornalista

29 comentários:

José Gonçalves-Pinto disse...

queria apenas deixar 3 pensamentos:
- e porque não plagiar?será que a sociedade futura não irá premiar isso ou estaremos presos ao passado (empregos, filosofias, atitudes);
- a escola servir como mais uma ferramenta (tal como a internet, Tv, jornais..) e não como um fim em si mesma (pois o objectivo último das escolas actuais parece ser a de criar professores universitários);
- o plágio liberta-nos imenso tempo para as coisas realmente importantes.

Ricardo Antunes disse...

Hoje, há já ferramentas que permitem aos professores verificar isso.

Uso regularmente este (criado por uma Universidade, para combater esse problema). http://approbo.citilab.eu/

Ricardo Miguel disse...

Quem o faz é porque não tem bases educacionais para frequentar o curso!
Não há métricas para avaliar os conhecimentos dos alunos? claro que sim!
Se um Mestrando não sabe do que fala, por certo que um professor o consegue apanhar! A não ser que andem a despachar canudos, para aumentarem a taxa de aproveitamento dos alunos e conseguirem assim mais "mestres" em futuras inscrições!
Há também outro problema, os cursos não estão configurados para servir a sociedade, para serem colocados em prática. Logo, esses estratagemas são utilizados para safar.

João disse...

Em relação à SPA como é que explicam que eu encomendando CD'S de música, filmes, vindos de Inglaterra acabados de sair ficam-me a mais de metade do preço exercido em Portugal?

Jorge disse...

Outra vertente: e os universitários que «compram» os trabalhos? Sou professor de informática na secundária de Vila Verde e já fiz vários trabalhos para ex-alunos, então já na universidade. A todos lhes disse que a culpa era dos docentes universitários: davam enunciados impossíveis, por vezes logo no primeiro ano. Nunca um aluno faria aquilo. Como disse, fiz vários trabalhos de programação e passei várias horas a explicar o trabalho aos «autores» para aprenderem algo e o defenderem junto ao docente universitário. O último que fiz os alunos tiveram 18, mas disse aos alunos que o docente nunca acreditaria que foram eles que o fizeram. Mesmo assim, receberam a melhor nota da universidade e o trabalho dado como exemplar. Uma boa parte dos docentes universitários deixa muito a desejar: dão enunciados descarregados da internet, muito difíceis e aceitam trabalhos «impossíveis» pois assim mostram sucesso ao chefe...

ﻣﺤﻤﺪ Rachid disse...

olá Boa tarde!

plagiar não é exclusivamente feito só pelos estudantes. Até os próprios jornalistas, quando querem falar sobre um tema que não dominem, eles recorrem a pesquisa na net, para se orientar por outro autor(ou bloguista) que já tenha falado sobre o mesmo tema, e sem indicar a referência de bibliografia.
Será isso plagiar?

Carlos disse...

No Ensino Superior recorre-se ao dito copianço principalmente porque a maioria dos exames estão carregados de teoria que a maioria dos professores não fala sobre e manda simplesmente ler.
Devia haver uma maior análise e uma maior humildade dos professores quando pedem aos alunos carradas de livros para "estudar". O aluno fica assim confinado a dois caminhos: marrar/decorar ou copiar.

O plágio dos trabalhos escolares na minha faculdade torna-se difícil porque os alunos são colocados quase sempre na situação de defesa dos trabalhos. E temos a sempre e eficaz ameaça que os professores nos fazem: "O Google é uma arma poderosa! Algum conteúdo que lá encontre e esteja igual no vosso trabalho significa zero na nota final do mesmo!"

Antístenes disse...

Boa tarde,
deixo algumas constatações minhas:

- em várias turmas e cursos que conheci, quem copiava acabou o curso 1º;

- vários professores não se ralavam com cábulas ou plagiarismo, prejudicando os honestos;

- em Portugal só conheci 2 professoras que ensinavam os alunos como fazer citações, isto levava os alunos a não as fazer (no Reino Unido isto é de ensino obrigatório);

- em muitos casos, a ideia dos trabalhos era que os alunos fossem capazes de ir copiar a informação "certa";

- o ensino português promove a copia desde criança, desincentivando a criação independente (obrigatória no Reino Unido).

Em relação à alteração de forma, peço desculpa mas isso implica trabalho, sendo a alteração formal de texto a regra na construção dos artigos científicos, quando se referem outros autores.

Pedro Alves

Madge disse...

Nas universidades, os trabalhos parece que têm de ser "grandes", e isso leva a que o plágio seja visto como um meio. E, quando todas as cadeiras pedem trabalhos em simultâneo, ainda mais o plágio é utilizado para poupar tempo.

Antístenes disse...

A resposta à pergunta da citação de conferências ou de aulas o problema está na lei portuguesa que é mais papista do que o Papa. No mundo académico no estrangeiro é normal citar conferências ou publicar livros com base em aulas - veja-se o caso dos livros baseados nas aulas de Pierre Bourdieu.

Pedro Alves

João disse...

Cara Fernanda,

Desculpe-me discordar com o que referiu em relação a leitura das obras em Português.
Eu dou o meu exemplo.
No 12.º ano não li a obra "Memorial do Convento", tendo tirado excelentes notas lendo um resumo encontrado na internet.
Realizamos contrato de leitura (teste sobre conteudos da obra) em que obtive 17 valores. No exame nacional saiu também a mesma obra tendo tido também 17 valores.

Mais que ler a obra é importante percebê-la.

Cumprimentos,
João

Soce disse...

Boa Tarde,

Sou aluno da Universidade Tecnica de Lisboa, Instituto de Economia e Gestao,


Se formos apanhados a copiar durante um exame, ficamos impossibilitados de realizar esse exame nos próximos 3 semestres.
O que quer dizer que há punições.

Luís Couto Soares

Jorge disse...

PS: Nunca recebi nada em troca e faço questão de o dizer logo no início. Faço-o pois assim treino para ser melhor professor (quando o enunciado é aliciante) e insisto para que os alunos entendam tudo o que fiz. Mas sei que alguns colegas deles os compram aos colegas dos últimos anos.

anton disse...

De início, a cópia é moralmente errada pelo facto de não mencionar o autor, depois é socialmente perniciosa pois em vez de originar seres pensantes produz "meninos relógios de repetição" e a pilhas.

As culpas são também de atribuir a quem faz o tipo de pergunta que admite uma cópia como resposta.

Maria disse...

Estou no 2º ano de faculdade e as vezes ate me "arrepio" na epoca de frequencias. Que atire a primeira pedra quem nunca copiou.. Mas ir para uma frequencia, estando apenas a espera dos outros e triste.. E nao e pelos professores, nem pelos colegas, mas apenas por nos mesmos. Quem faz isso engana-se a si proprio.

Rui Caldas disse...

Olá!

Sou professor numa escola superior e à bem pouco tempo fui também aluno.
Cheguei onde cheguei porque sempre soube que quando se copia, não se aprende.
Na minha Unidade Curricular não admito o plágio, e é muito fácil de o detectar: basta "copiar" um paragrafo do trabalho do aluno para o google! se aparecer tudo a "bold", já foi... nem leio o resto!

Antístenes disse...

E quando o artigo jornalístico é uma tradução directa dum artigo estrangeiro sem citar a fonte?
Isto acontece num jornal dito de "referência", vá-se lá saber porquê...

Pedro Alves

Sociedade Civil disse...

"Fernanda, antes de te dizer seja o que for, não posso deixar de te dizer, obrigada e obrigada também pelo bom programa que diariamente nos dás.

Estás hoje a abordar um tema que me interessa particularmente e não posso deixar de te dar nota de que, na minha opinião, estás a deixar passar sem fazer referência o problema primeiro do plágio, o roubo, porque se para os nossos pais era fácil mostrar-nos o certo e o errado, no que respeita ao roubo, por exemplo da maçã que se roubássemos ao senhor da frutaria que as tinha expostas à porta da loja, é hoje mais difícil pra nós, demonstrar aos nossos filhos, que plagiar o texto que encontraram na net, estão a roubar da mesmíssima forma que se tirarem a maçãzinha do cesto à porta da frutaria.

E não é muito mais importante o valor HONESTIDADE do que tudo o resto?


Dulce Guimarães"

(via e-mail)

Catarina Fonseca disse...

Durante os seis anos em que andei na universidade nunca plagiei, ou fiz "cábulas". Tinha um colega que passava mais tempo a passar a matéria para o computador e daí para a calculdora gráfica que a estudar! Oferecia-me com frequência as suas cábulas...Ele dizia que eu era "totó", mas eu fiz sempre questão em obter o meu diploma como mérito do que tinha feito.
Não entendo porque se copia na universidade...e tenho vergonha de ver aqui comentários de alunos que se queixam que têm de estudar muito...não é esse o objectivo?

Pedro Mamede disse...

Gostaria somente de referenciar o facto de hoje 22 de Março ser o "Dia Mundial da Água", teria sido interessante a abordagem deste tema no seu excelente programa... fica a dica ;)
Vale pelo menos uma referência... http://www.unwater.org/worldwaterday/flashindex.html

Paulo disse...

dou formação no IEFP ao nível do 12º ano e ficariam surpreendidos com a execrável iliteracia generalizada que é relevada nos trabalhos para avaliação. Em grupos de 20 formandos há não mais de 3 ou 4 pessoas que sabem escrever sem incorrerem em dezenas de erros. Desta minoria todos usam e abusam de copy paste muitas vezes das fontes que eu próprio lhes dei e só 1, no máximo, sabe realmente pensar. O ensino é tão mau, e não sendo avaliação quantitativa nem sequer tendo margem para chumbar um aluno, que não resta aos formadores senão assinar e aprovar trabalhos assustadores. A maioria dos meus formandos têm filhos em idade escolar.
PM

anton disse...

Poderemos também questionar quem faz estas perguntas originais que obtêm e aprovam um conteúdo copiado.
Aqui o moralmente reprovável - perdeu-se a autoria, a verdade e a identidade - origina uma serie de "meninos relógio" que vão repetindo tudo sem ideias próprias.
O importante é passar! Mas passar para uma sociedade com as mesmas perguntas e respostas é ficar no mesmo ano.
António Alfaiate

Raposa Maluca disse...

As universidades já começam a disponibilizar ferramentas para combater este problema. Sou aluno da universidade do Minho, e ainda este ano tive que entregar um trabalho, em que antes de este chegar à docente, teve que ser submetido a um mecanismo que permitia verificar se existia algum tipo de plágio "copy paste style". Caso o valor de "plágio" ultrapassasse um X%, o trabalho seria imediatamente anulado. É uma boa medida, que deveria ser seguida por todas as universidades portuguesas.

Sociedade Civil disse...

João Pedro Aido (APP) sugere a leitura de

Ficções- de Jorge Luis Borges ( ed. livros do brasil)
e
Escritos sobre uma vida ética - de Peter Singer ( ed. dom quixote)

Paulo disse...

Fui administrador de doutoramentos na universidade de londres e tenho a impressão do sistema e sensibilidade anglo-saxónica face ao plágio ser muito mais frutuosa que a nossa. Todos os doutorandos são sujeitos a um exame oral (viva) feito por dois examinadores que não podem ser do circulo de conhecimentos do visado. Um destes é interno à universidade e outro externo, sendo que por vezes recorrem-se a examinadores de outros países. Um critério supremo preside à escolha destes examinadores - têm que ser nomes reconhecidos internacionalmente na área académica (normalmente muito específico) da tese. Este facto, em conjunto com a exigência da tese revelar material original e de nível publicável faz com que qualquer tentativa de fraude seja facilmente detectável. Outro ponto que difere este sistema do português é que apesar da taxa de aprovação ser muito alta, só raramente (aprox. 5%) uma tese passa sem que o candidato tenha que fazer correcções, que podem ser menores e efectuadas num prazo de 3 meses sem viva, ou significativas a 6 meses com obrigação de nova oral. Em 2 anos passaram por mim mais de 6.000 teses e não ouvi a palavra plágio mais que 2 ou 3 vezes. Recordo-me que os doutorandos em questão foram seriamente punidos e, dado conhecer o sistema britânico por dentro, estou bastante seguro que nenhum doutorado da universidade de londres tenha obtido o seu grau com recurso à fraude. Conheço algumas pessoas em portugal doutoradas em universidades duvidosas tanto deste pais como de espanha, e que se gabam do seu grau obtido com recurso ao plágio e outros géneros de fraude.
PM

Catherina Sanders disse...

Caros Senhores SC,

Algo que não se falou no programa, foi os meios como denunciar e colocar um processo sobre quem plagia.

(Para todos)
É sempre mau quem copia e quem plagia. Pois não irá aprender, e está a evidenciar algo que não é, devido não ter o conhecimento.
Dizer ou escrever algo e mencionar o seu autor, só demonstra respeito e admiração por alguém que conseguiu escrever aquilo que por vezes sentimos, ou queríamos dizer.

Uso como assinatura dois versos de Fernando Pessoa, e não tenho vergonha de os usar, nem por não os ter escrito.
Admiro Fernando Pessoa, e por vezes, parece que ele sabia já a minha alma antes mesmo de eu nascer.
(«Valeu a pena? Tudo vale a pena, se a alma não é pequena» Mensagem)
Abraços,

Catherina

Sil disse...

Plagiar... é um direito? talvez
mas o que me preocupa mais é que vejo cada vez mais a falta de opiniões divergentes.

O meu medo é de que se passe a ter uma unica verdade uma unica historia. e este meu medo não e uma utopia é real, ja se esta a instalar ...
hoje quando faço pesquisas na net, os resultados são a Wikipedia e outros sites referenciados no google e se tentar outros meios de pesquisa vai tudo dar ao mesmo. A wikipedia em vez de dar acesso da informação a todos, esta a toldar a informação de todos por vezes com incorreções graves e varios PLAGIOS DE OUTROS SITES E ARTIGOS DE AUTORES COM FONTES BEM DUVIDOSAS.

LEMBRO-ME DE ALGUNS ANOS ATRAZ FIACR ESPANTADA COM A INFORMAÇÃO QUE CONSEGUIA NA NET, AGORA SINTO QUE AS MINHAS PESQUISAS EM VEZ DE PERCORREREM UM GRANDE LEQUE DE OBRAS E OPINIÕES, FICAM NUM TUNEL ACOLCHOADO DE SITAÇÕES OPINIÕES IGUAIS E BLOGUES DE PSEUDO-ESCRITORES/JORNALISTAS/CRONISTAS ..

Fonseca disse...

Plagiar é roubar a ideia de alguém. Com já foi dito, nem o plagiador aprende, não exercita a mente, nem está a ter respeito pelo esforço de outro.
O problema é que, em muitas situações já são plágios ou cópias de outras cópias, e instala-se a repetição e a falta de criatividade.
Portanto, é desde cedo que temos de ensinar as crianças a não plagiar. e é claro, arranjar maise melhores meios de detecção de plágio para punir os prevaricadores.
Eu gosto de fazer citações, sempre dizendo a fonte ou que não é de minha autoria, e por vezes dizer algo que ouvi de outro mas faço recriação ou acrescento algo. Nunca ouviram: "quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto?" E que um tradutor não está simplesmente a plagiar, mas a fazer a sua versão daquele trabalho ou obra, embora seja plágio na raíz? Por exemplo, a Bíblia já tem tantas centenas de anos, passou pela inquisição/censura e foi traduzida e retraduzida tantas vezes em inúmeras línguas, não terá diferenças do original? Não se ofendam, gosto da religião, embora não siga as cerimónias, do ponto de vista histórico, um pouco como o famoso psicoterapeuta escritor Augusto Cury. Não sei se conhecem, tenho alguns livros dele.
As melhores obras, os feitos mais notáveis não foram plagiados. Mas usar uma pequena cábula como suporte de memória, não é o "fim do mundo", se foi feita por nós, até estamos a estudar enquanto se faz a cábula. Mas eu de facto, só usei um ou duas vezes, ficava cheia de nervos e não dava valor se tinha boa nota, por isso desisti.

Dustspell disse...

"Plágio dos trabalhos escolares"
Pelo o titulo fundamentalista e até diria absurdo , devemos têr por aqui um fã da ASAE rsrs

Por favor vamos falar sério...